O Caldeirão das Bruxas e Outros Escritos Políticos

Hermínio Sacchetta


Carta Aberta a Todos os Membros do Partido


capa

Só o fato do grupo do Bangu e André ter fugido à discussão política descambando para o terreno dos mais torpes ataques pessoais e das mais repelentes calúnias, força-me a esta explicação pessoal.

E se o faço é para dirigir-me, sobretudo, à base do Partido e, de modo particular, aos bravos militantes de São Paulo — pioneiros da luta contra os que querem atolar nosso Partido no lodaçal do reformismo — que mais de perto me conhecem.

De resto, a Bangu, André e seus lamentáveis satélites, o único recurso que lhes resta é recorrerem, agora, ao mesmo arsenal de calúnias e mentiras de que se servem o inimigo de classe e sua polícia contra o movimento revolucionário. Recurso que demonstra a fraqueza de suas posições, a sua absoluta incapacidade de argumentar no terreno doutrinário- político e, sobretudo, o indiscutível fracasso de suas “teses” oportunistas esmagadas pelos acontecimentos que culminaram com o golpe de estado de 10 de Novembro.

Assim, para salvarem seu “prestígio” pessoal de pretensos dirigentes de nosso Partido, os chefes da fração oportunista desviam a discussão do terreno político e passam à calúnia e a ataques contra a dignidade revolucionária de certos camaradas.

Recapitulemos, ligeiramente, os antecedentes da crise atual.

As teses sustentadas pela região de São Paulo e por mim defendidas, como seu porta-voz, em várias reuniões do Partido, alicerçadas nos mais puros princípios do marxismo-leninismo, chocaram-se, desde começos de 1936, com o oportunismo. Foi quando o nascente banguzismo, após o fracasso da insurreição de Novembro de 35, perdendo a fé no movimento revolucionário, começou a dar as suas primeiras guinadas para a direita. Os números de A Classe Operária de dezembro de 36 e janeiro de 37, publicados por Bangu e André no Nordeste, passam a servir de tribuna às mais monstruosas posições antileninistas, sustentadas particularmente nos artigos “Sim! O PC não deixará de ser PC!” e “As forças motrizes da revolução brasileira”. Esses artigos marcam a passagem de Bangu e André do sectarismo semi-anarquista que antes os caracterizava, para a adoração da burguesia nacional, por eles desde então considerada, em conjunto, como força motriz da revolução brasileira.

A partir desse momento, Bangu e André transformam-se em cavaleiros-andantes da “Paz Social”: “nada de brigas entre a burguesia e o proletariado”; “nada de luta entre patrões e operários”; “nada de greves”; “é preciso unir todos, todos, todos, contra o imperialismo fascista”. Estas passam a ser “suas” palavras de ordem.

Era assim que esses elementos compreendiam a política de frente-única antiimperialista estabelecida pelas teses dos Congressos Mundiais da Internacional Comunista. E, em nome dela, o banguzismo apagava qualquer fronteira, entre as classes, atrelando o proletariado ao carro dos setores burgueses mais reacionários, mais estreitamente ligados ao imperialismo. E em zig-zags violentos, passaram da “guerra de guerrilhas” à adoração da burguesia nacional, pretendendo impingir ao Partido as “teses” surgidas no curso dessas reviravoltas bruscas e descabeladas como sendo teses do VII Congresso da I.C. para o Brasil.

Diante desses visíveis e clamorosos desvios do marxismo-leninismo, dessa passagem clara para o mais vulgar reformismo, todo o C.R. de S.Paulo, a cuja frente então eu me encontrava, levantou-se num repúdio unânime. Após uma série de discussões documentadas por longo e abundante material teórico e estatístico provando que os setores da burguesia que o banguzismo considerava progressistas estavam umbelicalmente ligados ao imperialismo e, assim, por sua posição na economia nacional, eram antiprogressistas e visceralmente contra-revolucionários, o C.R. de São Paulo, por duas vezes, me enviou ao Rio com o objetivo de refutar as falsas teses do banguzismo sobre o papel da burguesia nacional e esmagar no nascedouro o monstro oportunista que já levantava a cabeça.

