Tudo para Derrotrar o Inimigo
Discurso pronunciado na Reunião do Ativo do Komsomol da Cidade de Kuibichev

M. I. Kalinin

12 de Novembro de 1941


capa

Primeira Edição: Komsomólskaia Pravda”, (“A Pravda do Konsomol’’) 21 de novembro de 1941.
Fonte: Editorial Vitória Ltda., Rio, 1954. Traduzido da edição em espanhol de "Ediciones em Lenguas Extranjeras” de Moscou 1949. Pág: 130-138.
Nota da Edição Original: Neste livro foram compilados discursos e artigos escolhidos de Mikhail Ivánovitch Kalínin dedicados à educação comunista, que abarcam um período de quase vinte anos. Alguns dos discursos são reproduzidos com pequenas reduções.
Transcrição e HTML:
Fernando A. S. Araújo.
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Camaradas: A União Soviética sofreu no passado muitas vicissitudes. E provas muito duras, que exigiram grandes esforços e custaram muitos sacrifícios, couberam por sorte à velha geração. A vida da velha geração foi rica em façanhas. Mas, em benefício de que se realizavam essas façanhas? Elas se realizavam para o futuro, para vós. Eu alentava a esperança de que a atual geração de jovens do Komsomol, que são os filhos prediletos do povo, crescesse numa situação de relativa tranquilidade, assimilando conhecimentos e experiência.

Mas, como vedes, couberam por sorte à vossa geração provas não menos duras e talvez ainda mais cruéis. A guerra parece acelerar de golpe a maturação da juventude. Num prazo brevíssimo, nossos komsomóis, que vivem ainda as alegrias da idade, que se entregam a sonhos agradáveis sobre o futuro e a bem-amada, que se embelezam com todas as maravilhas da vida, esses jovens do Komsomol se transformam em homens maduros e compreendem que a guerra pôs fim a tudo aquilo, sentem que foi cortado esses período de sua vida, o melhor de todos os períodos da vida do homem.

Citar-vos-ei um caso dos mais comuns. O jornal “Krásnaia Zviezdá(1) publica as notas de seu repórter gráfico Loskutov. Nelas se relata como um grupo de trabalhadores soviéticos, entre os quais se encontravam o autor e um cinegrafista, passou à retaguarda alemã para chegar a um acampamento de guerrilheiros.

“Acompanha-nos um guia — diz o correspondente — que se converteu no chefe do grupo. Nosso chefe é jovem, tem apenas 20 anos, mas já passou por muitas provas e já viu muitas coisas. É um Komsomol valente, tenaz e logo nos afeiçoamos a ele. Chama-se Serguéi Záitzev, mas nós o chamamos 'Záitchik'”.(2)

Sim, é provável que cinco meses antes fosse na realidade um “filhote de lebre”, mas agora é o chefe de um grupo e está formado pela experiência da luta. Atentai bem: um jovem de 20 anos, que conduz um grupo pela retaguarda alemã, ao longo de cinquenta quilômetros. Há cinco meses era um jovem comum e vulgar que não imaginava fosse ser guerrilheiro e guia na retaguarda alemã. As ideias que mais ocupavam seu pensamento eram provavelmente as de passear, dançar, cortejar as moças, pois esses são os desejos mais naturais dos jovens de suá idade. Mas em cinco meses converteu-se num combatente, num vingador do povo. Conserva o valor ilimitado e o afã de lutar de sua juventude, mas já é um combatente experiente, ensinado pela vida, a quem homens maduros confiam sua sorte nos momentos de maior responsabilidade.

Já vedes com que rapidez, em nossos dias, os jovens se convertem em guerreiros, se fazem homens. Eram precisos anos para isso, em tempos de paz. Para os membros do Komsomol que estão na frente, a juventude já passou, eles se converteram em guerreiros. Muitos de vós tendes irmãos que estiveram na frente e regressaram ao lar em licença ou então que encontraste por outro motivo. Acaso não dizeis então: “Como mudaste! Quando partiste eras um menino e voltas homem feito”.

