Discurso na Sessão de Encerramento do XIX Congresso do PCUS(1*)

J. V. Stálin

14 de Outubro de 1952


Primeira Edição: Discurso, pronunciado a 14 de outubro de 1952 e reproduzido, de forma editada, na edição do jornal Pravda do dia seguinte. Publicado também no tomo 16 das Sotchinénia (Obras) de Stálin, edição da Pissátel (Moscou), 1997, pp. 227-9, e está reproduzido nesta página. Título original: “Retch na XIX (deviatnádtsatom) siezde KPSS”.(2*).
Fonte: Materialismo – Filosofia.
Traduzido do russo por: Erick Fishuk
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Fernando A. S. Araújo


Camaradas!

  Vídeo deste discurso
 

Em nome de nosso congresso, permitam-me agradecer, pelos amistosos cumprimentos,(3*) pelos votos de sucesso e pela confiança, a todas as agremiações e partidos irmãos que enviaram moções de saudação ou cujos representantes honraram-no com sua presença.

Para nós, é especialmente valiosa essa confiança, indicativa do empenho em apoiar nosso partido nas lutas por um futuro radiante para os povos, contra a guerra e pela manutenção da paz.

Seria um erro pensar que nosso partido, tendo adquirido enorme força, não mais precisasse de apoio. Isso é falso. Nosso partido e nosso país sempre precisaram e precisarão da confiança, da simpatia e do apoio dos povos irmãos estrangeiros.

A peculiaridade desse apoio consiste em que cada partido irmão, ao apoiar as aspirações pacifistas de nosso partido, demonstra também estar apoiando a luta de seu próprio povo pela manutenção da paz. Em 1918-1919, durante a agressão armada da burguesia inglesa à União Soviética,(4*) o operariado inglês, ao organizar a luta contra a guerra sob o slogan “Tirem as mãos da Rússia”, apoiou, antes de tudo, a luta de seu povo pela paz, e só depois a União Soviética. O camarada Thorez ou o camarada Togliatti,(5*) ao declararem que seus povos não guerrearão contra os povos da União Soviética,(6*) estão apoiando, antes de tudo, os operários e camponeses da França e da Itália que lutam pela paz, e só depois as aspirações pacifistas soviéticas. A peculiaridade desse apoio mútuo explica-se pelo fato de os interesses de nosso partido não contradizerem, mas, pelo contrário, confundirem-se com os dos povos amantes da paz. No que concerne, pois, à União Soviética, seus interesses são totalmente inseparáveis da causa da paz mundial.

Naturalmente, nosso partido não pode permanecer em dívida com os partidos irmãos e deve também, por sua vez, apoiar a eles e a seus respectivos povos na luta por sua libertação e pela manutenção da paz. Como se sabe, é assim mesmo que ele procede. Após nosso partido ter conquistado o poder em 1917 e ter tomado medidas efetivas para liquidar o jugo capitalista e latifundiário, os representantes dos partidos irmãos, admirados pela bravura e pelos êxitos de nosso partido, conferiram-lhe o título de “Brigada de Choque” do movimento revolucionário e operário mundial. Com isso, eles manifestaram a expectativa de que os êxitos dessa “Brigada de Choque” aliviassem a situação dos povos afligidos pelo jugo do capitalismo. Penso que nosso partido correspondeu a essas expectativas, sobretudo durante a Segunda Guerra Mundial, quando a União Soviética, destroçando a tirania fascista alemã e japonesa, libertou os povos da Europa e da Ásia do perigo da escravidão fascista.

Obviamente, era muito difícil desempenhar essa honrosa função enquanto havia uma única “Brigada de Choque”, obrigada a exercer seu vanguardismo quase na solidão. Mas isso é passado. Hoje a situação é completamente outra: tendo surgido, da China e da Coreia até a Tchecoslováquia e a Hungria, novas “brigadas de choque” na forma de países democrático-populares, a luta tornou-se mais fácil para nosso partido, e até mesmo o trabalho seguiu mais alegre.

Merecem atenção especial os partidos comunistas, democráticos ou operário-camponeses que ainda não chegaram ao poder e continuam atuando sob o tacão das leis draconianas burguesas. Obviamente, para eles é mais difícil atuar(7*). Entretanto, não é tão difícil quanto era para nós, comunistas russos, nos tempos do tsarismo, quando os mínimos progressos eram fortemente criminalizados. Todavia, os comunistas russos resistiram, não temeram as dificuldades e alcançaram a vitória. A mesma coisa ocorrerá a esses partidos.

Por que, em todo caso, para esses partidos não será tão difícil atuar, em comparação com os comunistas russos do período tsarista?

Em primeiro lugar, porque eles têm diante dos olhos os exemplos da luta e dos êxitos da União Soviética e dos países democrático-populares. Eles podem, portanto, aprender com os erros e acertos desses países e, assim, facilitar sua atuação.

