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O Capital
Crítica da Economia Política
Karl Marx

Livro Primeiro: O processo de produção do capital

Sétima Seção: O processo de acumulação do capital

Vigésimo segundo capítulo: Transformação de mais-valia em capital


3. Divisão da mais-valia em capital e revenue.
A teoria da abstinência.


capa

No capítulo precedente consideramos a mais-valia, resp.(1*) o sobreproduto, apenas como fundo individual de consumo do capitalista; neste capítulo, até aqui, apenas como um fundo de acumulação. Todavia, ele não é apenas nem só um nem só o outro, mas ambos simultaneamente. Uma parte da mais-valia é consumida pelo capitalista como revenue(2*), uma outra parte é aplicada ou acumulada como capital.

Dada uma massa de mais-valia, uma destas partes será tanto maior quanto mais pequena for a outra. Tomando-se todas as outras circunstâncias como mantendo-se iguais, a proporção em que esta divisão se efectua determina a magnitude da acumulação. Porém, quem procede a esta divisão é o proprietário da mais-valia, o capitalista. Ela é, portanto, acto de vontade seu. Da parte do tributo por ele sacado e que ele acumula diz-se que ele a poupa, porque ele não a come toda, i. é, porque ele exerce a sua função enquanto capitalista, a saber, a função de se enriquecer.

Só na medida em que o capitalista é capital personificado ele tem um valor histórico e aquele direito histórico de existência que, como diz o espirituoso Lichnowski, não tem data nenhuma[N167]. Só nesta medida a sua necessidade transitória própria se encontra metida na necessidade transitória do modo de produção capitalista. Mas nessa mesma medida não são também valor de uso e fruição o seu motivo motor, mas valor de troca e a sua multiplicação. Como fanático da valorização do valor ele coage sem escrúpulos a humanidade à produção pela produção, portanto, a um desenvolvimento das forças produtivas sociais e à criação de condições de produção materiais que só elas podem formar a base real de uma forma superior de sociedade cujo princípio fundamental é o desenvolvimento pleno e livre de cada indivíduo. Só como personificação do capital o capitalista é respeitável. Como tal, ele partilha com o entesourador o impulso absoluto de enriquecimento. Porém, o que neste aparece como mania individual, é no capitalista efeito do mecanismo social no qual ele é apenas uma roda motriz. Além disso, o desenvolvimento da produção capitalista toma uma necessidade uma subida permanente do capital investido numa empresa industrial, e a concorrência impõe a cada capitalista individual as leis imanentes do modo de produção capitalista como leis coercivas exteriores. Ela coage-o a estender permanentemente o seu capital para o conservar, e só o pode estender por intermédio de acumulação progressiva.

Portanto, na medida em que o que ele faz ou deixa de fazer é apenas função do capital nele dotado de vontade e consciência, o seu consumo privado próprio afigura-se-lhe como um roubo à acumulação do seu capital, do mesmo modo que na contabilidade italiana os gastos privados figuram na [coluna] do deve do capitalista face ao capital. A acumulação é conquista do mundo da riqueza social. Com a massa do material humano explorado, ela estende simultaneamente a dominação directa e indirecta do capitalista(3*).

Mas o pecado original opera em todo o lado(4*). Com o desenvolvimento do modo de produção capitalista, da acumulação e da riqueza, o capitalista cessa de ser mera encarnação do capital. Ele sente uma «comoção humana»[N168] pelo seu próprio Adão(5*) e cultiva-se a ponto de se rir do fanatismo pela ascese como preconceito do entesourador à moda antiga. Enquanto o capitalista clássico estigmatiza o consumo individual como pecado contra a sua função e como «abstenção» da acumulação, o capitalista modernizado está em condições de conceber a acumulação como «renúncia» ao seu impulso de prazer. «Ah, duas almas habitam no seu peito, uma quer da outra separar-se!»[N169]

