A Nossa "Classe Operária"

Luiz Carlos Prestes

9 de Março de 1946


Primeira edição: publicado em A Classe Operária nº 01 da Terceira Fase em 09 de março de 1946, pág. 01.
Fonte: Fundação Maurício Grabois
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo.
Direitos de Reprodução: Licença Creative Commons licenciado sob uma Licença Creative Commons.

Reaparece com este número nosso querido e glorioso jornal – o órgão central do nosso Partido. Sua história está viva na memória de todos nós e há de ser contada pouco a pouco destas colunas para orgulho e educação dos companheiros mais jovens por todos aqueles que a viveram. Por hoje algumas palavras somente sobre o seu programa atual nas condições novas em que vivemos.

Durante aqueles anos de vida clandestina, de perseguições policiais e de isolamento forçado para os militante e organismos do Partido, foi A CLASSE OPERÁRIA o laço de união, a grande força organizadora que assegurava o intercâmbio de materiais e de experiências – dentro do Partido. Bem ou mal, em maior ou menor extensão e intensidade, dentro das condições específicas de nossa terra e do nível político e ideológico de nosso proletariado, é certo que A CLASSE OPERÁRIA foi durante os anos de vida clandestina, e graças à energia e à bravura de inúmeros companheiros, precisamente aquele “organizador coletivo” que reclamava Lênin, sem deixar de ser agitador e propagandista sempre temido pela classe dominante.

Hoje, em plena legalidade, é outra, sem dúvida, a missão precípua de nosso jornal: será antes de tudo o grande educador do Partido, o jornal que, apreciando todos os acontecimentos do ponto de vista do proletariado, fale numa linguagem diferente daquela da “grande imprensa” que pretende fazer a “opinião pública” e na verdade envenena a nação; um jornal que pelas ligações com o organismo de base do Partido, viva os problemas de todo o nosso povo e seja capaz de tornar nacionalmente conhecida as grandes experiências de luta da classe operária, nas cidades e no campo, e de seu aliado principal, a grande massa camponesa.

Será essa a obra dos correspondentes de células, de fábricas e de fazendas, espalhados por todo o país e sem colaboração dos quais não poderá realmente VIVER o nosso jornal.

Nas vésperas do 4º Congresso de nosso Partido, com estamos, será através das colunas de A CLASSE OPERÁRIA que faremos nos próximos meses a discussão a mais ampla e livre de todos os grandes problemas sobre os quais decidirá o Congresso – a análise crítica e autocrítica da rica experiência de nosso Partido nos longos e difíceis anos decorridos desde o último Congresso virá aumentar a força educativa de nosso jornal.

O Comitê Nacional assume novas responsabilidades ao reencetar a publicação de nosso órgão central mas espera que todos os comunistas, bem como todos os amigos e simpatizantes do Partido saibam ajudá-la e não poupem esforços para fazer de A CLASSE OPERÁRIA o jornal realmente nacional, capaz de dar em cada um de seus números a idéia mais aproximada possível do vigor, da força organizativa, do nível ideológico e político de todo o nosso Partido, uma idéia tão aproximada quanto possível de suas ligações com as grandes massas trabalhadoras, bem como o quadro aproximado das questões e problemas, nacionais ou internacionais, que preocupam os trabalhadores, ou mais de perto interessam ao povo de nossa terra e ao progresso do Brasil.

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Inclusão 09/03/2014