Resposta a J. A. Kronrod
(O Capital de Karl Marx e o Problema do Valor)

Evald Vasilievich Ilienkov

5 de Abril de 1961


Fonte: Texto de 5 de abril de 1961 endereçado a J. A. Kronrod em resposta a críticas ao conteúdo do livro A Dialética do Abstrato e do Concreto em O Capital de Karl Marx (1960). Respuesta a J. A. Kronrod (El Capital de K. Marx y el problema del valor). Traduzido para o espanhol por Víctor Antonio Carrión Arias, a partir da versão publicada como anexo do livro A Dialética do Abstrato e do Concreto no Pensamento Científico e Teórico (1997), e publicado como parte do livro La Lógica Económica del Socialismo. Essa tradução tem permissão da editora Edithor e do tradutor Víctor Antonio Carrión Arias. Disponível em russo no Lendo Ilienkov (Читая Ильенкова) [http://caute.ru/ilyenkov/].
Tradução do espanhol: Marcelo José de Souza e Silva(1)
HTML: Fernando A. S. Araújo.
Direitos de Reprodução: Licença Creative Commons licenciado sob uma Licença Creative Commons.


No número 2 da revista Questões Econômicas [Вопросы экономики] o camarada Jakov Abramovich Kronrod publicou a carta Sobre a Interpretação Equivocada das Questões da Teoria Econômica Marxista no livro A Dialética do Abstrato e do Concreto em O Capital de Karl Marx [«об ошибочном освещении вопросов марксистской экономической теории» в книге «Диалектика абстрактного и конкретного в «Капитале» К. Маркса»].

Depois de algumas reflexões, compreendi que não posso deixar esta carta sem resposta. A questão não é de que o camarada Kronrod, se apoiando em uma série de citações arrebatadas, atribuiu a mim opiniões francamente absurdas. Menos ainda me interessa demonstrar a todos que as frases aproveitadas por ele, no contexto do livro, são bem diferentes de como aparecem no contexto da carta do camarada Kronrod. Por algo assim não valeria a pena empreender uma polêmica pública. Além disso, algumas das expressões anotadas pelo camarada Kronrod, na verdade, não são precisas e corretas, assim, defendê-las teria sido estúpido.

Contudo, para mim é totalmente evidente que com a forma (ou sob o aspecto) de crítica do livro, o camarada Kronrod se esforça em consolidar sua versão particular da “metodologia de O Capital”, essa mesmíssima versão que no problema da produção de mercadorias e o valor no socialismo o levou a um sério emaranhamento. E essa é uma questão suficientemente grave para se falar abertamente sobre o assunto.

Não se trata de que o camarada Kronrod me havia atribuído teses absurdas, segundo as quais Marx parece que começa sua investigação analisando “não a mercadoria, e sim o valor”. Sobre isso posso dizer que tese semelhante não existe no livro. Neste, pelo contrário, se esclarece não somente uma, nem somente duas, mas sim em mais ocasiões, quais determinações científicas do “valor” precisamente formou Marx ao longo da análise da mercadoria e o intercâmbio de mercadorias(2).

O cerne da questão é que o camarada Kronrod, em geral, é contra a tese de que em O Capital, Marx considera o valor como a categoria mais universal da produção de mercadorias em geral, e por isso da produção mercantil-capitalista. De acordo com a opinião do camarada Kronrod, é impossível em geral falar sobre o “valor” como categoria inicial de O Capital, e do conceito de valor, como a expressão mais universal e mais completa das condições econômicas da produção de mercadorias.

No livro, é dito que Marx resolveu, antes de mais nada, o problema do valor em sua forma geral, desdobrou a concepção teórica do valor(3). Ao camarada Kronrod, essa afirmação, não se sabe porque, lhe parece reduzir o papel da análise da “mercadoria”. Com perseverança afirma, em contraposição, que Marx não parte da análise do valor, e sim da análise da mercadoria. Toda afirmação de que o valor é a categoria “inicial”, universal de O Capital, lhe parece, ao camarada Kronrod, uma reiteração do erro da economia burguesa vulgar...(4) Fundado nisso, o camarada Kronrod dirige ao livro todos os sarcasmos, que em seu momento Karl Marx conferiu a Adolph Wagner.

O camarada Kronrod, em minha opinião, simplesmente compreendeu mal qual foi exatamente a causa pela qual Marx fustigou a esta cabeça confusa da ciência.

Karl Marx zombou de Wagner, não pelo que ele disse, em geral, sobre o “valor”, mas sim porque quis definir o “valor” pela via dos raciocínios escolásticos sobre o significado da palavra “valor”.

Porém, o camarada Kronrod resolveu que Marx, em geral, era contra a “teoria universal do valor”, contra a análise especial do valor como a forma mais universal e abstrata do produto do trabalho, nas condições da produção de mercadorias em geral.