Nos começos históricos de modo de produção capitalista — e cada novo-rico capitalista percorre este estádio histórico individualmente — predominam o impulso de enriquecimento e a avareza como paixões absolutas. Mas o progresso da produção capitalista não cria só um mundo de fruições. Ele abre com a especulação e o sistema de crédito mil fontes de enriquecimento súbito. Num certo nível de desenvolvimento, um grau convencional de esbanjamento, que é simultaneamente exibição da riqueza e, portanto, meio de crédito, tor- na-se uma necessidade de negócio do «infeliz» capitalista. O luxo entra nos custos de representação do capital. Não obstante, o capitalista não se enriquece, como o entesourador, na proporção do seu trabalho pessoal e do seu não-consumo pessoal, mas na medida em que ele suga força de trabalho alheia e impõe ao operário a renúncia a todas as fruições da vida. Embora, portanto, o esbanjamento do capitalista nunca possua o carácter de bona fide(6*) do esbanjamento do senhor feudal estróina, mas antes do segundo plano espreite sempre a mais sórdida avareza e o cálculo mais minucioso, o seu esbanjamento cresce apesar de tudo com a sua acumulação sem que um precise de prejudicar a outra. Com isto desenvolve-se simultaneamente no alto peito do indivíduo-capital um conflito fáustico entre impulso de acumulação e impulso de fruição.

«O negócio de Manchester», diz-se num escrito que o Dr. Aikin publicou em 1795, «pode ser dividido em quatro períodos. Primeiro, quando os manufactureiros foram obrigados a trabalhar duramente para o seu sustento.»

Eles enriqueceram particularmente por roubo dos pais que lhes mandavam os jovens como apprentices (aprendizes) e que tinham de pagar muito por isso, enquanto os aprendizes passavam fome. Por outro lado, os lucros médios eram baixos e a acumulação exigia grande poupança. Eles viviam como entesouradores e estavam longe de consumir sequer os juros do seu capital.

«O segundo período, quando eles começaram a adquirir pequenas fortunas, mas trabalhavam tão duramente como antes», pois a exploração imediata do trabalho custa trabalho como qualquer capataz de escravos sabe, «e viviam de uma maneira tão chã como antes... O terceiro, quando o luxo começou e o negócio levou um empurrão com envio de cavaleiros» (commis voyageurs(7*) a cavalo) «em busca de encomendas a cada cidade com mercado do Reino [...]. É provável que poucos ou nenhuns capitais de £ 3000 a £ 4000 adquiridas no negócio existissem aqui antes de 1690. Porém, por esta altura, ou um pouco mais tarde, os negociantes já tinham de antemão dinheiro e começavam a construir casas de tijolo em vez das de madeira e estuque.»... Já nos primeiros decénios do século xvm um fabricante de Manchester, que oferecia um pint de vinho estrangeiro aos seus convidados, expunha-se aos comentários e ao abanar de cabeça de todos os seus vizinhos.

Antes do advento da maquinaria, o consumo vespertino dos fabricantes nas tabernas onde se reuniam não era mais do que 6 d. por um copo de ponche e 1 d. por um rolo de tabaco. Só em 1758, e isto faz época, se viu uma pessoa realmente metida no negócio com carruagem própria!

«O quarto período», o último terço do século XVIII, «é aquele em que despesa e luxo fizeram um grande progresso, e estava apoiado numa extensão do negócio.»(8*)(9*)

O que diria o bom Dr. Aikin se hoje em dia ressuscitasse em Manchester!

Acumulai, acumulai! É Moisés e os profetas![N170] «A indústria fornece o material que a poupança acumula.»(10*) Por isso poupai, poupai, i. é, retransformai a maior parte possível da mais-valia ou do sobreproduto em capital! Acumulação pela acumulação, produção pela produção, nesta fórmula a economia clássica exprimia a vocação histórica do período burguês. Ela não se iludiu um instante sequer acerca das dores de parto da riqueza(11*), mas de que servem lamentações acerca de uma necessidade histórica? Se para a economia clássica o proletário só vale como máquina para a produção de mais-valia, também o capitalista só vale para ela como máquina para a transformação desta mais-valia em sobrecapital. Ela toma amargamente a sério a sua [do capitalista] função histórica. Para tornar o seu peito invulnerável ao funesto conflito entre impulso de fruição e impulso de enriquecimento, Malthus defendia, no começo dos anos vinte deste século, uma divisão do trabalho que atribuía ao capitalista realmente metido na produção o negócio da acumulação, aos outros participantes na mais-valia — à aristocracia rural, os prebendados estatais e eclesiásticos, etc. —, o negócio do esbanjamento. É da maior importância, diz ele, «manter separadas a paixão pela despesa e a paixão pela acumulação (the passion for expenditure and the passion for accumulation)»(12*). Os senhores capitalistas, de há muito transformados em homens de vida larga e homens do mundo, desataram aos gritos. O quê! — gritou um dos seus porta-vozes, um ricardiano — o sr. Malthus prega altas rendas fundiárias, altos impostos, etc., para, através dos consumidores improdutivos, espetar no industrial um aguilhão contínuo? Sem dúvida que o xibolete é: produção, produção em escala sempre mais alargada, mas

