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O Capital
Crítica da Economia Política
Karl Marx

Livro Primeiro: O processo de produção do capital

Quarta Secção: A produção da mais-valia relativa
Décimo terceiro capítulo. Maquinaria e grande indústria


3. Efeitos próximos do funcionamento com máquinas sobre o operário


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A revolução do meio de trabalho forma, como se mostrou, o ponto de partida da grande indústria e o meio de trabalho revolucionado tem no sistema articulado de máquinas da fábrica a sua figura mais desenvolvida. Antes de vermos como é incorporado material humano neste organismo objectivo, consideremos algumas repercussões gerais dessa revolução sobre o próprio operário.

a) Apropriação pelo capital de forças de trabalho suplementares. Trabalho feminino e infantil.

Na medida que a maquinaria prescinde de força muscular, torna-se meio de utilizar operários sem força muscular ou com um desenvolvimento imaturo do corpo, mas com maior flexibilidade dos membros. Trabalho feminino e infantil foi, assim, a primeira palavra do emprego capitalista da maquinaria! Este poderoso meio de substituição de trabalho e operários transformou-se assim logo num meio de multiplicar o número de assalariados pelo arregimentamento de todos os membros da família operária, sem diferença de sexo nem de idade, sob a tutela imediata do capital. O trabalho coercivo para o capitalista usurpou não só o lugar das brincadeiras de criança, mas também o trabalho livre no círculo doméstico, dentro de barreiras éticas, para a própria família(1*).

O valor da força de trabalho era determinado não só através do tempo de trabalho necessário para a manutenção do operário adulto individual, mas também do tempo de trabalho necessário para manutenção da família operária. Na medida em que a maquinaria atira todos os membros da família operária para o mercado de trabalho, reparte o valor da força de trabalho do homem por toda a sua família. Ela desvaloriza, portanto, a sua força de trabalho. A compra da família, parcelada, p. ex., em 4 forças de trabalho, custa talvez mais do que antes a compra da força de trabalho, do chefe de família, mas em compensação entram 4 dias de trabalho em lugar de um e o seu preço cai na proporção do excesso do sobretrabalho dos quatro sobre o sobretrabalho de um. Agora, são quatro que têm de fornecer ao capital não só trabalho, mas também sobretrabalho, para que uma família viva. Assim, a maquinaria alarga de antemão, com o material humano de exploração — o campo de exploração mais próprio do capital(2*) —, simultaneamente o grau de exploração.

Ela revoluciona igualmente, desde a base, a mediação formal da relação de capital, o contrato entre operário e capitalista. Na base da troca de mercadorias, era um primeiro pressuposto que capitalista e operário se enfrentassem como pessoas livres, como possuidores independentes de mercadorias — um, possuidor de dinheiro e meios de produção, o outro, possuidor de força de trabalho. Mas agora o capital compra menores ou semimenores. O operário anteriormente vendia a sua própria força de trabalho, da qual ele dispunha como uma pessoa formalmente livre. Agora vende mulher e filhos. Torna-se comerciante de escravos(3*). A procura de trabalho infantil assemelha-se, também na forma, à procura de escravos negros, como se estava habituado a ler nos anúncios dos jornais americanos.

«A minha atenção», diz p. ex. um inspector fabril inglês, «foi atraída por um anúncio no jornal local de uma das mais importantes cidades manufactureiras do meu distrito, do qual o que se segue é uma cópia: Precisa-se, 12 a 20 jovens, não mais novos do que o que possa passar por 13 anos. Salário, 4 xelins por semana. Resposta para, etc.»(4*)

A frase «que possa passar por 13 anos» refere-se a que, segundo a Factory Act, crianças com menos de 13 anos não podiam trabalhar mais de 6 horas. Um médico qualificado oficialmente (certifying surgeon) tem de atestar a sua idade. O fabricante exige, portanto, jovens que aparentem já ter treze anos. A diminuição, muitas vezes brusca, do número de crianças com menos de 13 anos empregues pelos fabricantes, surpreendente nas estatísticas inglesas dos últimos 20 anos, era, de acordo com declarações dos próprios inspectores fabris, em grande parte, obra de certifying surgeons que recuavam a idade das crianças conforme o desejo de exploração dos capitalistas e as necessidades de tráfico dos pais. No mal-afamado distrito londrino de Bethnal Green realiza-se todas as segundas e terças-feiras, de manhã, um mercado público em que crianças de ambos os sexos, a partir dos 9 anos de idade, se alugam elas próprias aos manufactureiros de seda de Londres. «As condições normais são 1 sh. e 8 d. por semana» (que pertencem aos pais) «e 2 d. para mim e chá». Os contratos são só por uma semana. As cenas e a linguagem usada enquanto decorre este mercado são verdadeiramente revoltantes(5*). Continua a acontecer na Inglaterra que mulheres «tiram crianças do asilo de pobres (workhouse) e alugam-nas a qualquer um por 2 sh. e 6 d. por semana»(6*). Apesar da legislação, pelo menos 2000 jovens na Grã-Bretanha são vendidos pelos próprios pais como máquinas limpa-chaminés vivas (embora existam máquinas para os substituir)(7*). A revolução operada pela maquinaria na relação jurídica entre comprador e vendedor da força de trabalho, fazendo com que toda a transacção perca mesmo a aparência de um contrato entre pessoas livres, ofereceu ao Parlamento inglês, mais tarde, o pretexto jurídico para o Estado se imiscuir no sistema fabril. Sempre que a lei fabril limita a 6 horas o trabalho infantil em ramos de indústria que até essa altura não tinham sido abrangidos, ressoam de novo os lamentos dos fabricantes: uma parte dos pais tira as crianças da indústria que cumpre a lei para os vender àquela onde ainda domina a «liberdade do trabalho», i. é, onde crianças com menos de 13 anos de idade são obrigadas a trabalhar como adultos e por isso também vendidas mais caras. Mas como o capital é, por natureza, nivelador(8*), i. é, exige em todas as esferas da produção igualdade das condições de exploração do trabalho como seu inato direito do homem, a limitação legal do trabalho infantil num ramo de indústria é causa da sua limitação nos outros.

Já anteriormente aludimos à deterioração física das crianças e jovens, bem como das mulheres operárias, que a maquinaria submete à exploração do capital, primeiro directamente, nas fábricas que medram na base dela e depois, indirectamente, em todos os restantes ramos de indústria. Por isso, detenhamo-nos aqui apenas num ponto: a monstruosa mortalidade dos filhos dos operários nos seus primeiros anos de vida. Na Inglaterra há 16 distritos de registo, onde em cada 100 000 crianças vivas com menos de um ano há só uma média anual de 9085 casos de morte (num distrito apenas 7047); em 24 distritos as mortes são mais de 10 000, mas menos de 11 000; em 39 distritos mais de 11 000, mas menos de 12 000; em 48 distritos mais de 12 000, mas menos de 13 000; em 22 distritos mais de 20 000; em 25 distritos mais de 21 000; em 17 mais de 22 000; em 11 mais de 23 000; em Hoo, Wolverhampton, Ashton-under-Lyne e Preston mais de 24 000; em Nottingham, Stockport e Bradford mais de 25 000; em Wisbeach 26 001; e em Manchester 26 125(9*). Como o prova um inquérito médico oficial, feito no ano de 1861, abstraindo de circunstâncias locais, as altas taxas de mortalidade infantil devem-se sobretudo ao emprego das mães fora de casa e à negligência e mau tratamento infligido às crianças, daí decorrentes, entre outras coisas, alimentação inadequada, falta de alimentos, nutrição com opiatos, etc, além do não natural(10*) alheamento das mães em relação às crianças, na sequência do qual eram intencionalmente sujeitas à fome e ao envenenamento(11*). Naqueles distritos agrícolas, «onde existe um emprego de mulheres mínimo, a taxa de mortalidade é, por outro lado, muito baixa»(12*). A comissão de inquérito de 1861 divulgou, no entanto, o resultado inesperado de que em alguns distritos puramente agrícolas, situados no Mar do Norte, a taxa de mortalidade de crianças com menos de um ano atingia quase a dos distritos fabris mais mal-afamados. O Dr. Julian Hunter foi por isso encarregado de investigar, no local, este fenómeno. O seu relatório está incorporado no VI. Report on Public Health(13*). Supunha-se, até esta altura, que a malária e outras doenças próprias de regiões baixas e pantanosas dizimavam as crianças. O relatório deu como resultado precisamente o contrário, a saber, que

a mesma causa que afastou a malária, a conversão da terra de um pântano no Inverno e pasto insuficiente no Verão em fértil terra de cereal, criou as condições para a excepcional taxa de mortalidade de bebés(15*).

Os 70 médicos que o Dr. Hunter ouviu nesses distritos estavam «admiravelmente de acordo» sobre este ponto. E que com a revolução da cultura do solo foi introduzido o sistema industrial.

Mulheres casadas, que trabalham em ranchos juntamente com rapazes e raparigas são, por uma quantia de dinheiro estipulada, postas à disposição do rendeiro por um homem chamado «undertaker»(16*), que contrata todo o rancho. «Estes ranchos muitas vezes viajam muitas milhas para longe da sua própria aldeia; podem encontrar-se de manhã e à tardinha nas estradas, vestidos com saias curtas e casacos e botas adequados, e às vezes calças, com um aspecto maravilhosamente robusto e saudável, mas manchado por uma imoralidade costumeira e uma negligência quanto aos resultados fatais que este seu amor por esta vida ocupada e independente está a trazer à sua desafortunada prole, que em casa definha.»(17*)

Todos os fenómenos dos distritos fabris reproduzem-se aqui, num infanticídio encoberto num grau mais elevado e no tratamento das crianças com opiatos(18*).

