Discurso Pronunciado na Qualidade de Presidente do Conselho de Comissários do Povo da URSS e Presidente do Comitê de Defesa Nacional

J. V. Stálin

3 de Junho de 1941


Primeira Edição:....
Fonte: Stalin, de Emil Ludwig, Editorial Calvino Ltda. 1943, Rio de Janeiro.
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo
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Camaradas! Cidadãos! Irmãos e irmãs! Homens de nosso Exército e de nossa Marinha!

Dirijo-me a todos vós, amigos!

O pérfido ataque levado a efeito contra nossa Pátria pela Alemanha de Hitler, ainda continua. Apesar da heróica resistência do Exército Vermelho, e não obstante as melhores unidades aéreas do inimigo e as suas melhores divisões haverem sido aniquiladas, encontrando o seu túmulo no campo de batalha, o inimigo continua avançando e remetendo novas forças para a frente. Assim é que essas tropas já conseguiram ocupar a Lituânia, uma parte considerável da Letônia, a parte ocidental da Bielorússia e uma parte da Ucrânia ocidental. A aviação fascista estendeu o raio de operação de seus aviões e bombardeou Murmansk, Orsha, Mogilev, Smolensk, Kiev, Odessa, Sebastopol. Um grave perigo ameaça nosso país.

Como pôde acontecer que nosso glorioso Exército Vermelho tenha abandonado, entregando-as aos exércitos fascistas, varias de nossas cidades e distritos? Será realmente certo que as tropas fascistas alemães são invencíveis, conforme é proclamado pelos vaidosos propagandistas do nazismo? Claro que não! A história demonstra que não há exércitos invencíveis, nem os houve jamais. O exército de Napoleão era considerado invencível, mas foi sucessivamente derrotado pelos exércitos russo, inglês e alemão. O exército alemão do Kaiser Guilherme II, também era considerado invencível na época da primeira guerra imperialista, mas foi vencido varias vezes pelas forças russas e anglo-francesas, sendo finalmente aniquilado por estas últimas. O mesmo se pode dizer do atual exército germano-fascista de Hitler. Este exército não encontrou ainda uma resistência séria no continente europeu; somente em nosso território começa a encontrar essa resistência. E, em consequência da mesma, as melhores divisões do exército nazista foram derrotadas por nosso Exército Vermelho, o que significa que poderá e será aniquilado, como o foram os exércitos de Napoleão e de Guilherme II.

No que se refere à parte de nosso território que, apesar de tudo, foi invadido pelas tropas fascistas alemãs, isso é devido, principalmente, ao fato de que a guerra da Alemanha fascista contra a URSS iniciou-se em condições favoráveis às forças alemãs e desfavoráveis às forças soviéticas. A verdade é que essas tropas alemãs estavam já inteiramente mobilizadas. As 170 divisões nazistas lançadas contra a URSS e que transpuseram as fronteiras soviéticas estavam já completamente prontas, esperando somente o sinal para entrar em ação, enquanto que as tropas soviéticas tiveram ainda que ser mobilizadas e dirigir-se para as fronteiras.

É de grande importância, a esse respeito, o fato de que a Alemanha fascista violou repentina e perfidamente o pacto de não-agressão concluído em 1939 com a URSS, sem ter levado em conta as suas consequências, uma vez que seria considerada como país agressor pelo mundo inteiro. É natural que nosso país, amante da paz, não desejava tomar a iniciativa de romper o pacto; não podia recorrer à perfídia. Mas poder-se-ia perguntar: como pôde o governo soviético concluir um pacto de não-agressão com demônios traidores tais como Hitler e Ribbentrop? Não teria sido um erro do governo soviético? É evidente que não foi. Os pactos de não-agressão, são pactos de paz entre os Estados. Tal foi o pacto que a Alemanha nos propôs em 1939. Poderia o governo soviético repelir tal proposta? Creio que nenhum Estado amante da paz poderia deixar de aceitar um tratado de paz com um Estado vizinho, mesmo quando à frente deste último se encontrassem monstros e canibais como Hitler e Ribbentrop. Mas, como era natural, isso apenas podia ser feito sob uma condição indispensável: esse tratado de paz não devia atentar nem direta, nem indiretamente, contra a integridade territorial, a independência e a honra do Estado amante da paz. Como todos o sabem, o pacto entre a Alemanha e a URSS era um pacto precisamente nessas condições. Que foi que ganhamos com a conclusão desse pacto de não-agressão com a Alemanha? Asseguramos a paz em nosso país durante um ano e meio; e tivemos a oportunidade de preparar nossas tropas para fazer frente à Alemanha fascista, caso a mesma se atrevesse a atacar nosso país, apesar do pacto. Este foi, pois, uma vantagem para nós e uma desvantagem para a Alemanha. E que perdeu a Alemanha fascista, praticando a suprema felonia de romper o pacto e atacando a URSS? É certo que ganhou algumas posições vantajosas para suas tropas, por um curto período, mas perdeu no terreno político, desmascarando-se aos olhos do mundo como um agressor despudorado. Não pode haver dúvida nenhuma de que essa vantagem militar de curta duração constitui, para a Alemanha, apenas um episódio, enquanto é um fator duradouro sobre cuja base terão apoio os êxitos militares decisivos do Exército Vermelho, na sua luta contra a Alemanha fascista.