Data daí o começo das divergências entre a Região de S.Paulo e o nascente banguzismo oportunista.

Quero frisar que, então, frente aos argumentos irrefutáveis do C.R. de que eu era porta-voz, Bangu foi obrigado a reconhecer que nos materiais sobre a questão por ele elaborados, ou feitos sob sua inspiração, “havia formulações imprecisas e confusas”; que de fato “o problema sendo novo para ele (isto é, para Bangu), havia-se exagerado o papel da burguesia nacional, tomando-a em conjunto etc. etc. Invoco, sobre isto, o testemunho de Jurandir.

Já antes, a atuação calamitosa de Bangu no Nordeste, sustentando a tática da “guerra de guerrilhas”, num período de franco declínio da onda revolucionária (princípios de 36) criara sérios obstáculos à unificação das forças democráticas que deviam opor-se à avançada brutal e sangüinolenta do fascismo getulista. Nesse período, o Partido já tinha duas linhas: uma de Bangu, ao Norte, a de guerrilhas, profundamente estratosférica, fora da realidade, delirante, como bem se percebe. Outra do Sul: unificação das forças democráticas pela volta do país ao regime constitucional, pela suspensão do Estado de Guerra, libertação dos presos etc. (A Classe Operária, editada em São Paulo, em fevereiro de 1936), imposta pelas condições políticas reais.

Facilmente se compreende o que significava essa dualidade de linhas. A política de Bangu alimentava, na prática, a fogueira da reação. Sua palavra de ordem de “guerra de guerrilhas”, absolutamente fora da realidade objetiva, contribuía para impelir para os braços de Getúlio a burguesia liberal apavorada com o movimento de Novembro e fornecia ao Tirano, hoje Ditador fascista, os “argumentos” de que necessitava para arrancar do Parlamento medidas que mais tarde seriam os alicerces do atual “Estado Novo”.

Sob o fogo da crítica não só do C.R. de São Paulo como também de outras regiões, é que Bangu realiza seu célebre giro de 180°, passando do sectarismo esquerdista (que é também uma modalidade do oportunismo), para o mais típico direitismo. Da guerra de guerrilhas, Bangu salta para o extremo oposto: passa, nesse momento, a preconizar o apoio das forças de esquerda à candidatura de oposição de Armando de Salles que então se esboçava. Propõe mesmo que se lance um manifesto “chamando as forças democráticas a apoiar essa candidatura”. Isso só não foi feito dada a oposição levantada por mim e pelo camarada Mário. Também sobre essa questão Jurandir pode testemunhar.

Vê-se, pois, qual a estrutura teórica desse pretenso dirigente de nosso Partido político. De resto, a atuação de Bangu na direção do Partido, mesmo antes de 35, sempre se caracterizou por esses violentos zig-zags de um pólo a outro. Ignorante que é do ABC do marxismo, colhido em erro, crê que o certo é justamente o contrário do que acabou de fazer.

Sou forçado a causticar em Bangu todo o oportunismo e, nas minhas referências, focalizá-lo sempre, porque na sombra, é quem está sendo a alma diabólica do grupo fracionista. É esse, outro aspecto da figura de Bangu. Cerca-se de satélites com os quais possa manobrar. Repele todos os que o criticam. Com a vaidade dos medíocres, “oculta sua miopia intelectual com poses de importância”. E envenena toda a vida do Partido com baixas intrigas e luta de grupos, sempre com a preocupação de fazer dos elementos mais fracos o biombo que encobre suas repelentes e traiçoeiras manobras. É esse o mais expressivo rastro que deixa por onde passa.

Ninguém desconhece a posição dos oportunistas no problema sucessório. Apenas quero me referir aqui às manobras feitas para impor ao Partido, contra sua vontade, uma linha falsa.

