Reforçar a Vigilância Revolucionária, Tarefa Vital do Partido

Diógenes Arruda

Fevereiro de 1952


Fonte: Informe apresentado por Diógenes Arruda no Pleno do C.N. do PCB em Fevereiro de 1952. Problemas Revista Mensal de Cultura Política, nº 39, Março-Abril de 1952.
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo
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CAMARADAS. Sabeis que cumprimos nossas tarefas como Partido revolucionário do proletariado num ambiente de aguda luta de classes, onde a tendência não é para sua amenização mas para seu acirramento crescente. Marchamos para sérios combates, para lutas duras e difíceis. Isto evidentemente não nos assusta, mas nos obriga a ser cada vez mais vigilantes diante dos reflexos inevitáveis dessas lutas nas fileiras de nosso Partido.

Sim, camaradas, deveis ter bem presente que quanto mais as lutas se desenvolverem e se aprofundarem e quanto mais desesperada for a situação de nossos inimigos, tanto maiores serão os perigos de diversão, provocação e conspiração contra o Partido, tanto maiores serão os perigos de conluios de arrivistas, capituladores e divisionistas dentro do Partido.

Mais que nunca, camaradas, devemos tomar firmemente em nossas mãos a tarefa honrosa de reforçar por todos os meios, nas fileiras do Partido, a vigilância revolucionária, de combater sem piedade as manifestações de todo gênero de oportunismo e sectarismo, de denunciar e extirpar os elementos nacionalistas burgueses, nacional-reformistas, capituladores, desagregadores e agentes do imperialismo, quaisquer que sejam as bandeiras sob as quais se ocultem.

Mais que nunca necessitamos estreitar os laços que nos unem dentro do Partido, transformando mais e mais as fileiras do Partido num bloco monolítico em torno do Comitê Nacional.

I

CAMARADAS. Dia a dia nosso Partido dá passos mais firmes no sentido de seu fortalecimento orgânico, político e ideológico, no sentido de suas ligações mais estreitas com as grandes massas.

Nosso Partido é o Partido da paz. Comanda nosso povo na defesa ativa da paz; denuncia incansavelmente a alienação da soberania nacional e o caráter guerreiro e de traição do governo Vargas, serviçal direto dos imperialistas americanos; não vê sacrifícios ao dar sua contribuição para fazer fracassar os monstruosos planos de agressão ianques contra a União Soviética, contra nosso povo, contra, os povos do mundo inteiro.

Nosso Partido é o partido das liberdades democráticas, da luta contra a carestia da vida, pela terra aos camponeses e pelas reivindicações da classe operária e do povo. E, por isso mesmo, o Partido da unidade. Unidade nas empresas e nos sindicatos, no campo e nos bairros populares, entre os jovens e as mulheres, ampla unidade de todos os setores patrióticos e dos partidários da paz. É o partido da Frente Democrática de Libertação Nacional.

Nosso Partido é o Partido que luta contra o atual governo de guerra, de fome e terror contra o povo, contra a odiosa dominação americana; é o partido que luta por um governo democrático popular, um governo de paz, de independência nacional e de liberdade para o povo.

Nosso Partido é o Partido de Prestes, o grande patriota e internacionalista, inspirador e dirigente de nossas lutas libertadoras. É o Partido de heróis e de mártires como Luiz Bispo e Jofre, Godói e Zélia Magalhães, heróis e mártires de cujo sangue brotarão copiosas colheitas; é o Partido das esperanças do nosso povo que não quer a guerra, a matança de homens, a dor das mães, das esposas, das irmãs, das crianças.

Justamente por isto nosso Partido é tão odiado pelos atuais governantes brasileiros e pelos imperialistas americanos; justamente por isto os provocadores de guerra lançam-se com tanta fúria contra os comunistas. Quanto mais acesa é a luta, tanto mais inescrupulosos são os métodos da reação imperialista contra nosso Partido, desde os métodos de terror fascista até os métodos mais sutis e camuflados de infiltração e conquista de elementos em nossas fileiras. De um lado a reação desenvolve uma intensa luta aberta, através de campanhas de imprensa, por meio de mentiras, repressão, prisões, assassinatos, procurando criar um ambiente de terror e de pânico; de outro lado a reação intensifica, por todos os meios, seus métodos quinta-colunistas contra o Partido, suas táticas diversionistas e desagregadoras, seu trabalho de provocação e espionagem, procurando infiltrar-se ou ganhar adeptos em nossas fileiras, agir diretamente ou influenciar tais ou quais elementos, explorar cada fraqueza ideológica, política ou orgânica existente para desacreditar os organismos e os dirigentes, o ritmo de nosso trabalho político c de massa, para isolar o Partido das massas, para enfraquecer e desagregar o Partido.

Nenhuma espécie de luta da reação imperialista, entretanto, jamais conseguiu deter a vontade de luta e a combatividade militante de nosso Partido no cumprimento de sua missão histórica, ele se retempera e avança, a despeito de tudo, à frente das lutas de massas, aumentando sua influência e sua autoridade. A classe operária, o povo brasileiro, todos os explorados e oprimidos vêem cada vez mais no Partido Comunista seu único defensor, vêem nos comunistas os combatentes intrépidos que se colocam, em todas as circunstâncias, à frente de seus interesses, vêem em Prestes seu líder querido, sua grande esperança.

Enquanto isso, vem o Brasil sendo submetido à mais odiosa colonizaçâo e servidão americana, as classes dominantes seguem uma política de guerra, de militarização crescente, de entrega das riquezas nacionais aos imperialistas ianques, de miséria e terror contra as massas trabalhadoras e populares. Diante do nosso povo se colocam imperiosamente problemas fundamentais — contribuir para a manutenção da paz, conseguir a libertação nacional do jugo imperialista, a liquidação do latifúndio, a abolição do sistema semi-feudal e semi-colonial de nossa economia. São estes problemas que foram enfrentados pelo nosso Partido, de maneira justa e vigorosa, no Manifesto de Agosto de1950. Afirmamos então ser perfeitamente realizável a tarefa de lutar contra a guerra e pela paz até o fim, contra a odiosa opressão americana, por um governo democrático popular. Nestas circunstâncias, quando o Partido tem uma justa linha política e exige de seus membros esforços cada dia maiores, quando as lutas se tornam mais duras e o Partido abre fogo contra o oportunismo, é inevitável que os elementos instáveis, ainda existentes em nossas fileiras, sintam o terreno faltar-lhes sob os pés. Isto acontece particularmente com uma parte dos elementos que chegam ao Partido vindo dos meios pequeno-burgueses, com aqueles elementos pequeno-burgueses que são portadores de modos de vida e de hábitos inteiramente estranhos ao proletariado revolucionário.

Sem dúvida alguma, como mostra nossa própria experiência, muitos dos elementos de origem pequeno-burguesa que, por seu espírito combativo e suas inclinações revolucionárias, vêm ao Partido, superam seu individualismo, suas incompreensões e oscilações, subordinam, voluntária e conscientemente, toda sua vida, seus desejos e interesses à vida, aos desejos e interesses do Partido revolucionário do proletariado.

Reeducam-se, fazem esforços sinceros para elevar-se à compreensão dos pontos de vista proletários de classe, procuraram assimilar e aplicar corretamente a doutrina marxista-leninista-stalinista. Podem tornar-se por isso bons militantes e dirigentes do Partido, lutadores proletários abnegados e conseqüentes, consagrados de corpo e alma à causa do Partido, da classe operária e do povo.

Há, entretanto, outra parte de elementos pequeno-burgueses, membros do Partido, que não procura assimilar sincera e corretamente o marxismo-leninismo-stalinismo, não faz esforços para se elevar aos pontos de vista e aos métodos de trabalho proletários; resiste, de uma ou de outra maneira, em libertar-se de suas origens e concepções sociais, continua aferrada obstinadamente à ideologia da camada social a que pertence e conserva suas ligações de classe estranhas aoproletariado. Nessas condições, tais elementos não poderão jamais chegar a ser lutadores proletários, a compreender o papel e a importância do Partido. São esses, em geral, os portadores, dentro do Partido, do espírito de vacilação e oportunismo, do espírito de desmoralização e incerteza; são esses os elementos que oscilam permanentemente entre a exaltação e o abatimento. Este estado de espírito tem sua expressão concreta nas crescentes ilusões de classe diante das manobras demagógicas dos atuais governantes que, a serviço dos imperialistas americanos, fazem esforços desesperados para enganar e conservar sob sua influência as grandes massas trabalhadoras; este estado de espírito se revela claramente nas hesitações e recuos diante das campanhas de intimidação da reação imperialista, na tremenda vulne-rabilidade às concepções alheias aos interesses do proletariado, no derrotismo diante das dificuldades, nas dúvidas permanentes diante da menor nuvem que vêem surgir no horizonte, nos desvios da linha política e dos princípios do Partido.

Nas condições atuais do mundo, dividido em dois campos, e quando a revolução democrático-popular no Brasil, de cunho agrário e anti-imperialista, só pode ser dirigida pelo proletariado, é geralmente entre esses elementos de origem pequeno-burguesa, que não foram ganhos para a ideologia do proletariado, onde se manifestam as tendências mais nocivas ao movimento revolucionário. Muitos passam ao nacional-reformismo, transformam-se em porta-vozes das mais variadas concepções e tendências anti-partidárias, provocam disputas dentro do Partido, lutam contra os interesses de classe do proletariado, caem abertamente no capitulacionismo. Resvalando para essas posições, baqueiam diante da luta revolucionária e da pressão do inimigo de classe, degeneram inteiramente, transformam-se em instrumentos dóceis nas mãos da reação e do imperialismo. Quando desmascarados, inicialmente protestam e gritam, reclamam que se pretende liquidá-los como. «revolucionários», mas logo passam ao ataque contra o Partido. São esses elementos que constituem fundamentalmente a fonte do fracionísmo e da desagregação, a fonte dos conluios contra o Partido e do trabalho de sapa realizado pelo inimigo de classe nas fileiras do Partido.