«O meu conhecimento de tais males», diz o Dr. Simon, funcionário médico do Privy Council[N133] e editor en chef(19*) dos relatórios sobre Public Health, «pode desculpar a profunda apreensão com que encaro qualquer emprego industrial amplo de mulheres adultas.»(20*) «Realmente uma felicidade», exclama Mr. Baker, o inspector fabril, no seu relatório oficial, «realmente uma felicidade seria para os distritos manufactureiros de Inglaterra se todas as mulheres casadas com família fossem proibidas de trabalhar em qualquer fábrica têxtil.»(21*)

O atrofiamento moral resultante da exploração capitalista do trabalho feminino e infantil foi exposto tão exaustivamente por F. Engels na sua Lage der arbeitenden Klasse Englands e por outros escritores que eu, aqui, apenas o recordo. A desertificação intelectual, porém, produzida artificialmente pela transformação de pessoas imaturas em meras máquinas para a fabricação de mais-valia — muito diferente daquela ignorância natural que mantém o espírito em pousio sem deterioração da sua capacidade de desenvolvimento e da sua própria fertilidade natural — coagiu finalmente o Parlamento inglês a, em todas as indústrias sujeitas à lei fabril, tornar o ensino elementar condição legal para o emprego «produtivo» de crianças com menos de 14 anos. O espírito da produção capitalista ressalta da redacção descuidada das chamadas cláusulas de instrução das leis fabris, da ausência de maquinaria administrativa, o que torna este ensino coercivo em grande parte ilusório, da oposição dos próprios fabricantes a esta lei de ensino e dos seus truques e artimanhas práticos para a evitar.

«Disto apenas é culpada a legislação [legislature] por ter aprovado uma lei enganadora (delusive law), a qual, enquanto parecia providenciar que as crianças [...] fossem educadas, não contém nenhuma sanção através da qual esse objectivo confesso possa ser assegurado. Não estipula nada mais a não ser que as crianças devem [...] por um certo número de horas» (três) «por dia, ser fechadas dentro de quatro paredes de um sítio chamado escola e que o patrão da criança deve receber semanalmente um certificado para esse efeito, assinado por uma pessoa designada pelo subscritor mestre-escola ou mestra.»(22*)

Antes da promulgação da lei fabril emendada de 1844, não eram raros os certificados de frequência escolar assinados pelos mestres-escola ou mestras com uma cruz, porque eles próprios não sabiam escrever.

«Numa ocasião, ao visitar um lugar chamado escola, que tinha emitido certificados de frequência escolar, fiquei tão chocado com a ignorância do mestre que lhe disse: "Por favor, senhor, sabe ler?" A sua resposta foi: "Bem, um pouco (summat!(24*))" e como justificação para o seu direito de emitir certificados, acrescentou: "Em qualquer caso, estou à frente dos meus alunos".»

Durante a preparação da lei de 1844, os inspectores fabris denunciavam o estado ignominioso dos locais chamados escolas, cujos certificados, face à lei, eles tinham que admitir como plenamente válidos. Tudo o que eles conseguiram impor foi que, a partir de 1844,

«os números no certificado escolar tivessem que ser preenchidos pela mão do mestre-escola, que tinha também de assinar por extenso o seu nome de baptismo e o apelido.»(25*)

Sir John Kincaid, inspector fabril na Escócia, relata experiências oficiais semelhantes.

«A primeira escola que visitamos estava a cargo de uma Mrs. Ann Killin. Depois de lhe pedir para escrever o nome, ela começou logo por cometer um erro, iniciando com a letra C, mas, corrigindo-se imediatamente, disse que o seu nome começava com um K. Ao olhar, contudo, para a sua assinatura nos livros de certificados escolares, reparei que ela o escrevia de variadas maneiras, enquanto a sua caligrafia não deixava dúvidas quanto à sua incapacidade para ensinar. Ela própria admitiu que não conseguia manter em condições o registo... Numa segunda escola encontrei uma sala de aula com 15 pés de comprimento e 10 pés de largura e, neste espaço, contei 75 crianças que palravam qualquer coisa ininteligível.»(26*) «Mas não é só nos locais miseráveis acima referidos que as crianças obtêm certificados de frequência escolar sem terem recebido instrução de valor algum, porque em muitas escolas onde há um professor competente os seus esforços são de pouco proveito para a distraída multidão de crianças de todas as idades, a partir dos 3 anos; dependendo o seu sustento, miserável no melhor dos casos, dos pence recebidos do maior número de crianças que é possível enfiar dentro do espaço. A isto há ainda a acrescentar o escasso mobiliário escolar, a falta de livros e outros materiais para ensinar e o efeito depressivo sobre as próprias pobres crianças provocado por uma atmosfera fechada e pestilenta. Estive em muitas escolas destas, onde vi filas inteiras de crianças sem fazer absolutamente nada; e isto é certificado como frequência escolar e nos relatórios estatísticos estas crianças estão registadas como estando a ser educadas (educated).»(27*)

Na Escócia, os fabricantes tentam, o mais possível, evitar as crianças sujeitas à frequência escolar.

«Não é necessário mais nenhum argumento para provar que as cláusulas educacionais da Lei Fabril encontram tanto desfavor entre os donos de fábricas [...].»(29*)

Isto acontece de forma horrivelmente grotesca nas estamparias de chita, etc, que são regulamentadas por uma lei fabril própria. De acordo com as determinações da lei

«cada criança, antes de ser empregada numa estamparia, tem de ter frequentado a escola durante pelo menos 30 dias e não menos de 150 horas durante os seis meses que imediatamente precedem esse primeiro dia de emprego, e durante a continuação do seu emprego nas estamparias têm de frequentar a escola por um período igual de 30 dias e 150 horas durante cada período sucessivo de seis meses... A frequência da escola tem de ser entre as 8 horas da manhã e as 6 horas da tarde. Nenhuma frequência de menos de 2 1/2 horas nem de mais de 5 horas em cada um dos dias deve ser contada como parte das 150 horas. Em circunstâncias normais, as crianças frequentam a escola de manhã e à tarde durante 30 dias, 5 horas por dia pelo menos e depois de expirarem os 30 dias e alcançado o total estatutário de 150 horas — tendo, na sua linguagem, chegado ao fim do livro — voltam à estamparia, onde continuam até expirarem os seis meses, quando é devida outra fracção de frequência escolar, e voltam a procurar a escola até chegar ao fim do livro outra vez... Muitos rapazes, tendo frequentado a escola durante o número de horas requerido, quando regressam à escola depois de expirados os seus seis meses de trabalho na estamparia, estão nas mesmas condições que quando frequentaram a escola pela primeira vez como moços de estamparia, perderam tudo o que tinham ganho com a sua anterior frequência escolar... Em outras estamparias, a frequência escolar das crianças é feita depender na sua totalidade das exigências do trabalho no estabelecimento. O número de horas exigido é atingido cada seis meses por prestações de 3 a 5 horas de uma vez só, distribuídas talvez ao longo de seis meses... Por exemplo, a frequência em um dia podia ser das 8 às 11 da manhã, em outro dia da 1 às 4 da tarde e a criança poderia não voltar a aparecer na escola durante vários dias, voltando a frequentá-la das 3 às 6 da tarde; depois podia frequentá-la 3 ou 4 dias consecutivos, ou uma semana, e voltava a não aparecer na escola durante 3 semanas ou um mês, depois disso ia à escola em alguns dias ao acaso, por algumas horas ao acaso, quando o operário [operative(30*)] que o emprega resolvesse dispensá-lo; e assim a criança era, como foi, esbofeteada (buffeted) da escola para o trabalho, do trabalho para a escola até que a história das 150 horas chegasse ao fim».(31*)

Através da adição preponderante de crianças e mulheres ao pessoal combinado de trabalho, a maquinaria quebra finalmente a resistência que o operário masculino na manufactura ainda opunha ao despotismo do capital(33*).

b) Prolongamento do dia de trabalho

Se a maquinaria é o meio mais poderoso para subir a produtividade do trabalho, i. é, para encurtar o tempo de trabalho necessário para a produção de uma mercadoria, torna-se como portador do capital, primeiro nas indústrias imediatamente atingidas por ela, meio poderosíssimo para prolongar o dia de trabalho para além de todas as barreiras naturais. Cria, por um lado, novas condições que habilitam o capital a dar largas à sua tendência constante e, por outro lado, dá ao capital novos motivos para aguçar o seu apetite por trabalho de outrem.

Primeiro, na maquinaria, o movimento e a actividade do meio de trabalho autonomizam-se face ao operário. Ele [o meio de trabalho] torna-se, em si e por si, um perpetuum mobile(34*) industrial, que continuaria a produzir ininterruptamente se não esbarrasse com certas barreiras naturais dos seus ajudantes humanos: a sua fraqueza corporal e a sua vontade própria. Como capital — e enquanto tal, o autómato possui, no capitalista, consciência e vontade —, ele [o meio de trabalho] está por isso animado de um impulso de reduzir à resistência mínima a barreira natural humana, relutante mas elástica(35*). Esta [resistência] é, além disso, diminuída pela facilidade aparente do trabalho na máquina e pelo elemento feminino e infantil mais dócil e maleável(37*).

