Contra as Privatizações, o Monetarismo e a Economia de Mercado

Jorge Abelardo Ramos

Fevereiro de 1985


Primeira Edição: ....
Fonte e Transcrição: Izquierda Nacional (Argentina).
Tradução para o português: Gabriel Zerbetto Vera
HTML:
Fernando A. S. Araújo, setembro 2007.
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.


A seguir, oferecemos parte da reportagem sobre Jorge Abelardo Ramos feita pela revista Siete Días em fevereiro de 1985. Ao debater com Alvaro Alsogaray(1), Ramos deixa clara a postura da Izquierda Nacional a favor de um nacionalismo econômico e contra o liberalismo e o neoliberalismo que chegaram ao seu apogeu, dez anos depois, sob a presidência de Carlos Menem, com o respaldo da família Alsogaray.

Jornalista: Senhor Ramos, o engenheiro Alsogaray e você são meros adversários políticos ou são inimigos?

Jorge Abelardo Ramos: Alsogaray é, a meu ver, um representante dos interesses das grandes empresas multinacionais, que não são apenas absorvedoras das riquezas do nosso país mas também do mundo inteiro.

Jornalista: Martínez de Hoz(2) era aluno Alsogaray ou eram condiscípulos da mesma escola?

JAR: Eles certamente têm suas “diferenças pessoais”, mas do ponto de vista do povo, eles representaram interesses similares. Nós temos uma imensa legião de “especialistas em finanças que não sabem nada de economia” e que só têm conhecimento das “artes monetárias”. O liberalismo, que começou sendo a 200 anos a expressão dos setores mundanos que queriam abrir à humanidade o caminho do desenvolvimento das forças produtivas, se transformou no liberalismo imperialista que esmaga os povos menores. E que goza do poder mundial ao extremo de ter produzido a bomba atômica.

Jornalista: Alsogaray insiste que “não somos Terceiro Mundo, somos país civilizado”.

JAR: Com isso Alsogaray pretende dizer que os países do Terceiro Mundo são bárbaros. É uma atitude que começa com Sarmiento(3) e que continua em nossa época com o preconceito racial de se considerar os peronistas como negros desprezíveis. Alsogaray acha que eu digo disparates. É lógico. Para os que colocam o dinheiro a juros siderais, qualquer fórmula que sustente que a economia argentina deve se argentinizar e que os bancos e financeiras devem ser estatizados, isso é um disparate.

O que ocorre com os grandes defensores do imperialismo ocidental, como Alsogaray, é que eles têm um critério hostil sobre os países que desenvolvem posturas defensivas contra seu avanço. E a postura defensiva mais elementar frente aos monopólios estrangeiros é o desenvolvimento de empresas do Estado (que muitas vezes funcionam de forma ineficiente). Alsogaray não fala mal da “pátria financeira” porque ele faz parte dela, assim ele defende a orientação que privilegia o papel da moeda com respeito aos recursos produtivos. Algo tem a ver o liberalismo desenfreado com os resultados catastróficos que apregoam Alsogaray e os que objetivam a liberdade absoluta do mercado.

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Notas:

(1) Álvaro Carlos Alsogaray (Esperanza, Santa Fe, 22 de junho de 1913 – Buenos Aires, 1 de abril de 2005): Político e militar argentino, um dos principais promotores do liberalismo econômico na Argentina moderna. (N.T.) (retornar ao texto)

(2) José Alfredo Martínez de Hoz [apelidado de “Joe”] (13 de agosto de 1925 – ): Político, economista, advogado e professor universitário argentino, célebre principalmente por sua nefasta participação como Ministro de Economia do autodenominado Processo de Reorganização Nacional, entre 1976 y 1981. (N.T.) (retornar ao texto)

(3) Domingo Faustino Sarmiento (San Juan, Argentina, 15 de fevereiro de 1811 – Asunción, Paraguai, 11 de setembro de 1888): Político, pedagogo, escritor, estadista e militar argentino; governador da província de San Juan e presidente da República Argentina entre 1868 e 1874. (retornar ao texto)

Inclusão 17/09/2007
Última atualização 14/04/2004