Este é justamente o caso do renegado José Maria Crispim. Iniciadas sob a máscara dedivergências políticas, suas atividades contra-revolucionárias logo evoluíram para o embuste e a calúnia contra o Partido e sua direção nacional, descambando, por fim, para a deserção, o fracionismo e a traição.

II

CAMARADAS. A atuação de José Maria Crispim no Partido caracterizou-se sempre por concepções e atitudes pequeno-burguesas, reveladas em sucessivas manifestações oportunistas, ora de direita e ora do esquerda, como em profundas incompreensões sobre o caráter e o papel do Partido. Atuando em 1937, em São Paulo, deixou-se envolver, temporariamente, por elementos fracionistas que tentaram desagregar o Partido. São conhecidas suas posições liquidacionistas de 1942 a 1945. Ao sair da prisão, em abril de 1945, declarando reconhecer seus erros liquidacionistas, foi enviado para trabalhar na Capital de São Paulo; mas já em 1948 era seriamente criticado por seus falsos métodos de direção partidária, reconhecendo, então, que se apoiava em métodos individuais, centralizava tudo em suas mãos e tendia à criação de um séquito próprio no trabalho. Com a reviravolta da orientação política do Partido, em janeiro de 1948, Crispim adotou posições golpistas e aventureiras no Rio Grande do Sul, onde se encontrava à frente do Partido, substituindo a política comunista de massas pela ação isolada e sectária de pequenos grupos. Criticado pela direção nacional, reconheceu em palavras seus erros. Declarando-se de acordo com o Manifesto de Agosto, foi enviado para Pernambuco, mas aí não confirmou suas palavras com atos concretos, isto é, com a efetiva e justa aplicação da linha do Partido. Pelo contrário, Crispim incorreu novamente em desvios esquerdistas, passando mais tarde para posições caracteristicamente de direita.

As tendências direitistas e sectárias de Crispim, que são as duas faces da mesma moeda do oportunismo, suas conhecidas incompreensões pequeno-burguesas sobre o papel e os princípios do Partido, muitas vezes criticadas mas nunca superadas, não poderiam senão agravar-se diante do crescente acirramento da luta de classes, quando mais acesos e ásperos se tornam os combates e maiores são as dificuldades do trabalho. Assim é que, no Pleno do Comitê Nacional de fevereiro de 1951, Crispim, dizendo concordar com a linha política do Partido, defendeu posições tipicamente oportunistas, contrárias à essa mesma linha, achando que as atividades do Partido deviam reduzir-se exclusivamente à luta pelas reivindicações mais imediatas e dentro do atual quadro dominante em nossa pátria. Foi então criticado por suas falsas posições políticas, sendo o informe da Comissão Executiva e as resoluções da reunião aprovados por unanimidade, com o voto favorável, portanto, do próprio Crispim. Mas, preocupado com isto, o Secretariado Nacional, logo após o Pleno de Fevereiro, voltou a discutir fraternalmente com Crispim, tratando de mostrar-lhe, mais detalhadamente, o caráter dos erros que ele vinha cometendo em suas atividades como dirigente. Procurando defender suas posições políticas oportunistas e novamente criticado, Crispim começou então a apresentar sua verdadeira fisionomia, disposto a tudo fazer no sentido de arrastar o Partido para o pântano da capitulação.

Com efeito, tentando apresentar-se sob uma máscara política e ideológica, Crispim surgiu com longo documento propondo sinuosamente a revisão da linha do Partido, sugerindo tortuosamente que não levantemos a bandeira da independência nacional e da democracia popular. Ora camuflando-se, ora caindo em evasivas, Crispim se desorienta com seu jogo duplo e grita em desespero contra a linha do Partido:

«Por onde nos conduzirá uma perspectiva revolucionária de programa e de organização ?»

Vejamos a situação em que nos encontramos. É um fato indiscutível que estamos diante de um governo de traição nacional, de latifundiários e grandes capitalistas, de carestia e terror contra a classe operária e o povo; é um fato que os atuais governantes preparam aceleradamente o país para a guerra e realizam uma política de militarização total de nossa pátria; é um fato que a política exterior do governo não é uma política de paz e independente, mas uma política de guerra e de completa submissão aos imperialistas belicistas norte-americanos, tendo transformado o Brasil numa peça do bloco agressivo da ONU; é um fato que os imperialistas ianques dominam nosso país, roubam nossas riquezas, pisoteiam nossa soberania, procuram ocupar totalmente nossas bases com seus destacamentos militares. Que fazer diante disto? Crispim toma posição contra as palavras de ordem fundamentais de nosso Partido, protestando que não há condições para o Partido ter um programa nacional-libertador e lutar pela paz, pela independência nacional, por terra aos camponeses e por um novo poder, um poder democrático popular. Segundo ele, na atual situação não há condições para se formular semelhante programa e para se lutar por essas tarefas políticas. Eis, camaradas, uma posição oportunista e de capitulação aos atuais governantes brasileiros e à odiosa servidão americana.

O que Crispim propugna limitaria o Partido a fazer pequenas manobras, a lutar por pequenas melhorias e reformas que não exigem nem de longe a eliminação da odiosa opressão americana nem a luta contra o governo de guerra, terror e fome que infelicita nosso povo, melhorias e reformas, portanto, inteiramente compatíveis com os marcos do atual regime semi-colonial e semi-feudal. Os objetivos de Crispim, sem dúvida alguma, coincidem perfeitamente com os métodos demagógicos do governo de Vargas, serviçal dos imperialistas americanos, que procura fazer concessões insignificantes às massas e lançar mão de todos os ardis possíveis em seus esforços desesperados para desviar as massas da luta ativa e conseqüente pela paz, por pão, terra e liberdade, pela independência nacional e por um governo democrático-popular.

A posição política do nosso Partido, como partido revolucionário do proletariado, é outra bem diversa: é a posição de luta intransigente pelos interesses supremos do proletariado e do povo. Isto significa que nosso Partido, no atual momento histórico, luta pela paz e pela libertação nacional do jugo imperialista, liquidação das sobrevivências semi-feudais e pela entrega gratuita da terra aos camponeses, pela confiscação dos capitais americanos e por uma posição independente do Brasil na ONU, pela imediata melhoria das condições de vida das massas trabalhadoras e pelo desenvolvimento independente da economia nacional, pelas liberdades democráticas para o povo e pela instrução e cultura para as massas, contra o atual governo de lacaios dos provocadores de guerra americanos e por um governo democrático e popular. Destas tarefas políticas, destaca-se a luta pela paz como nossa tarefa central. Quer dizer, nosso Partido liga intimamente a luta pela independência nacional a luta pela paz, arregimentando as massas para as campanhas patrióticas, por um Pacto de Paz e contra o envio de tropas brasileiras pára participarem dos atos agressivos de Truman, denunciando incansavelmente o caráter de traição nacional dos atuais governantes brasileiros, concitando todas as forças patrióticas e democráticas a lutarem pela libertação da odiosa opressão americana. Quer dizer ainda, nosso Partido considera que a luta pela paz está indissoluvelmente ligada, como diz o camarada Suslov,

«à defesa dos interesses vitais da classe operária e de todos os trabalhadores, que a luta pela paz é, ao mesmo tempo, a luta contra a miséria, a fome e o fascismo».

Assim, a luta ativa pela paz e contra os provocadores de guerra possibilita o despertar mais rápido das massas, permite mobilizá-las e organizá-las, facilita o desmascaramento dos atuais governantes e dos imperialistas americanos, aproxima nossas tarefas das tarefas de todas as forças que lutam pela vitória total do campo da paz e da democracia, liderado pela União Soviética e por Stálin.

O Partido considera que o único caminho para alcançar tais objetivos é o caminho da mais ampla unidade de todas as forças democráticas, sobretudo da classe operária e dos camponeses. Por isso, nosso Partido luta pelo fortalecimento de todas as organizações sindicais e de massas; por isso, nosso Partido presta todo o apoio e participa abnegadamente do Movimento dos Partidários da Paz; por isso, nosso Partido conclama todos os democratas e patriotas, acima de quaisquer diferenças de crenças religiosas, de pontos de vista políticos e filosóficos, para se unirem numa ampla Frente Democrática de Libertação Nacional para a ação e para a luta.

Estas as justas posições políticas de nosso Partido. Diante delas, fica perfeitamente claro que os «objetivos políticos» de Crispim, suas apregoadas «teses políticas» não passam de armadilhas nacional-reformistas, que servem aos planos criminosos dos provocadores de guerra americanos e brasileiros e visam desviar nosso Partido, a classe operária e o povo, das lutas de massas e dos verdadeiros objetivos das lutas nacional-libertadoras.

Camaradas. Com o intuito de defender seus pontos de vista, Crispim volta ao passado, procura fazer uma interpretação a seu modo da história de nosso Partido, falsifica a história do Partido para tentar encobrir suas posições políticas de 1942 a 1945 e a verdadeira atuação dos liquidacionistas.

Como é sabido, naquele período, quando a existência do Partido se impunha mais do que nunca, numerosos elementos combatiam a existência do Partido e lutavam abertamente contra o Partido e sua direção. Em nome da união nacional os liquidacionistas defendiam e exigiam a dissolução, a anulação e a supressão das organizações partidárias, abjurando dessa forma a existência ilegal do Partido.

«O liquidacionismo — diz Lênin — é um oportunismo de tal natureza que chega até a renegar o Partido».