Na reunião de agosto de 37, chamada pelo banguzismo do “BP Ampliado’’, esse manipanço do reformismo no movimento revolucionário brasileiro, para fazer prevalecer sua tese de apoio incondicional a um dos candidatos lança mão, mais uma vez, das armas de seu arsenal. Na fase preparatória da reunião, percebendo que de outra forma seus pontos de vista seriam derrotados, começa a cabalar nojentamente. Acerca-se dos companheiros que não me conheciam pessoalmente e “adverte-os”, com seu ar jesuítico: “Tomem cuidado com as teses de Paulo e demais membros da Região de S.Paulo. São teses semitrotskistas”. Nessas manobras de Bangu se fundiam de uma só vez sua profunda ignorância e sua absoluta falta de caráter. Esse lamentável pateta ignora a diferença que existe entre marxismo e oportunismo. Nem de leve conhece o que seja trotskismo. Por isso, qualquer crítica às suas posições ultradireitistas, é, para ele, “trotskismo”. Nessa reunião é que, pela primeira vez com evidentes intuitos manobristas, Bangu fala entre bastidores, ao ouvido de alguns camaradas: “Cuidado, Paulo tem posições trotskistas”. Hoje, é o “argumento” central de que se serve o banguzismo não só contra mim, como contra os que mais energicamente se opuseram às suas concepções antileninistas. Nos lábios de Bangu e seus satélites o epíteto “trotskista” vale, em relação a nós, tanto quanto valia o de “comunista” em relação aos democratas, nos lábios do sabujo provocador Adalberto Correia.

Pergunto, agora, a todo o Partido, no que se refere diretamente a mim: onde está o trotskismo em todo o trabalho revolucionário desenvolvido com minha participação? Porventura, quando na direção do Regional de S.Paulo, os CC.RR. que surgiram, em cinco estados, com a participação direta de quadros enviados por nós, sustentaram posições trotskistas? As centenas de milhares de manifestos e folhetos, os vários números de A Classe Operáriapublicados pelo C.R. de S.Paulo e ultimamente pelo “Comitê Central” com minha participação direta em sua elaboração, tiveram uma só linha que rescendesse a trotskismo? Verifiquem os que possam envidar.

Não! O trotskismo de Paulo só surgiu quando a Região de S.Paulo, defendendo as posições estabelecidas nas teses do II, VI e VII Congressos Mundiais da I.C. no que se refere aos países coloniais e semicoloniais, se opôs às teses dos oportunistas de direita, que passaram a exaltar a burguesia nacional, para eles transformada em força motriz essencial da revolução, pretendendo transferir-lhe, ao mesmo tempo, a direção da luta antiimperialista.

O trotskismo de Paulo está no fato de se ter oposto à transformação de nosso Partido em máquina eleitoral de uma das candidaturas. À transformação dos sindicatos proletários em bureaux eleitorais de um dos candidatos. À transformação de nossas células em núcleos eleitorais pró-uma das candidaturas. À diluição total de nosso Partido nas forças políticas feudal-burguesas empenhadas no pleito sucessório. A que fossem abandonadas nossas posições de vanguarda do proletariado, para passarmos a ser miseráveis galopins eleitorais dos PRPs e demais partidos. O trotskismo de Paulo está no fato de, juntamente com outros companheiros, no chamado “BP Ampliado de agosto de 37”, ter denunciado a eminência de um golpe fascista e ter preconizado, como única forma de impedi-lo, não o reboquismo eleitoreiro e sim a unificação de todas as forças democráticas.

Aberta a crise em nosso Partido, acelerada a diferenciação entre a ala revolucionária e o banguzismo oportunista, era necessário que surgissem, pois, para esta, os “paus mandados” que com “declarações” escritas viessem endossar as calúnias até este momento timidamente levantadas nos bastidores. O grupo fracionista faz então circular a “declaração” de Camargo que, seja dito de passagem para sua própria vergonha, na fase mais acesa da luta para o esmagamento dos agentes do reformismo em nossas fileiras, tomou o partido dos elementos da Região de São Paulo, conforme atestam as cartas publicadas pelo Comitê Central Provisório.

Analisemos agora o que diz Camargo, o novo Camargo convertido ao banguzismo.