Em segundo lugar, porque a própria burguesia, principal inimiga do movimento emancipador, mudou drasticamente, tornou-se mais reacionária, perdeu seus vínculos com o povo e, assim, enfraqueceu-se. Naturalmente, essa situação também deve facilitar a atuação dos partidos revolucionários e democráticos.

Antes, a burguesia permitia-se posar de liberal, defendia as liberdades democrático-burguesas e, assim, angariava popularidade junto às massas. Hoje não resta um vestígio sequer desse liberalismo. Não existem mais as assim chamadas “liberdades individuais”: os direitos individuais só são reconhecidos aos donos do capital, e os demais cidadãos são considerados matéria humana bruta, útil apenas para ser explorada. O princípio da igualdade de direitos entre as pessoas e as nações foi pisoteado e substituído pelo princípio da plenitude de direitos a uma minoria de exploradores e de sua ausência à maioria explorada dos cidadãos. A bandeira das liberdades democráticas burguesas foi jogada fora. Penso que cabe a vocês, representantes dos partidos comunistas e democráticos, recolhê-la e conduzi-la adiante, se vocês querem atrair para si a maioria do povo. Não há mais ninguém que possa fazê-lo.

Antes, a burguesia julgava-se líder das nações, cujos direitos e independência defendia e colocava “acima de tudo”. Hoje não resta um vestígio sequer desse “princípio nacional”: a burguesia vende por dólares os direitos e a independência das nações. A bandeira da independência e da soberania nacionais foi jogada fora. Não há dúvida de que cabe a vocês, representantes dos partidos comunistas e democráticos, recolhê-la e conduzi-la adiante, se vocês querem figurar como os patriotas de seus países e tornar-se a força dirigente das nações. Não há mais ninguém que possa fazê-lo.

É assim que a situação apresenta-se atualmente.

Naturalmente, todas essas circunstâncias devem facilitar a atuação dos partidos comunistas e democráticos que ainda não chegaram ao poder.

Há, portanto, todos os motivos para contar-se com o êxito e a vitória dos partidos irmãos nos países dominados pelo capital.

Vivam nossos partidos irmãos!

Saúde e vida longa a seus líderes!

Viva a paz entre os povos!

Abaixo os incendiários de guerra!

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Notas do tradutor (Erick Fishuk):

(1*) Nesta alocução, Stálin reafirma a mais recente orientação do movimento comunista internacional pró-soviético de liderar os movimentos que lutavam pela paz mundial e de defender as chamadas “liberdades democrático-burguesas”, as quais, segundo aí se afirma, estariam sendo esmagadas pela própria burguesia para manter sua dominação de classe.
Essa linha relativamente moderada é resultado direto da política de distensão mundial (também chamada de détente) protagonizada pelos EUA e pela URSS durante a segunda metade da década de 1950 e durante boa parte dos anos 1960, a qual tinha por objetivo estratégico uma convivência minimamente pacífica entre as duas superpotências da época para prevenir um confronto militar direto, cujo resultado poderia ser catastrófico para a humanidade, dado o enorme poder de destruição do arsenal bélico dos dois lados.
O momento também era de otimismo para o comunismo mundial, o que fica bem assinalado no documento, pois estava ocorrendo o primeiro congresso do PCUS após a Segunda Guerra Mundial e após a constituição inédita de um “bloco” mundial de países socialistas, reavivando-se, assim, a esperança de que o socialismo pudesse triunfar na maior parte do planeta, tanto nos países industrializados quanto nas novas nações que acabavam de sair do domínio colonial europeu. (retornar ao texto)

(2*) “KPSS” é a sigla russa de “Kommunistítcheskaia pártia Sovétskogo Soiuza”, o Partido Comunista da União Soviética (PCUS), que assim passava a chamar-se justamente neste congresso. (retornar ao texto)

(3*) “Pelos amistosos cumprimentos”: no original em russo, “za drújeskie privétstvia”. No discurso, Stálin profere “za brátskie privétstvia” (“pelos fraternais cumprimentos”). (retornar ao texto)

(4*) Referência à Guerra Civil Russa que, de modo geral, durou de 1918 a 1921, quando exércitos nacionais e estrangeiros buscaram derrubar o poder bolchevique instalado em 1917. (retornar ao texto)

(5*) Maurice Thorez e Palmiro Togliatti, então secretários-gerais, respectivamente, do Partido Comunista Francês (PCF) e do Partido Comunista Italiano (PCI). (retornar ao texto)

(6*) “Contra os povos da União Soviética”: no original em russo, “prótiv naródov Sovétskogo Soiuza”. No discurso, Stálin profere “prótiv sovétskikh naródov” (“contra os povos soviéticos”). (retornar ao texto)

(7*) “Atuar”: no original em russo, “rabótat”. No discurso, Stálin profere “borot” (“triunfar, vencer”). (retornar ao texto)

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Inclusão 23/04/2012
Última alteração 21/02/2014