Daí Crispim e aqueles liquidacionistas mais empedernidos, entre os quais formava o camarada Fernando Lacerda, terem lançado a mais terrível campanha de calúnias que se possa imaginar contra todos os que se batiam pela existência do Partido e lutavam praticamente pelo crescimento efortalecimento do Partido. Queremos, aqui, recordar que José Maria Crispim fez, por várias vezes, em 1945, 1946 e 1947, autocrítica de suas posições liquidacionistas. Assim, por exemplo, em abril de 1946, ele dizia que o liquidacionismo havia sido «um processo de degeneração política» que «condenava o Partido», e que reconhecia então a «extensão e gravidade do erro e da falsa posição» a que fora levado por «falta de compreensão do que é disciplina consciente do Partido, do que é o centralismo e a democracia interna, por falta de compreensão do que é o Partido, de seu papel dirigente, e falta de confiança na classe operária». Se ele agora passa a defender novamente suas antigas posições liquidacionistas, isto demonstra somente que eram hipócritas suas autocríticas, que concordou com as críticas do Partido unicamente para permanecer em nossas fileiras.

As tentativas de justificar e defender suas posições liquidacionistas conduziram Crispim aos mais infames ataques ao Partido. E do ataque ao Partido, Crispim descamba para as mais torpes calúnias contra a direção nacional.

Como vedes, camaradas, a Comissão Executiva viu-se diante de atitudes sumamente graves da parte de José Maria Crispim. Apesar de tudo não tínhamos, até então, nenhuma prova concreta de que Crispim estava com o propósito deliberado de aferrar-se em seus erros e insultos, não aceitar as deliberações da direção nacional, afastar-se de seus deveres partidários e transformar suas falsas posições e suas calúnias em plataforma fracionísta e em luta aberta contra o Partido. Partindo dessa apreciação, a Comissão Executiva decidiu, logo após o Pleno do Comitê Nacional de junho, do qual Crispim participou sem manifestar quaisquer divergências sobre o informe e as resoluções em debate, exigir dele a comprovação das graves acusações contra o Partido e sua direção e uma autocrítica de suas atitudes capítulacionistas e anti-partidárias. Isto para podermos submeter todo o caso ao debate e resolução do Comitê Nacional.

Procurando justificar-se, Crispim concordou, embora defendendo seus pontos de vista políticos, em cumprir as deliberações tomadas a seu respeito pela Comissão Executiva. Para trabalhar na elaboração dos documentos exigidos ficou à disposição da Comissão Executiva, livre de quaisquer outras tarefas partidárias.

Mas, em meados de agosto o Secretariado Nacional tomou conhecimento de que Crispim, ludibriando a boa fé da direção e violando a disciplina do Partido, estava distribuindo sub-repticiamente sua plataforma política, radicalmente contrária à linha do Partido, como também, procurando contacto com elementos do Partido, no Rio e em São Paulo, a fim de estabelecer com eles relações anti-partidárias. Diante disto, o Secretariado Nacional dirigiu-se a Crispim marcando prazo para que cumprisse a resolução da Comissão Executiva, tendo ele então respondido com evasivas. Tornava-se evidente que Crispim não tinha nenhum desejo de cumprir a deliberação da Comissão Executiva nem de discutir francamente suas questões no único órgão partidário em que ele poderia discutir, isto é, no Comitê Nacional, mas que estava tão somente procurando ganhar tempo e enganar a direção superior do Partido.

Com efeito, tendo o Secretariado Nacional insistido sobre o cumprimento da resolução, Crispim dirigiu uma carta à Comissão Executiva, em princípios de outubro, onde dizia claramente que não se sentir obrigado a cumprir a resolução da Comissão Executiva, e que havia tomado a deliberação de trabalhar sob sua responsabilidade pessoal para abrir uma frente de massas de luta pela paz. Cortou todas as ligações com a direção nacional e desapareceu.

Infringia, assim, Crispim os mais elementares princípios partidários; abandonava, assim, Crispim suas responsabilidades de membro efetivo do Comitê Nacional e desertava das fileiras do Partido Comunista.

Insubordinando-se contra uma resolução da Comissão Executiva, Crispim violou grosseiramente a disciplina partidária. As resoluções da direção nacional, de acordo com os princípios que regem o Partido Comunista, são leis invioláveis, não só para os órgãos partidários como para todos e cada um dos seus membros. Subordinação incondicional do militante à organização partidária, obediência absoluta à maioria e aos Órgãos superiores do Partido são alicerces da disciplina do Partido. A disciplina, obrigatória e igual para todos, éa base da própria existência do Partido como organização única e coesa, que visa um objetivo único. Sem disciplina não se pode ter assegurada a ordem e a unidade nas fileiras do Partido; sem disciplina o Partido não pode agir como um só homem, como um todo único; sem disciplina nada se pode fazer de útil, nenhuma vitória pode ser conquistada; sem disciplina o Partido seria um joguete oscilando de acordo com as vontades individuais as mais diversas, seria reduzido a um agrupamento inconsistente e incoerente, incapaz de dirigir a menor luta da classe operária, quanto mais sua libertação total. Por isso o Partido exige de cada comunista, sem qualquer exceção, a observância da mais rigorosa disciplina partidária. Sob nenhum pretexto e em nenhuma circunstância o Partido pode permitir que se viole a sua disciplina. Tal ato é incompatível com a condição de comunista.

«O que debilita, por pouco que seja a disciplina férrea do Partido do proletariado — diz Lênin — ajuda de fato a burguesia contra o proletariado».

Se assim é, quem viola como Crispim a disciplina do Partido, serve realmente aos inimigos do proletariado e de nosso povo.

Ao desertar, Crispim perdeu todos os direitos partidários. Não há comunista fora do Partido: não há comunista sem pertencer a uma organização do Partido e nela trabalhar; não há comunista sem se subordinar incondicionalmente aos princípios do Partido. O camarada Stálin nos ensina que só pode ser considerado membro do Partido aquele que

«considera seu dever fundir seus desejos com os desejos do Partido e atuar em conjunto com o Partido».

Separando seus interesses dos interesses do Partido, deixando de atuar no conjunto harmônico do Partido, fugindo de suas responsabilidades perante o Partido, Crispim rompe todos seus laços com o Partido, deixa portanto de ser membro do Partido Comunista.

Assim, violando os princípios pelos quais se rege o Partido, desertando do Partido, Crispim fugiu à discussão na Comissão Executiva e no Comitê Nacional das questões que levantou, fugiu à responsabilidade por suas calúnias e por suas grosseiras falsificações da história do Partido, fugiu à responsabilidade de seus erros diante do Partido, fugiu à comprovação de seus infames ataques ao Partido e aos órgãos superiores do Partido. Isto por si só já seria bastante para desmascarar os embustes e as calúnias de Crispim, pondo a nu seu farisaísmo para com o Partido, sua traição ao Partido.

Mas desde que desertou do Partido, Crispim meteu-se no manto de um novo Messias e tudo faz para formar seu rebanho de ovelhas negras. São evidentes suas atividades fracionistas contra o Partido. Procura contactos individuais com elementos do Partido, difunde infâmias e calúnias a torto e a direito, explora descontentamentos e vaidades, utiliza-se de carreiristas e aventureiros, apóia-se em elementos afastados e expulsos do Partido, tenta semear a confusão política e ideológica no seio de algumas organizações do Partido, realiza todos os esforços para criar entre militantes de base do Partido um clima de desconfiança na direção nacional do Partido e de indisciplina no Partido. Seu trabalho, portanto, tem um objetivo claro; empregar todas as armas para ver se cria condições para formar um centro dirigente paralelo e diversionista, a fim de tentar abalar a combatividade e a força unida do Partido. A existência do Partido é incompatível com a existência de grupos ou frações. Expressando os interesses homogêneos da classe operária e baseado nos princípios harmônicos do marxismo-leninismo-stalinismo, o Partido não pode ser um ajuntamento casual e amorfo de diferentes grupos, frações, etc., mas uma organização de combate unida, ligada pela disciplina consciente, igualmente obrigatória para todos os seus membros, uma organização única e coesa, que atua segundo um plano único e uma direção única. Jamais podem existir duas correntes, duas linhas políticas e dois centros dirigentes no Partido revolucionário do proletariado.

Seria o mesmo que admitir como justa a ruptura da unidade do pensamento e de ação no Partido; seria o mesmo que permitir a desagregação e decomposição do Partido. É justamente por isso que qualquer tentativa para minar a disciplina e a unidade do Partido, qualquer intento fracionista favorece aos inimigos do Partido e da classe operária. O grande Lênin dizia:

«É necessário que todo operário consciente compreenda claramente o caráter pernicioso e inadmissível de todo fracionismo, o qual... conduz inevitavelmente, na prática, ao rompimento do trabalho harmônico e aos intentos acentuados e repetidos dos inimigos, que se infiltram nas fileiras do Partido, com o objetivo de estimular dissensões dentro deste e servir-se delas para os fins da contra-revolução».

O dever primordial de todos os membros e organismos do Partido é, portanto, manter acima de tudo a unidade do Partido, lutando implacavelmente contra qualquer ação hipócrita e fracionista, como a que atualmente realiza o desertor José Maria Crispim; o dever primordial de todos os membros e organismos do Partido é cumprir rigorosamente a disciplina partidária, execrando publicamente todo fracionista e traidor do Partido.

Camaradas. O fato de Crispim, ao desertar do Partido, ter-se ligado a Frederico Bonimani, elemento que, segundo declarações do próprio Crispim numa biografia em abril de 1946, capitulou diante da polícia de São Paulo em 1941 e delatou vários elementos de base e dirigentes; o fato de Crispim ter ainda se ligado a Leonardo Roitman a outros tipos semelhantes, expulsos do Partido como indignos de pertencerem às fileiras do movimento revolucionário do proletariado, para com eles organizar um grupo fracionista contra o Partido, tudo isso mostra claramente que Crispim enveredou conscientemente pelo pântano da traição aos interesses do Partido Comunista, do proletariado e do povo brasileiro.