A produtividade da maquinaria está, como vimos, na razão inversa da magnitude da componente de valor transferida por ela para a obra feita. Quanto mais longo é o período em que ela funciona tanto maior é a massa de produtos pela qual se distribui o valor por ela acrescentado, e tanto menor é a parte de valor que ela adiciona às mercadorias singulares. O período de vida activo da maquinaria, porém, é manifestamente determinado pelo comprimento do dia de trabalho ou a duração do processo de trabalho diário, multiplicado pelo número de dias em que se repete.

O desgaste das máquinas não corresponde de maneira nenhuma com exactidão matemática ao seu tempo de utilização. E, mesmo pressupondo isso, uma máquina, que serve durante 7 1/2 anos 16 horas por dia, abrange um período de produção de igual magnitude e não adiciona mais valor ao produto total do que a mesma máquina que durante 15 anos só serve 8 horas diárias. Porém, no primeiro caso, o valor das máquinas seria reproduzido duas vezes mais rapidamente do que no último caso e o capitalista teria, por intermédio dela, engolido em 7 1/2 anos tanto mais sobretrabalho do que em 15.

O desgaste material da máquina é duplo. Um resulta do seu uso, tal como as moedas se desgastam na circulação, o outro do seu não uso, tal como uma espada inactiva enferruja na bainha. Este é o seu consumo pelos elementos. O desgaste da primeira espécie está mais ou menos na razão directa do seu uso e o da última, em certo grau, na razão inversa(38*).

A par do desgaste material, a máquina está sujeita a um desgaste, por assim dizer, moral. Perde valor de troca na medida em que ou máquinas da mesma construção podem ser reproduzidas mais barato ou máquinas melhores entram em concorrência com elas(39*). Em ambos os casos, o seu valor, por mais nova e cheia de vida que ela possa ser, já não é determinado pelo tempo de trabalho efectivamente nela própria objectivado, mas pelo que é necessário para a sua própria reprodução ou para a reprodução da máquina melhor. Ela é por isso mais ou menos desvalorizada. Quanto mais curto é o período em que o seu valor total é reproduzido, tanto menor é o perigo do desgaste moral, e quanto mais longo é o dia de trabalho tanto mais curto é esse período. Aquando da primeira introdução da maquinaria em qualquer ramo de produção, seguem-se uns atrás dos outros novos métodos para a sua reprodução mais barata(41*) e melhoramentos que atingem não apenas partes ou aparelhos singulares, mas toda a sua construção. No seu primeiro período de vida, este motivo particular contribui com maior acuidade para o prolongamento do dia de trabalho(43*).

Mantendo-se iguais as demais circunstâncias e um dado dia de trabalho, a exploração do dobro do número dos operários exige tanto duplicação da parte do capital constante aplicada em maquinaria e construções como da da matéria-prima, materiais auxiliares, etc, aplicados. Com o dia de trabalho prolongado alarga-se a escala de produção, enquanto a parte do capital aplicado na maquinaria e nas construções permanece inalterado(44*). Não só cresce, portanto, a mais-valia como também diminuem as despesas necessárias para a sua exploração. Com efeito, isto tem lugar mais ou menos em todos os prolongamentos do dia de trabalho, mas aqui pesa mais decisivamente, porque a parte do capital transformado em meio de trabalho em geral pesa mais(45*). É que o desenvolvimento do funcionamento com máquinas fixa uma parte sempre crescente do capital numa forma em que, por um lado, é continuamente valorizável e, por outro, perde valor de uso e valor de troca logo que o seu contacto com o trabalho vivo é interrompido. «Quando», explicava o senhor Ashworth, um magnata inglês do algodão, ao professor Nassau W. Senior,

«quando um lavrador põe de lado a sua enxada, torna inútil por esse período um capital que vale 18 d. Quando um dos nossos» (i. é, dos operários fabris) «deixa a fábrica torna inútil um capital que custou 100 000 libras.»(46*)

Imagine-se! Tornar «inútil» um capital que custou 100 000 lib. esterl., mesmo que seja por um momento! É de facto de bradar aos céus que um dos nossos alguma vez deixe a fábrica! O volume crescente da maquinaria torna, aos olhos de Senior, instruído por Ashworth, o prolongamento sempre crescente do dia de trabalho «desejável»(48*).

As máquinas produzem mais-valia relativa não só na medida em que desvalorizam directamente a força de trabalho e indirectamente embaratecem a mesma através do embaratecimento das mercadorias que entram na sua reprodução, mas também na medida em que, aquando da sua primeira introdução esporádica, transformam o trabalho aplicado pelo possuidor das máquinas em trabalho potenciado, elevam o valor social do produto à máquina acima do seu valor individual e, assim, habilitam o capitalista a substituir o valor de um dia de força de trabalho por uma parte mais pequena do valor do produto de um dia. Durante este período de transição, em que o funcionamento com máquinas permanece uma espécie de monopólio, os ganhos são extraordinários e o capitalista procura explorar ao máximo estes «primeiros tempos de um amor jovem»[N134] através do maior prolongamento possível do dia de trabalho. A magnitude do ganho aguça o apetite por mais ganho.

Com a generalização da maquinaria no mesmo ramo de produção, baixa o valor social do produto à máquina para o seu valor individual e torna válida a lei que diz que a mais-valia não brota das forças de trabalho que o capitalista substituiu pela máquina, mas sim, inversamente, das forças de trabalho que ele ocupa nela. A mais-valia brota apenas da parte variável do capital, e nós vimos que a massa da mais-valia é determinada por dois factores: a taxa da mais-valia e o número dos operários ocupados simultaneamente. Para um dado comprimento do dia de trabalho, a taxa de mais-valia é determinada pela relação em que o dia de trabalho se divide em trabalho e sobretrabalho. O número dos operários ocupados simultaneamente depende, por seu lado, da relação da parte do capital variável com a constante. É agora claro que o funcionamento com máquinas, por mais que estenda o sobretrabalho à custa do trabalho necessário, por subida da força produtiva do trabalho, apenas produz este resultado na medida em que ele diminuir o número de operários ocupados por um dado capital. Ele transforma uma parte do capital que anteriormente era variável (i. é, se convertia em força de trabalho viva) em maquinaria, portanto em capital constante, que não produz mais-valia nenhuma. É impossível, p. ex., extorquir de dois operários tanta mais-valia quanto de 24. Se cada um dos 24 operários, em 12 horas fornece só uma hora de sobretrabalho, todos juntos fornecem 24 horas de sobretrabalho, enquanto o trabalho total dos dois operários apenas ascende a 24 horas. Reside, portanto, na aplicação da maquinaria à produção de mais-valia uma contradição imanente, na medida em que ela, dos dois factores da mais-valia que um capital de uma magnitude dada fornece, só aumenta um factor, a taxa da mais-valia, porque diminui o outro factor, o número de operários. Esta contradição imanente surge logo que, com a generalização da maquinaria num ramo de indústria, o valor da mercadoria produzida à máquina se torna num valor social regulador de todas as mercadorias da mesma espécie, e é esta contradição que, por sua vez, leva o capital, sem que disso esteja consciente(50*), ao prolongamento compulsivo do dia de trabalho para compensar a diminuição do número proporcional de operários explorados através do aumento não só do sobretrabalho relativo como do absoluto.

Se, portanto, o emprego capitalista da maquinaria cria, por um lado, novos motivos poderosos para o prolongamento desmedido do dia de trabalho — e revoluciona tanto o modo de trabalho como o carácter do corpo social de trabalho de uma espécie que quebra a resistência contra esta tendência —, por outro lado produz, em parte por contratação pelo capital de camadas da classe operária antes inacessíveis, em parte pelo licenciamento dos operários suplantados pelas máquinas, uma população operária excedente(51*) que tem de deixar que a lei lhe seja ditada pelo capital. Daí o notável fenómeno na história da indústria moderna de a máquina dar cabo de todas as barreiras éticas e naturais do dia de trabalho. Daí o paradoxo económico de o mais poderoso meio de redução do tempo de trabalho se converter no meio mais infalível de transformar todo o tempo de vida do operário e da sua família em tempo de trabalho disponível para a valorização do capital. «Se», sonhava Aristóteles, o maior pensador da Antiguidade,

«se cada ferramenta por intimação ou pressentimento pudesse executar a obra que lhe compete, como as obras de arte de Dédalo que se moviam por si próprias, ou as trípodas de Hefesto que se punham ao trabalho sagrado por iniciativa própria; se portanto as lançadeiras dos tecelões tecessem por si, então o mestre de oficina já não precisaria de ajudantes nem os senhores de escravos.»(53*)

E Antípatro, um poeta grego do tempo de Cícero, saudava a invenção do moinho de água para moer o grão, esta forma elementar de toda a maquinaria produtiva, como libertadora das escravas e restabelecedora da idade de ouro!(54*)«Estes pagãos, estes pagãos!» Eles não percebiam nada, como o inteligente Bastiat descobriu, e já antes dele o ainda mais esperto MacCulloch, de economia política e de cristianismo. Eles não percebiam, entre outras coisas, que a máquina é o meio mais provado para o prolongamento do dia de trabalho. Eles desculpavam porventura a escravatura de uns como meio para o pleno desenvolvimento humano de outros. Mas para pregar escravatura das massas a fim de fazer de alguns rudes ou semi-instruídos novos ricos «eminent spinners», «extensive sausage makers» e «influential shoe black dealers»(56*), para isso faltava-lhes o órgão especificamente cristão.

c) Intensificação do trabalho(57*)

O prolongamento desmedido do dia de trabalho, que a maquinaria na mão do capital produz, leva, como vimos, mais tarde, a uma reacção da sociedade ameaçada na sua raiz vital e, com isso, a um dia de trabalho normal, limitado por lei. Na base deste último desenvolve-se um fenómeno, com o qual já anteriormente deparámos, de decisiva importância — a saber, a intensificação do trabalho. Na análise da mais-valia absoluta tratava-se, antes de mais, da magnitude extensiva do trabalho, enquanto o grau da sua intensidade era pressuposto como dado. Temos agora que considerar a conversão da magnitude extensiva em intensiva ou magnitude de grau.