«por este processo a produção será de longe mais refreada do que esporeada. Nem é muito justo (nor is it quite fair) manter assim na ociosidade um certo número de pessoas, para expremer outras que, pelo seu carácter, estão aptas (who are likely, from their characters), se se puder forçá-las a trabalhar, a trabalhar com sucesso.»(13*)

Por injusto que ele ache que é agrilhoar o capitalista industrial à acumulação, tirando-lhe a gordura da sopa, parece-lhe também necessário limitar o operário o mais possível ao salário mínimo «para o manter industrioso». Ele também não oculta, por um instante, que a apropriação de trabalho não pago é o segredo da negociata [Plus- macherei].

«Um aumento de procura por parte dos trabalhadores não significa mais do que a sua disposição para tirar menos do seu próprio produto para si próprios e deixar uma parte maior dele aos seus empregadores; e se se disser que isto origina glut» (abarrotamento do mercado, sobreprodução) «por diminuir o consumo» (por parte dos operários) «apenas posso responder que glut é sinónimo de grandes lucros.»(14*)

A querela sábia acerca de como os despojos bombeados do operário seriam de repartir, do modo mais vantajoso para a acumulação, entre o capitalista industrial e o proprietário fundiário ocioso, etc., emudeceu perante a revolução de Julho. Pouco depois o proletariado citadino fez soar o sino da rebelião em Lyon e o proletariado rural deitou fogo(15*) à Inglaterra. Do lado de cá do canal grassava o owenismo, do outro lado, o st.-simonismo e o fourierismo. A hora da economia vulgar tinha soado. Precisamente um ano antes de Nassau W. Senior ter descoberto em Manchester que o lucro (incl. juro) do capital é produto da «última, décima segunda hora de trabalho» não paga, tinha anunciado ao mundo uma outra descoberta. «Por mim», dizia ele solenemente, «por mim substituo a palavra capital, na medida em que ele se relaciona com a produção, pela palavra abstinência.»(17*) Amostra sem rival, esta, das «descobertas» da economia vulgar! Ela substitui uma categoria económica por uma frase sicofântica. Voilá tout(19*). «Quando o selvagem», ensina Senior, «fabrica arcos exerce uma indústria, mas não pratica a abstinência.» Isto explica-nos como e porquê em anteriores estados da sociedade foram fabricados meios de trabalho «sem a abstinência» do capitalista. «Quanto mais a sociedade avança tanta mais abstinência ela exige»(20*), designadamente daqueles que exercem a indústria de se apropriarem da indústria alheia e do seu produto. Todas as condições do processo de trabalho se transformam a partir de agora noutras tantas práticas de abstinência do capitalista. O cereal é não só comido, mas também semeado — abstinência do capitalista! O vinho requer tempo para acabar de fermentar — abstinência do capitalista!(22*) O capitalista rouba o seu próprio Adão quando «empresta» (!) os «instrumentos de produção ao trabalhador»; alias(24*), quando os valoriza por incorporação da força de trabalho como capital em vez de comer tudo: máquinas a vapor, algodão, caminhos-de-ferro, estrume, cavalos de carga, etc., ou, como o economista vulgar infantilmente imagina, em vez de dissipar «o valor deles» em luxo e outros meios de consumo(25*). Como há-de a classe dos capitalistas fazer isto é um segredo até aqui guardado obstinadamente pela economia vulgar. Basta, o mundo vive apenas da automortificação deste moderno penitente de Vixnu, o capitalista. Não só a acumulação, também a simples «conservação de um capital exige um esforço constante para resistir à tentação de o consumir»(26*). A simples humanidade precreve, portanto, manifestamente que se salve o capitalista do martírio e da tentação, do mesmo modo que o dono de escravos georgiano(28*) com a abolição da escravatura foi recentemente salvo do penoso dilema de se o sobreproduto arrancado a chicote aos escravos negros seria de dilapidar totalmente em champanhe(29*), ou de em parte o retransformar também em mais negros e mais terra.

