Um Elemento Importado de Fora

Karl Kautsky

1901


Primeira Edição: Publicado na revista Die Neue Zeit, 1901-1902 º3, p. 79
Fonte: ..........
Tradução de:........
Transcrição de: Alexandre Linares
HTML de: Fernando A. S. Araújo, novembro de 2005.
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.


Vários de nossos críticos revisionistas atribuem a Marx a afirmação de que o desenvolvimento econômico e a luta de classes não apenas criam condições para a produção socialista mas também geram diretamente a consciência de sua necessidade. Depois, estes mesmos críticos objetam que a Inglaterra, país de desenvolvimento capitalista mais avançado, é a mais alheia a essa consciência. O projeto de programa austríaco partilha também deste ponto de vista, supostamente marxista ortodoxo, que refuta o exemplo da Inglaterra. O projeto diz: "Quanto mais o proletariado aumenta, em conseqüência do desenvolvimento capitalista, mais é coagido e tem possibilidade de lutar contra o capitalismo. O proletariado chega à consciência" da possibilidade e da necessidade do socialismo. Em conseqüência, a consciência socialista seria resultado necessário, direto, da luta de classes do proletariado. Isso é inteiramente falso.

Como doutrina, o socialismo tem, evidentemente, suas raízes nas relações econômicas atuais no mesmo grau que a luta de classes do proletariado; da mesma forma que a última, ele decorre da luta contra a pobreza e a miséria das massas, geradas pelo capitalismo. Mas o socialismo e a luta de classes surgem e não se engendram um do outro; surgem de premissas diferentes. A consciência socialista, hoje, só pode brotar na base de um profundo conhecimento científico. De fato, a ciência econômica contemporânea é tanto condição da produção socialista quanto, por exemplo, a técnica moderna é, apesar de todo o seu desejo, o proletariado não pode criar nem uma nem outra; todos os dois surgem do desenvolvimento social contemporâneo.

Ora, o portador da ciência não é o proletariado, mas os intelectuais burgueses; de fato, foi o cérebro de alguns indivíduos dessa categoria que nasceu o socialismo contemporâneo e através deles é que foi comunicado aos proletários intelectualmente mais desenvolvidos, que o introduzem, em seguida, na luta de classes do proletariado onde as condições o permitem. Logo, dessa forma, a consciência socialista é um elemento importado de fora na luta de classes do proletariado e não algo que surge originalmente dela. Por isso, o velho programa de 1888 do Partido dizia, muito acertadamente, que a tarefa da social-democracia é introduzir no proletariado a consciência da sua situação e a consciência de sua missão. Não havia necessidade de fazê-lo se essa consciência emanasse por si mesma da luta de classe.

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Inclusão 04/11/2005