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O Capital
Crítica da Economia Política
Karl Marx

Livro Primeiro: O processo de produção do capital

Terceira Secção: A Produção da mais-valia absoluta

Sétimo capítulo: A Taxa da mais-valia


4. O sobreproduto


capa

À parte do produto (1/10 de 20 lib. de fio ou 2 lib. de fio no exemplo dado em 2) em que a mais-valia se manifesta chamamos nós sobreproduto (surplus produce, produit net(1*)). Assim como a taxa da mais-valia não é determinada pela sua relação com a soma total, mas pela sua relação com a parte integrante variável do capital, assim o montante do sobreproduto não é determinado pela sua relação com o resto do produto total, mas pela sua relação com a parte do produto em que se manifesta o trabalho necessário. Como a produção de mais-valia é o objectivo determinante da produção capitalista, não é a magnitude absoluta do produto, mas a magnitude relativa do sobreproduto, que mede o nível da riqueza(2*).

A soma do trabalho necessário e do sobretrabalho — das secções de tempo em que o operário produz o valor de substituição da sua força de trabalho e a mais-valia — forma a magnitude absoluta do seu tempo de trabalho, o dia de trabalho (working day).

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Notas de rodapé:

(1*) Em francês no texto, propriamente: produto líquido. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(2*) «Para um indivíduo com um capital de £ 20 000, cujos lucros fossem £ 2000 por ano, seria uma questão completamente indiferente se o seu capital ocupasse 100 ou 1000 homens, se a mercadoria produzida se vendesse por £ 10 000 ou £ 20 000, desde que em todos os casos o seu lucro não diminuisse abaixo de £ 2000. Não será o interesse real da nação similar? Contanto que o seu rendimento líquido real, a sua renda e lucro permaneçam os mesmos, não tem importância se a nação consiste em 10 ou 12 milhões de habitantes.» (Ricardo, 1. c, p. 416.) Muito antes de Ricardo, já o fanático do sobreproduto, Arthur Young, um escritor aliás tagarela e acrítico, cuja fama está na relação inversa do seu mérito, dizia entre outras coisas: «Que uso teria num reino moderno toda uma província assim dividida [à velha maneira romana, por camponeses independentes], por mais bem cultivada, a não ser com o propósito de criar homens (the mere purpose of breeding men), o que, tomado em si, é o propósito mais sem utilidade (is a most useless purpose)!» (Arthur Young, Political Arithmetic, etc, London, 1774, p. 47.)
Suplemento à nota (2*). Bizarra é «a forte inclinação... para representar a riqueza líquida como benéfica para a classe trabalhadora... embora não seja evidentemente pelo facto de ser líquida.» (Th. Hopkins, On Rent of Land, etc, London, 1828. p. 126.) (retornar ao texto)

Inclusão 04/01/2012