Eis aí porque todo o nosso valente Exército Vermelho, toda a nossa valente Marinha, todas as nossas águias do ar, todos os povos de nosso país, todos os melhores homens e mulheres da Europa, América e Ásia e, finalmente, os melhores homens e mulheres da Alemanha, condenam as pérfidas ações dos fascistas alemães e simpatizam com o governo soviético, achando que nossa causa é justa, que o inimigo será derrotado, que nós devemos vencer.

Ao iniciar-se esta guerra, que nos foi imposta, nosso país entrou em luta de vida ou de morte com seu mais feroz e pérfido inimigo: o fascismo alemão. Nossas tropas estão lutando heroicamente contra um inimigo armado até os dentes com tanques e aviões. O Exército Vermelho, vencendo inúmeras dificuldades, disputa abnegadamente cada polegada de solo soviético. As forças principais do Exército Vermelho entraram em ação providas de milhares de tanques e aviões. Nossos soldados estão demonstrando um valor inaudito. Nossa resistência ao inimigo está crescendo em força e poderio.

Todo o povo soviético se levanta, ombro a ombro, com o Exército Vermelho, em defesa de nossa terra natal. Que nos falta para afastar o perigo que ameaça nosso país e que medidas devemos tomar para aniquilar o inimigo? Antes de tudo, é necessário que o povo soviético compreenda toda a gravidade desse perigo e abandone toda a complacência, toda a despreocupação, todos esses estados espirituais da época da construção pacífica e que eram naturais antes da guerra, mas que são funestos hoje, quando a guerra tudo transformou fundamentalmente. O inimigo é cruel e implacável. Propõe-se apoderar-se de nossas terras, regadas com o nosso suor, deseja apoderar-se de nosso trigo, de nosso petróleo, de todo o fruto de nosso trabalho. Tenciona restaurar o poder dos grandes latifúndios, restaurar o tzarismo, destruir a cultura nacional e a existência dos Estados nacionais dos russos, ucranianos, bielorrussos, lituanos, letões, estonianos, tártaros, uzbekos, moldavios, georgianos, armênios e outros povos da União Soviética, para germanizá-los e convertê-los em escravos dos príncipes e barões alemães. É, portanto, uma questão de vida e de morte para o Estado soviético e para os povos da URSS, a questão de saber se poderão ser livres ou deverão ser escravizados.

O povo soviético deve compreender tudo isso e abandonar toda a despreocupação; deve mobilizar-se e reorganizar todo o seu trabalho, colocando-se em pé de guerra, não dando quartel ao inimigo. Alem disso, não deve haver lugar em nossas fileiras para os queixosos e cobardes, para os semeadores de pânico e desertores; nosso povo não deve temer a luta, tomando parte ativa em nossa guerra patriótica contra os opressores fascistas. O grande Lenine, que fundou nosso Estado, costumava dizer que a virtude principal de nosso povo deve ser a sua coragem, o seu valor, a sua audácia na luta. Essa esplêndida virtude bolchevista deve converter-se na virtude de milhões e milhões de combatentes do Exército e da Marinha Vermelhos, de todos os povos da União Soviética.

Todo o nosso trabalho deve ser rapidamente reorganizado em pé de guerra, tudo ficando subordinado aos interesses da frente de batalha e à tarefa de conseguir o aniquilamento do inimigo.

Os povos da União Soviética estão vendo agora que não se atenuou a fúria selvagem do fascismo alemão e seu ódio a nosso país, que assegurou a todos os trabalhadores a liberdade, o trabalho e a prosperidade. Os povos da União Soviética devem erguer-se contra o inimigo, na defesa de sua terra e de seus direitos. O Exército Vermelho, a Marinha Vermelha e todos os cidadãos da União Soviética devem defender, até a última gota de seu sangue, cada polegada do solo soviético, devem lutar até o limite de suas energias por nossas cidades e aldeias; devem desenvolver sua iniciativa e inteligência, que são qualidades características do nosso povo. Devemos organizar, por toda a parte, a ajuda ao Exército Vermelho; intensificar os esforços para engrossar suas fileiras e assegurar o seu reabastecimento em tudo quanto lhe seja necessário; organizar o transporte rápido de tropas, víveres e munições, bem como dar a mais ampla ajuda aos feridos.