Em suas atividades fracionistas, Crispim vem procurando influenciar membros do Partido, tentando convencê-los da necessidade de uma discussão ampla da linha do Partido e da realização de um Congresso do Partido. O que ele pretende é a revisão de nossa justa linha política e que todo o Partido, de cima a baixo, se envolva no debate de suas pretensas «teses políticas», ou melhor, de «sua» plataforma fracionista. Este é um velho método utilizado por todo fracionista para tentar decompor o Partido por dentro. Se nosso dever é considerar como indispensável a livre discussão de todas as questões dentro do Partido e assegurar a todos os seus membros o direito de livre crítica, nosso dever também é não permitir jamais que desertores e fracionistas venham ao Partido para difamar e denegrir militantes e dirigentes, para minar a unidade e a disciplina de nossas fileiras. O que as discussões no Partido visam, por princípio, é despertar ao máximo a iniciativa e atividade dos membros do Partido, é elevar seu senso de responsabilidade em relação à causa do Partido, é fazer com que as massas do Partido se sintam donas do Partido. Discussão livre, discussão que seja benéfica à causa do Partido, sim, mas nunca a liberdade para que meia dúzia de capituladores realizem uma tagarelice sem fim, ou que sirva de veículo para que divisionistas e aventureiros tentem enfraquecer a vontade de luta ou minar a unidade do Partido, nem para dar tribuna de onde um tipo qualquer possa deblaterar contra o Partido em proveito de suas ambições pessoais ou de interesses escusos que representa. Se nenhum militante ou dirigente do Partido, individualmente, tem o direito de exigir que se abra uma ampla discussão no Partido por qualquer motivo ou questão, se uma discussão ampla em todo o Partido não pode ser realizada a qualquer momento nem de qualquer maneira, seria o maior dos absurdos, camaradas, se chegássemos a permitir que agentes do inimigo ou quem pensa como o inimigo tivessem, por um instante sequer, liberdade para destilar no seio do Partido o veneno do nacional-reformismo e de concepções anti-proletárias. Em nosso Partido não há esse tipo de liberdade, liberdade para desertores e fracionistas, como Crispim, agirem à sua vontade, discutirem o que bem entenderem, formarem grupos fracionistas para quebrar a unidade do Partido e tentarem provocar cisões que possam minar a força do Partido, seu prestígio e autoridade entre as massas. Certa vez, combatendo aqueles que desejavam esse tipo de liberdade no Partido, o camarada Stálin exclamou:

«Deus nos livre de tal democracia! Não necessitamos de uma espécie qualquer de discussão e de uma espécie qualquer de democracia, mas de discussão e de democracia que ofereçam proveito ao movimento comunista».

Admitir, portanto, como justa a discussão, dentro do Partido, de uma plataforma fracionista, a discussão, dentro do Partido, com desertores e traidores, seria colocar comunistas o divisionistas no mesmo pé de igualdade, seria aceitar e dar direitos às frações e aos grupos nas fileiras do Partido, seria colocar no mesmo nível o anti-Partido e o Partido. Diante de fracionistas e traidores, a única posição justa é combatê-los e esmagá-los em toda linha.

Ao mesmo tempo, camaradas, podemos afirmar: o Partido fará seu Congresso quando julgar conveniente, mas sem fracionistas como Crispim. Os congressos do Partido são congressos de militantes honrados e fiéis ao Partido e não de desertores e traidores do Partido. Um Congresso do Partido é realizado sempre sob uma direção adequada e quando o momento o permita. Em outras palavras: não deve haver uma situação de emergência no país e o Congresso só pode ser convocado pelo Comitê Nacional ou por solicitação de dois terços de seus membros. O debate preparatório do Congresso é sempre promovido em todos os organismos do Partido pelos respectivos órgãos dirigentes, processando-se à base de teses e normas elaboradas pelo Comitê Nacional. No Congresso debatem-se os informes prestados pelo Comitê Nacional, emergindo daí a linha política e as tarefas do Partido como fruto da vontade da maioria, da unidade de pensamento e de ação dos comunistas.

Se quisermos conhecer mais profundamente os princípios que devem exigir e dirigir uma ampla discussão no Partido, basta tão somente citarmos o que é estabelecido pelo glorioso Partido de Stálin:

«A discussão ampla, sobretudo a discussão geral em toda a URSS de questões de política do Partido, deverá ser organizada de tal modo que não possa conduzir a que uma minoria insignificante tente impor sua vontade à imensa maioria do Partido ou a que se tente formar agrupações fracionistas que quebrem a unidade do Partido ou produzir cisões que possam minar o poderio e a firmeza da ditadura da classeoperária. Uma ampla discussão em toda a URSS, portanto, só poderá ser considerada indispensável no caso de que: a) sua necessidade seja reconhecida ao menos por várias organizações locais do Partido de caráter regional ou republicano; b) se dentro do Comitê Central do Partido não houver maioria suficientemente firme sobre os problemas mais importantes da política do Partido; c) se, mesmo existindo uma maioria firme no CC que defenda um ponto de vista determinado, o CC considere necessário, entretanto, comprovar a justeza de sua política por meio de uma discussão no Partido. Somente cumprindo estas condições se podará garantir o Partido contra os abusos na aplicação da democracia interna do Partido por parte dos elementos contrários a ele; unicamente nestas condições se poderá esperar que a democracia interna no Partido redunde em beneficio da causa e não seja aproveitada para causar danos ao Partido e à classe operária»

Por certo, sem a menor sombra de dúvida, nosso Partido, do primeiro ao último militante, está de acordo com estes princípios stalinistas não com os embustes do desertor e fracionista José Maria Crispim.

Camaradas. Tendo enveredado abertamente pelo caminho da traição, Crispim chegou aos limites extremos da mentira e duplicidade e lança agora nova série de calúnias contra o Partido e sua direção nacional. Urde as piores infâmias com o objetivo de ver se consegue desacreditar a direção superior do Partido, particularmente o núcleo dirigente do Partido. Não é por acaso que elementos como Crispim empregam a mesma tática dos mais furiosos liquidacionistas e dos golpistas de 1945 que tiveram a veleidade de tentar separar Prestes do Partido. Não é por acaso que os métodos de Crispim assemelham-se como duas gotas d’água aos métodos da reação, que em 1946 tudo fez para explorar as declarações de Prestes sobre a guerra imperialista e sobre a amizade para com a União Soviética: tentava assim a reação abrir brechas no Partido, procurando jogar elementos do Partido contra Prestes. Não é por acaso, também, que esses ataques e calúnias, coincidam com os ataques e calúnias que enchem diariamente as colunas da imprensa vendida ao imperialismo.

Sim, camaradas, nada disto é por acaso! É a luta dos que querem dividir o Partido, minar a unidade de suas fileiras, enfraquecer sua ação política. É a lula dos inimigos do proletariado contra a fortaleza do proletariado. Caluniando o Partido e defendendo uma plataforma contra-revolucionária, dirigindo um grupo fracionista contra o Partido, Crispim se coloca na posição de um agente do imperialismo americano, perfila-se entre os traidores da classe operária, passa para o campo da reação, do imperialismo e da guerra. É como renegado e traidor, que deve ser estigmatizado impiedosamente por todo o nosso Partido.

Camaradas. O caso de Crispim não é o primeiro que surge na história de nosso Partido. O Partido é um organismo vivo e não está nas nuvens; ele existe e luta no seio da própria vida social, cercado de classes e camadas sociais não-proletárias. O Partido está, portanto, sempre sujeito à penetração, em suas fileiras, de uma ou de outra maneira, de elementos estranhos e mesmo hostis à causa da classe operária.

Devemos estar lembrados do que aconteceu em 1937, em São Paulo. Ali os agentes do inimigo conseguiram penetrar no Partido, mascararam-se habilmente, trabalharam anos seguidos, ganharam adeptos, corromperam, cercaram-se de amigos pessoais, através de um trabalho persistente e aproveitando as dificuldades por que passava o Partido chegaram a dominar postos-chaves da direção estadual e mesmo algumas posições na direção nacional. Às vésperas do golpe para-fascista de Vargas de 10 de Novembro, passaram então ao ataque contra o Partido, não ainda abertamente, mas apresentando uma plataforma política exigindo a mudança da linha do Partido, a substituição da direção nacional e a realização imediata de uma Conferência Nacional do Partido. Combatidos e desmascarados, surgiram com sua verdadeira face: agentes trotskistas a serviço da camarilha de Vargas e do imperialismo.

Devemos estar lembrados que, sob a pressão do inimigo de classe, elementos como Silo Meireles e Osvaldo Costa ou como Caetano Machado, desertaram do Partido e traíram a causa do proletariado, passando-se abertamente para o lado da reação e do imperialismo.

Ainda recentemente, com a volta à ilegalidade, tivemos o caso de Milton Caires de Brito, ex-membro da Comissão Executiva. Diante das perseguições da reação contra os comunistas, esse elemento revelou-se pusilânime, caiu em pânico, desertando acovardado das fileiras do Partido.

Todos esses elementos foram oportunamente desmascarados, afastados e expulsos do Partido e com isso o Partido se fortaleceu e se prestigiou. Não há dúvida, camaradas, a conspiração do renegado e traidor José Maria Crispim contra o Partido será também totalmente esmagada. A montanha não se abala com o silvar da serpente. Fiel aos ensinamentos do marxismo-leninismo-stalinismo, nosso Partido saberá cerrar mais ainda suas fileiras e travar a luta impiedosa, sem quartel, contra todos os inimigos do proletariado, quaisquer que sejam as bandeiras e camuflagens com que se apresentem. E o Partido sairá sempre triunfante.

III

CAMARADAS. Ser vigilantes mais que nunca, ser vigilantes contra o trabalho do inimigo de classe — eis a tarefa que o Partido exige de todos seus militantes na presente situação.

