Movimentos Continentais

Friedrich Engels

03 de Fevereiro de 1844


Escrito: no final de janeiro de 1844;

Primeira Edição: The New Moral World, Third Series nº 32, de 3 de fevereiro de 1844;
Fonte: Marx-Engels Collected Works, volume 3, p. 415.
Tradução: Rafael Duarte Oliveira Venancio, janeiro de 2009.
HTML: Fernando A. S. Araújo, janeiro de 2009.
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.


O famoso romance de Eugène Sue, Os Mistérios de Paris, causou uma impressão profunda na opinião pública, especialmente na Alemanha; a maneira forte pela qual esse livro descreve a miséria e a desmoralização das “camadas baixas” nas grandes cidades não falharia em dirigir a atenção do público ao estado dos pobres em geral. Os alemães começam a descobrir, tal como o Allgemeine Zeitung – o “Times da Alemanha – afirma, que o estilo da escrita do romance sofreu uma revolução completa nos dez anos últimos; ao invés de reis e príncipes, que eram, antigamente, os heróis de histórias similares, são os pobres, a classe desprezada, cujos destino e sortes, alegrias e tristezas, são o tópico dos romances; eles estão descobrindo, finalmente, que essa nova classe de escritores literários, tal como G. Sand, E. Sue e Boz(1), são um sinal desses tempos. Os bons alemães sempre pensaram que a miséria e pobreza só existia em Paris e Lyons, Londres e Manchester, e que a Alemanha estava inteiramente livre dessas excrescências da supercivilização e da industrialização excessiva. Agora, no entanto, eles começam a ver que eles também podem reunir uma considerável porção de doença social; os jornais de Berlin confessam que a Voigtland dessa cidade não é inferior nesse respeito à St. Giles(2) ou qualquer outra residência dos párias da civilização; eles confessam que, apesar de sindicatos e greves serem desconhecidos na Alemanha até então, a ajuda ainda é muito necessária para evitar a ocorrência dessas coisas entre seus conterrâneos. Dr. Mundt, um palestrante na Universidade de Berlin, começou um curso de palestras públicas sobre os diferentes sistemas de Reorganização Social; e, apesar dele não ser o homem a formar um julgamento correto sobre essas coisas, mesmo assim essas palestras deverão fazer bem. É fácil perceber o quão é favorável esse momento para o começo de uma agitação social mais extensa na Alemanha e o que será o efeito de um novo periódico que defenda uma reforma social exaustiva. Tal periódico foi estabelecido em Paris sob o título de German and French Annals [Deutsche-Französische Jahrbücher]; seus editores, Dr. Ruge e Dr. Marx, assim como seus outros colaboradores, pertencem aos “comunistas educados” da Alemanha e são apoiados pelos mais distintos autores socialistas da França. O periódico, que será publicado em números mensais e conterá artigos em francês assim como em alemão, não poderia ter começado em um momento mais favorável e seu sucesso pode ser considerado certo, mesmo antes da publicação do primeiro número.(3)

Assinado: F. E.

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Notas:

(1) Nota do Tradutor: Boz é o pseudônimo literário utilizado por Charles Dickens no começo de sua carreira. (retornar ao texto)

(2) Nota 176 do volume 3 do MECW: Voigtland é o nome dado a um dos distritos proletários de Berlin. Saint GIles é um distrito de Londres habitado por pessoas pobres. (retornar ao texto)

(3) Nota 177 do volume 3 do MECW:  A edição dupla da Deutsch-Französische Jahrbücher (Nº 1-2) foi publicada no final de Fevereiro de 1844. (retornar ao texto)

Inclusão 27/01/2009
Última alteração 13/02/2013