Nas mais diversas formações económicas da sociedade não tem só lugar a reprodução simples, mas também, embora em medida diversa, a reprodução em escala alargada. Progressivamente consome-se mais e produz-se mais, logo também mais produto é transformado em meios de produção. Este processo não aparece, porém, como acumulação de capital, e portanto também não como função do capitalista, enquanto ainda não se enfrentam, na forma de capital, com o operário os seus meios de produção, portanto também o seu produto e os seus meios de vida(30*). Richard Jones, falecido há alguns anos, sucessor de Malthus na cátedra de economia política no College indo-oriental de Haileybury, explica isto bem com dois grandes factos. Uma vez que a parte mais numerosa do povo indiano é constituída por camponeses que cultivam eles próprios as terras, o seu produto, os seus meios de trabalho e de vida, nunca existem «na forma (in the shape) de um fundo que é poupado do rendimento (savedfrom revenue)» alheio e que, «portanto, percorreu um processo de acumulação prévio (a previous process of accumulation(31*). Por outro lado, nas províncias onde a dominação inglesa só minimamente dissolveu o sistema antigo, os operários não agrícolas são ocupados directamente pelos grandes, para os quais flui uma porção do sobreproduto agrícola como tributo ou renda fundiária. Uma parte deste produto é consumido pelos grandes em forma natural, uma outra parte é transformado para eles pelos operários em meios de luxo e outros meios de consumo, enquanto o resto forma o salário dos operários, que são proprietários dos seus instrumentos de trabalho. Produção e reprodução em escala alargada percorrem aqui o seu curso sem qualquer intervenção daquele santo esquisito, daquele cavaleiro da triste figura, do capitalista «que renuncia».

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Notas de rodapé:

(1*) Em alemão no texto: ou. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(2*) O leitor notará que a palavra revenue é utilizada duplamente: primeiro, para designar a mais-valia como fruto que brota periodicamente do capital; segundo, para designar a parte deste fruto que é consumida periodicamente pelo capitalista ou junta ao seu fundo de consumo. Conservo este sentido duplo porque está de harmonia com o uso linguístico dos economistas ingleses e franceses. (retornar ao texto)

(3*) Na forma à moda antiga, ainda que constantemente renovada, do capitalista, no usurário, Lutero ilustra muito bem a ânsia de domínio como elemento do impulso para o enriquecimento. «Os pagãos puderam calcular pela razão que um usurário é um quádruplo ladrão e assassino. Nós cristãos, porém, têmo-los em tal honra que quase os adoramos pelo seu dinheiro... Quem suga, rouba e furta o alimento a outro comete (no que dele depende) um assassínio tão grande como aquele que o mata à fome e o arruina. Mas um usurário faz isso e, contudo, senta-se em segurança na sua cadeira — quando mais justamente deveria estar pendurado na forca e ser devorado por tantos corvos quantos florins roubou, se é que ele tem tanta carne que tantos corvos consigam despedaçar e dividir. Entretanto enforca-se os pequenos ladrões... Os pequenos ladrões estão a ferros, os grandres ladrões andam a ostentar ouro e seda... por isso, não há maior inimigo do homem na terra (depois do diabo) do que um avaro e usurário, pois ele quer ser deus sobre todos os homens. Turcos, guerreiros, tiranos também são homens maus, mas eles têm de deixar que as pessoas vivam e confessem que eles são maus e inimigos. E podem e até têm por vezes de se apiedarem de alguém. Mas um usurário e avarento quer, no que dele dependa, que todo o mundo pereça com fome e sede, na aflição e miséria, para que ele sozinho possa ter tudo e que toda a gente receba dele como de um deus e seja eternamente seu servo. Usar mantos, colares de ouro, anéis, lavar o focinho, fazer-se considerar e celebrar como um homem estimado e piedoso... O usurário é um grande e enorme monstro, como um ogro que tudo devasta, mais que qualquer Caco, Gérion ou Anteu. E todavia enfeita-se e quer ser piedoso para que não se veja para onde vão os bois que empurra às arrecuas para o seu antro. Mas Hércules há-de ouvir o clamor dos bois e dos prisioneiros e procurar Caco mesmo entre penhascos e rochedos e livrar os bois do malvado. Pois Caco significa um malvado que é um piedoso usurário que furta, rouba e devora tudo. E todavia ele pretende não ter feito nada, e ninguém há-de encontrar nada porque os bois foram empurrados às arrecuas para o seu antro e dão a aparência e deixam pegadas como se tivessem sido soltos de lá. Assim o usurário quer também enganar o mundo como se lhe fosse útil e desse ao mundo bois, quando todavia é para ele só que os arrebata e devora... E se se põe na roda e se se decapita os salteadores da estrada, os assassinos e os bandidos, muito mais se deveria pôr na roda e desmembrar todos os usurários... expulsá-los, amaldiçoá-los e decapitá-los.» (Martin Luther, 1. c.) (retornar ao texto)

