Tarefas Combativas do Komsomol nos Kolkhozes
Discurso pronunciado na Recepção aos kolkhozianos de vanguarda membros do Komsomol

M. I. Kalinin

22 de Outubro de 1942


capa

Primeira Edição: "Komsomólskaia Pravda”, (“A Pravda do Komsomol”), 22 de outubro de 1942.
Fonte: Editorial Vitória Ltda., Rio, 1954. Traduzido da edição em espanhol de "Ediciones em Lenguas Extranjeras” de Moscou 1949. Pág: 177-184.
Nota da Edição Original: Neste livro foram compilados discursos e artigos escolhidos de Mikhail Ivánovitch Kalínin dedicados à educação comunista, que abarcam um período de quase vinte anos. Alguns dos discursos são reproduzidos com pequenas reduções.
Transcrição e HTML:
Fernando A. S. Araújo.
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.


Camaradas:

A guerra que nosso Estado sustenta é muito dura e cruenta. Os alemães conseguiram arrastar vários países à contenda: Itália, Rumânia, Finlândia, Hungria, cujos exércitos lutam a seu lado. Todos, com exceção da Itália, são países pequenos, mas, não obstante, o resultado é que nos vemos obrigados a lutar sós contra uma série de Estados europeus.

Os alemães apoderaram-se de um vasto território em nosso país, ocuparam regiões densamente povoadas. Acreditavam que depois de alguns golpes demolidores começaria a dispersão e o desmoronamento de nosso exército. Mas deu-se o contrário: à medida que passam os meses, o Exército Vermelho se mostra mais tenaz na luta e aumenta sua resistência frente ao inimigo. Isto é consequência da tenacidade de nossos homens, educados pelo Partido Bolchevique. Existe unicamente um mau costume, que é um estorvo para alguns de nós. Refiro-me aos que só se lembram de Santa Bárbara quando troveja. Essas pessoas começam a combater como é preciso somente quando veem que os alemães as estão agarrando pelo pescoço.

No estrangeiro não esperavam que nosso pais opusesse tanta resistência aos hitleristas. Alguns imaginavam que nossas forças eram escassas, que nossa indústria era má, que o exército era débil; imaginavam que os alemães acabariam rapidamente conosco. A heroica resistência de nosso povo frente ao invasor alemão provoca hoje o assombro de tais políticos.

No estrangeiro somente os cegos podem deixar de ver a completa unanimidade que reina entre nosso Governo e o povo. Apesar de os alemães terem se apoderado de um grande território, verificou-se que as fôrças postas em ação por nosso país são muito numerosas. Os próprios alemães não pensavam encontrar uma resistência tão grande; contavam acabar conosco em três ou quatro semanas. Agora vemos quão grande foi o seu erro.

Nosso Exército Vermelho luta com os alemães de igual para igual. Há mais: ao lado dos alemães combatem a Rumânia, Hungria, Itália, e Finlândia, enquanto a URSS luta sozinha. Possuímos bastante armamento, que não é pior, mas melhor que o alemão. Começamos a manobrar melhor com nossos recursos. No transcurso da guerra, nossos soldados e oficiais aprenderam muito. É lógico que numa frente tão extensa existam comandos frouxos e alguns incapazes. Mas não há dúvida alguma de que a enorme maioria dos comandos está à altura das circunstâncias.

Naturalmente, nossas perdas não são poucas, mas os alemães perdem mais. Interroguei minuciosamente os militares fazendo-lhes perguntas capciosas. Todos confirmam que as baixas alemãs são muito superiores às nossas. É bem verdade que no território soviético ocupado os alemães se apoderaram de muita população civil. Mas nisto tampouco sairão ganhando.

O resultado final da guerra depende da resistência que ofereçamos. É muito o que devemos agradecer aos valorosos defensores de Stalingrado. Combatem muito bem e dão o exemplo de como se deve defender nossa terra e nossas, populações.

Devo acrescentar que também nas demais frentes onde os alemães tentam avançar, seus ataques tropeçam com uma firme resistência. Quanto mais contundentes forem nossos golpes tanto mais rapidamente os soldados alemães compreenderão qual há de ser o fim de seus sonhos de conquista.