Mas essas modificações são exteriores. Nos homens produzem-se também profundas modificações interiores. É indubitável que os membros do Komsomol em seu conjunto estão passando agora por um período de ardor guerreiro. Muitos deles já se encontram na frente, ou se não estão na frente trabalham na produção, que é a própria frente. Assim, por exemplo, os membros moscovitas do Komsomol que trabalham na produção sofrem com frequência os ataques da aviação inimiga. E se requer muita firmeza para trabalhar nesses momentos com pleno domínio de si mesmo e com o máximo rendimento.

Para os leningradenses a frente está ainda mais perto. Os membros do Komsomol de Leningrado estão em plena frente, quer trabalhem nas fábricas, quer defendam sua cidade de armas na mão. E ambos — o jovem proletário de Moscou e o jovem proletário de Leningrado — se fizeram homens, se transformaram em combatentes.

Naturalmente, este mesmo processo também tem lugar na retaguarda, embora talvez se desenvolva num ritmo mais lento.

Atualmente, parte do Governo encontra-se em Kúibichev. Isto implica numa determinada responsabilidade para os trabalhadores de Kúibichev e para o Komsomol da cidade. Há um ano, há cinco meses, Kúibichev era uma das grandes cidades da URSS, mas apesar de tudo não era mais do que uma entre tantas grandes cidades. Em Svérdlovsk, Tchkálov, Novossibirsk e outras cidades não se prestava particular atenção aos habitantes de Kúibichev, pois também elas eram centros regionais. Mas agora aqui se encontra o Comitê Central da União das Juventudes Comunistas Leninistas da URSS. Para cá acorrem os membros do Komsomol de outras regiões. E, naturalmente reparam em vós, em vosso trabalho e se interessam por saber como marcham as coisas em Kúibichev. Têm esperanças de ver algo, de aprender algo.

Qual é a tarefa fundamental que se apresenta agora ao Komsomol? Parece-me ser muito clara: participar da guerra. A guerra é o fato mais fundamental e decisivo da vida atual. Hoje em dia não existe tarefa mais importante que a de derrotar o inimigo. Todas as demais tarefas não são mais do que auxiliares para a conquista deste objetivo fundamental: vencer o inimigo.

Pode-se participar da guerra de modo direto e também trabalhando na indústria, em toda a espécie de instituições militares e da retaguarda. Mas provavelmente a maioria dentre vós — se não for hoje, será amanhã ou depois de amanhã — participará diretamente da guerra. E esta guerra é cruel, o inimigo que temos de enfrentar é de tal natureza que somente poderemos acabar com ele pondo em grande tensão nossas fôrças.

Por isso, levanta-se ante a organização do Komsomol a tarefa de preparar os jovens do Komsomol para a guerra, para uma participação eficaz nela. Creio que, do ponto de vista político, cada um de vós compreende perfeitamente que nossa guerra é uma guerra justa e se dá perfeita conta disso. Mas cada um de vós deve preparar-se moralmente para a guerra. É preciso habituar-se de antemão às condições da frente.

Deveis compreender que a guerra não é um brinquedo, mas uma prova muito dura. Não é casual o fato de que na guerra, o jovem imberbe se converta rapidamente num homem maduro, num lutador. Na guerra, o homem passa num mês ou em alguns meses pelo que não passa nem em dez anos de vida pacífica, e num só combate talvez receba mais impressões do que em meia existência. E para isso é preciso estar preparado. A organização do Komsomol e cada membro do Komsomol devem preparar-se e devem preparar toda a juventude para participar da guerra; deveis preparar-vos moralmente para que todas as crueldades da guerra e todas as perfídias do inimigo não possam quebrantar-vos.

Que quer dizer preparar-se para a guerra? Deveis fazer a preparação para a guerra de forma concreta. Na guerra moderna aplica-se uma enorme quantidade de recursos técnicos da mais diversa natureza. Não só deveis aprender a utilizá-los para derrotar o inimigo, mas também saber preservar-vos para poder continuar combatendo.

O camarada Vorochilov, em certa ocasião quando se despedia de umas divisões que marchavam para a linha da frente, disse dirigindo-se aos soldados: “Aprendei a entrincheirar-vos rapidamente.” É isto o que um marechal da União Soviética dizia a soldados com vários anos de serviço, que conheciam o manejo das armas, porem que ainda não tinham estado na frente: não poupeis esforços para cavar trincheiras, trabalhai com a pá; a pá é a salvadora do combatente durante a guerra; aprendei a entrincheirar-vos rapidamente.

