A Imprensa e os Déspotas Alemães

Friedrich Engels

3 de Fevereiro de 1844


Escrito: entre o fim de janeiro e o começo de fevereiro de 1844;

Primeira Edição: The Northern Star, nº 325, de 3 de fevereiro de 1844;
Fonte: Marx-Engels Collected Works, volume 3, p. 417.
Tradução: Rafael Duarte Oliveira Venancio, dezembro de 2008.
HTML: Fernando A. S. Araújo, dezembro 2008.
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.


Nossos leitores estão cientes do rápido progresso na Alemanha dos princípios republicanos e comunistas, que causaram terror incomum entre o bando coroado e seus assessores daquela grande confederação de nações [i.e. a Confederação Alemã]. Medidas adicionais de repressão estão, então, sendo postas em prática para checar o crescimento dessas “doutrinas perigosas”, especialmente na Prússia. Sabe-se que no ano de 1834, uma secreta Conferência de Plenipotenciários aconteceu em Viena, onde um Protocolo foi acordado, mas apenas recentemente publicado, impondo as mais absolutas restrições à imprensa e proclamando e reforçando o “direito divino” dos Príncipes sobre todos os órgãos legislativos e populares de outra ordem. Como um exemplo do princípio da “Sagrada Aliança” desse Protocolo atroz, podemos citar que o décimo-oitavo artigo afirma que

“Príncipes, que estão ameaçados em seus Estados por alguma infração das ordens protocoladas pelo decreto da Dieta de 1832, devem dissolver esses Estados e obter apoio militar do restante da Confederação.”(1)

Nós devemos acrescentar, como prova de como a igualdade e a liberdade de imprensa é entendida na Prússia, que ordens estritas foram dadas aos censores em Colônia, em Münster e em outras cidades católicas para não permitirem a republicação de qualquer parte dos julgamentos irlandeses que estão acontecendo.(2) Um jornal alemão quis mandar um repórter ou correspondente para Dublin, mas não havia esperança de autorização da publicação nem mesmo de sua carta. No entanto, a liberdade será triunfante, apesar das masmorras e baionetas deles.

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Notas:

(1) Nota 178 do volume 3 do MECW: O Protocolo Final da Conferência de Viena de 1834 dos ministros dos Estados da Confederação Alemã desenhou medidas para suprimir o movimento liberal e democrático na Alemanha, ampliar a censura e o apoio mútuo entre esses Estados na luta contra a oposição liberal e radical. Esse Protocolo, assim como as decisões da Dieta Federal (o órgão supremo da Confederação Alemã) emitidas em Junho-Julho de 1832 acerca da proibição das sociedades populares e seus encontros e acerca do provimento da ajuda militar aos Estados alemães sob o risco de revolta, foi a resposta dos círculos dirigentes da Alemanha para os revoltosos no país inspirados na Revolução de Julho de 1830 na França. O principal inspirador dessas medidas policiais foi o chanceler austríaco Metternich.
O Protocolo da Conferência de Viena e a decisão reacionária da Conferência de 1819 em Karlsbad dos representantes dos Estados alemães, que foram mantidas em segredo, foram publicados pelo editor liberal alemão e historiador K. G. Wekker em seu livro Wichtige Urkunden für den Rechtszustand der deutschen Nation (Mannheim, 1844). Antes mesmo do lançamento do livro, os conteúdos do Protocolo eram conhecidos nos círculos democráticos e publicados na imprensa imigrante alemã, especialmente o parisiense Vorwärts! em Janeiro de 1844. O texto foi reimpresso no Deutsch-Französische Jahrbücher no final de Fevereiro de 1844. (retornar ao texto)

(2) Nota 179 do volume 3 do MECW: A referência é sobre o julgamento de O'Connell e de outros oito líderes do movimento de Recusa iniciado em Janeiro de 1844. Aproveitando as movimentações entre os líderes liberais irlandeses com medo do escopo desse movimento, o governo Tory quis negociar um golpe avassalador no movimento ao encenar esse julgamento. Em Fevereiro de 1844, O'Connell e seus seguidores foram senteciados a várias penas de prisão superiores a doze meses. No entanto, sobre o impacto dos protestos de massa, a Câmara dos Lordes logo retirou a sentença. (retornar ao texto)

Inclusão 26/12/2008
Última alteração 16/09/2011