Sede Homens de Ampla Cultura

M. I. Kalinin

24 de Maio de 1934


capa

Primeira Edição: "Komsomólskaia Pravda", ("A Pravda do Komsomol"), 24 de maio de 1934. Do discurso pronunciado durante a conferência do Ativo do Komsomol de Dniepropetrovsk.
Fonte: Editorial Vitória Ltda., Rio, 1954. Traduzido da edição em espanhol de "Ediciones em Lenguas Extranjeras” de Moscou 1949. Pág: 22-30.
Nota da Edição Original: Neste livro foram compilados discursos e artigos escolhidos de Mikhail Ivánovitch Kalínin dedicados à educação comunista, que abarcam um período de quase vinte anos. Alguns dos discursos são reproduzidos com pequenas reduções.
Transcrição e HTML:
Fernando A. S. Araújo.
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.


Nós apreciamos os jovens do Komsomol não só porque, como dizem os pioneiros, são os “herdeiros” dos velhos bolcheviques, mas também porque esses “herdeiros” tomam parte ativa na edificação, porque são uma fôrça ativa e criadora do país. Isto, como é natural, implica numa grande responsabilidade para o Komsomol leninista. E a primeira obrigação de cada organização do Komsomol, como em geral a de qualquer organização, deve ser a de saber orientar e utilizar suas forças da maneira mais adequada e que renda os melhores resultados.

Nem sempre é bom o chefe que lança todas as suas forças ao combate de uma vez. Nem sempre essa forma de combater é adequada. Será um bom chefe aquele que saiba conservar melhor a energia de seus combatentes para a batalha decisiva. Em certa ocasião, o camarada Budiónni indicava acertadamente o erro cometido por um chefe militar branco durante a Guerra Civil. Ambos conduziam suas unidades por itinerários paralelos através das estepes da região do Azov. Budiónni conduzia suas tropas por lugares habitados, onde os soldados vermelhos podiam dormir à noite e os cavalos alimentar-se; ao contrário, o exército inimigo avançava através de uma estepe nua e arrasada. Assim, cobriram mais de 200 quilômetros. As tropas de Budiónni chegaram com um bom moral e em boas condições de combater. O inimigo, ao contrário, esgotara-se na marcha sendo destroçado pelo camarada Budiónni. Quero dizer com isto que cada organizador deve saber organizar seu trabalho como é devido, calcular e pesar a seu devido tempo todas as circunstâncias e só em caso de necessidade lançar à ação toda a fôrça material, toda a fôrça da organização completa. Essas qualidades bolcheviques eram dominadas com perfeição pelo camarada Lênin e são dominadas com perfeição pelo camarada Stálin. Também os jovens do Komsomol devem aprender a dominá-las, reajustando seu trabalho de tal forma que lhes permita conhecer a cada Komsomol, saber o que é que se pode exigir e que ajuda se lhe pode e se lhe deve prestar, em que trabalho pode dar melhor resultado.

Eis um exemplo: entre os jovens do Komsomol há uma grande quantidade de estudantes de universidade e de escolas técnicas superiores e intermediárias. Estes, com frequência, estão sobrecarregados de trabalho. E se os estudantes não organizam bem seu regime de estudo, de trabalho social e de descanso, resultará que ao terminar o curso superior alguns deles terão perdido a saúde. Um terá o figado doente, outro adoecerá rapidamente dos rins e um terceiro terá um estômago que não digerirá bem. Quem deve, pois, preocupar-se com a organização racional da vida de nossos estudantes? Quem responde, em primeiro lugar, ante o Partido, por esses quadros? O Komsomol! Este é um assunto de sua incumbência, é ele quem deve olhar por isto, é ele quem deve realizar um trabalho diário nas escolas, começando pela primária e acabando na superior. É ele quem deve ajudar no indispensável cumprimento das diretivas correspondentes do Governo e a organizar melhor o estudo e o regime de vida dos que estudam.

Nosso Estado proletário, dedicado ao trabalho criador socialista, encontra-se dentro de um cerco capitalista. Isto significa que estamos expostos constantemente ao perigo de um possível ataque do inimigo. Não devemos esquecer isto nem um só instante em nosso trabalho pacífico de cada dia. Todos nós devemos estar sempre alertados, devemos estar sempre no posto de combate.