Ao camarada Kronrod, ao que parece, lhe é de todo indiferente se se elaborassem estas determinações teóricas do valor; através do raciocínio escolástico sobre a palavra valor, como em Adolph Wagner; ou se estas se modelassem ao longo da análise da forma verdadeiramente social do produto, produzido como mercadoria... Para o camarada Kronrod, isso é igual ao “hegelianismo”...

Como se a diferença entre Marx e Wagner consistisse em que um fala da “mercadoria”; e o outro do “valor”! Como se fosse possível falar do valor em termos marxistas, enquanto sobre a “mercadoria” se raciocina de um modo totalmente wagneriano! Os exemplos, infelizmente, abundam sem ir muito longe...

Segundo Marx, o valor é a forma realmente social do produto, que se produz como mercadoria, em contradição a sua forma natural que é o “valor de uso”(5). Isso não só é “um aspecto” da mercadoria, como mostra o camarada Kronrod. Essa é a essência social (econômica) da forma mercadoria do produto. Por isso, a análise do valor, na verdade converge com a análise da “mercadoria” como modo concreto social do produto do trabalho(6).

É justamente por isso que nas obras clássicas do marxismo-leninismo o “valor” muitas vezes aparece como sinônimo de “mercadoria”. O valor do produto do trabalho não é “um aspecto”, mas sim aquela forma social, cujo desenvolvimento e movimento subordina a si o movimento dos “valores de uso”, o conteúdo material desse produto(7).

Por isso que Marx considera o “valor” como a verdadeira “essência” da mercadoria, esta não possui autonomização somente sob o aspecto de “abstração”, não existe somente nas cabeças dos teóricos que a abstraem.

“Aqueles que consideram a autonomização do valor como mera abstração esquecem que o movimento do capital industrial é esta abstração in actu. O valor atravessa aqui distintas formas, distintos movimentos, nos quais se conserva e ao mesmo tempo se valoriza, aumenta”(8).

Na forma do capital, o “valor” descobre com seus próprios olhos que não é simplesmente “um aspecto da mercadoria”, nem é o “crédito da mercadoria”, mas sim o sujeito, que se “metamorfoseia” ao se converter em “mercadoria” e “dinheiro”... Neste sentido Marx diz que como capital o valor é “autômato”, “sujeito no processo”, “substância dotada de movimento próprio”(9).(10)

Todas essas expressões, que pertencem a Marx e são reproduzidas no livro de Ilienkov, o camarada Kronrod simplesmente as estigmatiza como um “método de expressão hegeliano” desnecessário, como recaída ao misticismo hegeliano. Embora do mencionado misticismo hegeliano aqui não se fala. Aquilo que o camarada Kronrod toma por certo, é em si mesmo a expressão teórica, completamente exata do misticismo real da forma mercadoria do produto do trabalho; ou seja, seu “valor”. A transformação do “valor” de “predicado do produto do trabalho” em “sujeito”, de “aspecto” desse produto, segregado intelectualmente na mercadoria a “essência, que possui autonomização” e subordina a si o movimento do produto, elaborado como mercadoria, este é o “misticismo” real(11).

Porém, não é que esse misticismo exista somente na cabeça da pessoa que tenha lido muito Hegel, e sim, na realidade da produção de mercadorias. É neste “misticismo” que se acha a essência plena da forma mercadoria do produto do trabalho(12).

“Este giro, através do qual o concretamente sensorial surge somente como uma forma de manifestação do abstratamente universal, e não, inversamente, o abstratamente universal como uma das propriedades do concreto, é o que caracteriza a expressão valor. Isso é o que faz sua compreensão tão difícil”, anotou Marx(13).

Esse giro, na verdade faz da mercadoria (valor) uma “forma absurda e mística” de expressão do caráter social dos trabalhos particulares.

“Quando digo que o casaco, a bota etc. se relacionam com o linho sob a forma da incorporação geral de trabalho humano abstrato, salta aos olhos a sandice dessa expressão”(14).

O camarada Kronrod prefere fechar os olhos diante dessa insensatez, prefere interpretá-la como se somente foram umas “expressões hegelianas” insensatas. Porque? Muito simples, pelo motivo de que ele deseja a qualquer custo apresentar o “valor” como a “forma do produto” adequada ao trabalho diretamente social(15).

O essencial é que em O Capital o valor como forma social real do produto é desnudado como uma forma internamente contraditória, cujo desenvolvimento Marx estudou e expressou em conceitos.

Em outras palavras, “o desenvolvimento do conceito do valor” em O Capital reflete o “autodesenvolvimento da forma mercadoria do produto”(16), quer dizer, o valor. Isso o espanta o camarada Kronrod.

Aparece imediatamente para ele a “teoria do autodesenvolvimento do conceito”, o “hegelianismo”.

