Dois Sermões de F. W. Krummacher

Friedrich Engels

Setembro de 1840


Escrito: no começo de setembro de 1840;

Primeira Edição: Telegraph für Deutschland, nº 149, de setembro de 1840;

Fonte: Marx-Engels Collected Works, volume 2, p.121;
Tradução: Rafael Duarte Oliveira Venancio, junho de 2009.
HTML: Fernando A. S. Araújo.
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Temos diante de nós dois sermões que causaram o outrora tão pio povo de Bremen a proibirem o fanático de Elberfeld, F. W. Krummacher, de discursar novamente por convite na Igreja de St. Ansgarius. Se o sermão ordinário no qual Deus é mencionado somente como o Pai do Mundo ou o mais alto Ser normalmente ecoa muito fluidamente, os textos dessas orações de Krummacher são esterilizantes, cáusticas, até mesmo aqua regia. Eles serão lidos com interesse apenas devido à originalidade demonstrada em se comunicar com a congregação do púlpito; eles mostram que Krummacher é um fanático de inteligência, abençoado com sagacidade e imaginação. Ao falar nessa feroz linguagem proveniente de uma real fé rochosa no Cristianismo, ele pode ser posto sob dúvida; nós acreditamos que Krummacher não é hipócrita mas que ele se fixou nessa maneira de pregar meramente porque ele a aprecia e não pode agora abandoná-la; a perda, por causa do tom ordinário dos tom ordinário do sussurros evangélicos sobre o amor e das pregações para as mulheres, é muito insípida. Isso se deve, no entanto, devido ao fato de que Krummacher é erroneamente enganado sobre o significado do púlpito se ele o leva em posto de Inquisição. O que pode uma congregação levar para casa de tal sermão? Nada além de orgulho espiritual que é tão repelente no piedoso. Ele que pede da sua congregação nada além de , que meramente reitera esse chamado rígido em sinônimos e usa o resto do sermão para polêmicas atuais, irá espelhar muita autoconfiança, orgulho e virtude ortodoxa, mas pouco Cristianismo. Krummacher parece estar metodicamente cumprindo sua tarefa de elevar cristãos no orgulho. A afirmação que espírito, sagacidade, imaginação, talento poético e ciência são todos nada perante a Deus é um clichê para ele.

Ele diz:

“Há mais alegria no céu acerca de um pecador arrependido do que acerca do nascimento de um poeta.” [F. W. Krummacher, Paulus kein Mann nach dem Sinne unsrer Zeit. Predigt]

Ele desenha tal quadro de importância no qual os mais pobres membros de sua congregação poderiam, inevitavelmente, se classificarem como mais altivos e sábios que Kant, Hegel, Strauss, etc., cujos nomes Krummacher constantemente execra em seus sermões. Não é possível que na raiz do âmago do ser de Krummacher haja tal ambição frustrada, um descontentamento por distinção? Há muitas mentes que lutaram pela altivez, falharam em consegui-la através da diligência, talento e trabalho duro e, então, acreditam que podem consegui-la, a coroa eterna, por uma única virtude da fé. Isso, e nada mais, podemos acreditar, explica a constante polêmica de Krummacher contra tudo que é famoso no mundo. — É verdadeiramente doloroso encontrar nesses sermões tão poucos elementos leves, tão pouco pathos, sentimento ou verdadeiro pesar. O tom do amor não pode vir facilmente de um fanático tão rígido. E, mesmo assim, há passagens que nos reconciliam com a natureza estranha do homem. Poucos sermões temos nos quais podemos achar uma linda passagem tal como a que se segue:

“Sim, amigos, o mundo não termina onde a tempestade grita na margem distante do mar, ou onde a Lua em lamento anda no alto e as estrelas silenciosas olham tristes para a Terra. Além disso, há uma outra, maior e mais brilhante região. Oh, é melhor estar lá do que aqui. As rosas deles não são carregadas para túmulos; o amor deles não tem medo da separação; não há uma gota de amargura na taça de alegria. Esse mundo existe tal como é verdade que o Senhor Jesus visivelmente (?) ascendeu a ele.” [F. W. Krummacher, Das letzte Gericht. Gastpredigt]

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Inclusão 30/06/2009