É evidente que, com o progresso do sistema de máquinas e com a experiência acumulada de uma classe própria de operários com máquinas, a velocidade e, com isso, a intensidade do trabalho aumentam naturalmente. Assim, em Inglaterra, durante meio século, o prolongamento do dia de trabalho andou de mãos dadas com a crescente intensidade do trabalho fabril. No entanto, percebe-se que, num trabalho em que se trata não de paroxismos temporários, mas de uma uniformidade regular, repetida dia após dia, tem de aparecer um ponto nodal em que extensão do dia de trabalho e intensidade do trabalho se excluem uma à outra, de tal modo que o prolongamento do dia de trabalho só é compatível com um grau mais fraco de intensidade do trabalho e, inversamente, um grau mais elevado de intensidade só é compatível com encurtamento do dia de trabalho. Logo que a revolta, gradualmente crescente, da classe operária coagiu o Estado a reduzir à força o tempo de trabalho e a impor, primeiro na fábrica propriamente dita, um dia de trabalho normal, a partir deste momento, portanto, em que foi cortado de uma vez por todas o aumento da produção de mais-valia por prolongamento do dia de trabalho, o capital lançou-se com todo o seu poder e plena consciência na produção de mais-valia relativa por desenvolvimento acelerado do sistema de máquinas. Simultaneamente deu-se uma alteração no carácter da mais-valia relativa. No geral, os métodos de produção da mais-valia relativa consistem em habilitar o operário a produzir mais, com o mesmo dispêndio de trabalho, no mesmo tempo, por aumento da força produtiva do trabalho. O mesmo tempo de trabalho acrescenta, tal como antes, o mesmo valor ao produto total, embora este valor de troca inalterado se exponha agora em mais valores de uso e, por isso, o valor de cada mercadoria singular baixe. No entanto, por outro lado, assim que se dá o encurtamento violento do dia de trabalho, com o enorme impulso que ele dá ao desenvolvimento da força produtiva e à economização das condições de produção, simultaneamente o operário é obrigado a um maior dispêndio de trabalho no mesmo tempo, a um mais elevado esforço da força de trabalho, a um preenchimento mais denso dos poros do tempo de trabalho, i. é, à condensação do trabalho num grau que só é alcançável no interior de um dia de trabalho reduzido. Esta compressão de uma massa maior de trabalho num dado período de tempo conta agora por aquilo que é, por um maior quantum de trabalho. A par da medida do tempo de trabalho como «magnitude extensa» aparece agora a medida do seu grau de condensação(58*). A hora mais intensiva do dia de trabalho de dez horas contém agora tanto ou mais trabalho, i. é, força de trabalho despendida, do que a hora mais porosa do dia de trabalho de doze horas. O seu produto tem, por isso, tanto ou mais valor do que o das 1 1/5 horas mais porosas. Abstraindo da elevação da mais-valia relativa pela subida da força produtiva do trabalho, agora 3 1/3 horas de sobretrabalho em 6 2/3 horas de trabalho necessário, p. ex., fornecem ao capitalista a mesma massa de valor do que anteriormente 4 horas de sobretrabalho em 8 horas de trabalho necessário.

Pergunta-se agora, como se intensifica o trabalho?

O primeiro efeito do dia de trabalho reduzido assenta na lei evidente de que a eficiência da força de trabalho está na razão inversa do seu tempo de operação. Ganha-se por isso, dentro de certos limites, em grau de exteriorização da força o que se perde na sua duração. De que porém o operário faça fluir realmente mais força de trabalho, disso cuida o capital através do método de pagamento(59*). Em manufacturas, p. ex., na olaria, em que a maquinaria desempenha um papel insignificante ou nenhum, a introdução da lei fabril demonstrou de modo contundente que o mero encurtamento do dia de trabalho aumenta admiravelmente a regularidade, uniformidade, ordem, continuidade e energia do trabalho(60*). Este efeito parecia, contudo, duvidoso na fábrica propriamente dita, porque a dependência do operário do movimento contínuo e uniforme da máquina tinha criado aí de há muito a mais rigorosa disciplina. Quando, por isso, em 1844 foi negociada a diminuição do dia de trabalho para menos de 12 horas, os fabricantes declararam quase unanimemente

«que os seus supervisores, nas diferentes salas, tinham o maior cuidado em que os braços não perdessem tempo», que «o grau de vigilância e atenção por parte dos operários (the extend of vigilance and attention on the part of the workmen) dificilmente era capaz de ser aumentado» e que, pressupondo que se mantêm iguais todas as demais circunstâncias, tais como andamento da maquinaria, etc, «era um absurdo esperar, numa fábrica bem dirigida, qualquer resultado importante de uma maior atenção por parte dos operários»(61*).

Esta afirmação foi refutada por experimentos. O senhor R. Gardner nas suas duas grandes fábricas em Preston, a partir de 20 de Abril de 1844, mandou que se trabalhasse em vez de 12 só 11 horas por dia. Passado quase um ano, o resultado foi que

«o mesmo montante de produto foi obtido pelo mesmo custo e os trabalhadores, no seu todo, ganharam em onze horas os mesmos salários que antes em doze horas»(62*).

Eu não falo aqui dos experimentos feitos nas salas de fiação e cardagem porque estavam ligados ao aumento da velocidade da maquinaria (à volta de 2%). Na secção da tecelagem, pelo contrário, onde além disso eram tecidos vários tipos de artigos de fantasia leves e com desenhos não se deu a mínima alteração das condições objectivas de produção. O resultado foi:

«De 6 de Janeiro a 20 de Abril de 1844, com um dia de trabalho de doze horas, o salário médio semanal por cada braço era de 10 sh. e 1 1/2 d., de 20 de Abril a 29 de Junho de 1844, com um dia de onze horas, o salário médio semanal era de 10 sh. e 3 1/2 d.»(63*)

Aqui produziu-se mais em 11 horas do que anteriormente em 12 exclusivamente em consequência de uma maior perseverança uniforme dos operários e economia do seu tempo. Enquanto recebiam o mesmo salário e ganhavam 1 hora de tempo livre, o capitalista recebia a mesma massa de produtos e poupava dispêndio de carvão, gás, etc, durante uma hora. Experimentos semelhantes foram levados a cabo, com o mesmo êxito, nas fábricas dos senhores Horrocks e Jacson(64*).

Assim que o encurtamento do dia de trabalho — que antes de mais cria a condição subjectiva da condensação do trabalho, a saber, a capacidade do operário de fazer fluir mais força num tempo dado — é imposta por lei, a máquina torna-se na mão do capital num meio objectivo e sistematicamente usado para extorquir mais trabalho no mesmo tempo. Isto acontece de dois modos: por elevação da velocidade das máquinas e por alargamento do volume da maquinaria a vigiar pelo mesmo operário ou do seu campo de trabalho. Melhoramento da construção da maquinaria é, em parte, necessário para exercer maior pressão sobre o operário e, em parte, acompanha por si própria a intensificação do trabalho, porque as barreiras do dia de trabalho coagem o capitalista à gestão mais rigorosa dos custos de produção. O melhoramento da máquina a vapor aumenta o número de batidas dos êmbolos por minuto e permite ao mesmo tempo, através de uma maior economia de força, accionar, com o mesmo motor, um mecanismo mais volumoso com o mesmo ou até menor consumo de carvão. O melhoramento do mecanismo de transmissão reduz a fricção e — o que distingue tão evidentemente a maquinaria moderna da antiga — reduz o diâmetro e peso das árvores grandes e pequenas a um mínimo sempre em queda. Os melhoramentos da maquinaria de trabalho, por fim, com o aumento da velocidade e extensão do efeito, reduzem o seu volume, como no moderno tear a vapor, ou, aumentando a estatura, aumentam também o volume e número das ferramentas por elas accionadas, como na máquina de fiar, ou multiplicam a mobilidade destas ferramentas através de alterações inaparentes de detalhe, como as que em meados dos anos cinquenta aumentaram em 1/2 a velocidade dos fusos da self-acting mule.

