Prefácio ao Livro "O Komsomol na Luta em Defesa da Pátria"

M. I. Kalinin

1942


capa

Primeira Edição: coletânea "O Komsomol na luta em defesa da Pátria", págs. 3-6, ed. “Molodáia Gvárdia” ("A Jovem Guarda”), 1942.
Fonte: Editorial Vitória Ltda., Rio, 1954. Traduzido da edição em espanhol de "Ediciones em Lenguas Extranjeras” de Moscou 1949. Pág: 205-209.
Nota da Edição Original: Neste livro foram compilados discursos e artigos escolhidos de Mikhail Ivánovitch Kalínin dedicados à educação comunista, que abarcam um período de quase vinte anos. Alguns dos discursos são reproduzidos com pequenas reduções.
Transcrição e HTML:
Fernando A. S. Araújo.
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Por imposição do fascismo, nosso povo — e não só nosso povo está vivendo dias muito difíceis. Os obscurantistas alemães imaginaram ser os artífices da história universal e consideram que podem fazer-nos retroceder a seu bel-prazer. Tocou a nosso país, a nosso povo, o dever de sair em defesa do progresso da humanidade frente aos bárbaros do século XX.

No dia 3 de julho de 1941, J. Stálin, Presidente do Comitê de Defesa do Estado, dizia em seu discurso pelo rádio dirigido ao povo soviético, ao Exército e à Marinha:

“Em virtude da guerra que nos foi imposta, nosso país travou um duelo de morte com seu inimigo mais encarniçado e mais vil: o fascismo alemão. Nossas forças lutam heroicamente contra um inimigo armado até aos dentes com tanques e aviação. O Exército Vermelho e a Marinha Vermelha, vencendo inumeráveis dificuldades, lutam abnegadamente, palmo por palmo, pela terra soviética. O grosso de nossas fôrças do Exército Vermelho, provido de milhares de tanques e aviões, está entrando em combate. O valor dos combatentes do Exército Vermelho é incomparável. Nossa resistência frente ao inimigo cresce e se torna cada vez mais tenaz. Junto com o Exército Vermelho, todo o povo soviético se levanta em defesa da Pátria”.

"É muito natural que tenha sido a juventude a primeira a ter que sair em defesa da Pátria, já que o Exército ativo se compõe principalmente de jovens. Por ser a parte mais ativa da população, a juventude, os komsomóis, acorrem às fileiras do exército e participam dos destacamentos guerrilheiros”.

A luta de guerrilhas é uma forma de luta que surge obrigatoriamente do caráter da Guerra Patriótica que o povo soviético sustenta contra o fascismo alemão, que nos impôs a chamada guerra total, com todas as destruições que esta implica, com sua indescritível crueldade e desenfreada violência e o escárnio contra a população civil de nosso país.

“É, pois, questão de vida ou de morte para o Estado soviético, questão de vida ou de morte para os povos da URSS. Trata-se de que os povos da União Soviética sejam livres ou que sejam reduzidos à escravidão”. (Stálin)

Engels, num de seus artigos referentes à guerra franco-prussiana de 1870, dizia:

“Onde quer que o povo tenha sustentado uma guerra de guerrilhas com energia, o inimigo teve de convencer-se rapidamente de que era impossível guiar-se pelo velho código de guerra a ferro e fogo”.(1)

Engels compreendia perfeitamente o caráter de banditismo do capitalismo, mas não previu uma barbárie como a que foi revelada pelos fascistas alemães. Ao ferro e ao fogo ajuntaram montanhas de imundície. E o mais característico é que, quanto mais golpes recebem, mais abomináveis são suas ações.

O desenvolvimento histórico da humanidade segue um curso contraditório: os períodos de acumulação evolutiva de modificações moleculares alternam com crises internacionais.

A guerra atual é um ponto crucial de nossa história. No futuro, será estudada pormenorizadamente e exercerá uma grande influência no desenvolvimento cultural e patriótico de nossa juventude.

O povo comporá histórias de legenda em torno desta guerra; o heroísmo dos combatentes inspirará canções; como de uma rica fonte, os dramaturgos extrairão deste período os argumentos para suas obras. Mas tudo isso será no futuro, será obra de nossos descendentes. Hoje, em troca, nosso povo, e em primeiro lugar a juventude e os komsomóis, são os atores dum grande drama real, que, por sua crueldade e pelos esforços humanos na sangrenta luta, não tem precedente.

A Pátria está em perigo, os bárbaros pisoteiam nosso solo, escarnecem e cobrem de lixo pestilento tudo o que amamos e veneramos.

