O Aniversário da Revolução Polonesa de 1830(1)

Frederich Engels

05 de Dezembro de 1847


Primeira Edição: Escrito em 30 de novembro de 1848; Publicado pela primeira vez em La Réforme, 05 de dezembro de 1847.
Fonte: Marx-Engels Collected Works, volume 6, p.391.
Tradução: Rafael Duarte Oliveira Venancio, novembro de 2008.
HTML: Fernando A. S. Araújo, novembro 2008.
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.


Caro Cidadão!

Eu cheguei na noite de ontem bem a tempo de comparecer à reunião pública convocada para celebrar o aniversário da Revolução Polonesa de 1830.

Já estive em muitas celebrações similares, mas nunca tinha visto tanto entusiasmo, tão perfeita cordialidade entre homens de todas as Nações.

A seção foi presidida pelo Sr. Mr. Arnott, um trabalhador inglês.

O primeiro discurso foi feito pelo Sr. Ernest Jones, editor do The Northern Star, que, enquanto discursava contra o comportamento da aristocracia polonesa durante a insurreição de 1830, elogiou muito os esforços poloneses a fim de escapar da sanha de seus opressores. Seu discurso brilhante e poderoso foi aplaudido com entusiasmo.

Depois dele, o Sr. Michelot discursou em francês.

O Sr. Schapper da Alemanha foi o próximo. Ele informou aos presentes que a Associação Democrática de Bruxelas [Brussels Democratic Association] delegou a Londres o Sr. Marx, democrata alemão e um de seus vice-presidentes, para estabelecer relações de correspondências entre a sociedade de Bruxelas e a sociedade londrina dos Fraternal Democrats,(2) e também para preparar um congresso democrático entre as diferentes nações européias.

O Sr. Marx foi recebido com aplausos prolongados quando foi sua vez de discursar.

Com um discurso em alemão, traduzido pelo Sr. Schapper, o Sr. Marx declarou que a Inglaterra deveria iniciar o resgate da Polônia. A Polônia, segundo ele, será livre somente quando as nações civilizadas da Europa Ocidental se tornarem democráticas. Atualmente, de todas as democracias da Europa, a mais forte e mais numerosa foi a inglesa, organizada nacionalmente. Foi na Inglaterra que o antagonismo entre proletariado e burguesia esteve mais desenvolvido e que a luta decisiva entre as duas classes se torna cada vez mais inevitável. É na Inglaterra que há a maior probabilidade da luta começar e que terminará com o triunfo universal da democracia e que, também, quebrará a opressão dos poloneses. O sucesso dos outros democratas europeus depende da vitória dos cartistas ingleses, assim a Polônia poderá ser salva pela Inglaterra.

O Sr. Harney, editor-chefe do The Northern Star, agradeceu os democratas de Bruxelas pela imediata colaboração aos democratas de Londres, desprezando os ataques feitos a esses pela burguesia da London International League,(3) uma sociedade fundada pelos defensores do livre-mercado para manipular os democratas estrangeiros dentro dos interesses do livre-mercado e para competir com os Fraternal Democrats que eram compostos, quase que exclusivamente, por trabalhadores.

O Sr. Engels, de Paris, um democrata alemão, declarou que a Alemanha tem interesse especial na libertação da Polônia devido ao despotismo exercido pelos governos alemães sobre parte do território polonês. A democracia alemã deve ter em mente o fim dessa tirania que envergonha a Alemanha.

O Sr. Tedesco, de Liège, em um discurso vigoroso, agradeceu os lutadores poloneses de 1830 por terem proclamado com veemência os princípios da insurreição. Seu discurso, traduzido pelo Sr. Schapper, foi muito aplaudido.

Depois de algumas observações feitas pelo Sr. Charles Keen, o Coronel Oborski respondeu em nome da Polônia.

O Sr. Wilson, um trabalhador inglês, cuja forte oposição quase provocou uma cisão em um encontro da International League, foi o último a discursar no encontro.

Com a aprovação da proposta dos Srs. Harney e Engels, três vivas foram dados para três grandes jornais europeus democráticos: o Réforme, o The Northern Star e o Deutsche-Brüsseler-Zeitung; com a aprovação da proposta do Sr. Schapper, três vaias foram dadas para três jornais antidemocráticos: o Journal des Débats, o The Times e o Augsburg Zeitung.

O encontro terminou com a execução da Marseillaise, quando todos cantaram de pé e sem seus chapéus.

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Notas:

(1) Nota 193 do volume 6 do MECW: Esse texto estava na forma de uma carta para o editor de La Réforme. (retornar ao texto)

(2) Nota 194 do volume 6 do MECW: A Associação Democrática (Association démocratique) foi fundada em Bruxelas no outono de 1847 e uniu revolucionários, em sua maioria imigrantes alemães e democratas pequeno-burgueses. Marx e Engels participaram ativamente na montagem da associação. Em 15 de novembro de 1847, Marx foi eleito vice-presidente (o presidente era Lucien Jottrand, um democrata belga) e sobre sua influência, ela se tornou um centro para o movimento democrático internacional. Durante a Revolução de Fevereiro de 1848 na França, a facção proletária da Associação Democrática de Bruxelas procurou armar os trabalhadores belgas e intensificar a luta por uma república democrática. No entanto, quando Marx foi banido de Bruxelas em Março de 1848 e a maioria dos elementos revolucionários foi repreendida pelas autoridades belgas, sua atividade ficou restrita em um âmbito puramente local e, em 1849, a Associação fecha.
Sobre os Fraternal Democrats, veja a nota 1 do volume 6 do MECW que diz que “a sociedade continha representantes dos cartistas de esquerda, trabalhadores alemães e artesãos – membros da League of the Just – e imigrantes revolucionários de outras nacionalidades. Durante sua estadia na Inglaterra no verão de 1845, Marx e Engels ajudaram na preparação para o encontro [de fundação], mas não participaram de sua realização, pois já tinham deixado Londres. Mais tarde, eles ficaram em constante contato com os Fraternal Democrats tentando influenciar o núcleo proletário da sociedade, que entrou para a Liga Comunista em 1847, para através deles influenciar o movimento cartista.  A sociedade fechou em 1853”. (retornar ao texto)

(3) Nota 195 do volume 6 do MECW: Ver nota 189. Por sua vez, a nota 189 do volume 6 do MECW afirma que “a International League ou People’s International League foi fundada em 1847 por radicais ingleses e defensores do livre-mercado. Entre seus membros ativos e fundadores estão Thomas Cooper, Sir William Fox, Sir John Bowring e o artista e poeta panfletário William James Linton. A League também possuía diversos imigrantes italianos, húngaros e poloneses, em especial Giuseppe Mazzini, que era um de seus fundadores. Sua atividade se limitou a organizar encontros e palestras sobre problemas internacionais e a distribuir panfletos, sendo que suas atividades terminaram em 1848”. (retornar ao texto)

Inclusão 27/11/2008
Última alteração 16/09/2011