Precisamos reconhecer francamente que reina ainda muito pouca vigilância revolucionária no seio do Partido. Embora a Comissão Executiva tenha compreendido, desde o Pleno do Comitê Nacional de fevereiro de 1951, que se encontrava diante de um capitulador e defendido com firmeza os interesses do Partido, a verdade é que Crispim, pelos sucessivos erros cometidos, devia ter sido, há muito, pelo menos afastado dos postos importantes que ocupara. Se examinássemos os quadros mais pelo que fazem do que pelo que dizem, mais pelos resultados reais de seu trabalho do que pela simples confiança pessoal, por certo descobriríamos mais facilmente os impostores e adventícios, capituladores e divisionistas, que, como Crispim, possam ainda existir infiltrados em nossas fileiras. Se levássemos mais em conta o passado dos elementos, teríamos há mais tempo verificado que Frederico Bonimani, hoje principal acólito de Crispim, havia traído o Partido desde 1941, capitulando diante da polícia, delatando quem conhecia como comunista em São Paulo. Se controlássemos não só a vida partidária como a vida particular dos quadros, há muito tínhamos apurado que Celso Cabral, hoje desmascarado como delator e traidor do Partido, desde 1947 vinha freqüentando bordéis, atitude incompatível com a condição de comunista, com a agravante de viver na ilegalidade e ocupar postos de direção. Ainda hoje muitos camaradas são afastados de tarefas importantes onde fracassaram sem que exijamos um exame autocrítico aprofundado ou sem que examinemos atentamente as causas de suas reincidências nos mesmos erros. O espírito de displicência em relação à repetição de desvios e falhas já várias vezes criticados, a resignação perante os defeitos e os fracassos sucessivos no trabalho, a benevolência para com os delatores e traidores, as desculpas para prisões aparentemente justificáveis, as atitudes descuidadas e levianas no trabalho conspirativo e diante dos segredos partidários, a cegueira política diante de certas ocorrências estranhas, todas essas manifestações se podem infelizmente observar ainda em muitos camaradas do Partido, mesmo em quadros dirigentes. Muitos camaradas não se apercebem da atuação daninha de capitulacionistas e desagregadores, nem mesmo do trabalho do inimigo. Tudo isto expressa uma séria e perigosa negligência política e ideológica, falta de vigilância revolucionária que pouco melhorou mesmo depois do desmascaramento da camarilha de provocadores e espiões titistas na Iugoslávia e da revelação das diversas conspirações dentro dos Partidos Comunistas irmãos das democracias populares. Estas conspirações, no entanto, não foram conluios fortuitos — fazem parte de uma conspiração internacional adredemente preparada pelo imperialismo americano contra os Partidos Comunistas de todos os países e a luta geral pela Paz.

Como vedes, camaradas, presentemente entre nós a vigilância é ainda subestimada. E é de vigilância constante que necessitamos em nossas fileiras. Suponhamos mesmo que os capituladores e fracionistas sejam poucos, como de fato são, que haja poucos provocadores e espiões mobilizados atualmente contra nosso Partido, — isto significaria na verdade que a vigilância pudesse ser subestimada? Stálin deu resposta a essa pergunta há 14 anos:

«Para fazer mal e para causar prejuízos, não é preciso um grande número de indivíduos».

Reflitamos sobre nossa experiência e vejamos os sérios danos que causou ao Partido um só elemento como Miranda, em 1935, com seu aventureirismo e sua posterior capitulação e traição. Ou como Honório de Freitas Guimarães, em 1940, tipo aventureiro e estranho ao proletariado. Dois ou três provocadores habilmente infiltrados nas oficinas de nossos órgãos centrais, nos causaram não poucos prejuízos em 1950. Para construir uma célula, por exemplo, despendemos muito esforço e tempo; para desorganizar seu trabalho ou levar todos, seus membros à prisão não é necessário mais que um provocador. Não devemos, portanto, nos consolar com a idéia de que somos muitos enquanto são poucos os possíveis provocadores infiltrados em nossas fileiras ou os aventureiros e divisionistas. O que é preciso agora é dar provas da mais elevada perspicácia política e de uma firme e permanente vigilância revolucionária para não permitirmos a menor violação dos princípios partidários e para pôr em guarda os militantes do Partido contra o trabalho dos capituladores e fracionistas, provocadores e espiões. Precisamente porque somos um Partido revolucionário, cuja missão histórica é conduzir a classe operária e o povo brasileiro à libertação total, é que necessitamos livrar as fileiras do Partido de todo elemento estranho à ideologia do proletariado. Desmascarar e extirpar do Partido os fracionistas e espiões, os agentes do imperialismo — eis uma tarefa urgente e fundamental.

Nenhuma razão, camaradas, temos para pensar que somente com a aspereza da luta e as dificuldades no trabalho, as escórias são eliminadas do Partido antes que nós as eliminemos. Ao contrário, elas se grudam como sanguessugas no organismo do Partido. Se é verdade que a luta clandestina enrijece os quadros e eleva os revolucionários mais abnegados e audazes, não é menos verdade que nela o inimigo duplica seus esforços, utiliza todos os recursos e artimanhas, põe a seu serviço pessoas que tiveram atitudes pusilânimes na prisão, delatores e traidores, aproveita-se de capitulacionistas e desagregadores, movimentando todos como marionetes para o trabalho de sapa no interior do Partido, para os conluios fracionistas contra o Partido, para tentar golpes na cabeça e no coração do Partido.

Concretamente, é preciso acabarmos com o sentimentalismo pequeno-burguês, imperdoável de certos camaradas que sempre têm uma palavra de desculpa e indulgência para com os delatores que causaram danos ao Partido, entregando endereços, casas e camaradas à polícia. Não, não se pode perdoar aos pusilânimes e covardes que, na polícia, traíram o Partido, revelaram ao inimigo as questões privativas do Partido. Informar ao inimigo de classe, é descer, quaisquer que sejam as circunstâncias ou pretextos que possam ser apresentados, à categoria de auxiliar da polícia, de renegado, de vil traidor do Partido e da classe operária. Os organismos do Partido devem, sem perda de tempo, examinar criteriosamente tais casos e expurgar sem piedade o que lhe é estranho e indesejável.

Sem dúvida, devemos saber distinguir sempre um amigo de um inimigo. Sob nenhum pretexto podemos permitir que se confundam alhos com bugalhos. Há uma diferença como do dia para a noite entre camaradas fiéis que têm opiniões equivocadas ou que cometem leviandades e erros por inexperiência ou falta de capacitação, e fracionistas ou provocadores que cozinham a confusão ideológica, desvirtuam a linha política, sabotam sua aplicação, semeiam boatos e intrigas, levantam discórdias e lutas sem princípios e minam a solidariedade entre os membros do Partido e a unidade de nossas fileiras. Aos camaradas que cometem falhas e erros no trabalho, devemos corrigi-los e educá-los através da crítica e da autocrítica franca e leal; mas contra os fracionistas incorrigíveis e provocadores comprovados, o que nos cabe fazer é desmascará-los publicamente e expulsá-los do Partido.

Em nenhum momento, camaradas, devemos acusar um elemento de capitulador e fracionista, provocador e espião, senão à base de fatos indiscutíveis e de provas concretas. Não olvidemos que o inimigo, para se mascarar no seio do Partido, pode especular até mesmo com a vigilância, urdindo infâmias contra comunistas honrados e fiéis, para semear a desconfiança mútua e a desorganização em nossas fileiras. Não permitamos que se crie em nenhuma organização do Partido a atmosfera malsã da desconfiança e da suspeita. Estejamos prevenidos contra a leviandade e a falta escrúpulos, contra qualquer tentativa de vingança pessoal, contra todo intento arrivista de aplicar medidas disciplinares à base de falsas acusações ou de simples calúnias.

«A calúnia contra militantes honrados encoberta sob a bandeira da «vigilância» — dizia o camarada Zhdánov — é na atualidade o procedimento mais difundido para encobrir, para dissimular uma atividade inimiga. Entra os caluniadores é onde devemos ir buscar, antes de tudo, os vespeiros dos inimigos ainda não desmascarados».

Uma vez, entretanto, de posse de dados já examinados com o máximo de cuidado e seriedade, o que cabe fazer é colocar abertamente a questão no organismo respectivo, desmascarar impiedosamente o capitulacionista ou provocador, fracionista ou espião descoberto, extirpando todas as concepções e tendências que ele possa ter destilado no seio de uma ou outra organização do Partido, pondo ainda todos os membros e dirigentes do Partido diante de suas responsabilidades partidárias, em lugar de restringir o caso a simples medidas disciplinares. Para reduzir a pó o caso de Crispim, por exemplo, e preciso não somente expulsá-lo das fileiras do Partido, mas analisar seu caso perante todo o Partido, desmascarar sua plataforma política e seu trabalho fracionista, empreendendo ainda uma intensa campanha de esclarecimento dos princípios partidários e da linha política prevenindo também o Partido sobre as várias formas de trabalho dos capitulacionistas e fracionistas, provocadores e espiões nas fileiras do Partido. Isto é imprescindível. É a única maneira de arrancarmos o mal pela raiz, educarmos os membros e dirigentes do Partido no espírito da intransigência proletária e na defesa dos princípios que regem nosso Partido, fortalecermos ainda mais a unidade e a disciplina em nossas fileiras. É na luta que o Partido se desenvolve, é depurando-se que o Partido se fortalece e se tempera. A árvore se torna mais forte e dá melhores frutos quando dela se eliminam os parasitas e quando se cortam os galhos que apodreceram.