O inimigo quer arrancar-nos a alma humana e converter-nos em bestas de carga, em escravos. Perante a juventude soviética e o Komsomol em seu conjunto e perante a consciência de cada Komsomol em particular, a questão se apresenta assim: aceitar todos os sacrifícios e lutar pela liberdade ou submeter-se sem o menor protesto. Nosso povo, e em primeiro lugar a juventude e os komsomóis, cheios de indignação e de ódio contra o inimigo fascista, tomaram a decisão irrevogável de empreender a luta, uma luta de vida ou de morte até esmagar completamente o inimigo. E, na realidade, não existe arma nem forma de luta na Guerra Patriótica da qual o Komsomol não participe, em que não se encontre na primeira linha.

Nosso Komsomol é uma organização relativamente jovem, mas seus primeiros quadros começaram a forjar-se na guerra civil, defendendo o Poder Soviético. Dirigidos pelo Partido de Lênin e Stálin, estes quadros acabaram de forjar-se nos anos de luta pela industrialização do país, durante a coletivização das fazendas camponesas na luta contra os elementos oportunistas e traidores no seio do Partido e do Komsomol. Tudo isso permitiu ao Komsomol acumular tradições positivas de firmeza e consequência nos princípios, defendendo o Estado Proletário.

Hoje o perigo provém do inimigo externo. A guerra contra o fascismo adquire um caráter cada vez mais encarniçado e o Komsomol dela participa, em massa. Também é geral o heroísmo dos komsomóis na luta. Duvido de que exista alguma unidade em que os komsomóis não tenham dado provas de valor e heroísmo, o que por sua vez reforça as gloriosas tradições de luta do Komsomol e faz com que o valor e abnegação no combate sejam algo tradicional e obrigatório para os militantes de base do Komsomol. Eis a essência da formação e do reforçamento de gloriosas tradições combativas.

A presente coletânea é um trabalho modesto que está longe de ter reunido os dados completos das heroicas façanhas guerreiras e da abnegada fidelidade à Pátria demonstradas por aqueles que, com plena consciência da justiça de seus atos, suportaram todos os martírios imagináveis e, firmemente convencidos de que o fascismo será derrotado, sucumbiram bradando com orgulho: “Morremos pela Pátria, pela felicidade de nosso povo!”

Eu quisera que o leitor acolhesse este livro não como uma obra literária acabada, porém como um simples relato de camarada das maravilhosas ações guerreiras de nossos komsomóis nas frentes da Guerra Patriótica. Quando nosso povo morre heroicamente, os soldados erigem com suas próprias mãos modestos monumentos nos túmulos dos heróis. São monumentos simples, como simples são também as inscrições nas lápides. Mas duvido de que haja um artista que ponha tanto carinho em sua obra como o carinho posto pelos soldados nos túmulos por eles erigidos sobre as sepulturas em que repousam os que morreram gloriosamente como heróis. O povo conservará estes túmulos que gozarão de seu carinho, como monumentos à memória de seus heróis legendários. A eles acorrerá a juventude e ante eles ressoarão as canções triunfais do livre povo soviético e de sua juventude, o Komsomol.

Nestes momentos de sofrimento, os autores da coletânea limitam-se a erigir a nossos heróis uns simples monumentos ainda não acabados do ponto de vista artístico. No momento não podem fazer mais: como soldados que são, devem seguir para a frente com nossas tropas que vão libertando a pátria. Do mesmo modo que todos os nossos combatentes, consideram com razão que os melhores monumentos que hoje em dia se pode erigir à memória de nossos heróis e heroínas são as pirâmides de cadáveres de inimigos.

Para nós, Chura Tchkálin, Lisa Tcháikina, e Zóia Kosmodemiánskaia — conhecida entre os guerrilheiros com o nome da Tânia — não são somente heróis: são filhos de mães vivas, irmãos e irmãs de irmãos e irmãs vivos. O Komsomol os conhece, todos nós os conhecemos e amamos entranhadamente e sua morte heroica na algidez da encarniçada luta desperta em nós sede de vingança.

Meu desejo é que este livro se difunda amplamente entre as grandes massas da população e particularmente entre a juventude, entre os komsomóis. Nos traços dos heróis reais descritos nos relatos aqui reunidos, o leitor encontrará os traços que caracterizam o homem novo, o homem soviético, verá como no Komsomol são numerosos os que colocam acima de tudo a felicidade do povo soviético e os ideais de nosso Partido.

Por essa felicidade do povo, pelo Partido de Lênin e Stálin, nossa juventude, o Komsomol, oferece seu sangue gota a gota, Quem, depois disto, pode duvidar de que o inimigo receberá o que merece e de que a vitória será conquistada na luta?

Este é o sentido da coletânea “O Komsomol na luta em defesa da Pátria”.

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Notas de rodapé:

(1) F. Engels, (“A luta na França”). (retornar ao texto)

Inclusão 14/12/2012