Agora, algumas palavras sobre a situação em nossa indústria.

Conseguimos realizar com êxito a evacuação de nossas empresas das regiões ocupadas pelos alemães. Estes, é claro, não supunham que iríamos consegui-lo. Contavam poder utilizar imediatamente nossas fábricas para suas próprias necessidades.

O trabalho nas fábricas evacuadas já entrou em ritmo normal. Em geral, nossa indústria deu provas duma grande organização e duma grande capacidade de manobra. Nesta guerra, os operários, contramestres, engenheiros e todo o pessoal técnico e administrativo revelou — di-lo-ei com fraqueza — muito boas qualidades; trabalham com abnegação e dia após dia aumentam a produtividade do trabalho.

Como resultado disso, nosso exército está melhor abastecido que nunca de material bélico, equipamentos e alimentação, melhor que no começo da guerra. Na história da Rússia, isto não ocorreu quase nunca. Assim, por exemplo, a Rússia nunca combateu tendo seu exército suficientemente abastecido de munição.

Conheceis o importante papel que a artilharia desempenha na guerra. A atual conflagração demonstra que a artilharia soviética é digna de inveja. A qualidade de nossos canhões é boa. E os produzimos em tal quantidade que, além de repor as peças gastas e destruídas, ainda nos sobram algumas reservas. Também melhora a situação no que se refere aos tanques. O mundo inteiro reconhece que não há tanques melhores que os nossos.

Como vedes, a indústria soube cumprir sua tarefa. É preciso apenas que não haja envaidecimento e que as empresas trabalhem melhor ainda. Ainda não esgotamos, longe disso, todas as possibilidades.

Hoje, a tarefa mais árdua é superar as dificuldades da agricultura. Os alemães ocuparam temporariamente a Ucrânia e o Kuban, territórios que produziam a maior quantidade de trigo para o mercado, para abastecer outras regiões. Devido a isso, as regiões orientais, as do outro lado do Volga, suportaram todo o peso da produção tritícola. Essas regiões devem produzir o máximo de cereais, têm que trabalhar com toda a tensão de suas energias humanas e de suas possibilidades. Se ali se trabalhar como exigem as circunstâncias, creio que teremos comida. Também será preciso exigir às regiões de Kalínin, Yaroslavl, Moscou, Riazan e Gorki que aumentem o rendimento do solo e deem mais cereais. O regime kolkhoziano nos oferece todas as possibilidades para consegui-lo. Devemos aumentar a produção de trigo, custe o que custar. Trata-se, dum aspecto muito importante de nossa luta para triunfar sobre os alemães.

Hoje, tanto na indústria como na agricultura a força quase fundamental — em todo o caso, a mais ativa da população— é constituída pelo Komsomol e pelos pioneiros. Eles arcam com uma responsabilidade muito superior à passada. No campo ficaram muito poucos homens de menos de quarenta anos; no fundamental ficaram só mulheres e meninos. Do Komsomol dependem hoje em grande parte os êxitos que possamos obter na produção. Por isso, consideramos agora o Komsomol sob outro ponto de vista. Devemos tratar seus membros dum modo diferente, devemos ser mais exigentes com eles. Também no exército o Komsomol constitui o núcleo mais ativo. No fundo, sois vós, precisamente, os que em muitos aspectos têm que arcar com todo o peso da guerra. Tendes toda a vida pela frente. Quando esmagarmos os alemães — e os esmagaremos sem dúvida alguma sereis precisamente vós os incumbidos de reconstruir o que foi destruído e de fortalecer e edificar nosso Estado. A guerra atual é uma grande e cruel escola para nossa juventude. Os fascistas davam à sua juventude uma educação de quartel. Isto lhes permitiu amestrar a juventude e impor-lhe a disciplina — uma disciplina mecânica, está claro. É evidente que quando começarmos a golpeá-los saltará à evidência o aspecto negativo dessa disciplina. Mas, no momento, ela ajuda os alemães.