Uma tese conhecida da dialética materialista diz que a realidade deve ser conhecida em seu autodesenvolvimento. Embora poucos reconheçam essa tese. É necessário antes poder expressar (refletir) este autodesenvolvimento no desenvolvimento dos conceitos, na lógica do movimento dos conceitos. V. I.

Lenin considerava muito importante a análise de O Capital a partir desse ponto de vista. É ali que se deve realizar essa análise, não importam os gritos e acusações falsas de “hegelianismo”.

Para mim, como autor do livro, é claro que é doloroso que o camarada Kronrod conseguiu encontrar no texto uma série de expressões inexatas; essas formulações, onde a “mercadoria” e “valor” não devem ser usados como sinônimos sem reservas. Tal uso imprudente das palavras deu, na verdade, um pretexto ao camarada Kronrod para colocar em dúvida a legitimidade em geral da análise de O Capital a partir do ponto de vista do desenvolvimento dos conceitos, ao identificar essa análise com a teoria do “autodesenvolvimento do conceito”. Porém, isso, provavelmente é uma outra conversa.

Seria possível dar tudo por concluído aqui. Contudo, sob a acusação de “hegelianismo”, de versão hegeliana do valor, se esconde outra coisa.

Ao combater a teoria universal do valor (a teoria do valor como tal, valor “em geral”), o camarada Kronrod realmente combate a posição (na verdade desenvolvida no livro) de que Karl Marx em O Capital elaborou a teoria universal da economia mercantil; ou a teoria da economia mercantil em geral, “como tal”, e que essa teoria rege a toda economia mercantil.

O camarada Kronrod tem aqui alguma espécie de interesse “egoísta”. A questão é que tal entendimento se choca diretamente com sua concepção da produção de mercadoria (e, portanto, do valor) no socialismo.

De acordo com o camarada Kronrod,

“a produção de mercadorias é imanente às relações de produção socialistas” e “a produção socialista em sua totalidade é produção de mercadorias”(17).

A produção de mercadorias em conjunto com as categorias que a expressam,

“não é fornecida de fora, nem engendrada por relações socialistas ‘imaturas’. É inerente às relações socialistas desenvolvidas de produção”(18).

E como a produção socialista como um todo é interpretada como produção de mercadorias, quer dizer, como uma variedade da produção de mercadorias em geral, de imediato surge ao camarada Kronrod um problema delicado: o que fazer com a concepção do valor, que é desenvolvida no primeiro capítulo de O Capital?

Ao camarada Kronrod sobra um recurso, e é negar que a teoria marxiana do valor é a expressão mais universal e mais completa das condições econômicas da produção de mercadorias em geral.

O camarada Kronrod se vê forçado a raciocinar assim. A concepção do valor em Marx, na verdade, foi obtida com base na generalização daqueles feitos que foram conhecidos por Marx. Ao mesmo tempo, Marx, na verdade, não levou em consideração e não podia levar em consideração a “prática do socialismo”, como uma variedade da produção de mercadorias. E aqui surge diretamente uma tarefa, de retocar a teoria do valor de Marx com tal cálculo, para que essas possa englobar também a “prática do socialismo”(19).

Aqui com clareza se desnuda que o camarada Kronrod interpreta de um modo equivocado a questão das relações das categorias da economia mercantil em geral com as categorias da produção mercantil-capitalista, como forma histórica mais desenvolvida da produção de mercadorias em geral.

A questão é que o conceito de valor é mais universal e por isso é uma expressão mais plena e perfeitamente concreta(20) das condições econômicas da produção de mercadorias; e de modo algum da mercantil-capitalista. Este tem em conta a mercadoria, e somente a produção de mercadorias.

Por essa razão, não diz respeito àquelas modificações que sofre (e, em geral, pode sofrer) a produção de mercadorias sob a influência de outros modos de produção; compreendido entre estes o mercantil-capitalista.

É justamente por causa disso que este conceito continua sendo de todo verdadeiro, independentemente da prática do feudalismo ou a prática do socialismo; e, em geral, de qualquer outra “prática”, salvo a prática da produção de mercadorias. Todas as outras “práticas” simplesmente não são de sua incumbência.

Se a produção em geral segue sendo mercantil – conserva sua força total aquilo que foi desvelado por Marx em sua análise.

Por essa mesma razão essa teoria não nos diz absolutamente nada daquilo que possa acontecer em geral com as categorias da economia mercantil sob a influência de outros modos de produção, como parte de outras formas mais complexas de relações de produção, sejas estas capitalismo ou socialismo.

Essa é uma tarefa completamente particular, que é questão de um estudo inteiramente à parte.

Com relação ao capitalismo, tal tarefa a solucionou o próprio Marx nos capítulos seguintes de O Capital. Estes capítulos descobrem em que se transformam as categorias da produção mercantil simples quando essa produção se desenvolve na produção capitalista.