Num mistifório que se prolonga por dezenas de páginas, em que repontam ora o espectro de Jurandir (Alberto), ora de R., ora o de qualquer outro valete do oportunismo — menos o de Camargo, que se limitou, como é evidente, apenas a assiná-lo — só se encontram calúnias, ataques pessoais e os já conhecidos métodos da velhacaria e da desonestidade política. Isto é, os já conhecidos produtos da engenhoca banguzista que há três meses repisa os mesmos sovadíssimos estribilhos: “trotskistas”, “contra-revolucionários” etc.

Dificilmente alguém se deixará iludir pelo punhado de incoerências que esses desprezíveis caluniadores procuram impingir como “argumento”. Só lhes damos atenção para pôr à mostra, frente a toda a base do Partido, a falta de escrúpulos e a torpeza moral dos chefes da fração banguzista.

Comecemos: nas primeiras páginas da moxinifada, Paulo só “tem tendências trotskistas.” Depois é “trotskóide”. Em seguida é “trotskizante”. Só no final é que, segundo Camargo, sopra-lhe ao ouvido que “está descontente com a orientação da I.C. e que romperá com ela...” Onde? Calculem e pasmem os companheiros! Não no Brasil, mas... em Paris, para não ser fuzilado... em Moscou! Quanta imbecilidade! Como chamar a este mistifório, a toda esta salada? Camargada ou calinada?

Pobre e lamentável Camargo! Na ânsia de servir a seus patrões banguzistas nem mais repara no que estes lhe mandam assinar. E assina tolices desse naipe.

De tudo que, através de Camargo, a fração oportunista me atribui, só uma coisa é verdade. Afirmei a essa sombra de revolucionário — pois de outra coisa não pode ser chamado hoje esse desprezível pau-mandado da burocracia oportunista — que o banguzismo, inevitavelmente, evoluiria para formas fracionistas abertas contra todo o Partido e que a vaidade e a miopia de seu sumo pontífice — Bangu, incapaz de reconhecer os próprios erros — levá-lo-iam, inclusive, a dividir o Partido para esconder o fracasso de suas falsas concepções e para lançar sobre os outros, como de costume, a responsabilidade da derrota a que conduzia o movimento revolucionário brasileiro. A isso se reduz a “teoria” (?!) da inelutabilidade duma cisão no PCB, defendida por mim, segundo Camargo. A constatação marxista que então eu fazia, denunciando os gérmens do fracionismo banguzista alimentados por sua linha social-democrata, foi por Camargo interpretada como se fosse eu quem pretendesse cindir o Partido.

Agora, Camargo apresenta em forma de teste uma série de perguntas que, respondidas por mim, mostrarão, segundo ele, se sou ou não trotskista. Não apresenta um só material, uma só formulação de meus escritos, uma só ação prática revolucionária por mim dirigida, que possam ser acoimados de trotskismo.

Para o mediocríssimo Camargo “só existe agora um método de investigação”: dirigirem-me perguntas, saber se Paulo atenderá a qualquer chamado do Comitê Executivo da I.C.”, “saber se a política de Frente Popular da França e da Espanha corresponde realmente aos interesses do proletariado nesses países” etc., “de que reconhece na I.C. e no seu Comitê Executivo o único Estado Maior da Revolução Mundial” etc.

Na ausência, como vimos, do mínimo elemento onde apoiasse suas calúnias, não restou a Camargo senão exigir de Paulo uma jura burocrática de fidelidade à I.C., quando a fidelidade à I.C., a seus princípios, a seus Estatutos se demonstra, não na base de juramentos burocráticos (como Camargo acaba de fazer ao banguzismo oportunista) mas, pela realização viva de sua linha, pela aplicação das teses de seus Congressos, contra todas as deformações banguzistas como agora estamos fazendo nós.

