Carta aos Membros do CC[N224]

V. I. Lénine

6 de Novembro de 1917

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Escrito: a 24 Outubro (6 Novembro) 1917.
Primeira Edição: Publicado pela primeira vez em 1924.

Fonte: Obras Escolhidas em Três Tomos, 1978, t2, pp 388-389, Edições Avante! - Lisboa, Edições Progresso - Moscovo.
Tradução: Edições "Avante!" com base nas Obras Completas de V. I. Lénine, 5.ª ed. em russo, t. 34, pp. 435-436.
Transcrição: Partido Comunista Português
Enviado: Diego Grossi Pacheco
HTML: Fernando A. S. Araújo, março 2009.
Direitos de Reprodução: © Direitos de tradução em língua portuguesa reservados por Edições "Avante!" - Edições Progresso Lisboa - Moscovo, 1977.


capa

Camaradas!

Escrevo estas linhas na noite de 24, a situação é extremamente crítica. É claríssimo que agora, na verdade, a demora na insurreição equivale à morte.

Tento com todas as forças convencer os camaradas de que agora tudo está pendente por um fio, de que na ordem do dia estão questões que já não se resolvem com conferências nem com congressos (ainda que sejam mesmo congressos dos Sovietes), mas exclusivamente com os povos, com as massas, com a luta das massas armadas.

A investida burguesa dos kornilovistas, a destituição de Verkhóvski mostram que não se pode esperar. É necessário, custe o que custar, hoje à noite, hoje de madrugada, prender o governo, depois de ter desarmado os cadetes (depois de os vencer, se resistirem), etc.

Não se pode esperar!! Pode-se perder tudo!!

Valor da tomada do poder imediatamente: defesa do povo (não do congresso, mas do povo, do exército e dos camponeses em primeiro lugar) contra o governo kornilovista, que despediu Verkhóvski e urdiu uma segunda conspiração kornilovista.

Quem deve tomar o poder?

Isto agora não é importante: que o tome o Comité Militar Revolucionário[N225] «ou outra instituição» que declare que só entregará o poder aos verdadeiros representantes dos interesses do povo, dos interesses do exército (proposta de paz imediata), dos interesses dos camponeses (deve-se tomar a terra imediatamente, abolir a propriedade privada), dos interesses dos famintos.

É necessário que todos os bairros, todos os regimentos, todas as forças sejam imediatamente mobilizados e que enviem sem demora delegações ao Comité Militar Revolucionário, ao CC dos bolcheviques, exigindo insistentemente: não deixar em caso algum o poder nas mãos de Kérenski e C.a até 25, de modo nenhum; decidir a questão obrigatoriamente hoje à noite ou de madrugada.

A história não perdoará a demora aos revolucionários, que podem vencer hoje (e seguramente vencerão hoje), arriscando-se a perder muito amanhã, arriscando-se a perder tudo.

Tomando o poder hoje, não o tomaremos contra os Sovietes, mas para eles.

A tomada do poder é a obra da insurreição; o seu objectivo político esclarece-se depois da tomada.

Seria a ruína ou um formalismo esperar a votação indecisa de 25 de Outubro, o povo tem o direito e é obrigado a resolver tais questões não por votações, mas pela força; o povo tem o direito e é obrigado, nos momentos críticos da revolução, a dirigir os seus representantes, mesmo os seus melhores representantes, e não a esperar por eles.

Assim o demonstrou a história de todas as revoluções, e seria um crime imenso dos revolucionários se perdessem o momento, sabendo que deles depende a salvação da revolução, a proposta da paz, a salvação de Petrogrado, a salvação da fome, a entrega da terra aos camponeses.

O governo vacila. É preciso acabar com ele custe o que custar! A demora na intervenção equivale à morte.

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Notas de fim de tomo:

[N224] Esta carta aos membros do Comité Central do POSDR (b) foi escrita por Lénine ao fim da tarde de 24 de Outubro (6 de Novembro). Na noite do mesmo dia, Lénine chegou clandestinamente ao Smólni e assumiu a direcção imediata da insurreição armada. (retornar ao texto)

[N225] O Comité Militar Revolucionário anexo ao Soviete de Petrogrado foi criado em 12 (25) de Outubro de 1917 por indicação do CC do Partido Bolchevique. Do CMR faziam parte representantes do Comité Central do Partido, do Comité de Petrogrado, do Soviete de Petrogrado, dos comités de fábrica, dos sindicatos e das organizações militares. O CMR, directamente dirigido pelo CC do Partido, trabalhava em estreito contacto com a Organização Militar bolchevique na formação de destacamentos da Guarda Vermelha e no armamento dos operários. A tarefa principal do CMR era preparar a insurreição armada de acordo com as directrizes do CC do Partido Bolchevique. O CMR levou a cabo um vasto trabalho para organizar as forças de combate para a vitória da Revolução Socialista de Outubro. O núcleo dirigente do CMR era o Centro Militar Revolucionário, criado na reunião do CC de 16 (29) de Outubro de 1917 e cuja actividade era orientada por Lénine. Depois da vitória da Revolução Socialista de Outubro e da formação, no II Congresso dos Sovietes, do Governo Soviético, a tarefa principal do Comité Militar Revolucionário tornou-se o combate à contra-revolução e a manutenção da ordem revolucionária. À medida que se criava e consolidava o aparelho estatal soviético, o Comité Militar Revolucionário transmitia as suas funções aos comissariados do povo, que se estavam a organizar. No dia 5 (18) de Dezembro de 1917 o Comité Militar Revolucionário foi extinto. (retornar ao texto)

 

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Inclusão 17/04/2009