(4*) Na edição francesa, Marx acrescenta: estraga tudo. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(5*) Na edição francesa, Marx acrescenta entre vírgulas: carne sua. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(6*) Em latim no texto: boa fé. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(7*) Em francês no texto: caixeiros-viajantes. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(8*) Na edição inglesa o texto prossegue: através de cavaleiros e agentes por todas as partes da Europa. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(9*) Dr. Aikin, Description of the Country from 30 to 40 miles round Manchester, Lond., 1795 pp. [181], 182 sqq. [,188]. (retornar ao texto)

(10*) A. Smith, 1. c., liv. II, cap. III [, p. 367]. (retornar ao texto)

(11*) Mesmo J.-B. Say diz: «As poupanças dos ricos fazem-se à custa dos pobres.»[N171] «o proletário romano [...] vivia quase unicamente à custa da sociedade... Poderia quase dizer-se que a sociedade moderna vive à custa do proletário, da parte que ela retira da recompensa do seu trabalho.» (Sismondi, Études, etc., vol. I, p. 24.) (retornar ao texto)

(12*) Malthus, 1. c., pp. 319, 320. (retornar ao texto)

(13*) An Inquiry into those Principies Respecting the Nature of Demand, etc., p. 67. (retornar ao texto)

(14*) L. c., p. 59. (retornar ao texto)

(15*) Literalmente: fez voar o galo vermelho (símbolo da França revolucionária). Ver nota(16*) " da p. 766. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(16*) Tratou-se de um movimento dos operários rurais ingleses entre 1830 e 1833 contra a utilização de debulhadoras e por jornas mais altas. Recorreram a cartas intimidatórias dirigidas a rendeiros e proprietários fundiários assinadas por um fictício Captain Swing, bem como ao incêndio de medas e à distruição de maquinaria. (retornar ao texto)

(17*) Senior, Príncipes fondamentaux de l'écon. pol., trad. Arrivabene, Paris, 1836, p. 309. Isto, porém, era demasiado insensato para os partidários da velha escola clássica. «O Sr. Senior substituiu por ela» (a expressão trabalho e capital) «a expressão Trabalho e Abstinência.» A abstinência é uma mera negação. Não é a abstinência, «mas o uso do capital produtivamente que é a causa de lucros». (John Cazenove, 1. c., p. 130, nota.) O sr. John St. Mill, pelo contrário, recopia de um lado a teoria do lucro de Ricardo e anexa, pelo outro, a «remuneration of abstinence»(18*) de Senior. Tão estranha lhe é a «contradição» de Hegel, a fonte manante de toda a dialéctica, quanto à vontade ele está com contradições chãs.
Suplemento à 2.a ed. O economista vulgar nunca fez a simples reflexão de que toda a acção humana pode ser apreendida como «abstinência» do seu contrário. Comer é abstinência de jejuar, andar é abstinência de estar parado, trabalhar é abstinência de mandriar, mandriar é abstinência de trabalhar, etc. Os senhores fariam bem em reflectir alguma vez sobre a Determinatio est negatio de Spinoza[N172]. (retornar ao texto)

(18*) Em inglês no texto: «remuneração da abstinência». (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(19*) Em francês no texto: Eis tudo. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(20*) Senior, 1. c., pp. 342, 343.(21*) (retornar ao texto)

(21*) Nas edições inglesa e francesa: p. 342. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(22*) «Por exemplo, ninguém... semeará o seu trigo e permitirá que ele permaneça doze meses no chão ou deixará o seu vinho durante anos numa adega em vez de consumir logo estas coisas ou o seu equivalente... a menos que espere adquirir valor adicional, etc.» (Scrope, Polit. Econ., edit. por A. Potter, New York, 1841, p. 133(23*))[N173]. (retornar ao texto)