Sobre a questão da Frente Popular na França e na Espanha, nossa ação prática, neste momento, responde melhor do que qualquer juramento “a Camargo”. Senão, vejamos: qual a linha que, sob a direção do C.C. Provisório, defendo, neste momento, para o Brasil? Precisamente a linha do VII Congresso para os países semicoloniais e, particularmente, para os que estão sob a dominação de um governo de tipo fascista — Frente de Ação Comum de Todas as Forças Democráticas na Luta Contra o Fascismo. Não é isso que, de acordo com as condições próprias da França e da Espanha, lá também se faz?

Qual a linha da fração oportunista, da qual Camargo se tornou um títere, um mesquinho instrumento? Levar a Massa Para Getúlio! “Levar a massa a se convencer por sua própria experiência”, isto é, fazer a massa cursara escola do fascismo para que, assim, se convença de que Getúlio não cumprirá o que promete. Toda a experiência internacional de luta contra o fascismo, tudo o que se sabe sobre a técnica do golpe fascista, todas as resoluções do VII Congresso são, assim, espezinhados pelo banguzismo oportunista. Os resultados de uma tal posição, todos nós sabemos quais possam ser: semeando perigosíssimas ilusões sobre o caráter real da ditadura getulista, o oportunismo dará a esta, possibilidades e tempo de conquistar-se a base de massas de que necessita para consolidar-se.

Quem, portanto, duvida da justeza da política da frente única antifascista? Nós, que lutamos por aplicá-la ou o banguzismo que a escamoteia e deforma, negando-a na prática?

Às juras de fidelidade burocrática que Camargo exige de mim, respondo, não com palavras mas com FATOS: com meu passado de realizações concretas pela Revolução e com minha posição atual no terreno da ação política prática de absoluta fidelidade ao que foi estabelecido no VII Congresso da I.C.

A fidelidade a uma linha não se demonstra com declarações subservientes que os chefes da Revolução Mundial não exigem de ninguém. Demonstra-se no terreno da ação concreta. Só os Camargos podem pensar que a I.C. reconhece como defensores da sua linha aqueles que, negando-a na prática, vivem batendo no peito e, com lágrimas nos olhos, fazendo votos de submissão. A Revolução e a I.C. prescindem dessa gente.

Quem leu a “declaração de Camargo”, acusando-me de trotskista e suas declarações anteriores, pode perceber até onde desceu a personalidade nesse sub-homem, transformado hoje em capacho daqueles que, em breve, pelos seus criminosos erros, irão para o pelourinho da História. Que os lamentáveis “paus mandados” do banguzismo oportunista, os Camargos & Cia., continuem, se quiserem, a sua miserável obra de calúnia contra os que se opõem da transformação de nosso Partido numa secção da II Internacional. Se se sentem bem na lama, se estão dispostos a chafurdar no pântano menchevique, que chafurdem e passem muito bem... Nós queremos continuar, com todo ardor, nossa jornada; queremos, à frente de todo o Povo, sob a bandeira do marxismo-leninismo, lutar contra o fascismo e não nos adaptar a ele. Queremos levar o proletariado do Brasil não a novas derrotas, mas à luta pela Democracia e pela libertação nacional, único caminho capaz de conduzi-lo à sociedade sem classes, à sua emancipação total.

Esta a resposta que dou às calúnias de Camargo e consortes. Se uma nova referência eu vier a fazer futuramente ao ex-revolucionário Camargo, será sob a seguinte epígrafe: “DUAS ATITUDES DE UM DESPREZÍVEL PAU-MANDADO DO BANGUZISMO”.