Limpando nossas fileiras dos capitulacionistas e traidores, partimos da consideração que não podemos suportar, no seio do Partido, tais elementos, assim como não se pode suportar uma úlcera num organismo, são. Travar uma luta implacável contra a reação e contra o imperialismo americano, tendo dentro do Estado-Maior da classe operária, dentro de sua fortaleza de vanguarda, capitulacionistas e traidores,

«é cair — diz o grande Stálin — na situação de quem se vê entre dois fogos, atacado, ao mesmo tempo, pela frente e pela retaguarda. É fácil compreender — diz ainda Stálin — que a luta, nessas circunstâncias, só pode levar à derrota. O modo mais fácil de tomar uma fortaleza: é atacá-la de dentro. Para alcançar a vitória, é preciso, em primeiro lugar, limpar o Partido da classe operária, seu Estado-Maior dirigente, seu posto avançado, aos capitulacionistas, desertores, renegados e traidores».

Cultivemos, pois, o ódio proletário de classe contra os que desertam e traem o Partido, convencidos de que todos eles são inimigos da causa da classe operária e do povo, inimigos da paz, da independência nacional, da democracia popular e do socialismo.

Camaradas. A luta pelo reforçamento da vigilância revolucionária exige, igualmente, que elevemos a um ponto mais alto a luta pelo desenvolvimento e fortalecimento político, ideológico e orgânico do Partido.

Quanto mais elevado for o nível político dos militantes e dirigentes do Partido, tanto menores serão as possibilidades de ação dos capituladores e fracionistas, dos agentes do imperialismo, em nossas fileiras, tanto maiores serão nossas possibilidades para desmascará-los e expurgá-los, por mais bem camuflados que se encontrem. Elevar nosso nível político significa desenvolvermos uma luta sistemática pela assimilação e aplicação da justa linha política do Partido. Neste sentido, são poucas ainda as direções e organizações do Partido que têm uma vida política intensa e ligada à realidade viva do meio onde atuam. Os documentos do Partido são estudados de maneira insuficiente, quase sempre discute-se a linha política à base de generalidades e não para se tomar medidas concretas para sua efetiva aplicação. A ajuda política aos organismos e militantes, apesar de vir melhorando sensivelmente nestes últimos tempos, é pequena ainda, já que pouco são os conselhos necessários e oportunos que se transmitem para tal ou qual problema decisivo num momento dado. Sendo assim, como nossos militantes podem se familiarizar com os elementos essenciais da linha do Partido e se tornar capazes de perceber o trabalho daqueles que desvirtuam nossa política e sabotam conscientemente sua aplicação junto as massas? Apesar, da situação de ilegalidade em que nos encontramos, necessitamos, por cima de tudo, assegurar uma vida política intensa às direções e aos organismos do Partido, assegurar a discussão e o estudo dos materiais e da imprensa do Partido. Diante de cada situação ou questão surgida, é preciso abrir, sem protelações e sem esperar as ordens vindas de cima, uma perspectiva política clara para os militantes, fornecendo-lhes tarefas concretas, dando enfim indicações e argumentos políticos a cada um dos camaradas cuja compreensão política e experiência revolucionária não estejam ainda a altura de sua abnegação e seu espírito de sacrifício. Ali onde o nível político se eleva, camaradas, ali onde se defende firmemente a linha, ali onde se aplica corretamente a linha, também ali o inimigo tem dificuldades de meter o focinho, também ali não há clima para proliferarem, os capitulacionistas e fracionistas.

Tenhamos sempre em conta, camaradas, que os inimigos nunca se apresentam inicialmente tais quais são, com seu programa, com suas concepções, organizando a luta aberta contra o Partido, O inimigo deixaria de ser perigoso se aparecesse abertamente como tal, desde o primeiro momento, uma vez que isto significaria seu rápido desmascaramento. O inimigo mascara-se habilmente, trabalha com sutileza, semeia com uma mão e colhe com a outra, usa duplicidade, disfarça sua ação com juramentos e declarações altissonantes de fidelidade ao Partido. É sabido que, diante do espírito revolucionário do proletariado da União Soviética, os capitulacionistas e fracionistas, em diferentes épocas, procuraram dissimular sua ação criminosa com uma ideologia pretensamente revolucionária. Inimigos como Browder e Tito realizaram seu trabalho de provocação e de traição, sob a bandeira de supostos «novos caminhos» para o socialismo, sem necessidade de fortes Partidos marxistas-leninistas nem de ditadura do proletariado, nome de um pretenso «marxismo criador» e sob o pretexto de servir à unidade nacional para a guerra contra o Eixo nazi-fascista, foi que se espraiou sutilmente o veneno do liquidacionismo em 1942 no Brasil. É sob a bandeira de pseudo «luta ideológica» que o traidor José Maria Crispim vem realizando seu trabalho fracionista contra o Partido. Como descobrir esses lobos sempre vestidos em peles de cordeiro? A rica e sábia experiência do Partido bolchevique nos ensina que somente elevando constante e sistematicamente nosso nível ideológico, é que podemos nos proteger da miopia política, da incapacidade em perceber as manobras nocivas e as artimanhas sutis do inimigo. A elevação do nível ideológico é o melhor antídoto contra qualquer tipo de veneno destilado sub-repticiamente pelo inimigo em nossas fileiras. É o antídoto para a luta contra as tendências que possam se manifestar no seio do Partido, do nacional-reformismo ou do cosmopolitismo, ambas grandemente nocivas, porque desarmam ideológica e politicamente o Partido para a luta conseqüente pela paz, a independência nacional e a democracia popular. Daí decorre a necessidade urgente de ampliarmos mais e mais o trabalho de formação ideológica de nossos quadros: abrir novas escolas, criar, novos cursos, organizar círculos de leitura, iniciar um amplo trabalho de propaganda, realizar conferências educativas, formar professores qualificados, planificar novas edições de livros e folhetos de divulgação marxista, estimular o estudo individual, que é o método essencial e provado de assimilação da teoria do proletariado. Nosso trabalho ideológico deve servir fundamentalmente para que os quadros do Partido possam orientar-se em qualquer situação, compreender para onde e como se desenvolvem os acontecimentos, compreender os fenômenos inerentes à luta de classes, compreender corretamente as tarefas políticas do Partido e aplicá-las com justeza. Através da luta pela assimilação do marxismo-leninismo-stalinismo é que nosso Partido vai adquirir mais amplas perspectivas revolucionárias, vai conseguir maiores êxitos na solução dos problemas políticos, vai armar-se melhor para o combate aos capitulacionistas e divisionistas e levantar com mais decisão a bandeira da vigilância revolucionária, vai inculcar nos militantes mais confiança e certeza na vitória de nossa sublime causa. Como vedes, camaradas, trata-se de uma questão sumamente importante.

Falamos, camaradas, de nossas tarefas no terreno político e ideológico para desenvolver a vigilância revolucionária nas fileiras do Partido. Mas para assegurar seu êxito são necessários alguns requisitos orgânicos; é preciso, entre outros, saber selecionar quadros abnegados e capazes para aplicarem efetivamente as resoluções do Partido, a controlar sistematicamente a marcha do cumprimento das resoluções até o fim.

Um bom controle tem importância fundamental na luta pelo reforçamento da vigilância revolucionária e pelo desmascaramento dos capitulacionistas e fracionistas, dos provocadores e espiões. Ele permite verificar como se aplica e se defende a linha e quais os resultados reais do trabalho. Muitas vezes vemos camaradas que se preocupam pouco com o andamento do trabalho, que não vão até o fundo das questões, não tomam muito a peito as dificuldades com que tropeçam; outras vezes vemos paralisações do trabalho do Partido num momento em que maiores eram as necessidades de sua intensificação. Em tais casos, isto é, quando surgem fracassos sucessivos na aplicação das tarefas ou repetições de atitudes desleixadas no trabalho, a verificação criteriosa dessas questões pode esclarecer-nos se se trata de um camarada irresponsável, que devemos criticar ou substituir, ou se se trata da mão do inimigo semeando a má semente na organização partidária. Controlar quer dizer examinar a atividade dos quadros e dos organismos do Partido. Ali onde há uma justa e sistemática verificação do cumprimento das tarefas, ali temos em nossas mãos um poderoso refletor que ilumina todo o campo das atividades partidárias, revelando as falhas e as atitudes negligentes no trabalho, revelando quem é honrado e quem não presta, revelando quem se deve promover e estimular e quem se deve pôr de lado ou expurgar.

Por outro lado, se há setor onde a vigilância revolucionária deva exercer-se em toda sua plenitude é justamente na seleção dos quadros. Mas, precisamente neste particular, procedemos ainda com muita displicência. Selecionamos os quadros muitas vezes por suas intervenções ou declarações solenes e não pelo exame e controle de seus atos e realizações concretas. Outras vezes a escolha se processa à base do simples conhecimento pessoal. Tudo isto devemos evitar. Qualquer falha na seleção dos quadros pode ser uma janela aberta que pode ser galgada por um arrivista ou filisteu, fracionista ou provocador. Devemos conhecer profundamente nossos quadros e selecioná-los com rigoroso critério. E tanto mais rigoroso quanto mais alta for sua responsabilidade. O critério mais provado, para termos uma visão completa e fazermos um julgamento correto sobre os quadros, é verificá-los e selecioná-los tendo em conta seu presente e seu passado, sua vida partidária e sua vida particular, sua fisionomia política e suas aptidões práticas. Ou em outras palavras: devemos escolher quadros que sejam honrados e fiéis ao Partido, dedicados ao povo, firmes na defesa da linha e na superação das dificuldades, eficientes no trabalho, exigentes para consigo e para com os outros, capazes de trabalhar abnegadamente em qualquer tarefa que lhes seja designada e de organizar o trabalho de todos para a execução das diretrizes do Partido Segundo esse justo critério, insistamos mais e mais na promoção audaciosa dos quadros proletários, mesmo que eles não se saiam airosa-mente de suas primeiras tarefas, mesmo que não tenham ainda os necessários conhecimentos teóricos nem suficiente experiência do trabalho de direção. Refutando as restrições na promoção dos quadros proletários, disse o camarada Stálin:

— «Na vida do Partido Comunista (bolchevique) da URSS houve casos em que à frente de grandíssimas organizações provinciais do Partido se encontravam operários com insuficiente preparação teórica e política. Entretanto, estes operários mostraram-se melhores líderes que muitos intelectuais, privados do necessário instinto revolucionário. É bem possível que a princípio as coisas não marchem de todo bem com os novos líderes, mas isto não é nada fatal; quando derem um ou dois tropeções, eles se emendarão e aprenderão a dirigir o movimento revolucionário. Os líderes não caem nunca do céu já feitos. Forjam-se no processo da luta.»