(23*) Nas edições inglesa e francesa: pp. 133, 134. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(24*) Em latim no texto: aliás. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(25*) «A privação que o capitalista impõe a si próprio ao emprestar os seus instrumentos de produção ao trabalhador» (usando este eufemismo para, segundo a comprovada maneira vulgar-económica, identificar os operários assalariados, explorados pelo capitalista industrial, com o próprio capitalista industrial, que pede emprestado ao capitalista que empresta dinheiro!) «em vez de consagrar o valor deles ao seu uso próprio transformando-o em objectos de utilidade ou de gozo.» (G. de Molinari, 1. c., p. 36.) (retornar ao texto)

(26*) «La conservador. d’un capital exige... un effort... constant pour résister à la tentation de le consommer.» (Courcelle-Seneuil, 1. c., p. 20(27*).) (retornar ao texto)

(27*) Na ediçào inglesa: p. 57. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(28*) Isto é: da Geórgia, EUA. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(29*) Na edição francesa, acrescenta-se: e artigos de Paris. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(30*) «As classes particulares de rendimento que contribuem mais abundantemente para o progresso do capital nacional, em diferentes estádios do seu progresso mudam e são, portanto, inteiramente diferentes em nações que ocupam posições diferentes nesse progresso... Lucros..., uma fonte não importante de acumulação comparada com salários e rendas nos primeiros estádios de sociedade... Quando um avanço considerável nos poderes da indústria nacional teve efectivamente lugar, os lucros crescem, em importância comparativa, como uma fonte de acumulação.» (Richard Jones, Textbook, etc., pp. 16, 21.) (retornar ao texto)

(31*) L. c., pp. 36 sq. {À 4.a ed. — Tem de ser um engano, a passagem não foi encontrada. — F. E.} — Marx compôs esta citação, resumindo o seu sentido, a partir de expressões que ocorrem no texto referido. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

Notas de fim de tomo:

[N167] Não tem data nenhuma — estas palavras foram usadas várias vezes por Lichnowski, ao intervir em 25 de Julho de 1848 na Assembleia Nacional de Frankfurt contra o direito histórico da Polónia à existência independente. Lichnowski, em vez de «keinen Datum hat», disse «keinen Datum nicht hat», isto é, contra as regras gramaticais da língua alemã colocou duas negações lado a lado. Por isso o seu discurso foi acompanhado dos risos dos presentes. (Para mais pormenores sobre esta intervenção de Lichnowski, ver Neue Rheinische Zeitung, in MEW, Bd. 5, S. 350-353. (retornar ao texto)

[N168] Schiller, Die Burgschaft. (retornar ao texto)

[N169] Paráfrase das palavras de Fausto na tragédia homónima de Goethe, parte I, cena 2 («Diante das portas da cidade»).(retornar ao texto)

[N170] Segundo a lenda cristã antiga os primeiros livros da Bíblia, que constituem a base do Antigo Testamento, foram escritos por Moisés e por outros profetas. A expressão «É Moisés e os profetas!» é aqui usada por Marx no sentido: isso é o principal, esse é o primeiro mandamento, etc. (retornar ao texto)

[N171] Jean-Baptiste Say, Traité d'économie politique, ou simple exposition de la manière dont se forment, se distribuent et se consomment les richesse. 5e ed., t. 1. (retornar ao texto)

[N172] Determinatio est negatio — determinação é negação (ver B. Spinoza, Correspondência, carta n.° 50, 2 de Junho de 1674). A tese de que toda a determinação envolve uma delimitação relativamente àquilo que ela não é (e, portanto, uma negação) é também retomada e desenvolvida por Hegel em diversas passagens, nomeadamente na Enzyklopádie der philosophischen Wissenschaften, § 91, Zusatz. (retornar ao texto)

[N173] Cita-se aqui o livro de Alonzo Potter: Political Economy: Its Objects, Uses, and Principies: Considered with Reference to the Condition of the American People.
New York, 1841. Como se vê pela introdução, a maior parte desse livro constitui essencialmente uma reimpressão (com alterações introduzidas por A. Potter) dos primeiros dez capítulos do livro de George Scrop The Principies of Politicai Economy, publicado em Inglaterra em 1833. (retornar ao texto)

Inclusão 06/08/2014
Última alteração 06/09/2014