Devemos reforçar a retaguarda do Exército Vermelho, subordinando todo nosso trabalho a esse objetivo; todas as nossas fábricas devem ser postas em funcionamento com grande intensidade para produzir mais fuzis, metralhadoras, canhões, cartuchos, obuses, aviões; devemos organizar a proteção das fábricas, centrais elétricas, comunicações telegráficas e telefônicas, assegurando uma eficaz proteção aérea a todas as localidades. Devemos desencadear uma luta implacável contra todos os desorganizadores da retaguarda: desertores, semeadores de pânico, difundidores de notícias falsas; aniquilar os espiões, sabotadores, pára-quedistas inimigos, prestando uma rápida ajuda, para tudo isso, a nossos batalhões de caça.

Devemos ter presente que o inimigo é pérfido, sem escrúpulos e experimentado em matéria de mistificação e difusão de boatos. Devemos ter presente tudo isso, não nos deixando arrastar pela provocação. Devemos levar aos tribunais militares, imediatamente, sem contemplações pessoais, a todos aqueles que, pelo seu espírito cobarde e desmoralizador, criarem obstáculos às tarefas da defesa. Em caso de retirada das unidades do exército, todo o material ferroviário deve ser transportado, não se deixando uma só locomotiva, um só vagão, um único grão de trigo, nem um litro de combustível.

Os colcosianos devem conduzir todo o seu gado e entregar os cereais aos organismos do Estado para que sejam transportados à retaguarda. Todos os bens de valor, incluindo os metais não ferrosos, cereais e petróleo, que não possam ser transportados, devem ser destruídos. É necessário organizar, nas regiões ocupadas pelo inimigo, destacamentos de guerrilheiros, a pé e a cavalo; criar grupos de sabotagem, encarregados de lutar contra as tropas inimigas, desencadear a luta de guerrilhas por toda a parte, fazendo saltar as pontes, obstruindo as estradas, destruindo as linhas de telégrafo e telefone, incendiando os bosques, os depósitos e os transportes.

É necessário criar, nas zonas ocupadas, condições insuportáveis para o inimigo e todos os seus cúmplices. Estes devem ser perseguidos e aniquilados, fazendo-se fracassar todas às suas medidas. Esta guerra contra a Alemanha fascista não pode ser considerada como uma guerra ordinária. Porque não é apenas uma guerra entre dois exércitos. É a grande guerra de todo o povo soviético contra as forças fascistas alemães. O objetivo desta guerra do povo em defesa de nosso país contra os opressores fascistas, não visa apenas a eliminação do perigo que ameaça nosso país, mas tem por fim também ajudar todos os povos da Europa que gemem sob o jugo do fascismo alemão.

Nesta guerra de libertação, não estaremos sós. Nesta grande guerra, teremos como aliados leais, todos os povos da Europa e da América, inclusive o povo escravizado pelo despotismo hitlerista. Nossa guerra pela liberdade de nosso país se fundirá, com as lutas dos povos da Europa e da América pelas suas liberdades democráticas e pela sua independência. Esta será a frente unida dos povos partidários da liberdade contra a escravidão e a ameaça de serem escravizados pelos exércitos fascistas de Hitler.

Sob esse aspecto, o discurso histórico do primeiro-ministro britânico, Churchill, em que hipoteca o seu apoio à União Soviética e a declaração do governo dos Estados Unidos, em que este se mostra disposto a conceder ajuda a nosso país, não podem deixar de suscitar sentimentos de gratidão no coração dos povos da União Soviética e são perfeitamente compreensíveis e sintomáticos.

Camaradas!

Nossas forças são incalculáveis. O presunçoso inimigo dentro em breve se convencerá dessa verdade. Ombro a ombro com o Exército Vermelho, milhares de trabalhadores, colcosianos e intelectuais, levantar-se-ão para lutar contra o inimigo agressor.

A massa de nosso povo se levanta aos milhões. Os trabalhadores de Moscou e de Leningrado começaram já a organizar vastas milícias populares para ajudar ao Exército Vermelho. Tais milícias populares devem ser constituídas em cada cidade onde haja o perigo de invasão; todo o povo trabalhador deve erguer-se em defesa de nossa liberdade, de nossa honra, de nosso país, em nossa guerra patriótica contra o fascismo alemão.

Afim de assegurar a rápida mobilização de todas as forças dos povos da URSS e para repelir o inimigo que, traiçoeiramente, atacou nosso país, foi constituído o Comitê de Defesa do Estado, que concentra em suas mãos todos os poderes estaduais. Esse Comitê já entrou em função, e conclama todo o nosso povo a agrupar-se em torno do Partido de Lenine e em torno do governo soviético, afim de apoiar com abnegação o Exército e a Marinha Vermelhos, esmagar o inimigo e conquistar a Vitória.

Todas as nossas forças em apoio do Exército Vermelho e de nossa gloriosa Marinha Vermelha!

Todas as forças do povo para esmagar o inimigo!

Avante, para a nossa Vitória!

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Inclusão 03/06/2011