De quem se comporá no fundamental nosso exército em caso de guerra? De jovens do Komsomol em parte muto considerável. Por isso, são sobretudo os komsomóis que devem estar de olho vivo, devem recordar a cada momento que, em caso de ataque inimigo, dirigidos pelos comunistas e lado a lado com eles, deverão suportar o primeiro golpe. E como é sabido, os primeiros golpes do inimigo são mais encarniçados. Isto obriga os komsomóis e a juventude operária dirigida por eles a estudar com consciência o manejo das armas. O camarada Vorochílov levantou diante do Komsomol tarefas concretas e precisas no terreno militar. Essas tarefas são conhecidas, é preciso cumpri-las, sendo desnecessário insistir sobre elas.

Mas aqui é preciso mencionar um setor de importância do trabalho do Komsomol como é o da educação física. O esporte é uma boa coisa, pois fortalece o homem. Mas o esporte é algo auxiliar e não se deve praticar o esporte pelo esporte em si, convertê-lo em exclusivo recordismo. Nós queremos desenvolver o homem em todos os aspectos, para que saiba correr bem, nadar, marchar com rapidez e galhardia, para que todos os seus órgãos se encontrem em bom estado, numa palavra, para que seja uma pessoa normal e sã, apta para o trabalho e a defesa, para que paralelamente a todas essas qualidades físicas se desenvolvam também, como é devido, suas qualidades mentais.

Visitei com o camarada Vorochílov várias escolas militares e vi que ele prestava particular atenção a essas questões. Dizia o camarada Vorochílov que é preciso evitar o recordismo e que não devemos nos dedicar ao esporte pelo esporte; o esporte deve subordinar-se às tarefas gerais da educação comunista. Pois o que nós procuramos desenvolver e preparar não são simples desportistas, mas cidadãos da edificação soviética, os quais não só devem possuir braços fortes e um bom aparelho digestivo, mas também, em primeiro lugar, um amplo horizonte político e capacidade de organização. Por isso, ao alistar no movimento da cultura física novos milhões de jovens trabalhadores, ao elevar nosso esporte a um grau superior, o Komsomol deve imprimir a nossos desportistas uma fisionomia política e social bem definida.

Eu quisera que os jovens do Komsomol me compreendessem bem, que não pensassem que minha intenção é a de refrear seus impulsos, que compreendessem toda a importância que tem uma acertada organização bolchevique em qualquer setor de nossa vida e de nosso trabalho.

Quero dizer, em particular, umas quantas palavras sobre o companheirismo entre a juventude. Durante os anos juvenis, o homem se sente muito mais predisposto à amizade e à ajuda coletiva aos camaradas. Rara vez um jovem abandonará o camarada que se encontra em situação difícil. Em cada cem casos podem ocorrer dois ou três em que tal aconteça. Esses sentimentos adquirem uma importância extraordinária no combate. A segurança plena na firmeza do companheiro ao lado eleva consideravelmente as qualidades combativas de uma unidade. E o fogo do inimigo não provoca nenhum pânico ou, em todo o caso, o pânico é menor. Esses sentimentos unem estreitamente e disciplinam os combatentes. O companheirismo, a amizade de classe, devem ser fomentados por todos os meios entre a juventude. Esta é uma das qualidades mais socialistas, imprescindíveis em todas as partes e em particular na luta de classes.

Muitos se acostumaram a compreender o companheirismo como simples palavra; mas se esse sentimento se desenvolve acertadamente, se se procura fazer com que os komsomóis e a juventude sem partido, que os camaradas e amigos compartilhem suas alegrias na produção, superem juntos as dificuldades, assimilem juntos a técnica, ajudando-se de verdade uns aos outros, passem juntos seus momentos de ócio, dedicando-se à cultura física e ao desporte, etc., teremos no companheirismo um excelente e fecundo complemento de emulação socialista.

Nossos komsomóis vivem numa época que não pode ser melhor, e de extraordinário interesse. No transcurso de toda a história da sociedade humana nem uma só geração juvenil viveu uma época como esta.

Em verdade, nos tempos em que não se realizavam transformações históricas de grande envergadura, a gente podia viver até os setenta anos sem avançar além do mínimo possível: na vida não havia grandes mudanças e o homem morria de velho na mesma casa em que tinha nascido.