O encurtamento do dia de trabalho para 12 horas data em Inglaterra de 1832. Já em 1836, um fabricante inglês declarava:

«O trabalho agora executado nas fábricas é muito maior do que costumava ser [...] comparado com há trinta ou quarenta anos atrás [...] devido à maior atenção e actividade exigidas pelo aumento enorme de velocidade que é dada à maquinaria.»(65*)

No ano de 1844, Lord Ashley, agora conde de Shaftesbury, fez na Câmara dos Comuns as seguintes declarações, apoiadas por provas documentais:

«O trabalho levado a cabo por aqueles que estão envolvidos nos processos de manufactura é três vezes mais do que no início destas operações. A maquinaria executou, sem dúvida, o trabalho que exigiria a energia de milhões de homens; mas multiplicou também prodigiosamente (prodigiously) o trabalho daqueles que são governados pelos seus terríveis movimentos... Em 1815, o trabalho de acompanhamento de um par de máquinas de fiar fiando algodão n.° 40 — contando 12 horas por dia de trabalho — envolvia a necessidade de andar 8 milhas. Em 1832, a distância percorrida para acompanhar um par de máquinas de fiar fiando algodão do mesmo número, era 20 milhas e frequentemente mais. Em 1835» (dúvida — 1815 ou 1825?(66*)) «o fiandeiro efectuava diariamente em cada uma destas máquinas de fiar 820 estiramentos do braço, o que dava um total de 1640 estiramentos do braço durante o dia. Em 1832, o fiandeiro efectuava em cada máquina de fiar 2200 estiramentos do braço, fazendo um total de 4400. Em 1844, 2400 estiramentos do braço, fazendo um total de 4800; e em alguns casos o montante de trabalho (amount of labour) exigido é mesmo ainda muito maior... Tenho outro documento, que me foi enviado em 1842, afirmando que o trabalho vai aumentando progressivamente — aumentando não só porque a distância a percorrer é maior, mas porque a quantidade de bens produzidos é multiplicada, enquanto os braços são em proporção menos que antes; e, além disso, porque se fiava agora frequentemente uma espécie inferior de algodão, que é mais difícil de trabalhar... Na sala de cardagem houve também um grande aumento de trabalho. Uma pessoa, ali, faz o trabalho anteriormente dividido entre duas. Na sala de tecelagem, onde um vasto número de pessoas são empregues, e principalmente mulheres [...] o trabalho aumentou bem uns 10 por cento nos últimos anos, devido ao aumento de velocidade da maquinaria na fiação. Em 1838, o número de meadas (hanks) fiadas semanalmente era de 18 000, em 1843 chegou às 21 000. Em 1819, o número de passagens da lançadeira (picks) por minuto, no tear a vapor, era 60 — em 1842 era 140, o que mostra um grande aumento do trabalho.»(67*)

Face a esta notável intensidade que o trabalho, sob a dominação da lei das 12 horas, já tinha atingido em 1844, parece justificada a declaração feita na altura pelos fabricantes ingleses de que, qualquer progresso ulterior nesta direcção seria impossível porque qualquer ulterior redução do tempo de trabalho seria idêntica a redução da produção. A aparente justeza do seu raciocínio fica demonstrada da melhor maneira pelo seguinte depoimento, na mesma altura, feito pelo seu infatigável censor, o inspector fabril Leonard Horner:

«Agora, como a quantidade produzida tem de ser sobretudo regulada pela velocidade da maquinaria, tem de ser do interesse do dono da fábrica levá-la à maior taxa de velocidade compatível com estas seguintes condições, a saber: a preservação da maquinaria de uma deterioração demasiado rápida; a preservação da qualidade do artigo manufacturado; e a capacidade do operário para seguir o movimento sem um esforço maior do que aquele que ele pode suportar para [garantir] constância. [...] Acontece frequentemente que ele percebe que foi depressa demais, que as roturas e o mau trabalho pesam mais que o aumento da velocidade e que é obrigado a moderar o seu passo. Portanto, eu concluí que um dono de fábrica activo e inteligente iria encontrar o máximo seguro e que não seria possível produzir tanto em onze horas como em doze. Além disso, admiti que um operário pago à peça iria esforçar-se ao máximo compatível com o seu poder para continuar à mesma taxa.»(68*)

Horner concluiu portanto, apesar dos experimentos, de Gardner, etc, que uma ulterior diminuição do dia de trabalho para menos de 12 horas teria de diminuir a quantidade do produto(69*). Ele próprio, 10 anos mais tarde, cita a sua dúvida de 1845 como prova do pouco que ele, nessa altura, entendia da elasticidade da maquinaria e da força de trabalho humana, as quais são igualmente alongadas ao máximo através do encurtamento coercivo do dia de trabalho.

Vamos agora ao período posterior a 1847, após a introdução da lei das 10 horas nas fábricas inglesas de algodão, lã, seda e linho.

«A velocidade dos fusos nos teares contínuos aumentou 500 revoluções por minuto e nas máquinas de fiar 1000 revoluções, i. e, a velocidade do fuso do tear contínuo, que era de 4500 vezes por minuto em 1839, é agora» (1862) «5000; e a do fuso da máquina de fiar, que era 5000, é agora 6000 vezes por minuto, chegando a um acréscimo adicional de um décimo no primeiro caso e um sexto(70*) no segundo.»(71*)

Jas. Nasmyth, o famoso engenheiro civil de Patricroft, perto de Manchester, explicou, em 1852, numa carta a Leonard Horner, os melhoramentos feitos entre 1848 e 1852 na máquina a vapor. Depois de salientar que a força de cavalo de vapor, continuando a ser estimada nas estatísticas oficiais fabris segundo o seu efeito em 1828(72*), ainda é nominal e só pode servir como índice da força real, diz, entre outras coisas:

«Estou confiante de que com o mesmo peso de maquinaria a vapor obtemos agora pelo menos mais 50 por cento de serviço ou trabalho do que anteriormente, em média, e que, em muitos casos, máquinas a vapor indênticas, que nos dias de velocidade limitada a 220 pés por minuto forneciam 50 forças de cavalo, estão agora a fornecer mais de 100...» «A máquina a vapor moderna de 100 forças de cavalo é capaz de atingir uma força muito maior do que anteriormente, devido aos melhoramentos feitos na sua construção e à capacidade e construção das caldeiras, etc...» «Embora seja empregue o mesmo número de braços em proporção às forças de cavalo que em períodos anteriores, são empregues menos braços em proporção à maquinaria.»(75*)

Em 1850, as fábricas do Reino Unido utilizavam 134 217 forças de cavalo nominais para movimentar 25 638 716 fusos e 301 445 teares. Em 1856, o número dos fusos e dos teares era, respectivamente, de 33 503 580 e 369 205. Se a força de cavalos requerida tivesse permanecido a mesma de 1850, então seriam precisas, em 1856, 175 000 forças de cavalo. Segundo a fonte oficial elas ascendiam apenas a 161 435, portanto, mais de 10 000 forças de cavalo a menos, se calcularmos com base em 1850(77*).

«Os factos apresentados pelo Return de 1856» (estatística oficial) «parecem mostrar que o sistema fabril está a aumentar rapidamente; que [...] há menos braços em proporção à maquinaria; que a máquina a vapor, por economia de força e outros métodos, é capaz de accionar um peso maior de maquinaria e que um aumento da quantidade de trabalho pode ser atingido através de melhoramentos na maquinaria e nos métodos da manufactura, por aumento da velocidade da maquinaria e por uma variedade de outras causas.»(78*) «Os grandes melhoramentos feitos em máquinas de todo o tipo elevaram muito a sua força produtiva. Sem qualquer dúvida, o encurtamento das horas de trabalho... deu o impulso para estes melhoramentos. Estes últimos, combinados com uma pressão mais intensa sobre o operário, tiveram como efeito que é produzido no dia de trabalho reduzido» (em duas horas ou um sexto) «pelo menos tanto quanto anteriormente era produzido durante o [dia de trabalho] mais longo.»(79*)

Como o enriquecimento dos fabricantes aumentou com a exploração mais intensiva da força de trabalho, demonstra-o já a única circunstância de o crescimento médio das fábricas inglesas de algodão e outras fábricas ter ascendido, de 1838 a 1850, a 32 por ano e, de 1850 a 1856, em contrapartida, a 86 por ano(81*).

Por grande que o progresso da indústria inglesa tenha sido nos 8 anos que vão de 1848 a 1856, sob a dominação do dia de trabalho de dez horas, foi de longe ultrapassado no período seguinte de seis anos, de 1856 a 1862. Nas fábricas de seda, p. ex., em 1856: fusos 1 093 799; em 1862: 1 388 544; 1856: teares 9260; e em 1862: 10 709. Pelo contrário, em 1856: número de operários 56 137; e em 1862: 52 429. Isto dá um aumento do número de fusos de 26,9% e de teares de 15,6%, com uma redução simultânea de 7% no número de operários. Em 1850, nas fábricas de estambre utilizavam-se 875 830 fusos; em 1856: 1 324 549 (aumento de 51,2%); e em 1862: 1 289 172 (redução de 2,7%). Mas se deduzirmos os fusos de torcer, que figuram na contagem para o ano de 1856, mas não para 1862, então o número de fusos ficou praticamente estacionário desde 1856. Em contrapartida, em muitos casos, a velocidade dos fusos e teares duplicou desde 1850. Nas fábricas de estambre o número de teares a vapor era, em 1850: 32 617; em 1856: 38 958; e em 1862: 43 048. Neles eram ocupadas, em 1850: 79 737 pessoas; em 1856: 87 794; e em 1862: 86 063 pessoas; mas entre elas eram crianças com menos de 14 anos em 1850: 9956; em 1856: 11 228; e em 1862: 13 178. Apesar, portanto, do grande aumento de teares em 1862, comparando com 1856, registou-se uma diminuição do total de operários ocupados, aumentando, no entanto, o número de crianças exploradas(82*).