O resultado imediato aqui é a difusão universal da forma mercadoria, a transformação da forma valor do produto do trabalho na forma mais universal e abstrata de toda a produção. Aqui a mercadoria, quer dizer, o valor, torna-se todo o produto do trabalho social, sem exceção, inclusive a força de trabalho.

Isso significa, além de outras coisas, que a categoria valor é a categoria universal (mais abstrata) somente no capitalismo. Nenhuma outra formação conhece algo semelhante. Por isso “o solo da produção de mercadorias só tolera a produção em larga escala na forma capitalista”(21), e somente inicia nesse momento, quando a força de trabalho se converte em mercadoria e “se generaliza, tornando-se a forma típica da produção”(22).

Justamente por isso, e somente por isso, a forma mercadoria ou a forma valor do produto é também a forma mais universal, mais abstrata do produto na produção capitalista. Por isso o capitalismo é qualificado por Marx como a mais desenvolvida produção de mercadorias, como o limite natural e desenvolvimento máximo da produção de mercadorias em geral. Por isso na forma valor se encontra expressada o específico da sociedade burguesa. Eis aí o sentido íntegro da análise da produção de mercadorias e do valor, realizada no primeiro capítulo de O Capital. Embora a organização capitalista da produção preserva o valor na qualidade de forma universal do produto, esta não pode se desfazer das contradições inerentes e imanentes da forma valor do produto em geral.

Os destinos da produção de mercadorias e as categorias que expressam suas características imanentes (organicamente inerentes a estas) e acima de tudo do valor, no processo de socialização socialista e comunista da produção é uma questão um tanto particular, uma questão de gravidade prática e teórica colossal.

O camarada Kronrod soluciona essa questão por conta próprio e mostra, ao nosso ver, de forma particularmente errada, no espírito dessa “metodologia”, que ele se esforça em legitimar sob a aparência de criticar os “erros hegelianos”.

Em vez de partir dos conceitos absolutamente inquestionáveis que expressam a natureza da produção de mercadorias em geral e analisar concretamente os destinos dessa produção de mercadorias na socialização comunista de todos os elos da economia nacional (quer dizer, ao longo desse processo histórico-universal, que começou no ano 1917 e continua até o dia de hoje); por algum motivo ele começa a “emendar” – na realidade a estragar – a teoria da produção de mercadoria, que foi elaborada em O Capital.

Antes de mais nada, ele acha necessário revisar essa teoria da produção de mercadorias em geral (e além disso o conceito de valor “em geral”) naquela ponto, que compete àquelas condições nas quais o produto do trabalho se metamorfoseia em geral em mercadoria, quer dizer, em valor.

Marx, como bem se sabe, constatou que na mercadoria, no valor, se metamorfoseia somente o produto do trabalho, que não possui caráter e valor(23) diretamente social. A condição, sem a qual em geral é impossível (e, por isso, inconcebível) a transformação do produto do trabalho em mercadoria, quer dizer, em valor, é, segundo Marx, de uma forma ou outra o grau de independência dos elos isolados uns dos outros da divisão social do trabalho, os trabalhos isolados (“privados”)(24).

Sem essa condição não existe mercadoria, não existe valor. Essa não é a “opinião particular” de Karl Marx, nem um detalhe, que se poderia suprimir sem prejuízo para toda a restante teoria do valor, mas sim que é a conclusão categórica da análise da própria natureza, a própria “essência” da forma mercadoria.

Essa é justamente a conclusão dessa análise, quer dizer, da investigação que ascende desde o fato ao entendimento das condições da possibilidade dessa fato. Isso é essencial a partir da perspectiva da “metodologia” de Karl Marx e ponto. Justamente a isso se vincula aquela tese de que o trabalho diretamente social (quer dizer, organizado de maneira comunista) exclui absolutamente a possibilidade de transformação do produto do trabalho social em mercadoria, quer dizer, em valor. Aceitar essa conclusão e negar seu fundamento (como o faz o camarada Kronrod) significa em geral romper com toda lógica.

(Ente parênteses assinalemos que essa “independência dos trabalhos isolados (“privados”) uns com os outros”, sobre a qual trata Marx em sua teoria geral do valor, não pressupõe ainda a propriedade privada, e ainda mais, a sua variedade privada-capitalista. Além disso, essa mesma propriedade privada aparece em cena como resultado, como consequência do caráter “privado”(25) do trabalho. Privado aqui não no sentido de “baseado na propriedade privada”. “Caráter privado” pode ter o trabalho da coletividade, em vista de que lhe contrapõe o trabalho de outra coletividade similar na qualidade de unidade econômico-independente. Com essa situação nos encontramos, por exemplo, no processo de demolição da propriedade comunal pelas forças mercantis-monetárias, já estando plenamente desenvolvidas as relações entre as comunidades. Dessa forma, a teoria do valor de Marx retém sua força ali onde a propriedade privada, no sentido estrito da palavra, já não existe, embora ainda existe a proverbial “desconexão” entre os elos isolados da produção social, sob qualquer aspecto, sob qualquer forma em que tal “desconexão” teve lugar.

