Unidade Até o Fim

Mao Tsetung

Julho de 1940


Tradução: A presente tradução está conforme à nova edição das Obras Escolhidas de Mao Tsetung, Tomo II (Edições do Povo, Pequim, Agosto de 1952). Nas notas introduziram-se alterações, para atender as necessidades de edição em línguas estrangeiras.
Fonte: Obras Escolhidas de Mao Tsetung, Pequim, 1975, Tomo II, pág: 717-721.
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo

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capa

O terceiro aniversário da Guerra de Resistência contra o Japão e o décimo nono aniversário da fundação do Partido Comunista da China cumprem-se num mesmo momento. Ao celebrar-se hoje o aniversário da Guerra de Resistência, nós, os comunistas, sentimos com intensidade bem particular a nossa responsabilidade. A responsabilidade pelo futuro da nação chinesa, pela sua existência ou subjugação, deve ser assumida por todos os partidos e grupos políticos que resistem ao Japão, bem como pela totalidade do povo, mas nós, os comunistas, entendemos ser sobre nós que recai o mais pesado da responsabilidade. O manifesto sobre a situação atual, publicado pelo Comité Central do nosso Partido, é, na essência, um apelo a resistência e a unidade até ao fim. Nós esperamos vê-lo aprovado pelos exércitos e partidos amigos, bem como por todo o povo chinês. Todos os membros do Partido Comunista devem aplicar com particular consciência a linha política definida nesse manifesto.

Os comunistas precisam de estar todos conscientes de que só resistindo até ao fim se pode permanecer unido até ao fim, e só permanecendo unido até ao fim se pode resistir até ao fim. Essa a razão por que devem ser duma conduta exemplar, tanto em matéria de resistência como de unidade. O que combatemos é o inimigo, mais os capitulacionistas e os anti-comunistas obstinados; quanto aos restantes elementos, esforçamo-nos seriamente por juntá-los a nós. Aliás, seja onde for, os capitulacionistas e os anti-comunistas obstinados não constituem mais que uma minoria.

Eu fiz uma investigação sobre a composição do pessoal dum dos órgãos do poder local. Entre mil e trezentos membros não havia mais de quarenta a cinquenta anti-comunistas obstinados, ou seja, menos de quatro por cento; todos os outros eram pela unidade, pela resistência. Como é evidente, nós não podemos mostrar-nos tolerantes para com os capitulacionistas e anti-comunistas obstinados, pois isso significaria permitir-lhes a sabotagem da resistência e da unidade. Daí o devermos combater com resolução os capitulacionistas e repelir com firmeza, mas em legítima defesa, os ataques dos elementos anti-comunistas. A não ser assim, passamos ao oportunismo de direita, com prejuízo da unidade e da resistência. Mas com relação a todos os que não são capitulacionistas nem anti-comunistas obstinados, devemos praticar uma política de unidade. Entre estes, uns fazem jogo duplo, outros agem por coação e outros ainda encontram-se apenas momentaneamente lançados num falso caminho. Há que ganhar todos esses indivíduos a nossa causa, de modo que se mantenha a unidade e se prossiga a resistência. A não ser assim, cai-se no oportunismo de “esquerda”, o que igualmente prejudicaria a unidade e a resistência. Todos os comunistas devem estar conscientes de que, como promotores da Frente Única Nacional Anti-japonesa, temos por dever perseverar nessa frente. No momento em que se agrava a já desastrosa situação do país e se produzem profundas mudanças na situação internacional, o nosso dever é assumir a pesada responsabilidade pelo futuro da nação chinesa, sua, existência ou subjugação. Derrotaremos o imperialismo japonês e faremos da China uma república independente, livre e democrática. Para isso é indispensável unir o maior número possível de indivíduos, sejam ou não membros de partidos ou grupos políticos. Mas os comunistas não admitem a formação duma frente única sem princípios, tornando-se por consequência indispensável lutar contra todas as manobras cujo objetivo seja dissolver, limitar, conter ou perseguir o Partido Comunista, bem como contra o oportunismo de direita no próprio seio deste. E, ao mesmo tempo, não poderá admitir-se que os comunistas violem a política de frente única do Partido. Os membros do Partido devem pois, na base do princípio de resistência, unir todos os elementos ainda dispostos a resistir ao Japão e combater o oportunismo de “esquerda” dentro do Partido.