Mas agora, nós e nossa juventude vivemos num período de grandiosas revoluções históricas. Ante nossos olhos subsistem ainda Estados com fortes sobrevivências feudais e, ao mesmo tempo, no que foi outrora o país mais bárbaro da Europa, o mais antigo cárcere de povos, na Rússia, marcha a toda velocidade a edificação socialista.

Em que época da história existiu um período mais interessante? Quando houve mais heroísmo e mais dramaticidade do que em nossos tempos?

Inclusive no período da Revolução Francesa, tão rico em acontecimentos e comoções, não houve tanto heroísmo nem tanta dramaticidade. E, naturalmente, não se pode compará-la à nossa Revolução. Aquela foi uma revolução que, embora progressista para seu tempo, era burguesa. A nossa, a socialista, é uma revolução que ao lutar pela primeira vez na História pelos interesses da classe mais avançada, da classe mais progressista que já existiu na História, o proletariado, luta ao mesmo tempo pelos interesses de toda a humanidade trabalhadora. Recomendo com particular interesse a nossos komsomóis, a nossa juventude, que leiam “O Albatroz”, de Gorki. Essa obra reflete perfeitamente o afã revolucionário dos homens de vanguarda da velha Rússia.

Quem quer viver para o trabalho socialista, cria, modifica a vida, luta, destrói o velho, constrói o novo. E nossa realidade soviética permite a cada trabalhador, a cada jovem operário e kolkhoziano revelar e desenvolver do modo mais efetivo todas as suas capacidades e aptidões. Compreende-se que não tenha existido na história da humanidade outro período tão interessante como este, já que antes da Revolução de Outubro só existia a luta pelo pedaço de pão, quando um punhado de ricos exercia o domínio sobre milhões de trabalhadores.

Não há dúvida de que dentro de certo tempo, e na base de nossa luta e da transformação que se realiza em nosso país, criar-se-ão obras artísticas admiráveis. Não resta dúvida de que as grandes obras de nossa realidade revolucionária constituirão temas magníficos para os artistas. E viver numa época tal é realmente uma grande sorte. Apesar de contar 58 anos, considero-me extraordinariamente feliz por me haver tocado viver neste período. Sabemos que o comunismo será uma realidade, que a vida será bela e interessante, mas o melhor momento é aquele em que se verifica a luta de classes, quando a gente mesmo participa dessa luta e sabe que nela o proletariado sairá vencedor.

E isto não pode senão inspirar nossa juventude a realizar novas façanhas na luta pelo socialismo. E nós vemos como cada dia os jovens educados pelo Partido — os filhos do Komsomol leninista — demonstram fidelidade à causa do socialismo, como, ao primeiro chamado do Partido, lançam-se à conquista da cultura e da técnica, extraem o minério das minas, constroem o “Metrô”, tomam de assalto as alturas da estratosfera, lutam valorosamente contra os rigores do Ártico, convertendo-se nos primeiros heróis da União Soviética.

O Comitê Central de nosso Partido, o camarada Stálin e os outros membros da C.C. sabem de que maneira responde o Komsomol a todas as tarefas apresentadas pelo Partido. O Partido e o Governo contam com o carinho, a fidelidade e o apoio mais absolutos da jovem geração de nosso país, do Komsomol.

Nós, os velhos bolcheviques, estamos seguros de que não nos equivocamos. Os jovens do Komsomol são os novos edificadores de nossa União. Se alguém quer ser um verdadeiro comunista será jovem até a morte.

Por que digo verdadeiro comunista? Por que proporciona o comunismo tal energia aos homens? Para o verdadeiro comunista as preocupações de tipo pessoal se revestem de um caráter secundário: pode ocorrer qualquer contrariedade familiar — isto é muito penoso, mas eu creio que por causa disso o socialismo não perdeu nada e tampouco o trabalho deve sair prejudicado. Naturalmente que se uma pessoa vive limitada aos interesses domésticos, se passa todo o tempo pensando em si mesmo ou em sua Filomena, não será então um verdadeiro comunista. Ao passo que, quando em realidade se trabalha ativamente e se toma parte ativa em toda a construção, às vezes a pessoa não observará que vestido usa sua mulher e se esquecerá das minúcias da vida cotidiana e dos infortúnios pessoais.