Naturalmente, o desenvolvimento “independente” de elos isolados da divisão social do trabalho, inevitavelmente toma a forma de propriedade privada e encontra na mesma um novo terreno nutritivo. Porém, estes surgiram antes que a propriedade privada, e por isso morreram depois dela, se preservando por um tempo na qualidade de herança não superada das velhas formas da divisão do trabalho, características da propriedade privada. Isso é natural, pois o comunismo bruscamente, por decreto, não pode superar e transformar em relações comunistas toda a soma de relações que herdou na escala de toda a economia nacional...).

Neste ponto da teoria do valor de Marx, o camarada Kronrod está categoricamente em desacordo. Ele considera(26) que neste ponto em questão Marx caiu em um erro ao “supor” que somente os produtos de elos isolados da divisão social do trabalho mais ou menos independentes uns dos outros podem, em geral, tornar-se mercadorias, quer dizer, valores.

O camarada Kronrod não gosta que semelhante concepção se torne muito “difundida” em nossa ciência(27). Por sorte, esta está mais amplamente “difundida” que a concepção do camarada Kronrod, pois esta é uma concepção puramente marxista(28).

Ao camarada Kronrod, ao contrário, parece que a “prática do socialismo” testemunha contra a conclusão dada por Marx(29), e que o valor nas condições do socialismo vem a ser a expressão “adequada” do caráter diretamente social do trabalho nos elos isolados da economia nacional...

O camarada Kronrod não repara – no jargão, algo ao estilo de um sincero hipócrita ou um imediato mediato... Não repara ainda que não apagou simplesmente a “uma” das teses da teoria do valor de Marx, e sim a própria essência dessa teoria, a teoria total, de princípio ao fim...

E isso resulta em uma razão metodológica inteiramente “natural”. No lugar de investigar concretamente o processo da socialização comunista da economia nacional em seu estágio socialista, quer dizer, nesse estágio, onde o comunismo não teve tempo ainda para superar por completo todos os vestígios das formas anteriores e consequências da divisão (ou “associação”) social do trabalho, incluindo as diferenças entre a cidade e o campo, entre o trabalho qualificado e não qualificado, e etc., etc., coisa que não dá a nossa sociedade a possibilidade de nos desfazermos hoje e para sempre do “valor”, o camarada Kronrod se lança pela via de “emendar as definições dos conceitos”(30).

É impossível partindo do “trabalho diretamente social” deduzir sem rodeios o valor? Então, o camarada Kronrod “divide em dois” este conceito. Resulta que no “trabalho diretamente social” existem dois aspectos diferentes, o “socialmente homogêneo” e o “socialmente heterogêneo”. Do “trabalho diretamente social, porém, socialmente heterogêneo”, o camarada Kronrod felizmente “deduz o valor”...

A tarefa da investigação marxista da realidade em suas verdadeiras contradições de desenvolvimento é, felizmente, usurpada de sua função pela tarefa da “precisão dos conceitos”, na realidade, estragar os conceitos corretos da economia de mercadorias, elaborados de uma vez e para sempre por Marx.

Como resultado dessas “precisões” do “valor” em seu entendimento marxista, não resta absolutamente qualquer coisa. Este é precisado de tal modo, como para que no mesmo penetre sem contradição alguma (e sem análise) toda “prática do socialismo”. E isso é tudo.

A inconsistência metodológica e teórica dessa concepção foi desnudada de cabo a rabo pelo acadêmico K. V. Ostrovitianov em seu discurso de encerramento do debate(31).

O acadêmico K. V. Ostrovitianov demonstrou de uma forma convincente que a tentativa do camarada Kronrod não conduziu a qualquer coisa, salvo a “confusão de ideias na economia de mercadorias”, e aquelas contradições no “trabalho diretamente social, porém, socialmente heterogêneo”, das quais o camarada Kronrod se esforça por “deduzir” as determinações do valor no socialismo, resultam na verdade em nada mais que a perpétua discrepância entre o desgaste individual e o trabalho ou tempo socialmente necessário; entre a produtividade do trabalho individual e a normativa-média...(32)

O “conceito de valor” de tal modo resultou francamente reduzido a ser parte quantitativa da questão. E isso significa que o camarada Kronrod aceitou de Marx aquelas e somente aquelas determinações do valor que lhe eram úteis, e suprimiu aquelas que incomodavam a suas concepções. Recentemente ele reconsiderou, tendo em conta a “prática do socialismo”. Como resultado de seu entendimento de valor desaparecem todas aquelas conclusões que Marx fizera em sua análise da forma valor do produto do trabalho (“forma valor”), e se conserva somente a característica de valor “como conteúdo”. O valor foi, portanto, caracterizado somente como “o que se apresenta igualmente sob todas as demais formas sociais que nos mostra a história, embora sob outra forma(33), quer dizer, de modo ahistórico, não concreto.

