Carta a Karl Kautsky
(em Viena)

Friedrich Engels

12 de Setembro de 1882

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Primeira Edição: Publicado pela primeira vez na íntegra em russo no Arquivo de Marx e Engels, vol. I (VI), 1932.Publicado segundo o texto do manuscrito. Traduzido do alemão.
Fonte: Obras Escolhidas em três tomos, Editorial "Avante!" - Edição dirigida por um colectivo composto por: José BARATA-MOURA, Eduardo CHITAS, Francisco MELO e Álvaro PINA, tomo III, pág: 539-540.
Tradução: José BARATA-MOURA.
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo.
Direitos de Reprodução: © Direitos de tradução em língua portuguesa reservados por Editorial "Avante!" - Edições Progresso Lisboa - Moscovo, 1982.


Londres, 12 de Set[embro] de [18]82

capa

... V. pergunta-me o que é que os operários ingleses pensam da política colonial? Ora, exactamente o mesmo que pensam da política em geral: o mesmo que os burgueses pensam acerca dela. Bom, aqui não há nenhum partido operário, há apenas conservadores e liberais-radicais, e os operários comem alegremente o seu bocado do monopólio do mercado mundial e do monopólio colonial da Inglaterra. Segundo o meu parecer, as colónias propriamente ditas — isto é, os países ocupados por população europeia, Canadá, Cabo(1*), Austrália — tornar-se-ão todas autónomas; em contrapartida, os países simplesmente dominados, habitados por nativos — Índia, Argélia, possessões holandesas, portuguesas e espanholas —, terão de ser provisoriamente tomados a cargo pelo proletariado e conduzidos tão rapidamente quanto possível à autonomia. Como este processo se desenvolverá, é difícil de dizer; a Índia talvez faça [uma] revolução, mesmo muito verosimilmente, e, como o proletariado a libertar-se não pode conduzir nenhuma guerra colonial, terá de se deixar isso acontecer, o que, naturalmente, não passará sem toda a espécie de destruições, mas isso é, precisamente, inseparável de todas as revoluções. O mesmo podia desenrolar-se também ainda noutro sítio, por exemplo, na Argélia e no Egipto, e para nós seria seguramente o melhor. Teremos suficientemente que fazer no nosso país [zu Hause]. Uma vez reorganizada a Europa e a América do Norte, isso dará um poder colossal e um exemplo tal que os países semicivilizados virão a reboque inteiramente por si próprios; as necessidades económicas sozinhas já se ocuparão disso. Mas, por que fases sociais e políticas esses países terão então que passar até chegarem igualmente à organização socialista, acerca disso, creio eu, só podemos hoje adiantar hipóteses bastante ociosas. Só uma coisa é segura: o proletariado vitorioso não pode impor a nenhum povo estrangeiro uma felicidade [Beglückung] de qualquer espécie, sem minar com isso a sua própria vitória. Com o que, naturalmente, de modo algum estão excluídas guerras defensivas de diversas espécies...

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Notas de rodapé:

(1*) Trata-se da Província do Cabo, no Sul da África (Nota da edição portuguesa) (retornar ao texto)

Inclusão 15/09/2011