Para ser um comunista forte requer-se antes de tudo uma firme ideologia comunista. A ideologia comunista nos permite abordar acertadamente cada problema, cada fenômeno. A ideologia comunista é para os lutadores da revolução proletária o que para o astrônomo, digamos por exemplo, é um colossal telescópio, ou para o pesquisador de laboratório, um microscópio. A ideologia comunista permite ao político, ao homem público, compreender plena e acertadamente a situação em que trabalha, organizar a massa e conduzi-la ao combate; dá-lhe a possibilidade de ver, compreender e assinalar com acerto as perspectivas. Tudo isto em seu conjunto fortalece o homem, torna-o mais resistente não só às pequenas adversidades de caráter individual, mas também a outras maiores. Quando, na vida de uma pessoa o principal é a ideia coletiva e comum, quando a causa da coletividade está acima de tudo e se vive com os mesmos interesses e esperanças que os que nos cercam, esses interesses comuns dos trabalhadores são os que torna jovens os comunistas velhos.

Tomai o período da guerra civil e o de nossa construção socialista. Naqueles dias, todos os trabalhadores, sem excluir os velhos, demonstraram prodígios de heroísmo e de entusiasmo, realizaram façanhas extraordinárias, como hoje em dia demonstram e realizam também. Isto é o que deve compreender a geração que nos sucede, os komsomóis e a juventude operária e kolkhoziana. Dos velhos bolcheviques e dos velhos proletários, temperados nos combates, devem aprender os hábitos coletivos, a paixão criadora, a compreensão e a visão teórica dos acontecimentos.

Para acompanhar nossa agitada vida não basta paixão no trabalho. A fôrça do Partido Bolchevique reside em que está armado com a teoria de Marx-Engels-Lênin-Stálin e que sabe manejar com perfeição essa arma. Nas condições da ilegalidade, da contínua vigilância policial, nas condições da luta encarniçada contra o tzarismo e a burguesia, nas condições do presídio e da deportação, os bolcheviques iam assimilando a teoria revolucionária, iam sintetizando na teoria as experiências da luta do proletariado. É verdade que em certas ocasiões estávamos “livres” para o estudo. Acontecia que nos metiam no cárcere e ali, podíamos ler, embora nem sempre. Naturalmente nossa juventude não dispõe atualmente dessas “vantagens”.

Os jovens do Komsomol, e em particular os ativistas, lamentam-se às vezes de não terem tempo para ler nem para se dedicarem aos estudos. Eu também sou um homem ocupado e, não obstante, todos os dias dedico algum tempo à leitura. Cada dia leio, mesmo que não seja mais do que oito ou dez páginas, não de papéis, mas de livros marxistas e além disso leio também as novidades literárias.

O camarada Stálin dizia em certa ocasião que o pior que pode ocorrer é que se pense de acordo com fórmulas e ordens de antemão preparadas. Isto, como é natural, é o mais simples. Para explicar tal ou qual tese teórica com palavras próprias, é necessário antes de tudo ter meditado bem sobre ela, tê-la compreendido, pois, do contrário, pode-se cometer erros. E quando se fala com fórmulas aprendidas de memória, o pensamento não trabalha como é devido, dorme. Por isso, a primeira condição para o estudo teórico é a análise profunda do problema, sua compreensão e não aprender de memória tais ou quais teses.

Os jovens do Komsomol, e em particular os jovens ativistas, têm muito que fazer. Seu trabalho é muito grande, mas apesar disso estão obrigados a ser pessoas de ampla cultura.

A construção socialista necessita de pessoas instruídas; mas não podemos considerar como pessoas instruídas as que somente leem muito, mas as que estudam a fundo a filosofia materialista, as que vão dominando o caudal da ciência, as que assimilam o que leram e compreendem como se deve combinar a teoria revolucionária com a prática revolucionária.

E não há dúvida de que se os jovens do Komsomol distribuírem acertadamente seu tempo, Este lhes chegará também para o estudo teórico.

Compartilhe este texto:
Início da página
 
Visite o MIA no Facebook
 

Inclusão 15/10/2012