Isso se vincula com aquela “lógica” peculiar, que é característica das digressões do camarada Kronrod.

Assim, ele diz: “Todo o produto social no socialismo (exceto as porções de consumo naturais nas fazendas coletivas e economias auxiliares da população) é produzido e realiza seu ciclo econômico como produto mercantil. Disso segue com evidência indiscutível, que a produção socialista em sua integridade é produção de mercadorias”. Porém, como esta é produção de mercadorias de “tipo especial”, então se considera que o especial neste tipo é que “não são mercadorias no socialismo nem as fábricas, nem as usinas, nem a terra, nem a força de trabalho”.

Em outras palavras, no socialismo todos os produtos tornam-se mercadorias, com a exceção de quase todos.

Em minha opinião, tal “lógica” é muito pior que o “hegelianismo”.

★ ★ ★

Em conclusão, gostaria de acrescentar apenas o seguinte. A questão da Lógica de O Capital é uma questão demasiada séria, para que possa ser solucionada na forma de uma esgrima entre carta à redação. Por essa mesma razão, eu não afirmo que em meu livro se tenha solucionado isso de modo acabado e infalível. A série de observações críticas ao texto, sinceramente as agradeço ao camarada Kronrod. Ao mesmo tempo, não penso que o camarada Kronrod seja o depositário da verdade absoluta nesta questão. Semelhante atitude que o camarada Kronrod tomou na qualidade de crítico do livro, muito impressionante, porém não é muito conveniente ao debater uma questão séria.

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Notas de rodapé:

(1) Possui graduação em farmácia pela UFPR e é mestre em educação pela UFPR. Participa dos Grupos de Pesquisa: Núcleo de Pesquisa Educação e Marxismo (NUPE-Marx/UFPR), na linha Trabalho, Tecnologia e Educação; e Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva (NESC/UFPR), na linha Estudos Marxistas em Saúde. Contato: marcelojss @ gmail.com (retornar ao texto)

(2) Ver: páginas 183, 185, 209, 213, 245 etc. [da edição russa – M.S.]. (retornar ao texto)

(3) [“O Capital, como é bem conhecido, começa com uma análise bastante minuciosa e detalhada da categoria do valor, i.e., da forma real das relações econômicas que é a forma universal e elementar do começo do capital.” (E. V. Ilienkov. A Dialética do Abstrato e do Concreto em O Capital de Karl Marx, capítulo 5, item 1). – M.S.] (retornar ao texto)

(4) [“Para deixar esclarecido de uma vez por todas, entendo por economia política clássica toda teoria econômica desde W. Petty, que investiga a estrutura interna das relações burguesas de produção em contraposição à economia vulgar, que se move apenas no interior do contexto aparente e rumina constantemente o material há muito fornecido pela economia científica a fim de fornecer uma justificativa plausível dos fenômenos mais brutais e servir às necessidades domésticas da burguesia, mas que, de resto, limita-se a sistematizar as representações banais e egoístas dos agentes de produção burgueses como o melhor dos mundos, dando-lhes uma forma pedante e proclamando-as como verdades eternas” (Karl Marx. O Capital: Crítica da Economia Política. Livro I: O Processo de Produção do Capital. Posfácio da Segunda Edição. São Paulo: Boitempo, 2013, p. 156, nota 32). – M.S.] (retornar ao texto)

(5) [“Lembremo-nos, todavia, de que as mercadorias possuem objetividade de valor apenas na medida em que são expressões da mesma unidade social, do trabalho humano, pois sua objetividade de valor é puramente social e, por isso, é evidente que ela só pode se manifestar numa relação social entre mercadorias” (Karl Marx. O Capital: Crítica da Economia Política. Livro I: O Processo de Produção do Capital. Posfácio da Segunda Edição. São Paulo: Boitempo, 2013, p. 125). – M.S.] (retornar ao texto)

(6) [A frase “Поэтому-то анализ стоимости и совпадает с анализом «товара» как конкретного общественного образа продукта труда”, poderia ser traduzida também dessa forma: “Por isso, a análise do valor concorda com a análise da ‘mercadoria’, como imagem concreta social do produto do trabalho”. – V.A.] (retornar ao texto)

(7) [“Se na circulação simples o valor das mercadorias atinge no máximo uma forma independente em relação a seus valores de uso, aqui ele se apresenta, de repente, como uma substância em processo, que move a si mesma e para a qual mercadorias e dinheiro não são mais do que meras formas” (Karl Marx. O Capital: Crítica da Economia Política. Livro I: O Processo de Produção do Capital. Posfácio da Segunda Edição. São Paulo: Boitempo, 2013, p. 230). – M.S.] (retornar ao texto)