Creio que se um marechal da União Soviética dá esses conselho a uma divisão de veteranos que é enviada à frente, com mais forte razão, ele se aplica a vós, membros do Komsomol: aprendei a manejar a pá. É. preciso conseguir que, como futuros combatentes, cada um de vós seja capaz de cavar numa hora uma trincheira que lhe chegue até o peito, e em duas horas uma trincheira que lhe cubra a cabeça. Portanto, uma das tarefas concretas é a de aprender a entrincheirar-se. Se eu fosse o secretário de vossa organização local do Komsomol, obrigar-vos-ia a dedicar diariamente uma ou duas horas a cavar a terra gelada e veria com que rapidez havíeis de dominar a arte de entrincheirar-se (Risos.) É claro que no íntimo muitos de vós desejaríeis livrar-vos de mim por isso e consideraríeis essa medida como uma arbitrariedade, como uma inútil perda de tempo (Risos). E os que não chegassem a ir para a frente continuariam agarrados a essa ideia, mas em compensação, os que seguissem para a linha de frente me agradeceriam: “Que bom que me tenham ensinado isto com antecedência; cavar uma trincheira é agora para mim um brinquedo de criança”.

Não me recordo exatamente, mas parece que foi Napoleão quem disse que cada um de seus soldados levava na mochila o bastão de marechal. Isso era no exército de Napoleão. Mas na União Soviética não existem castas especiais que gozem de privilégios nas promoções, na concessão das patentes militares.

Em nosso país isso se realiza unicamente de acordo com as qualidades pessoais de cada um. Provavelmente muitos de vós sereis chefes militares ou quadros políticos do Exército. Creio que muitos de vós chegareis a ser chefes de grandes unidades militares e talvez até marechais. É possível que dentre vós não saia nem um só marechal? (Risos). Julgo que sim, que pode sair. Portanto, camaradas, deveis aprender a fundo o exercício das armas e a teoria militar. Não importa que a princípio tenhais que servir como soldados rasos. Será melhor se começardes com uma preparação teórica, pois isso vos será útil para o futuro. Quando eu era jovem também tinha minhas ilusões: sonhava com que talvez chegasse a ser deputado de um Parlamento operário. E sonhava com isso apesar de saber que antes teria que passar pela cadeia. (Risos.) Entre os 15 e 18 anos os sonhos sempre se antecipam à realidade. E isso não é mau. Portanto, deveis preparar-vos para ocupar postos de comando no exército. E isso quer dizer que, desde agora, deveis estudar todos os aspectos do exercício das armas. Atualmente isso é o principal para nós.

Nesta reunião do ativo um dos secretários de distrito do Komsomol se queixava de que muitos dos membros de sua organização não fazem a instrução militar. Eu não compreendo isto. Mas, isto sim, por uma coisas dessas pode-se aplicar o código ao próprio secretário da organização! (Risos.) A instrução militar é um dever para com o Estado e não um exercício voluntário. Como pode alguém negar-se a ela? Se eu fosse secretário duma organização distrital do Komsomol, asseguro-vos que todos os seus membros fariam a instrução militar.

Os presidentes dos Soviets rurais ou os presidentes dos kolkhozes às vezes têm que obrigar os kolkhozianos a consertar as estradas era mau estado. Quando as pessoas trabalham na reparação da estrada maldizem os presidentes, mas quando terminam de fazê-lo, ao passar por ela só lhes fazem elogios: “Que bom que tenhamos feito a estrada; andaram bem em obrigar-nos a fazê-la”. (Risos.) É preciso que também no Komsomol se obrigue as pessoas a fazer o que é necessário. Pois, que pensais disso? Hoje é um que não comparece à instrução militar, amanhã será outro; mas então que acontecerá se os membros do Komsomol se põem a pensar se devem ou não comparecer à instrução militar? Não, não é essa a atitude que se deve adotar ante os deveres para com o Estado e aqui nem cabe falar de que tal ou qual pessoa queira ou não queira cumpri-los.

Outra questão é a de que o Komsomol seja a fôrça principal na instrução militar da juventude. Aqui se exige mais. É preciso que os membros do Komsomol aprendam bem o manejo das armas e sirvam de exemplo aos que não são do Komsomol; é preciso que a juventude passe à frente das pessoas adultas que aprendem o manejo das armas. Naturalmente, isto é mais difícil, mas eu o julgo perfeitamente realizável. Pois vós, do Komsomol, tendes uma disciplina, a disciplina do Komsomol; só vos resta saber aproveitá-la como é devido.