Quais são as tarefas que se erguem hoje perante vós do Komsomol?

Em primeiro lugar, deveis compreender que vós, kolkhozianos do Komsomol, respondeis em grande parte por nossa agricultura. Hoje em dia, a organização mais importante que existe no campo é o Komsomol. Seus militantes já não são os jovens alegres de outrora, que só se preocupavam com passear na aldeia, e tocar acordeão; agora tocam-lhes grandes responsabilidades e, enquanto durar a guerra, são os que devem preocupar-se com a vida da aldeia. Ainda tereis que trabalhar muito, mas muito. Deveis responder pela marcha dos trabalhos e por sua qualidade. Hoje, já sois maiores. O conceito que se tinha do Komsomol deve mudar. O Komsomol é a parte mais ativa da população e é plenamente responsável pela marcha da produção. A organização do Komsomol será a primeira responsável -— moralmente, perante toda a população, e politicamente, perante os organismos centrais, perante o Partido e perante o Estado — se seu kolkhoz trabalha mal e não cumpre suas obrigações. Deveis compreender tudo isto e fazer as consequentes deduções práticas.

Em segundo lugar, deveis acumular maiores conhecimentos práticos e teóricos relacionados com a agricultura, sem os quais não é possível fazer progredir a economia agrícola. No campo ficou muito pouca gente experiente, todos foram para o exército. Hoje, como é natural, o Komsomol é quem está mais ligado ao kolkhoz, ao qual se entrega de corpo e alma. O Komsomol não conhece outro sistema senão o kolkhoziano. Se conheceis algo do sistema individual de economia é de ouvido ou por remotas recordações. A antiga economia individual era uma economia atrasada. Portanto, queirais ou não, tereis que acumular experiência própria no campo da agricultura. Atualmente, tendes pouca experiência e escassos conhecimentos. E sem conhecimentos o kolkhoz não marchará para a frente. Talvez quisésseis ser engenheiros, técnicos, médicos ou ocupar algum posto administrativo ou político. Mas hoje se trata de salvar o país, de salvar sua independência. Sois vós quem responde pela economia. Isto quer dizer que em primeiro lugar é preciso trabalhar onde seja mais necessário para a Pátria' Deveis converter-vos o mais rapidamente possível em homens experientes, em mestres do ofício, em conhecedores da produção kolkhoziana. Se falta o agrônomo, deveis substituí-lo. É necessário que em cada organização kolkhoziana existam pessoas que estudem profundamente os vários aspectos da economia — a agricultura, a pecuária — e procurem os meios de obter elevadas colheitas de cereais, legumes, batatas, linho, etc. Conviria que se destacasse mais a juventude feminina.

Em terceiro lugar, tereis que converter-vos nos principais organizadores no campo. É claro que também para isso vos falta experiência. Para dirigir as pessoas, o organizador deve ter alguns conhecimentos. Entende-se que uma moça de dezoito anos tropeçará em dificuldades para dirigir. Mas ninguém nos dará dirigentes já formados. O mais acertado será elevar com audácia aos postos dirigentes as pessoas que revelem dons e talento de organizadores.

Temos jovens guerrilheiras. Sua missão é difícil, mas demonstram ter uma grande iniciativa, espírito de organização, muita astúcia militar e não combatem pior que os homens. E repare-se que a luta guerrilheira é bem mais difícil que as fainas do kolkhoz. O guerrilheiro tem que resolver problemas de tática militar, deve ser mais ágil que o inimigo. E, não obstante, há grande quantidade de mulheres entre os guerrilheiros. Acredito que no campo também haverá bastantes moças inteligentes que possam ser elevadas aos postos de direção. O que é preciso fazer é procurá-las e promovê-las.

Entre nós acontece muitas vezes que um posto de direção é ocupado por um homem desses dos quais se costuma dizer que não é carne nem peixe. Esse homem não mostra zelo nem entusiasmo pelo trabalho. Seu único mérito consiste em se haver carregado de anos. É para substituir esses homens que devemos promover com decisão gente nova, gente jovem: que os jovens do Komsomol se encarreguem da direção. E isto quer dizer precisamente que deveis converter-vos em organizadores da economia.