Desde que selecionemos os quadros guiando-nos por esses critérios, iremos descobrir quadros que nunca enxergamos antes, como iremos depurando o Partido dos elementos que lhe são estranhos ou dos que se deixaram inocular pelo veneno do inimigo de classe.

Camaradas. As responsabilidades de nosso Partido, as tarefas parao reforçamento da vigilância revolucionária, põem numa altura nova, extraordinária, a questão do papel e da importância da Partido. O Partido é o fator decisivo; sem o Partido tudo será quimérico. Os sucessos de nossa causa dependem, antes e acima de tudo, do desenvolvimento e do reforçamento cada vez maior do Partido. Mas nosso Partido é forte, antes e acima de tudo, pela unidade de vontade e deação, é forte pela atividade e o devotamento de todos seus membros em conjunto e de cada um de seus militantes em particular.

Vede bem, camaradas: Dia a dia é preciso mais e mais devotamento ao Partido. Não é por acaso que os inimigos do Partido tentam desesperadamente dirigir seus golpes especialmente contra a unidade do Partido; eles sabem que o rompimento da unidade do Partido mesmo por um fio, pode possibilitar derrotas no trabalho do Partido e nas lutas do proletariado e do povo. A luta pela unidade do Partido deve, portanto, ocupar o centro de nossas preocupações. Cada dia precisamos lutar com energias redobradas e de modo mais intransigente pelo reforçamento da unidade em nossas fileiras. Em nosso Partido não há nem pode haver lugar para desagregadores nem para a menor tentativa divisionista. Não podemos permitir que se mine a vontade unitária de luta do Partido, nem que se debilite por um instante sequer sua coesão interna. O sentido do trabalho de nosso Partido não é um sentido qualquer, é o sentido da luta pela paz, a libertação nacional, a democracia popular e o socialismo. Nenhum sucesso pode ser conseguido, nesta luta encarniçada, sem a mais elevada unidade de vontade; e de ação, sem que o Partido atue uníssono, como um só homem, onde a mais leve dissonância seja pressentida, combatida e eliminada. A unidade do Partido, portanto, não consiste em pronunciar-se simplesmente a favor da unidade, em fazerem-se declarações solenes sobre a unidade. O princípio da unidade no Partido é um princípio concreto e que consiste em defender a unidade da organização partidária, a unidade ideológica e política, a unidade na aplicação prática da linha política junto às massas. Eis porque dizemos: nenhuma guarida em nossas fileiras aos violadores da unidade, a unidade do Partido acima de tudo!

«Nunca, nem por um minuto — diz Stálin — os bolcheviques consideraram o Partido de outra forma a não ser como uma organização talhada de um só tronco e que possui uma única vontade!»

Sabemos, camaradas, que todos e cada um dos membros do Partido repelirão impiedosamente qualquer intento de fracionismo, zelarão carinhosamente pela unidade do Partido como o que há de mais sagrado na sua vida de militante comunista.

A unidade partidária que defendemos intransigentemente não deve significar, sob nenhum pretexto, qualquer cerceamento da livre discussão e do debate dentro do Partido. É preciso estimular entre todos os membros do Partido, da direção à base, a coragem política e a ânsia de saber, encorajar todos a que manifestem abertamente seus pontos de vista. São imensamente úteis a luta de opiniões e a crítica no Partido. Mas tudo isto, camaradas, dentro do Partido e não fora do Partido, sempre por caminhos que sejam benéficos ao Partido. Observando os princípios estatutários, cada camarada deve expressar francamente com toda liberdade seu pensamento. E o dever de cada um de nós é escutar paciente e atentamente todas as críticas e todos os pontos de vista, sejam os mais discordantes. Separando o joio do trigo, aceitemos as opiniões que são justas e procuremos persuadir com argumentos convincentes aos elementos honrados e fiéis que se equivocam. Sem chocá-los, sem feri-los, devemos tudo fazer para esclarecê-los, mas falando-lhes com toda franqueza. Sim, porque nosso dever primeiro, como comunistas, é batermo-nos, sem vacilações nem meios termos, pela linha do Partido, batermo-nos contra toda resistência à linha e à sua fiel aplicação, contra todo desvio oportunista e sectário. Se as divergências surgidas forem em torno de questões práticas, ou se ajustam facilmente ou se pode chegar a um entendimento comum. Se forem divergências políticas, é preciso não evitar o debate, discutir até que as divergências sejam vencidas e que tenha triunfado a linha do Partido, sem nos esquecermos, porém que o Partido não é um clube de discussões intermináveis, mas uma organização de combate. No Partido não pode haver duas linhas nem linha intermediária de conciliação; no Partido só há uma única linha que é a linha da maioria. E, entre nós, não manda Cosme nem Damião, esta ou aquela vontade individual, quem manda é sempre a maioria, porque é a expressão da vontade do Partido.

A persistência de um camarada em seus pontos de vista, não pode, portanto, por um só instante, ser separada da obediência incondicional que deve ao seu organismo partidário, à maioria e aos órgãos superiores do Partido. Mesmo admitindo que a maioria esteja equivocada e que suas opiniões são as mais corretas, o dever de todo membro do Partido é colocar a unidade do Partido acima de tudo, submetendo-se às decisões da maioria e aplicando honrada e fielmente essas decisões, continuando ao mesmo tempo, a lutar disciplinada e firmemente para que sejam corrigidos os equívocos. Em nosso Partido não há o direito de, quem quer que seja, desobedecer à vontade da maioria e aos órgãos superiores do Partido e agir de maneira individual e independente dos princípios estatutários. Nenhum membro ou dirigente do Partido pode transformar-se em juiz de si mesmo; nosso único e supremo juiz é o Partido. A ordem do Partido não se constrói na base da vontade de indivíduos, mas na base do princípio de subordinação do militante à organização, da minoria à maioria, das organizações inferiores às organizações superiores ede todos os militantes e organismos ao Comitê Nacional. Qualquer ação, portanto, que possa minar a disciplina e atingir, por mais leve que seja, a unidade do Partido, é uma ação ilícita, constitui uma violação grosseira dos princípios do Partido. Eis por que todo militante honrado e fiel deve evitar, em quaisquer circunstâncias, atingir a disciplina partidária. Nossa regra de conduta deve ser uma só: submissão absoluta ao princípio supremo da unidade e da disciplina Partido.

Se tirarmos, camaradas, mais atentamente as lições de nossas experiências, como dos Partidos Comunistas irmãos, veremos, sem dificuldades, que os capitulacionistas, fracionistas, provocadores e espiões não podem manter-se no Partido senão por uma aplicação insuficiente das normas do centralismo democrático nas diversas instâncias do Partido. Se bem que, sob o atual regime de terror e perseguições nosso Partido se veja obrigado a guardar um caráter estritamente conspirativo, o que o priva temporariamente de estruturar-se totalmente à base do princípio da eleição a partir de baixo, devemos, no entanto, encontrar formas e métodos que nos permitam aplicar melhor os princípios do centralismo democrático em nossas fileiras. Ninguém em sã consciência pode deixar de reconhecer que a realização de amplas reuniões do Partido esbarra em sérios obstáculos, na situação política em que vivemos, de ditadura a serviço dos provocadores de guerra americanos. Tendo o máximo de cuidados para não expor demasiado e levianamente as direções e organizações do Partido aos golpes da reação, devemos entretanto, realizar mais normalmente, plenos, ativos, assembléias da células, etc., para que se possa examinar, com mais freqüência e da maneira mais coletiva, o trabalho das organizações partidárias na aplicação das tarefas do Partido. Desta forma criaremos maiores garantias para pôr a descoberto os defeitos e entraves no trabalho, para se fazer um melhor exame crítico e autocrítico das questões, para desmascarar e expulsar os que conseguiram introduzir-se no Partido para envenená-lo. Uma coisa é 3 ou 4 camaradas dirigentes observarem e controlarem os defeitos e as falhas no trabalho, outra coisa bem diversa é quando, além desses 3 ou 4 dirigentes, 10, 20 ou 30 outros comunistas observam e controlam os defeitos e as falhas no trabalho, criticando-os e corrigindo-os, tudo em função do fortalecimento do Partido. Neste caso é maior a garantia de que sejam cometidos menos equívocos a erros, de que sejam evitadas as surpresas, de que os fenômenos negativos e estranhos ao Partido sejam apontados a tempo e a tempo tomadas as medidas adequadas para sua eliminação.

As direções devem, assim, como método normal de trabalho, interessar vivamente os membros do Partido no exame das atividades de seus respectivos organismos, despertando maior vigilância e espírito de responsabilidade no trabalho, estimulando mais e mais a crítica e autocrítica.