A luta que nosso Partido conduz, neste momento, contra o oportunismo direitista não é uma luta de Paulo e Luiz contra Bangu e André, por postos de direção, como estes e seus satélites querem fazer crer. Que continuem a nos acoimar de “trotskistas”. Os frutos concretos de nossa atuação repelem todas as calúnias. A linha que defendemos, a linha do C.C. Provisório, já foi entusiasticamente sancionada por tudo o que há de são e honesto nas nossas fileiras. É a linha de várias regiões de nosso Partido; é a linha da quase totalidade de nossa base. E NOSSAS POSIÇÕES SÃO NOSSAS APENAS POR TERMOS SIDO SEU VEÍCULO OCASIONAL NO ORGANISMO DE DIREÇÃO, CRIADO EM MAIO DE 37, EM QUE PARTICIPAVAM TAMBÉM BANGU E ANDRÉ. Meros porta-vozes da Região de S.Paulo — Região que levantou o Partido em quase todo o país depois de Novembro de 35 — nada mais fizemos senão sustentar as verdadeiras posições do VII Congresso da I.C. deturpadas pelo repelente banguzismo menchevique. A luta atual é a luta entre o marxismo e o oportunismo. A luta entre os que querem aplicar os ensinamentos do leninismo, da I.C., ao Brasil e os que querem reviver entre nós o kautskismo, todo o oportunismo colaboracionista da II Internacional.

Que cada camarada meça, nesta hora, sua responsabilidade. Que não se deixe abalar pelas torpezas dos burocratas oportunistas. Que não claudiquem assustados ou enojados pela enxurrada de lama fétida vomitada pelo banguzismo contra os que empunham a bandeira do leninismo. O marxismo não se destrói com calúnias. A História nos julgará. São duas posições: a nossa, firmada em vários folhetos, na base dos princípios de Marx, Engels, Lenin e Stalin, nas teses da I.C.. E a de Bangu, André, Alberto e consortes, em que se apóia? Quais seus fundamentos teóricos? Para eles, o que Lenin escreveu sobre o papel do proletariado na Revolução democrático-burguesa, em “Duas Táticas”, “não se aplica ao Brasil”... Para eles, as teses contidas nos dois discursos de Stalin pronunciados na Universidade Comunista dos Povos do Oriente sobre o papel da burguesia na Revolução Nacional-Libertadora, (Questões do Leninismo, Tomo I), “não se aplicam ao Brasil”... Os trechos dos discursos em que Dimitroffe Van Min, no VII Congresso da I.C. se referem ao Brasil, também, para eles, “foram fruto de informes falsos e baluartes” e, por isso... “não se aplicam ao Brasil”... Em síntese: para Bangu, André, Alberto & Cia. o marxismo-leninismo não se aplica ao Brasil. O que, então, se aplica ao Brasil? Surgiu uma nova “doutrina”, nova pelo novo rótulo mas velha pelo conteúdo que é o mesmo de todo o charco colaboracionista e oportunista: o banguzismo, isto é, a adaptação passiva ao fascismo, o reboquismo em toda ação política prática e, no terreno “teórico”, a negação de tudo o que os mestres do socialismo científico escreveram até aqui. É ISSO QUE DEFENDEM!

Desafiamos Bangu e André a que respondam às nossas teses teóricas, às teses da I.C. com argumentos teóricos em lugar de papeluchos imundos contendo só ataques pessoais em que vomitam a babugem repelente e venenosa de seu ódio de fracassados, esmagados pelos últimos acontecimentos. Desafiamos os mencheviques a defenderem suas posições, apoiados nos escritos de Marx, Lenin e Stalin. Mas sabemos, que tal é impossível. O banguzismo não argumenta. Não discute politicamente. CALUNIA APENAS. Está, por isso mesmo, voltado fatalmente à destruição. O banguzismo e seus corifeus terão o triste destino de todos os renegados da Revolução. O desenvolvimento da presente situação muito breve os triturará!

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Tudo o que, aqui, ficou dito sustentarei pessoalmente, apoiado em abundante documentação, numa Conferência Nacional que verdadeiramente represente o Partido, que seja convocada sem manobras escusas e composta por autênticos representantes de cada Comitê Regional. Recusei-me e recuso-me a compactuar com as traições do banguzismo oportunista à causa do proletariado e nos princípios da I.C. Recusei-me e recuso-me a discutir com seus representantes em bastidores. Quero para juiz toda a massa de nosso Partido. Discutirei — isso sim — perante todo o Partido, numa Conferência Nacional.

Com uma cordial saudação a todos os camaradas (a.) Paulo
(Leonidas).
Rio, Janeiro de 38.

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Inclusão 21/04/2014