Em 27 de Abril de 1863, o membro do Parlamento Ferrand declarou na Câmara Baixa:

«Fui informado por delegados de 16 distritos de Lancashire e Cheshire, em cujo nome falo, de que o trabalho nas fábricas, em consequência dos melhoramentos na maquinaria, está constantemente a aumentar. Enquanto anteriormente uma pessoa com dois ajudantes manejava dois teares, agora maneja três sem ajudantes e não é coisa incomum uma pessoa manejar quatro. Doze horas de trabalho, como é evidente pelos factos aduzidos, estão agora comprimidas em menos de 10 horas. É portanto evidente a enorme extensão em que a labuta dos operários da fábrica aumentou durante os últimos 10 anos.»(84*)

Embora os inspectores fabris não se cansem de elogiar, e com toda a razão, os resultados favoráveis das leis fabris de 1844 e 1850, admitem, no entanto, que o encurtamento do dia de trabalho provocou uma intensidade do trabalho que destrói a saúde dos operários, e portanto a própria força de trabalho.

«Na maioria das fábricas de algodão, de estambre e de seda, um estado extenuante de excitação, necessário para permitir aos operários cuidar satisfatoriamente da maquinaria, cujo movimento foi enormente acelerado nos últimos anos, parece-me não deixar de ser uma das causas daquele excesso de mortalidade por doenças pulmonares que o Dr. Greenhow assinalou no seu recente relatório sobre este assunto.»(85*)

Não existe a menor dúvida de que a tendência do capital, logo que o prolongamento do dia de trabalho é proibido por lei de uma vez por todas, é compensar-se a si próprio por uma subida sistemática do grau de intensidade do trabalho e converter cada melhoramento da maquinaria num meio de maior sucção da força de trabalho, o que de novo tem de levar em breve a um ponto de viragem, em que uma repetida redução das horas de trabalho se torna inevitável(86*). Por outro lado, a marcha impetuosa da indústria inglesa de 1848 até ao presente (i. é, durante o período do dia de trabalho de dez horas), ultrapassou muito mais o tempo de 1833 a 1837(87*) (i. é, o período do dia de trabalho de 12 horas) do que este último o meio século a partir da introdução do sistema fabril (i. é, o do período do dia de trabalho ilimitado)(88*).

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Notas de rodapé:

(1*) O Dr. Edward Smith, durante a crise do algodão que acompanhou a guerra civil americana, foi enviado pelo governo inglês para Lancashire, Cheshire, etc, para fazer um relatório sobre o estado sanitário dos operários do algodão. Informou entre outras coisas: de um ponto de vista higiénico a crise, abstraindo do desterro dos operários para fora da atmosfera da fábrica, teria várias outras vantagens. As mulheres operárias tinham agora vagar suficiente para dar o peito aos seus filhos em vez de os envenenar com Godfrey's cordial (um opiato). Tinham arranjado tempo para aprender a cozinhar. Infelizmente, esta arte culinária vinha num momento em que não tinham nada para comer. Mas por aqui se vê como o capital tinha usurpado, para sua autovalorização, o trabalho familiar necessário ao consumo. A crise foi igualmente utilizada para ensinar as filhas dos operários a costurar em escolas próprias. Foi preciso uma revolução americana e uma crise mundial para que as raparigas operárias, que fiam para todo o mundo, aprendessem a costurar! (retornar ao texto)

(2*) «O aumento numérico de trabalhadores tem sido grande, através da crescente substituição do trabalho masculino pelo feminino e, acima de tudo, do trabalho adulto pelo infantil. Três raparigas de 13 anos, com salários de 6 a 8 xelins por semana, substituíram um homem de idade madura com salário variando de 18 a 45 xelins.» (Th. de Quincey, The Logic of Politic. Econ., Lond., 1844, nota à p. 147.) Uma vez que certas funções da família, como, p. ex., amamentar e tratar das crianças, etc, não podem ser totalmente suprimidas, as mães de família confiscadas pelo capital têm de arranjar mais ou menos substitutos. Os trabalhos que o consumo familiar exige, como coser, remendar, etc, têm de ser substituídos pela compra de mercadorias prontas. A redução do dispêndio de trabalho doméstico corresponde, pois, multiplicação do dispêndio de dinheiro. Aumentam, portanto, os custos de produção da família operária e igualam os sobrerrendimentos. Acrescente-se que economia e pertinência na utilização e preparo dos meios de vida se tornam impossíveis. Sobre estes factos, encobertos pela economia política oficial, encontra-se rico material nos Reports dos inspectores fabris e da Children's Employment Commission e nomeadamente também nos Reports on Public Health. (retornar ao texto)

(3*) Em contraste com o grande facto de que a limitação do trabalho feminino e infantil nas fábricas inglesas fora conquistada ao capital pelos operários masculinos adultos, encontram-se ainda nos mais recentes relatórios da Children's Employment Commission traços verdadeiramente revoltantes e absolutamente próprios de comerciantes de escravos por parte dos pais operários em relação ao tráfico de crianças. O fariseu capitalista, no entanto, como se pode ver nos mesmos Reports, denuncia esta bestialidade por ele próprio criada, eternizada e explorada e que antes baptizava de «liberdade do trabalho». «Recorreu-se ao trabalho infantil... até para ganhar o pão do seu dia-a-dia. Sem força para aguentar uma labuta tão desproporcionada, sem instrução para guiar a sua vida futura, foram atirados para uma situação física e moralmente poluída. O historiador Judeu observou, referindo-se à conquista de Jerusalém por Tito, que não era de admirar que ela tivesse sido destruída com uma destruição tão marcada, quando uma mãe desumana sacrificou a sua própria prole para satisfazer as ânsias da pura fome.» (Public Economy Concentrated, Carlisle, 1833, p. 66.) (retornar ao texto)

(4*) A. Redgrave in Reports of Insp. of Fact. for 31st October, 1858, pp. 40, 41. (retornar ao texto)

(5*) Children's Employment Commission, V. Report, London, 1866, p. 81, n. 31. {À 4.a ed. — A indústria de seda de Bethnal Green está agora, quase aniquilada. — F. E.} (retornar ao texto)

(6*) Child. Employm. Comm., III Report, Lond., 1864, p. 53, n. 15. (retornar ao texto)

(7*) L. c, V. Report, p. XXII, n. 137. (retornar ao texto)

(8*) Alusão aos levellers (niveladores), partido radical pequeno-burguês da época da revolução inglesa do século XVII, que defendiam a representação popular e a devolução da terra senhorial às comunas. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(9*) Sixth Report on Public Health, Lond., 1864, p. 34. (retornar ao texto)

(10*) 3.ª e 4.ª edições: natural. (Nota da edição alemã.) (retornar ao texto)

(11*) «Ele» (o inquérito de 1861) «...mostrou, além disso, que enquanto, nas circunstâncias descritas, os bebés morrem por negligência e mau tratamento que as ocupações das mães implicam, as mães, tornam-se, numa dimensão assustadora, desnaturadas para com a sua prole — não se preocupando normalmente muito com a morte desta e até algumas vezes... tomando medidas directas para a assegurar.» (L. c.) (retornar ao texto)

(12*) L. c, p. 454. (retornar ao texto)

(13*) L. c, pp. 454-462(14*). Reports by Dr. Henry Julian Hunter on the Excessive Mortality of Infants in Some Rural Districts of England. (retornar ao texto)

(14*) Na edição inglesa: pp. 454-463. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(15*) L. c, p. 34 e pp. 455, 456. (retornar ao texto)

(16*) Marx traduz Gangmeister, patrão do rancho. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(17*) L. c, p. 456. (retornar ao texto)

(18*) Como nos distritos fabris ingleses, também nos distritos agrícolas o consumo de ópio entre os operários e operárias adultos alastra diariamente. «Impulsionar a venda de opiatos... é o grande objectivo de alguns grossistas empreendedores. Os droguistas consideram-no o artigo número um.» (L. c, p. 459.) Bebés que tomam opiatos «encolhem e ficam pequenos homens velhos» ou «mirrados como macacos pequenos.» (L. c, p. 460.) Vê-se como a Índia e a China se vingam da Inglaterra. (retornar ao texto)

(19*) Em francês no texto: em chefe. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(20*) L. c, p. 37. (retornar ao texto)

(21*) Reports of Insp. of Fact. for 31st Oct., 1862, p. 59. Este inspector fabril antes era médico. 136 Leonard Horner in Reports of Insp. of Fact. for 30th April *, 1857, p. 17. (retornar ao texto)

(22*) Leonard Horner in Reports, etc, for 30th April(23*), 1857, pp. 17. (retornar ao texto)

(23*) Na edição inglesa: June. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(24*) Forma cockney (dialecto de um bairro do extremo leste de Londres) de something (um pouco, algo). (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(25*) Id. in Reports of Insp. of Fact. for 31st Oct., 1855, pp. 18,19. (retornar ao texto)

(26*) Sir John Kincaid in Reports of lnsp. of Fact. for 31st Oct., 1858, pp. 31, 32. (retornar ao texto)

