Os Feudalistas Democráticos e a Independência da Ucrânia

Leon Trotsky

5 de Agosto de 1939


Primeira edição: Socialist Appeal, 31 de outubro de 1939.
Fonte:
http://marxists.org/catala/trotsky/1939/08/feudemo.htm.
Tradução: do catalão por Carlos Serrano Ferreira
HTML:
Fernando A. S. Araújo.
Direitos de Reprodução: Licença Creative Commons licenciado sob uma Licença Creative Commons.

O periódico de Kerenski, Novaia Rosia, de 12 de julho de 1939, submeteu a “crítica” o meu artigo sobre a independência da Ucrânia. Desde um ponto de vista socialista, científico, literário, etc., Novaia Rosia, é claro, não oferece nenhum interesse. Porém tem o mérito de nos permetir vermos de perto o que se passa pelas cabeças dos democratas russos da média e pequena-burguesia. Basta arranhar um pouco a superfície de qualquer um deles para encontrar um feudalista.

O periódico diz insultos pelo fato que eu apoio sincera e totalmente a luta do povo ucraniano pela independência nacional e estatal.

“A separação da Ucrânia soviética da URSS não confunde em absoluto Leon Trotsky”.

Efetivamemente! Em relação aos Senhores Democratas, não só estão confusos senão profundamente alterados pela perspectiva da separação da Ucrânia. A ânsia democrática de uma nacionalidade oprimida de assegurar a sua independência total não pode deixar de provocar a ira dos feudalistas.

“Trotsky nem toca no problema de como utilizará Hitler esta revolução (a revolução nacional ucraniana) em benefício de seus planos”.

Os cavalheiros de Novaia Rosia consideram que a “separação da Ucrânia levará ao enfraquecimento militar da URSS”, quase chegam à conclusão que a política de Trotsky está ao serviço de Hitler. O Kremlin sustenta a mesma opinião. Um provérbio francês diz que as grandes mentalidades correm pelos mesmos canais.

Supondo que a separação da Ucrânia realmente enfraqueça a URSS. Que fazer, então, com o princípio democrático da autodeterminação das nações? Todo país que retem à força dentro de suas fronteiras alguma outra naciunalidade considera que a separação desta debilitaria economicamente e militarmente o Estado. Hitler anexa os tchecos e semi-anexa a Eslováquia precisamente porque assim fortalece militarmente a Alemanha. Em que é diferente o critério de nossos democratas em relação ao critério de Hitler? No tocante a nação dos ucranianas, os democratas de NovaiaRosia seguem o célebre Miliukov, respondendo, desta vez que os ucranianos são “em parte e em geral” iguais a uma nação, porém, ao final, tem limites. Noutras palavras, se são uma nação, são uma nação de segunda classe, pois o que determina o destino da Ucrânia são os interesses da Rússia, quer dizer, da maior parte da Grande Rússia. E, este é precisamente o ponto de vista dos feudalistas.

Nos tristes dias da Revolução de Fevereiro o Governo Provisório se nega obstinadamente a conceder aos ucranianos, nem falamos a independência (então não a exigiam), mas a simples autonomia. Os Senhores Democratas regateavam com os direitos nacionais da Ucrânia como se fossem comerciantes de cavalos. Depois, tomaram como ponto de partida direta e imediata os interesses dos “senhores” grandes proprietários de terras, burgueses e democratas da velha Grã-Rússia. Hoje traduzem esta mesma grande e gloriosa tradição na linguagem dos emigrados.

Desde uma perspectiva histórica superior, ou seja, desde a perspectiva da revolução socialista, seria lícito subordinar durante determinado período os interesses nacionais da Ucrânia aos do proletariado internacional se ambos estão em conflito. Ucrânia está estrangulada pela mesma reação bonapartista que estrangula toda a URSS e mina sua capacidade de autodefesa. O movimento revolucionário ucraniano dirigido contra a burocracia bonapartista é um aliado direto do proletariado internacional.

Aos clarividentes feudalistas democráticos lhes preocupa muito que Hitler chegue a utilizar no futuro a revolução nacional ucraniana. Fecham os olhos diante do fato que Hitler já hoje está a utilizar a supressão e o desmembramento da nação ucraniana. Diferentemente dos Senhores Democratas de tipo menchevique ou narodniki, nós não partimos da consideração que não há nenhum fera mais terrível que o gato. A força de Hitler, em geral, e em relação à Ucrânia em particular, não reside nele mesmo, mas na inutilidade e podridão da democracia, na decomposição da Segunda e da Terceira Internacional, na vasta onda de decepção, decadência e apatia que varre as massas. O triunfo do movimento revolucionário em qualquer país será a marcha fúnebre de Hitler. O movimento revolucionário nacional da Ucrânia forma parte do poderoso movimento revolucionário que está se incubando molecularmente sob a casca da reação triunfante. Por isso dizemos: Viva a Ucrânia soviética independente!

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Inclusão 01/02/2014