E, por último, a quarta tarefa, o trabalho político entre as massas. As dificuldades da guerra também são. sentidas no campo. Pois bem, o Komsomol deve intervir e explicar de tal modo a natureza dessas dificuldades que o povo possa compreender que os sofrimentos ocasionados pela guerra não foram provocados por nós, mas nos foram impostos, e que é necessário que cada kolkhoziano tenha todas as suas forças em constante tensão. Se não enfrentarmos todas as dificuldades com firmeza, se não as vencermos, se não derrotarmos os alemães, cairemos numa escravidão terrível. E então não só não tornaremos a ver nossos pais, irmãos e esposos, mas a própria vida se converterá numa maldição.

O Komsomol deve ser a parte mais ativa, mais tenaz da juventude, e com um objetivo na vida: neste caso, o de derrotar o inimigo. Nenhum sacrifício poderá deter-nos. É preciso aceitar todos os sacrifícios e não poupar nada com o objetivo de conquistar a vitória.

Vedes como são grandes as tarefas que hoje se erguem diante de vós. Portanto, é preciso incrementar numericamente o Komsomol como se faz na frente com os soldados. Ali não exigem que o soldado saiba os estatutos e conheça a História. Se ele dá de rijo nos alemães isto quer dizer que é o mais indicado para ser admitido no Komsomol ou no Partido. Temos moças que trabalham como os melhores, mas se as fazemos falar nas reuniões desconcertam-se e não são capazes de alinhavar duas palavras. Mas, quando se fala à parte com elas, verifica-se que são gente boa, verdadeira gente nossa. São pessoas modestas e se embaraçam facilmente. Vós mesmos deveis selecionar ativamente e admitir no Komsomol as pessoas provadas no trabalho.

É certo que também existem jovens que trabalham bem, porém que na hora do balanço, por exemplo, gostam de apropriar-se de glórias alheias. Ou alguns que, segundo parece, são boas pessoas, mas tratam de escalar posições recorrendo a toda a sorte de manobras. Eu me absteria de admiti-los no Komsomol. Não há motivo para abrir as portas da organização a pessoas que recorrem a métodos desonestos para vangloriar-se. Essa gente não tem nada que fazer nas fileiras do Komsomol. Outros ingressam no Komsomol para fazer carreira. Por isso não se deve fazer admissões em bloco. Mas tampouco se deve levantar barreiras artificiais. Pelo contrário, é preciso que as pessoas saibam que se pode entrar no Komsomol, que as portas da organização estão abertas. Conheceis bem a todos em vossas aldeias. A maioria das famílias é de gente boa. Pois bem, com esta gente boa é que se deve reforçar as fileiras do Komsomol. É pouco seis ou oito membros do Komsomol para toda uma aldeia. Devem ser pelo menos uns vinte. É preciso facilitar o ingresso na organização, é preciso que tenhais sempre às portas do Komsomol uma multidão de jovens ansiosos por nele ingressar.

Camaradas, é isto, pouco mais ou menos, tudo o que queria dizer-vos. As questões que abordei aqui não são novas para vós. Não obstante, devereis tomá-las como guia, penetrar bem seu sentido e começar a pôr em prática as medidas que a guerra nos exige e das quais acabo de falar. Não esqueçais que o êxito na agricultura equivale a ganhar uma importante batalha nesta grande guerra. Vós, moços e moças do Komsomol, respondeis por esses êxito.

Desejo-vos muita sorte em vosso trabalho. Se algum dia chegarmos a nos reunir de novo, desejaria ver mais robustecida a organização do Komsomol nos kolkhozes e ouvir que a organização do Komsomol no campo converteu-se numa organização ainda mais combativa, em uma organização política, para que no campo se comprove ainda mais que o Komsomol é uma fôrça poderosa.

Compartilhe este texto:
Início da página
 
Visite o MIA no Facebook
 

Inclusão 21/11/2012