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  Tchernichévski, Nikolai Gavrílovitch
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(1829-1899): “O grande sábio e critico russo", no dizer de Karl Marx, examinou magistralmente a bancarrota da economia burguesa. Mestre de gerações inteiras de revolucionários russos. Como nacional-economista, notabilizou-se pela tradução dos “Fundamentos da economia política", de J. St. Mill, ao qual enriqueceu com suas notas, embora impregnadas de espírito do socialismo utópico, e por uma série de trabalhos consagrados à popularização das ideias socialistas e à critica da reforma camponesa de 1861. Como critico literário, escreveu uma série de brilhantes' artigos (Ensaios do período gogoliano; Lessing, artigos sobre Púchkin, etc.), no Sovreménik, do qual foi diretor. Na comunidade aldeã russa, ele viu um gérmen possível da sociedade socialista. Professor, renunciou à carreira universitária para tornar-se escritor. Queria auxiliar a difusão das “ideias generosas da verdade, da arte e da ciência". Para ele, tratava-se da libertação revolucionária da plebe do jugo da exploração e da opressão. Bem cedo o governo pôs fim às suas atividades. Tchernitchevski, de volta da deportação, publicou o artigo caráter do conhecimento humano. Ele demonstra com espírito que um homem que duvida da existência do mundo exterior deve pôr em duvida a sua própria existência. Tchernitchévski era, e continuou fiel a Feuerbach. A ideia fundamental do seu artigo pode ser resumida por estas palavras de Feuerbach; “Eu sou distinto das coisas e dos seres existentes fora de mim, não porque eu me distinga deles, mas eu me distingo porque eu difiro deles fisicamente, organicamente, efetivamente A consciência pressupõe o ser de que se é consciente, ela é a mesma’ coisa de que se tem consciência, e que cada qual de nós se representa" (Aforismos póstumos, no livro de Karl Grün, t II, p 306): Como socialista, não ultrapassou, de um modo geral, em alguns pontos essenciais, o socialismo utópico. Não conheceu a doutrina de Marx Em suas concepções filosóficas, foi um estrito materialista e partidário de Feuerbach. Em diversos pontos de suas obras, desenvolve teorias que muito se aproximam do moderno materialismo dialético, como, por exemplo, a proposito da história das doutrinas filosóficas e politicas; “As teorias politicas e, em geral, todas as doutrinas filosóficas sempre foram influenciadas muito fortemente em sua formação, pela posição social de seu criador, e cada filosofo tem sido um lutador de um dos partidos políticos que, em sua época, lutavam pelo poder na sociedade a que pertenciam”. Pode-se ler ainda em Tchernitchévski: "A força fundamental do progresso é a ciência. O progresso corresponde ao grau de perfeição e difusão do saber. O progresso é, portanto, um produto do saber; Suas concepções econômicas foram expostas em suas notas e seus complementos aos Princípios de economia política, de John Stuart Mill, que havia traduzido para o russo. Do mesmo modo que o grande filosofo francês Voltaire do “século das luzes”, Tchernitchévski escreveu sobre os mais diferentes assuntos. Seu romance de tese, que redigiu na prisão e se tornou celebre, Que fazer?, serviu de guia à juventude revolucionária, entre 1860 e 1880. De um modo geral, foi imensa a influência histórica de Tchernitchévski na Rússia. Suas concepções muito influenciaram os intelectuais russos durante trinta anos inteiros. Suas Obras Completas foram editadas em russo, em 10 volumes (São Petersburgo, 1906): Sobre Tchernitchévski, consultar: G. Plerrânov, N. G. Tchernitchévski, um estudo de história literária, Stuttgart, 1894; G. Steklov, N. Tchernitchévski: sua vida, Stuttgart, 1913.

  Fonte: Lênin - Materialismo e Empirocriticismo
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