Assim, na questão do poder, nós pronunciamo-nos pelo poder de frente única, opomo-nos a ditadura de um só partido, seja qual for o partido que a exerça, incluído o Partido Comunista, e somos pela ditadura conjunta de todos os partidos e grupos políticos, setores sociais e forças armadas, quer dizer, somos por um poder de frente única. Quando, depois de destruirmos na retaguarda do inimigo os órgãos do poder fantoche, criamos órgãos do poder anti-japonês, devemos aplicar o “sistema dos três terços”, tal como o Comité Central do nosso Partido decidiu. Os membros do Partido Comunista não entrarão pois senão por um terço, nos organismos governamentais e nos órgãos representativos da vontade popular, a fim de que os dois terços restantes possam ser integrados por outros partidos, grupos políticos e indivíduos sem afiliação partidária, favoráveis a resistência e a democracia. Todos os que nem são pela capitulação nem pelo anti-comunismo podem participar nos organismos governamentais. Todo o partido ou grupo político, que não seja pela capitulação nem combata o Partido Comunista, tem o direito de existir e prosseguir as suas atividades sob poder anti-japonês.

Quanto a questão do exército, o manifesto do nosso Partido precisa que continuaremos a respeitar a decisão de “não criarmos organizações do Partido no seio dos exércitos amigos”. Ali onde as organizações do Partido não tenham seguido rigorosamente essa decisão, impõe-se-nos restaurar imediatamente a situação. Convém manter uma atitude amistosa relativamente a todas as tropas que se abstenham de provocar fricções com o VIII Exército e o Novo IV Exército. Aliás, há até que restabelecer relações amistosas com as tropas que provocaram fricções, sempre que cessem esse tipo de atividade. Essa a nossa política de frente única quanto ao exército.

Para responder as necessidades da resistência ao Japão, torna-se indispensável, no domínio das finanças, economia, cultura, educação e eliminação dos traidores, seguir a política de frente única que se baseia no reajustamento dos interesses das diferentes classes e lutar contra o oportunismo de direita e de “esquerda”.

Na situação internacional presente, a guerra imperialista está a estender-se pelo mundo inteiro e as crises extremamente graves que engendra, políticas e económicas, hão-de inevitavelmente fazer estalar a revolução em muitos países. Vivemos um momento novo de guerras e revoluções. A União Soviética, que não se deixou arrastar para o turbilhão dessa guerra imperialista, ajuda todos os povos e nações oprimidos do mundo. Tudo isso são circunstâncias que favorecem a Guerra de Resistência da China. Não obstante, o perigo de capitulação é maior do que nunca, uma vez que, ao preparar-se para invadir os países do Sudeste Asiático, e ao intensificar os seus ataques contra a China, o imperialismo japonês induzirá certos hesitantes do nosso país a capitular. O quarto ano da Guerra de Resistência será o mais duro. A nossa tarefa é unir todas as forças que resistem ao Japão, lutar contra os capitulacionistas, vencer todas as dificuldades e manter a Guerra de Resistência em escala nacional. Todos os membros do Partido Comunista devem unir-se estreitamente aos partidos e exércitos amigos para realizar essa tarefa. Estamos convencidos de que, graças aos esforços conjugados dos membros do nosso Partido, dos exércitos e partidos amigos e da totalidade do nosso povo, conseguiremos conjurar a capitulação, vencer as dificuldades, expulsar os invasores japoneses e recuperar o solo da pátria. São realmente brilhantes as perspetivas da nossa Guerra de Resistência.

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Inclusão 28/07/2014