Posfácio às Teses Sobre a Questão da Conclusão Imediata de uma Paz Separada e Anexionista

V. I. Lénine

24 de Janeiro de 1918

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Escrito: entre 8 e 11 (21 e 24) de Janeiro de 1918..
Primeira edição
: Publicado pela primeira vez em 1929 na Colectânea Leninista, t. XI.
Fonte: Obras Escolhidas em Três Tomos, 1977, tomo 2, pág: 460 a 461. Edições Avante! - Lisboa, Edições Progresso - Moscovo

Tradução: Edições "Avante!" com base nas Obras Completas de V. I. Lénine, 5.ª ed. em russo, t. 35, pp. 253-254.

Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo

Direitos de Reprodução: © Direitos de tradução em língua portuguesa reservados por Editorial "Avante!" - Edições Progresso Lisboa - Moscovo, 1977.


capa

As teses apresentadas atrás foram lidas por mim numa pequena reunião privada de funcionários do partido a 8 de Janeiro de 1918. A sua discussão mostrou três opiniões no partido sobre esta questão: cerca de metade dos participantes pronunciou-se a favor da guerra revolucionária (a este ponto de vista chama-se por vezes «moscovita», pois o adoptou antes das outras organizações o bureau regional de Moscovo do nosso partido); depois, cerca de um quarto a favor do camarada Trótski, que propôs «declarar terminado o estado de guerra, desmobilizar o exército e mandá-lo para casa, mas não assinar a paz», e, finalmente, cerca de um quarto a meu favor.

A situação criada no partido recorda-me extraordinariamente a situação no Verão de 1907, quando a imensa maioria dos bolcheviques era a favor do boicote à III Duma, quando eu, ao lado de Dan, defendia a participação nela e fui submetido por isso aos ataques mais encarniçados pelo meu oportunismo. Objectivamente, a questão coloca-se hoje da mesma maneira, de um modo completamente análogo: tal como então, a maioria dos funcionários do partido, partindo dos melhores impulsos revolucionários e das melhores tradições do partido, deixa-se arrastar por uma palavra de ordem «vistosa», sem captar a nova situação económico-social e política, sem ter em conta a modificação das condições, que exige uma modificação rápida e brusca da táctica. E, como então, toda a minha discussão tem de se concentrar em explicar que o marxismo exige que se tenham em conta as condições objectivas e a sua modificação, que é preciso colocar a questão de maneira concreta, em relação com essas condições, que a mudança radical consiste agora na criação da república dos Sovietes da Rússia, que o mais importante tanto para nós como do ponto de vista socialista internacional é salvaguardar esta república, que começou já a revolução socialista, que no momento presente a palavra de ordem de guerra revolucionária por parte da Rússia significaria ou uma frase e uma manifestação vã, ou equivaleria objectivamente a cair na cilada que nos preparam os imperialistas, que nos querem arrastar para a continuação da guerra imperialista, como uma partícula por enquanto ainda fraca, e aniquilar pela via mais barata possível a jovem república dos Sovietes.

«Eu mantenho a velha posição de Lenine» — exclamou um dos jovens moscovitas (a juventude é um dos maiores méritos que distinguem este grupo de oradores). E esse mesmo orador me censurou pelo facto de que eu, segundo ele, repito os velhos argumentos dos defensistas acerca da improbabilidade da revolução na Alemanha.

A infelicidade está precisamente em que os moscovitas querem manter a velha posição táctica, não querendo obstinadamente ver como se modificou, como se criou uma nova posição objectiva.

Os moscovitas nem sequer tiveram em conta, no seu afã de repetir as velhas palavras de ordem, que nós, os bolcheviques, nos tornamos agora todos defensistas. Pois, tendo derrubado a burguesia, rasgado e revelado os tratados secretos, proposto a todos os povos uma paz verdadeiramente ... (1*)

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Notas de rodapé:

(1*) O manuscrito interrompe-se neste ponto. (N. Ed.) (retornar ao texto)

Inclusão 10/01/2011