Sobre as Resoluções da Reunião do CC do POSDR com um Grupo de Militantes Responsáveis do Partido, Realizada no Verão de 1913

V. I. Lênin

Setembro de 1913


Primeira Edição: Escrito em setembro de 1913. Publicado em 1913 no folheto: Comunicado e Resoluções da Reunião do Comité Central do POSDR com um Grupo de Militantes Responsáveis do Partido (verão de 1913). Editado pelo CC. Encontra-se in Obras, t. XIX, págs. 377/379 e 383/384.
Fonte: Editorial Vitória Ltda., Rio, novembro de 1961. Traduzido por Armênio Guedes, Zuleika Alambert e Luís Fernando Cardoso, da versão em espanhol de Acerca de los Sindicatos, das Ediciones em Lenguas Extranjeras, Moscou, 1958. Os trabalhos coligidos na edição soviética foram traduzidos da 4.ª edição em russo das Obras de V. I. Lênin, publicadas em Moscou pelo Instituto de Marxismo-Leninismo, anexo ao CC do PCUS. As notas ao pé da página sem indicação são de Lênin e as assinaladas com Nota da Redação foram redigidas pelos organizadores da edição do Instituto de Marxismo-Leninismo. Capa e planejamento gráfico de Mauro Vinhas de Queiroz. Pág: 240-243.
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo.
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As Tarefas de Agitação no Presente Momento

capa

1. A situação no país agrava-se mais e mais. O domínio dos latifundiários reacionários desperta um descontentamento cada vez maior, inclusive entre os setores mais moderados. A monarquia tzarista, hostil a qualquer reforma séria e que se interessa apenas em proteger o poder e as rendas dos latifundiários feudais e em reprimir com especial crueldade toda manifestação do movimento operário, continua interpondo-se no caminho para uma liberdade política mais ou menos efetiva na Rússia.

2. A classe operária continua atuando como dirigente na luta revolucionária pela libertação de todo o país. A greve revolucionária de massas continua desenvolvendo-se. A luta efetiva dos destacamentos avançados da classe operária decorre sob palavras de ordem revolucionárias.

O movimento econômico de massas, iniciado quase sempre, sob o calor das reivindicações mais elementares, em virtude de toda a situação da luta, funde-se cada vez mais com o movimento revolucionário da classe operária.

A tarefa dos operários de vanguarda consiste em acelerar, com seu trabalho de agitação e de educação, a unidade do proletariado sob as palavras de ordem revolucionárias da época. Só com esta condição os operários avançados cumprirão também sua tarefa de despertar a democracia camponesa e urbana.

3. A luta da classe operária, que transcorre sob palavras de ordem revolucionárias, obrigou uma parte dos industriais e a burguesia liberal—outubrista a falar com ardor da necessidade de reformas em geral e de uma restrita liberdade de associação em particular. Organizando-se apressadamente, de um lado, em associações patronais, implantando cotas para um fundo contra as greves e exigindo do governo que persiga sem cessar o movimento operário, a burguesia recomenda, por outro lado, aos operários, que, em lugar das reivindicações revolucionárias, se limitem a uma reforma constitucional, a uma paródia de liberdade de associação. A classe operária deve aproveitar todas as possíveis vacilações do governo, bem como as divergências entre a burguesia e o campo reacionário, para acentuar sua pressão tanto no terreno da luta econômica como no da luta política. Mas a classe operária, exatamente para aproveitar com êxito a situação, deve manter inteiramente as palavras de ordem revolucionárias.

4. Diante desse estado geral de coisas, a tarefa dos social-democratas consiste em prosseguir desencadeando uma vasta agitação revolucionária entre as massas pela derrubada da monarquia e pela República democrática. À base dos exemplos concretos da vida real, é necessário demonstrar incessantemente todo o caráter nocivo do reformismo, isto é, da tática que, em lugar de palavras de ordem revolucionárias, coloca no centro a reivindicação de melhorias parciais.

5. Em sua agitação pela liberdade de associação e pelas reformas parciais em geral, os liquidacionistas se desviam para o caminho liberal. Negam de fato a agitação revolucionária das massas, afirmam abertamente em seus órgãos de imprensa que as palavras de ordem de “República democrática” e de “confisco da terra” não podem ser matéria de agitação entre as massas. Pregam a liberdade de associação como uma palavra de ordem geral da época, substituindo, de fato, com ela, as reivindicações revolucionárias do ano de 1905.

6. Ao prevenir contra a perniciosa agitação reformista dos liquidacionistas, a reunião recorda que o POSDR vem reivindicando, há muito tempo, em seu programa mínimo, a liberdade de associação, de palavra, de imprensa, etc, vinculando estreitamente todas essas reivindicações à luta revolucionária pela derrubada da monarquia tzarista. A reunião confirma a resolução da conferência de janeiro de 1912, que diz assim:

“A Conferência conclama a todos os social-democratas que expliquem aos operários que a liberdade de associação é necessária para o proletariado, compreendendo-se que essa exigência deve estar sempre indissoluvelmente vinculada às nossas reivindicações políticas gerais e à agitação revolucionária entre as massas”(1).

As principais palavras de ordem da época continuam sendo:

  1. República democrática,
  2. confisco da terra dos latifundiários,
  3. jornada de oito horas.

A liberdade de associação está incluída entre elas, como uma parte do todo.

Sobre o Trabalho nas Associações Legais

1. Nos momentos atuais, de ascensão da luta económica e política da classe operária, é particularmente necessário reforçar o trabalho em todas as associações operárias legais (sindicatos, clubes, caixas de seguros, cooperativas, etc).

2. O trabalho nas associações operárias legais não deve ser realizado com o espírito de neutralidade, mas com o espírito das decisões do Congresso de Londres do POSDR e do Congresso Internacional de Stuttgart.

Os social-democratas devem atrair os setores operários mais amplos possíveis para todas as associações operárias convidando a ingressar nessas todos os operários, sem distinção de credos políticos. Mas os social-democratas devem formar dentro dessas associações grupos de Partido e, através de prolongado e sistemático trabalho entre elas, conseguir que sejam estabelecidas as mais estreitas relações entre elas e o Partido Social-Democrata.

3. A experiência do movimento operário internacional e do da Rússia ensina que, desde o começo mesmo da atuação das referidas organizações operárias (sindicatos, cooperativas, clubes, etc), é necessário conseguir que cada uma dessas entidades seja um baluarte do Partido Social-Democrata. A reunião convida todos os militantes do Partido a levarem em consideração essa importante tarefa, que é de modo especial premente na Rússia, onde os liquidacionistas fazem tentativas sistemáticas de utilizar as associações legais contra o Partido.

4. A reunião considera que, nas eleições de delegados para as caixas de seguros, em todo o trabalho dos sindicatos, etc, ao mesmo tempo em que se defende a plena unidade do movimento e a subordinação da minoria à maioria, é preciso aplicar a linha do Partido, conseguir que sejam eleitos para todos os postos de responsabilidade delegados ligados ao Partido, etc.

5. Para recolher a experiência do trabalho prático nas associações operárias legais, é necessária a realização de reuniões mais frequentes com aqueles que participam ativamente no trabalho nas organizações operárias legais em cada lugar; assim como atrair para as conferências de todo o Partido o maior número possível de representantes dos grupos que desenvolvem suas atividades nas organizações legais.

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Notas de rodapé:

(1) Conferência de Toda a Rússia (Conferência de Praga) do POSDR. Resolução Sobre a Campanha de Petições. (Nota da Redação) (retornar ao texto)

Inclusão 04/01/2012