O desenvolvimento da critica e autocrítica se reveste de uma necessidade imperiosa. A crítica e autocrítica são uma arma revolucionária, um método provado, que nos possibilita tanto estimular e desenvolver as qualidades revolucionárias dos militantes e dirigentes honrados e fiéis, como expelir implacavelmente do Partido tudo que lhe seja estranho e que ainda persista em suas fileiras. Cada comunista deve utilizar mais e mais a crítica e autocrítica, para a melhoria constante e crescente das atividades partidárias. A amizade pessoal entre camaradas ou as relações de família não podem ser de modo algum motivo para esconder as falhas no trabalho ou encobrir os defeitos mútuos. O fato de uma pessoa pertencer ao círculo de nossa amizade familiar não a isenta de cometer falhas ou mesmo sérios erros. Nesse caso, a amizade não pode prevalecer, já que o Partido, para um comunista, está acima de tudo. Um comunista não pode ser como Jano, o deus da mitologia grega, isto é, ter duas caras: uma para o Partido e outra para o amigo. Isto seria a liquidação do militante, porque o levaria a não ser sincero para consigo mesmo, uma vez que é capaz de esconder as falhas de seu amigo em prejuízo da própria causa que abraçou e a que jurou fidelidade. A duplicidade não é ornamento, mas degradação. O Partido exige de cada um de nós, antes e acima de tudo, sinceridade, sentido de honra revolucionária, não encobrir defeito dos outros em prejuízo do Partido, mas revelá-los e criticá-los abertamente perante o próprio Partido. Se a crítica e autocrítica são para purificar o Partido, para superar os erros e as debilidades, se são para expurgar o que lhe é estranho e o que apodreceu, devemos tomá-las sempre com o máximo de seriedade, como a força motriz do desenvolvimento do Partido. Neste terreno existem duas atitudes perigosas a que devemos atualmente prestar atenção e combater: tomar a autocrítica como um religioso toma a confissão ou tomar a crítica como um método de «meter-o-pau». Tanto uma coisa como a outra são estranhas à verdadeira crítica e autocrítica comunista. A primeira atitude é perigosa porque toma a autocrítica como uma absolvição periódica e barata dos pecados, com direito portanto de a pessoa continuar tendo a mesma conduta errônea; a segunda atitude é também perigosa porque transforma a crítica num jogo de desferir golpes a torto e a direito em camaradas que cometem faltas, amedrontando os quadros, quebrando sua personalidade. As críticas em nosso Partido são leais, apropriadas e bem orientadas. As críticas não são para debilitar o trabalho, nem denegrir camaradas, nem tão pouco para criar ambiente de intrigas, desconfianças e minar a unidade no Partido; as críticas são para fortalecer a organização do Partido, aumentar a solidariedade entre os militantes e desenvolver o trabalho. Nunca se deve exagerar e avultar os defeitos, mas criticando, buscar sempre o que há de valioso na pessoa, suas qualidades positivas, procurando fazer o militante ir para diante, transformando seus hábitos e sua consciência. Devemos ajudar solicitamente os camaradas honrados o fiéis que cometeram erros e foram criticados, fazendo tudo para esses camaradas não perderem a iniciativa e a combatividade. Quem já lutou sem cometer erros? É preciso, portanto, facilitar todos os meios para os camaradas criticados fazerem sua autocrítica na realização prática das tarefas. Em nosso Partido não se acusa nem se pune aos que não insistem nos erros ou aos que se equivocaram; em nosso Partido esses elementos são criticados, exige-se que se corrijam e nada mais. O Partido só não tem contemplação e só pune aos que se aferram obstinadamente em seus erros, insistem neles, não aceitam as deliberações da maioria e se afastam da linha e dos princípios partidários ou transformam seus erros em plataformas fracionistas e em luta contra o Partido. Eis porque ali onde há crítica e autocrítica, a vigilância revolucionária se aguça, os quadros se retemperam e os inimigos não encontram guarida.

Mas o desenvolvimento da crítica e da autocrítica depende da boa organização do trabalho no interior do Partido, depende da atenção que se dedica aos membros do Partido, depende, em última análise, da atenção que se dê ao trabalho celular do Partido. O fortalecimento das atuais células e a rápida organização de novas células, especialmente nos núcleos proletários e nas concentrações camponesas, revestem-se de uma importância cada dia maior. É inútil pensar que se pode reforçar o Partido sem reforçar as células, sem criar novas células. Certos camaradas têm ainda hoje uma posição displicente em relação a este problema fundamental. Mas como, a não ser por meio das células, poder-se-á assegurar melhor e mais eficiente vigilância revolucionária no vasto campo das atividades partidárias? Nada melhor do que as células para controlar a atuação de cada membro do Partido; nada melhor do que as células para conhecer tão a fundo a vida de cada elemento do Partido. Nenhum membro do Partido, portanto, fora de sua célula; nenhum membro do Partido sem uma tarefa para executar e de cuja realização deve estar obrigado a prestar contas em sua célula. A primeira obrigação estatutária de um comunista é trabalhar abnegadamente numa célula e cumprir fielmente as tarefas estabelecidas pelo Partido. Se as células são o ponto de apoio principal para o trabalho do Partido, a tarefa central das direções consiste em dar indicações precisas para se recrutarem bons elementos e para se aumentar o número de ativistas em cada organismo, consiste em saber fazer crescer o número de células e fortalecer as células já existentes. O papel das direções é fundamentalmente saber ensinar às células a coordenar organizadamente a atuação de seus membros para que eles tenham todas as possibilidades de atuar junto às massas, organizando-as e levando-as à luta. Quanto mais fortes forem nossas células e quanto mais elevada for a atividade militante de cada membro do Partido, tanto menores serão as possibilidades do inimigo se entocar em nossas fileiras, tanto maiores serão os êxitos do Partido em todos os setores de suas atividades revolucionárias.

Acrescentemos a tudo isto: os comunistas não concebem a luta pela elevação da vigilância revolucionária e pelo reforçamento contínuo do Partido, reduzindo-se, estreitando-se, encerrando-se entre si mesmos como num claustro. Ao contrário, a força que nos torna invencíveis é a ligação estreita e ampla com as massas, tendo com as massas mil contatos e desempenhando junto a elas nossa missão de vanguarda. Se as massas amam o Partido, se gozamos de crédito moral e político entre as massas, se as massas nos reconhecem como seus guias, elas não só seguirão as indicações do Partido, mas também ajudarão o Partido a desvencilhar-se e a desmascarar as ovelhas negras.

Camaradas: Tais são as tarefas essenciais para redobrarmos a vigilância revolucionária. Elas ajudarão, sem dúvida, a temperar e educar os membros do Partido, já que a grande escola é a própria luta, é a luta pela aplicação de nossos princípios e de nossa linha política, é a luta contra as dificuldades, é a luta contra as menores manifestações de oportunismo, é a luta contra todos os que negam as questões essenciais da política do Partido, contra os que utilizam o exame destas questões para fazer um trabalho de sapa contra esta mesma política, contra a direção do Partido e para tentar abalar suas fileiras de aço. A experiência demonstra que a luta para descobrir, isolar e alijar do Partido os capitulacionistas e divisionistas, provocadores e espiões, solda ainda mais nossas fileiras, transformando-as num só bloco monolítico. O mais profundo amor e devotamento ao Partido e ao povo; uma só vida dedicada ao Partido e ao povo; repudio e combate às lutas sem princípios, aos mexericos, às intrigas, àscalúnias, aos que falam contra o Partido e sobre os segredos do Partido; atitude inflexível em defesa da unidade do Partido e rigorosa observância da disciplina partidária; honradez e fidelidade provadas nas lutas, nas prisões e na execução das tarefas — eis o que devemos exigir no Partido, eis o que significa espírito de Partido.

Camaradas. Examinamos aqui os problemas da vigilância revolucionaria em nossas fileiras, indicamos as medidas que precisam ser postas em pratica para defender o Partido no trabalho insidioso dos inimigos de classe, estamos certos de que o debate das experiências analisadas, muito poderá contribuir para tornar ainda mais forte e combativo nosso glorioso Partido.

«A vigilância revolucionária — diz o órgão do Bureau de Informação — é uma necessidade vital para um partido marxista-leninista; sem ela o Partido da classe operária não pode desenvolver-se normalmente».

Ela nos é tão necessária quanto o ar que respiramos. Ela torna inexpugnável ao inimigo a fortaleza do proletariado que orienta e dirige em nosso país as lutas libertadoras da classe operária e do povo.

O capitalismo moribundo se debate em atroz agonia. A fase de seu sangrento domínio chegou ao fim, ante a marcha inexorável da história. Mas ele resiste e luta desesperadamente como tudo que está condenado ao desaparecimento. E nessa luta emprega todos os recursos, os mais vis, os mais monstruosos, contra as forças novas que se levantam para destruí-lo e construir uma sociedade verdadeiramente bela e feliz. O alvo principal de seu ódio são a classe operária e seu Partido de vanguarda.

Nosso Partido, camaradas, jamais temeu a luta. Cerra suas fileiras e vai ao combate. E no combate afasta e expulsa os que dele não se mostrarem dignos. O Partido é a auréola do militante. Fora do Partido, os que eram grandes se tornam pequenos, os gigantes se transformam em anões.

Aumentam, camaradas, nossas responsabilidades como dirigentes do Partido. O Partido exige de cada membro do Comitê Nacional firmeza e clarividência política, intransigência em face dos inimigos de classe e ante todo e qualquer desvio da linha e dos princípios partidários, devotamento ilimitado ao marxismo-leninismo-stalinismo e aos interesses da classe operária e do povo, amor e fidelidade à União Soviética e ao grande Stálin, ódio ardente aos incendiários de guerra americanos e seus agentes brasileiros, Como dirigente supremo, entre um Congresso e outro, o Comitê Nacional deve ser os olhos de lince do Partido.

Levantemos bem alto a bandeira da vigilância revolucionária, cujo símbolo é a unidade. Unidade de cima a baixo no Partido. Unidade em torno do Comitê Nacional e do camarada Prestes, nosso grande e heróico dirigente. Unidade para a vitória. O partido Comunista do Brasil é indestrutível e invencível!

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Inclusão 24/12/2009
Última alteração 10/09/2011