Também é muito importante que estejais preparados para a guerra no aspecto físico. Em nosso país a juventude não vivia mal; até que a mimávamos um pouco. Não me arrependo nada disso. Mas agora chegou o momento em que se exige das pessoas algo mais que uma moral elevada e resistência física. Acho que o Komsomol deve acostumar o pessoal a provas de resistência física. A natureza que cerca Kúibichev nos dá a possibilidade de fazê-lo. Num tempo como o de hoje pode-se curtir as pessoas muito bem. Poder-se-ia, por exemplo, sair no sábado e realizar uma marcha até domingo à tarde, levando um par de fatias de pão seco ou mesmo uma fatia só por pessoa. Esse seria um verdadeiro treinamento.

Temos que vencer e venceremos. Mas a vitória não nos cairá do céu. É preciso conquistar a vitória, combatendo, e de que maneira! Deveis curtir-vos agora, enquanto ainda não estais na frente. Talvez agora isto não vos seja de todo agradável, mas em compensação quando chegardes à linha de frente o agradecereis. Naturalmente que ainda se poderia dizer muitas^ coisas acerca da preparação militar. Mas só quero indicar-vos as linhas gerais que essa instrução deve seguir. Tendes que chegar a dominar o manejo das armas. Vossa condição de membros do Komsomol vos obriga a isto. Se não o fizésseis não poderíeis chamar-vos membros do Komsomol. A maioria de nossos combatentes é de homens sem partido, mas quantos exemplos de abnegado heroísmo estão dando na defesa de nosso país!

Agora, algumas palavras sobre a produção. Vós mesmos sabeis que não se pode combater sem a produção. Na região de Kúibichev existem muitas fábricas de importância. Sabeis disso sem necessidade de que eu o diga. Também na produção os membros do Komsomol devem ser a fôrça dirigente. Deveis dedicar agora todas as vossas forças ao trabalho, deveis pôr em tensão todas as vossas capacidades.

Ouvi com prazer a intervenção do camarada da escola profissional. Agradou-me que se tivesse detido nos aspectos negativos do funcionamento de sua escola, que não se gabasse, que tivesse posto em evidência os defeitos para corrigi-los.

Assim, camaradas do Komsomol que trabalhais na produção, deveis dominar vosso trabalho com perfeição e no mais curto prazo, pois tendes que conseguir bons resultados em vosso trabalho.

Devemos elevar ao máximo a produtividade do trabalho, tendo bem presente que cada novo projétil é um reforço para nossos combatentes, para nossos camaradas do Komsomol que estão na frente. Por isso não poupeis vosso trabalho, produzi mais material de guerra e que seja material da melhor qualidade.

Camaradas: todos somos patriotas. Mas entre nós há alguns que poderíamos chamar de tipos contemplativos. Porém agora não é possível a gente limitar-se somente às emoções passivas, por exemplo, alguns ouvem os boletins do Bureau de Informação e se lamentam: “Ai, recuamos; ai, abandonamos uma cidade!”. Ouviram o boletim, lamentaram-se mas não movem um dedo para ajudar a frente. Esse patriotismo não valo nada. Não, melhor é não ficar nervoso e fazer tudo o que se possa para ajudar a frente, para esmagar o fascismo.

Essas são as tarefas que no momento presente competem ao Komsomol. Deveis fazer tudo o que possais e ainda mais para conseguir a vitória.

E vossas obras se unirão às palavras do camarada Stálin:

É preciso esmagar a potência militar dos invasores alemães é preciso aniquilar, até que não sobre um, todos os ocupantes alemães que invadirarn nossa pátria para escravizá-la”

Eu convido a organização do Komsomol da cidade de Kúibichev a cumprir precisamente esta tarefa. (Atroadores aplausos).

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Notas de rodapé:

(1) “A Estrela Vermelha”. (retornar ao texto)

(2) “Zaitchik”, filhote de lebre. Jogo de palavras. O sobrenome russo vem de “Záiatz”: lebre. (retornar ao texto)

Inclusão 08/11/2012