(8) [Karl Marx. O Capital. Livro II, Volume III. 3.ed. São Paulo: Nova Cultural, 1988, p. 73. – M.S.] (retornar ao texto)

(9) Ver: Karl Marx. O Capital, t. II, pp. 160-161 [da edição russa – M.S.]. (retornar ao texto)

(10) [No original diz: “самодействующий субъект, саморазвивающийся субъект, самодвижущаяся субстанция”, literalmente, “sujeito automático, sujeito se autodesenvolvendo (ou se automultiplicando), substância motriz em si mesma”. Essas são expressões que constam na tradução russa de O Capital de Marx, para cuja interpretação temos nos guiado na tradução em espanhol de Pedro Scaron publicada pela editora Siglo XXI – V.A.] (retornar ao texto)

(11) [“O caráter misterioso da forma-mercadoria consiste, portanto, simplesmente no fato de que ela reflete aos homens os caracteres sociais de seu próprio trabalho como caracteres objetivos dos próprios produtos do trabalho, como propriedades sociais que são naturais a essas coisas e, por isso, reflete também a relação social dos produtores com o trabalho total como uma relação social entre os objetos, existente à margem dos produtores” (Karl Marx. O Capital: Crítica da Economia Política. Livro I: O Processo de Produção do Capital. Posfácio da Segunda Edição. São Paulo: Boitempo, 2013, p. 147). – M.S.] (retornar ao texto)

(12) [“Portanto, os homens não relacionam entre si seus produtos do trabalho como valores por considerarem essas coisas meros invólucros materiais de trabalho humano de mesmo tipo. A o contrário. Porque equiparam entre si seus produtos de diferentes tipos na troca, como valores, eles equiparam entre si seus diferentes trabalhos como trabalho humano. Eles não sabem disso, mas o fazem. Por isso, na testa do valor não está escrito o que ele é. O valor converte, antes, todo produto do trabalho num hieróglifo social” (Karl Marx. O Capital: Crítica da Economia Política. Livro I: O Processo de Produção do Capital. Posfácio da Segunda Edição. São Paulo: Boitempo, 2013, p. 149). – M.S.] (retornar ao texto)

(13) Karl Marx. O Capital, p. 771 [da edição alemã – M.S.]. (retornar ao texto)

(14) [Karl Marx. O Capital: Crítica da Economia Política. Livro I: O Processo de Produção do Capital. Posfácio da Segunda Edição. São Paulo: Boitempo, 2013, pp. 150-151. – M.S.] (retornar ao texto)

(15) Ver: J. A. Kronrod (Org.). Закон стоимости и его использование в народном хозяйстве СССР [A Lei do Valor e sua Utilização na Economia da URSS]. Moscou: Editora do Estado de Literatura Política, p. 133 e seguintes. (retornar ao texto)

(16) [No original russo: “саморазвитие товарной формы продукта” – V.A.] (retornar ao texto)

(17) Ver: J. A. Kronrod (Org.). Закон стоимости и его использование в народном хозяйстве СССР [A Lei do Valor e sua Utilização na Economia da URSS]. Moscou: Editora do Estado de Literatura Política, pp. 142, 149. (retornar ao texto)

(18) J. A. Kronrod (Org.). Закон стоимости и его использование в народном хозяйстве СССР [A Lei do Valor e sua Utilização na Economia da URSS]. Moscou: Editora do Estado de Literatura Política, p. 142. (retornar ao texto)

(19) Ver: J. A. Kronrod (Org.). Закон стоимости и его использование в народном хозяйстве СССР [A Lei do Valor e sua Utilização na Economia da URSS]. Moscou: Editora do Estado de Literatura Política, p. 159 (retornar ao texto)

(20) [No original “исчерпывающе-конкретным” se traduziria literalmente como completa-concreta, embora uma interpretação também pode ser a de que é a “concreção mais acabada” ou “de expressão concreta mais acabada”, ou simplesmente “mais concreta” – V.A.] (retornar ao texto)

(21) Karl Marx. O Capital: Crítica da Economia Política. Livro I: O Processo de Produção do Capital. Posfácio da Segunda Edição. São Paulo: Boitempo, 2013, p. 700. (retornar ao texto)

(22) Karl Marx. O Capital: Crítica da Economia Política. Livro I: O Processo de Produção do Capital. Posfácio da Segunda Edição. São Paulo: Boitempo, 2013, p. 662. (retornar ao texto)

(23) [No original “значения” literalmente: significado, importância, sentido, valor – V.A.] (retornar ao texto)

(24) [“Os objetos de uso só se tornam mercadorias porque são produtos de trabalhos privados realizados independentemente uns dos outros” (Karl Marx. O Capital: Crítica da Economia Política. Livro I: O Processo de Produção do Capital. Posfácio da Segunda Edição. São Paulo: Boitempo, 2013, p. 148). – M.S.] (retornar ao texto)

