Terceira Conferência do POSDR
(Segunda Conferência de Toda a Rússia)

V. I. Lênin

Julho de 1907


Primeira Edição: Escrito em julho de 1907. Publicado pela primeira vez em 1933, na Recopilação Leninista, t. XXV. Encontra-se in Obras, t. XIII, págs. 45/46.
Fonte: Editorial Vitória Ltda., Rio, novembro de 1961. Traduzido por Armênio Guedes, Zuleika Alambert e Luís Fernando Cardoso, da versão em espanhol de Acerca de los Sindicatos, das Ediciones em Lenguas Extranjeras, Moscou, 1958. Os trabalhos coligidos na edição soviética foram traduzidos da 4.ª edição em russo das Obras de V. I. Lênin, publicadas em Moscou pelo Instituto de Marxismo-Leninismo, anexo ao CC do PCUS. As notas ao pé da página sem indicação são de Lênin e as assinaladas com Nota da Redação foram redigidas pelos organizadores da edição do Instituto de Marxismo-Leninismo. Capa e planejamento gráfico de Mauro Vinhas de Queiroz. Pág: 200-201.
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo.
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.

I - Projeto de Resolução Sobre a Participação nas Eleições para a III Duma de Estado

capa

Considerando:

  1. que o boicote ativo, como o demonstrou a experiência da revolução russa, só é uma tática acertada da social-democracia quando existe um ascenso revolucionário amplo, geral e rápido, que se transforma em insurreição armada, ligado à tarefa ideológica da luta contra as ilusões constitucionais em relação à convocação da primeira assembleia representativa pelo velho poder;
  2. que, faltando tais condições, uma tática certa da social-democracia exige, ainda quando se deem todas as condições de uma época revolucionária, a participação nas eleições, como ocorreu por ocasião da II Duma;
  3. que a social-democracia, que sempre assinalou a essência outubrista do Partido Democrata-Constitucionalista e a precariedade da lei eleitoral democrata-constitucionalista (ll/XII/1905) sob a autocracia, não tem nenhum motivo para modificar sua tática, já que a referida lei foi substituída pela lei eleitoral outubrista.
  4. que o movimento grevista atualmente em desenvolvimento na zona industrial do centro da Rússia sendo maior garantia de uma ascensão revolucionária possível em futuro próximo, exige ao mesmo tempo um trabalho persistente, a fim de transformar o movimento, até agora só sindical, em movimento político e diretamente revolucionário, vinculado à insurreição armada,

a Conferência resolve:

  1. participar das eleições e da III Duma;
  2. explicar às massas a conexão entre o golpe de Estado de 3 de junho de 1907, de um lado, e a derrota da insurreição de dezembro de 1905, bem como as traições da burguesia liberal, de outro; fazendo ver, ao mesmo tempo, que a luta sindical é insuficiente e que é necessário aspirar a converter o movimento grevista dos sindicatos em movimento político e em luta revolucionária direta das massas pela derrubada do governo tzarista, através da insurreição;
  3. explicar às massas que o boicote da Duma, por si só, não pode elevar o movimento operário e a luta revolucionária à fase superior e que a tática do boicote só poderia ser conveniente se os nossos esforços para converter o crescimento sindical em ofensiva revolucionária fossem coroados de êxito.

II - Esboço de Projeto de Resolução Sobre o Congresso de Sindicatos de Toda a Rússia

A Conferência reconhece que todos os membros do Partido têm o dever de aplicar, com energia, a resolução do Congresso de Londres a respeito dos sindicatos, levando em conta todo o conjunto das condições locais, ao tornar efetivos os vínculos orgânicos com o Partido Social-Democrata, ou ao reconhecer que os primeiros devem ser dirigidos por esse último e prestando sempre e em todas as circunstâncias primordial atenção a que os social-democratas, nos sindicatos, não se limitem a adaptar-se passivamente à plataforma “neutralista”, preferida pelas correntes democrático-burguesas de todos os matizes (democratas-constitucionalistas, progressistas sem partido(1), socialistas revolucionários, etc) e, sim, que defendam com firmeza, em toda a sua integridade, os pontos de vista social-democratas e contribuam, invariavelmente, para que os sindicatos reconheçam a direção ideológica da social-democracia e para que se estabeleçam vínculos orgânicos permanentes e efetivos com eles.

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Notas de rodapé:

(1) Progressistas sem Partido: nas eleições para a III Duma foram assim chamados principalmente os representantes da pequena burguesia urbana. "Progressistas” da III Duma: ala esquerda dos outubristas, que não chegou a adquirir formas orgânicas. (retornar ao texto)

Inclusão 02/12/2012