(27*) Leonard Horner in Reports, etc., for 30th April(28*), 1857, pp. 17, 18. (retornar ao texto)

(28*) Na edição inglesa: 31st Oct. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(29*) Sir J. Kincaid [in] Rep. Insp. Fact. 31st Oct., 1856, p. 66. (retornar ao texto)

(30*) Marx traduz: Anwender, empregador. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(31*) A. Redgrave in Rep. of Insp. of Fact., 31st Oct., 1857, pp. 41-43(32*). Nos ramos de indústria ingleses em que a lei fabril propriamente dita (não a Print Works Act referida no texto) impera desde há mais tempo, os obstáculos contra as cláusulas de instrução foram em certa medida suplantados nos últimos anos. Nas indústrias não sujeitas à lei fabril, imperam ainda as perspectivas do fabricante de vidro, J. Geddes, que informou o comissário de inquérito White do seguinte: «Tanto quanto posso ver, a grande quantidade de educação de que uma parte da classe operária tem desfrutado desde alguns anos para cá é um mal. É perigoso, porque os torna independentes.» (Children's Empl. Commission, VI. Report, London, 1865, p. 253.) (retornar ao texto)

(32*) Na edição inglesa: 41-42. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(33*) «O senhor E., um manufactureiro, [...] informou-me de que empregava exclusivamente mulheres nos seus teares mecânicos [...] dava decidida preferência a mulheres casadas, especialmente àquelas que tinham em casa famílias dependentes delas para o seu sustento; são atentas, dóceis, mais do que as mulheres solteiras, e são obrigadas a dar o seu máximo esforço para obter os meios de vida. Assim, as virtudes, as virtudes peculiares do carácter feminino são pervertidas em seu prejuízo — assim, tudo o que há de mais submisso e terno na sua natureza é transformado num meio para a sua servidão e sofrimento.» (Ten Hours' Factory Bill. The Speech of Lord Ashley, March 15th, London, 1844, p. 20.) (retornar ao texto)

(34*) Em latim no texto: móvel perpétuo. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(35*) «Desde a introdução geral de maquinaria cara(36*), a natureza humana foi forçada a ir bem para além da sua força média.» (Robert Owen, Observations on the Effects of the Manufacturing System, 2nd ed., London, 1817 [, p. 161].) (retornar ao texto)

(36*)A edição inglesa omite esta palavra, mas ela consta do texto de Owen e Marx tradu-la. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(37*) Os ingleses, que gostam de considerar a primeira manifestação empírica de uma coisa como a sua razão, apresentam frequentemente o grande rapto herodesiano de crianças que o capital fez nos asilos de pobres e de órfãos nos começos do sistema fabril — e através do qual incorporou todo um material humano desprovido de vontade — como a razão do longo dia de trabalho nas fábricas. Assim, p. ex., Fielden, ele próprio fabricante inglês, diz: «É evidente que as longas horas de trabalho foram realizadas dada a circunstância de um tão grande número de crianças desamparadas ter sido fornecida de diferentes partes do país, porque os patrões eram independentes dos braços e uma vez estabelecido o costume à custa dos miseráveis materiais que eles tinham obtido deste modo, podiam impô-lo aos seus vizinhos com a maior facilidade.» (J. Fielden, The Curse of the Factory System, Lond., 1836, p. 11.) Referindo-se ao trabalho das mulheres, o inspector fabril Saunders diz no seu relatório fabril de 1844: «Entre as operárias há algumas mulheres que, durante muitas semanas sucessivas, com excepção de alguns dias, são empregadas das 6 da manhã até à meia-noite, com menos de 2 horas para refeições, de tal modo que, em 5 dias da semana, só ficam com 6 das 24 para irem e virem das suas casas e descansarem na cama.» (retornar ao texto)

(38*) «Ocasião... de dano das partes móveis delicadas do mecanismo metálico por inacção.» (Ure, 1. c, p. 281.) (retornar ao texto)

(39*) O «Manchester Spinner» já anteriormente mencionado(40*) (Times, 26 Nov. 1862) enumera entre os custos da maquinaria: «Ela» (a saber: a «compensação para a deterioração da maquinaria») «pretende também cobrir a perda que está constantemente a surgir da substituição de máquinas antes de estarem gastas por outras de nova e melhor construção.» (retornar ao texto)

(40*) Em inglês no texto: «fiandeiro de Manchester». Cf. a presente edição, tomo i, p. 237, n. 23. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(41*) «Foi calculado, por alto, que o primeiro exemplar de uma outra máquina recentemente inventada custará cinco vezes mais do que a construção do segundo.» (Babbage, 1. c, pp. 211, 212(42*).) (retornar ao texto)

(42*) Nas edições inglesa e francesa: p. 349. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(43*) «Os melhoramentos realizados, não há muito tempo, em estruturas para a fabricação de tule [patent net], foram tão grandes que uma máquina em bom estado, que tinha custado £ 1200 alguns anos depois foi vendida por £ 60... os melhoramentos sucediam-se tão rapidamente que as máquinas que nunca foram acabadas eram abandonadas nas mãos dos seus construtores, porque novos melhoramentos tinham substituído a sua utilidade.» Por isso, neste período de tempestade e ímpeto [Sturm und Drangperiode] os fabricantes de tule depressa estenderam o dia de trabalho originário de 8 horas para 24, com duas equipas. (Babbage, 1. c, p. 233.) (retornar ao texto)

(44*) «É evidente que, com as marés altas e baixas dos mercados e as expansões e contracções alternadas da procura, voltam constantemente as ocasiões em que o manufactureiro pode empregar capital circulante [floating] adicional sem empregar capital fixo adicional... se quantidades adicionais de matérias-primas puderem ser trabalhadas sem incorrer em despesas adicionais em construções e maquinaria.» (R. Torrens, On Wages and Combination, Lond., 1834, p. 64.) (retornar ao texto)

(45*) A circunstância mencionada no texto é-o apenas para ser completo, uma vez que eu só no livro terceiro é que trato da taxa de lucro, i. é, da relação da mais-valia com o capital total adiantado. (retornar ao texto)

(46*) «When a labourer», said Mr. Ashworth, «lays down his spade, he renders useless, for that period, a capital worth 18 d. When one of our people leaves the mill he renders useless a capital that has cost 100 000 pounds(47*).» (Senior, Letters on the Factory Act, Lond. 1837, p. 14.) (retornar ao texto)

(47*) Em Senior: £100. (Nota da edição alemã.) (retornar ao texto)

(48*) «A grande proporção de capital fixo em relação ao circulante... torna desejável longas horas de trabalho.» Com o volume crescente da maquinaria, etc, «os motivos para longas horas de trabalho tornar-se-ão maiores, como o único meio de tornar lucrativa uma grande porção de capital fixo.» (L. c, pp. 11-14(49*).)
«Há certas despesas numa fábrica que persistem na mesma proporção, quer a fábrica trabalhe a tempo inteiro ou reduzido, como, por exemplo, taxas de aluguer e impostos, seguro contra incêndio, salários de vários empregados permanentes, deterioração de maquinaria, além de vários outros encargos sobre o estabelecimento manufactureiro, cuja proporção em relação aos lucros aumenta à medida que decresce a produção.» (Reports of the Insp. of Fact. for 31st Oct., 1862, p. 19.) (retornar ao texto)

(49*)Na edição inglesa: pp. 11-13. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(50*) O porquê desta contradição imanente para o capitalista singular e portanto também para a economia política embaraçada nas maneiras de ver daquele, perceber-se-á pelas primeiras secções do livro terceiro. (retornar ao texto)

(51*)Um dos grandes méritos de Ricardo é ter concebido a maquinaria não só como meio de produção de mercadorias como também de «redundam population»(52*). (retornar ao texto)

(52*) Em inglês no texto, literalmente: «população redundante», isto é, população excedentária. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(53*) F. Biese, Die Philosophie des Aristóteles, segundo volume, Berlin, 1842, p. 408. (retornar ao texto)

(54*) Dou aqui a tradução de Stolberg[N135] do poema porque, tal como as anteriores citações sobre a divisão do trabalho, caracteriza a oposição da maneira antiga de ver e a moderna.
«Schonet der mahlenden Hand, o Müllerinnen, und schlafet
Sanft! es verkünde der Hahn euch den Morgen umsonst!
Däo hat die Arbeit der Mädchen den Nymphen befohlen,
Und itzt hüpfen sie leicht über die Räder dahin,
Daß die erschütterten Achsen mit ihren Speichen sich wälzen,
Und im Kreise die Last drehen des wälzenden Steins.
Laßt uns leben das Leben der Väter, und laßt uns der Gaben
Arbeitslos uns freun, welche die Göttin uns schenkt.
»
(Gedichte aus dem Griechischen übersetz von Christian Graf zu Stolberg, Hamburg 1782.)(55*) (retornar ao texto)