(25) [A palavra “Частный” pode ser traduzida como “privado” e como “particular” – V.A.] (retornar ao texto)

(26) Ver: J. A. Kronrod (Org.). Закон стоимости и его использование в народном хозяйстве СССР [A Lei do Valor e sua Utilização na Economia da URSS]. Moscou: Editora do Estado de Literatura Política. (retornar ao texto)

(27) Ver: J. A. Kronrod (Org.). Закон стоимости и его использование в народном хозяйстве СССР [A Lei do Valor e sua Utilização na Economia da URSS]. Moscou: Editora do Estado de Literatura Política, p. 133. (retornar ao texto)

(28) [A passagem do escrito de Kronrod citado por Ilienkov diz: “Tem grande difusão a asserção de que nas condições do socialismo se preservam duas relações de propriedade pré-socialistas que são as premissas da produção mercantil: a) a divisão do trabalho, b) a desconexão dos produtos por suas relações de propriedade, com a distinção de que nas condições pré-socialistas essa desconexão é o resultado das relações de propriedade privada, e nas condições do socialismo é o resultado da propriedade socialista, mais precisamente, é resultado da presença das formas fazendas coletivas-cooperativas de propriedade à par com a propriedade de todo o povo. ... Não é difícil descobrir que os interesses de fundamentar a necessidade da produção de mercadorias no socialismo pela “desconexão” dos produtores não tem sustento metodológico, pois este é, no essencial, um modo de tratar o problema por meio de uma analogia mecânica com o tratamento aplicado às relações de propriedade privada”. – V.A.] (retornar ao texto)

(29) J. A. Kronrod (Org.). Закон стоимости и его использование в народном хозяйстве СССР [A Lei do Valor e sua Utilização na Economia da URSS]. Moscou: Editora do Estado de Literatura Política, p. 159 (retornar ao texto)

(30) [“Qual o procedimento do metafísico quando uma contradição surge na definição de uma expressão teórica de uma certa realidade? Ele sempre se esforça em resolvê-la criando conceitos mais precisos, delimitando limites mais estreitos sobre os termos etc.” (E. V. Ilienkov. A Dialética do Abstrato e do Concreto em O Capital de Karl Marx, capítulo 5, item 4). – M.S.] (retornar ao texto)

(31) Ver: J. A. Kronrod (Org.). Закон стоимости и его использование в народном хозяйстве СССР [A Lei do Valor e sua Utilização na Economia da URSS]. Moscou: Editora do Estado de Literatura Política, pp. 485-492. (retornar ao texto)

(32) [Na parte final da crítica a Kronrod por parte de Ostrovitianov a que se refere Ilienkov: “J. A. Kronrod procura deduzir de modo direto a necessidade da forma mercantil de intercâmbio da contradição entre o trabalho articulado, que se inverte no conjunto da produção social, e o trabalho individual e coletivo, que se inverte na produção de produtos em empresas socialistas isoladas. O trabalho social articulado surge como a igualação do trabalho médio, socialmente necessário. Na qualidade de trabalho individual e coletivo, invertido no produto em uma empresa dada, este surge como um trabalho particular socialmente heterogêneo, cujo nível de necessidade para a sociedade é distinto. ... Procuremos entender essa ‘contradição’. ... A igualação do trabalho médio, socialmente necessário, não é outra coisa que o trabalho socialmente necessário, invertido na produção de mercadorias em um ramo dado da produção. A isso se contrapõe, se usamos a terminologia de J. A. Kronrod, o trabalho individual e coletivo, invertido na produção de mercadorias nas empresas isoladas. Se liberamos todos esses conceitos da neblina verbal, estamos lidando acima de tudo com a contradição entre o trabalho ou o tempo individual e o socialmente necessário. Assim se caracterizará somente o aspecto quantitativo, e não o qualidade no valor. Porém, para que seja imprescindível determinar o aspecto quantitativo do valor das mercadorias, é necessário que já exista uma produção de mercadorias e de valor, determinada pelo trabalho abstrato. Consequentemente, de tal contradição jamais seria possível deduzir a necessidade das relações mercantis” (K. V. Ostrovitianov. Discurso que Encerra a Discussão. In: J. A. Kronrod (Org.). Закон стоимости и его использование в народном хозяйстве СССР [A Lei do Valor e sua Utilização na Economia da URSS]. Moscou: Editora do Estado de Literatura Política, p. 491). – V.A.] (retornar ao texto)

(33) Ver: Karl Marx. Замечания на книгу А. Вагнера [Glosas Marginais ao “Tratado da Economia Política” de Adolph Wagner]. In: Сочинения [Obras], t. XV, p. 475. (retornar ao texto)

Inclusão 19/04/2014