Revolta da Cerveja na Bavária

Friedrich Engels

25 de Maio de 1844


Escrito: nos idos de maio de 1844;

Primeira Edição: The Northern Star, nº 341, de 25 de maio de 1844, com a nota editorial “Do nosso correspondente”;
Fonte: Marx-Engels Collected Works, volume 3, p. 521.
Tradução: Rafael Duarte Oliveira Venancio, janeiro de 2009.
HTML: Fernando A. S. Araújo, janeiro de 2009.
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.


A cerveja bávara é a mais célebre de todos os tipos de bebidas feitas na Alemanha e, claro, os bávaros são fãs de seu consumo em altas quantidades. O governo decretou um novo imposto de mais ou menos 100s. ad valorem sob a cerveja e, em consequência disso, uma revolta ocorreu, durando mais de quatro dias. Os trabalhadores unidos em massa saíram de passeata pelas ruas, assaltando os bares, quebrando janelas, danificando a mobília e destruindo tudo a seu alcance, tudo para se vingar do aumento de preço de sua bebida favorita. O exército foi chamado, mas um regimento da guarda montada, quando convocada ao embate, recusou. A polícia, sendo considerada, em todos os lugares, mal-vista pelo povo, foi severamente agredida e mal-tratada pelos revoltosos; e cada estação ocupada antes por policiais, teve que ser ocupada por soldados que, ao estarem em melhores termos com o povo, eram considerados menos hostis e mostraram uma relutância evidente em interferir. Eles só interferiram quando o palácio do Rei foi atacado e, então, eles meramente se colocaram em posição suficiente para deter os revoltosos. Na segunda noite (dois de maio), o Rei, que teve um casamento em sua família e por isso tinha vários ilustres visitantes em sua corte, visitou o teatro; mas quando, após o primeiro ato, uma multidão reunida na porta do teatro ameaçou atacá-lo, todos saíram da casa para ver o que ocorria e Sua Majestade, com seus ilustres visitantes, foi obrigado a segui-los, senão seria deixado sozinho em seu assento. Os jornais franceses declaram que o Rei nessa ocasião ordenou que os militares que estavam na frente do teatro atirassem nas pessoas e, por sua vez, os soldados recusaram. Os jornais alemães não mencionaram isso, como era esperado em publicações sob censura; mas como os jornais franceses são, algumas vezes, mal informados sobre os assuntos estrangeiros, nós não podemos confirmar a veracidade de suas declarações. Diante disso, no entanto, parece que o Rei Poeta (Ludwig, Rei da Bavária, é o autor de três volumes de poemas impossíveis de ler, de um guia turístico sobre um de seus prédios públicos,(1) etc., etc.) esteve em uma posição muito embaraçosa durante essas revoltas. Em Munique, uma cidade cheia de soldados e policiais, a sede da corte real, a revolta durou quatro dias, mesmo com todo o aparato militar, e, no final, os revoltosos forçaram sua demanda. O Rei restaurou a tranquilidade por uma ordem que reduzia o quarto de cerveja de dez kreutzers (3 1/4 d) para nove kreutzers (3d). Se o povo agora sabe que eles podem amedrontar o governo nos assuntos fiscais, eles logo aprenderão que será fácil amedrontá-los em assuntos mais sérios.

Compartilhe este texto:
Início da página
 
Visite o MIA no Facebook
 

Notas:

(1) Nota 228 do volume 3 do MECW: Um dos prédios públicos de Ludwig da Bavária foi construído em 1841 próximo à casa de heróis mitológicos alemães. O palácio continha uma coleção de Regensburg, nomeada “Walhalla” por ele em homenagem às lendárias esculturas póstumas de homens famosos na Alemanha. O Rei escreveu um guia sobre ela: Walhalla’s Genossen, gesehildert durch König Ludwig den Ersten von Bayern, dem Gründer Walhall’s (Munique, 1842). Poemas escritos por Ludwig da Bavária são exemplos de poesia pretenciosa e sem sentido; eles foram publicados em 1842. (retornar ao texto)

Inclusão 21/02/2009
Última alteração 16/09/2011