(55*) «Poupai a mão moente, ó moleiros, e dormi
Suavemente! Em vão vos anuncie o galo a manhã!
Deo mandou as ninfas fazer o trabalho das moças,
E agora elas saltitam com leveza sobre as rodas,
De modo que os eixos sacudidos rodam com os seus raios,
E fazem girar em círculo o peso da pedra rolante.
Vivamos a vida dos nossos pais e gozemos no ócio
As dádivas que a Deusa nos faz.»
(Poema traduzido do grego por Christian Graf zu Stolberg,
Hamburgo, 1782.) (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(56*) Em inglês no texto, respectivamente: «eminentes fiandeiros», «grandes salsicheiros» e «influentes comerciantes de graxa para sapatos». (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(57*) Pela palavra intensificação designamos os procedimentos que tomaram o trabalho mais intensivo. (Nota da edição francesa.) (retornar ao texto)

(58*) Existem naturalmente em geral diferenças na intensidade dos trabalhos em diferentes ramos de produção. Estas compensam-se, como já A. Smith o mostrou, em parte, através das circunstâncias secundárias de cada espécie de trabalho. Mas, aqui, também só se verifica influência sobre o tempo de trabalho como medida de valor na medida em que as magnitudes intensiva e extensiva se apresentam como expressões contrapostas e que se excluem uma à outra do mesmo quantum de trabalho. (retornar ao texto)

(59*) Sobretudo através do salário à peça, uma forma que é desenvolvida na secção sexta. (retornar ao texto)

(60*)Ver Reports of Insp. of Fact. for 31st. Oct., 1865. (retornar ao texto)

(61*) Reports of Insp. of Fact. for 1844 and the quarter ending 30th April, 1845, pp. 20, 21. (retornar ao texto)

(62*) L. c, p. 19. Uma vez que o salário à peça permaneceu o mesmo, o nível do salário semanal dependia do quantum de produto. (retornar ao texto)

(63*)L. c, p. 20. (retornar ao texto)

(64*) L. c, p. 21. O elemento moral desempenhou um papel significativo nos experimentos acima referidos. «Nós», declararam os operários ao inspector fabril, «trabalhamos com mais ânimo, temos sempre diante de nós a recompensa de nos irmos embora mais cedo à noite e um ânimo activo e alegre perpassa por toda a fabrica, desde o mais jovem emendador de fios até ao braço mais velho, e podemos ajudar-nos muito uns aos outros.» (L. c.) (retornar ao texto)

(65*) John Fielden, 1. c, p. 32. (retornar ao texto)

(66*) Observação de Engels na edição inglesa. Na 4.a edição alemã figura simplesmente: 1825. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(67*) Lord Ashley, 1. c, pp. 6-9 passim. (retornar ao texto)

(68*) Reports of Insp. of Fact. to 30th April, 1845, p. 20. (retornar ao texto)

(69*) L. c, p. 22. (retornar ao texto)

(70*) Da 1.ª à 4.ª edição: 1/5. (Nota da edição alemã.) (retornar ao texto)

(71*) Reports of Insp. of Fact. for 31 st Oct., 1862, p. 62. (retornar ao texto)

(72*) Isto modificou-se com o Parliamentary Return de 1862. Aí a força de cavalo de vapor real das máquinas a vapor e rodas hidráulicas modernas entra para o lugar da nominal (v. nota(73*)). Os fusos de torcer também não mais são juntos aos fusos de fiar propriamente ditos (como nos Returns de 1839, 1850 e 1856); além disso, no caso das fábricas de lã acrescenta-se o número das gigs(74*), introduz-se uma distinção entre fábricas de juta e fábricas de cânhamo, por um lado, e fábricas de linho, por outro lado; finalmente, a tecelagem de meias é pela primeira vez acolhida no relatório. (retornar ao texto)

(73*) {Nota à 3.a ed. — Uma «força de cavalo» é igual à força de 33 000 libras-pé por minuto, i. é, à força que levanta 33 000 libras num minuto à altura de 1 pé (inglês) ou 1 libra à altura de 33 000 pés. É esta a força de cavalo acima referida. Na linguagem de negócios habitual e também aqui e ali em citações deste livro, distingue-se porém entre forças de cavalo «nominais» e «comerciais» ou «indicadas» da mesma máquina. A velha força de cavalo ou força de cavalo nominal é exclusivamente calculada a partir do curso do êmbolo e do diâmetro do cilindro e deixa totalmente fora de consideração a pressão do vapor e a velocidade do êmbolo. I. é, factualmente exprime: esta máquina a vapor tem, p. ex., a força de 50 cavalos se for accionada com a mesma fraca pressão de vapor e a mesma velocidade ínfima do êmbolo como no tempo de Boulton e Watt. Estes dois últimos factores cresceram porém enormemente desde então. Para medir a força mecânica hoje realmente fornecida por uma máquina foi inventado o indicador, que indica a pressão do vapor. A velocidade do êmbolo pode facilmente fixar-se. Assim, a medida da força de cavalo «indicada» ou «comercial» de uma máquina é uma fórmula matemática, que simultaneamente considera o diâmetro do cilindro, a altura do curso do êmbolo, a velocidade do êmbolo e a pressão do vapor, e com isso indica quantas vezes a máquina fornece realmente 33 000 libras-pé por minuto. Uma força de cavalo nominal pode, portanto, na realidade, fornecer três, quatro ou mesmo cinco forças de cavalos indicadas ou reais. Isto para explicação de diversas citações posteriores. — F. E.} (retornar ao texto)

(74*) Em inglês no texto: máquinas de cardar. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(75*) Reports of Insp. of Fact for 31st Oct., 1856, pp. 14, 20(76*). (retornar ao texto)

(76*)Na edição inglesa: pp. 13-14, 20 e 1852, p. 23. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(77*) L. c, pp. 14, 15. (retornar ao texto)

(78*) L. c, p. 20. (retornar ao texto)

(79*) Reports, etc, for 31st Oct., 1858, p. 10(80*). Cf. Reports, etc., for 30th April, 1860, pp. 30 sqq. (retornar ao texto)

(80*) Na edição inglesa: pp. 9-10. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(81*) Por lapso Marx transcreveu 32% e 86%, lapso que se manteve na edição francesa por si revista (onde consta 32% por ano, 86% por ano) assim como na edição inglesa e na 4.ª alemã revistas por Engels. Noutro passo (ver MEW, t. XII, p. 187), Marx cita correctamente aqueles dados. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(82*) Reports of Insp. of Fact. for 31st Oct., 1862, pp. 100, 103, 129, 130(83*). (retornar ao texto)

(83*) Na edição inglesa: pp. 100 e 130; na edição francesa: pp. 129, 100, 103 e 130. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(84*) Com o moderno tear a vapor, um tecelão fabrica agora, em 60 horas por semana em dois teares, 26 peças de uma certa espécie, com comprimento e largura determinados, quando com o velho tear a vapor só podia fabricar quatro. Os custos de tecelagem de uma destas peças baixou, já no início dos anos cinquenta, de 2 sh. e 9 d. para 5 1/8 d.
Suplemento à 2.a edição. «Há trinta anos» (1841) «um fiandeiro com 3 emendadores de fio não era obrigado a dar assistência a mais de um par de máquinas de fiar com 300-324 fusos. Presentemente» (finais de 1871) «com 5 emendadores de fio ele tem de cuidar de 2 200 fusos e produz, pelo menos, sete vezes mais fio do que em 1841.» (Alexander Redgrave, inspector fabril, in Journal of the Soc. of Arts, 5 de Jan. de 1872.) (retornar ao texto)

(85*) Reports of Insp. of Fact. for 31st Oct., 1861, pp. 25, 26. (retornar ao texto)

(86*) A agitação a favor do dia de trabalho de oito horas começou agora (1867) em Lancashire entre os operários fabris. (retornar ao texto)

(87*) Nas edições francesa e inglesa: 1847. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(88*) Os poucos números seguintes mostram o progresso das «factories»(89*) propriamente ditas no U[nited] Kingd[om] desde 1848:

Exportação quantitade
1848 1851 1860 1865
Fabrico de algodão
Fio de algodão (lib.) 135 831 162 143 966 106 197 343 655 103 751 455
Fio de coser (lib.)   4 392 176 6 297 554 4 648 611
Tecido de algodão (jard.) 1 091 373 930 1 543 161 789 2 776 218 427 2 015 237 851
Fabrico de linho e cânhamo
Fio (lib.) 11 722 182 18 841 326 31 210 612 36 777 334
Tecido (jard.) 88 901 519 129 106 753 143 996 773 247 012 329
Fabrico de seda
Fio (lib.) 466 825(*) 462 513 897 402 812 589
Tecido (jard.) 1 181 455(**) 1 307 293 (**) 2 869 837
Fabrico de lã
Fio de lã e de estambre (lib.) 14 670 880 27 533 968 31 669 267
Tecido (jard.) 151 231 153 190 371 537 278 837 418
(*) 1846 (**) Lib.

Exportação: valor (em lib. esterl.)
1848 1851 1860 1865
Fabrico de algodão
Fio de algodão 5 927 831 6 634 026 9 870 875 10 351 049
Tecido de algodão 16 753 369 23 454 810 42 141 505 46 903 796
Fabrico de linho e cânhamo
Fio 493 449 951 426 1 801 272 2 505 497
Tecido 1 802 789 4 107 396 4 804 803 9 155 358
Fabrico de seda
Fio 77 789 196 380 826 107 768 064
Tecido   1 130 398 1 587 303 1 409 221
Fabrico de lã
Fio de lã e de estambre 776 975 1 484 544 3 843 450 5 424 047
Tecido 5 733 828 8 377 183 12 156 998 20 102 259

(Ver os livros azuis: Statistical Abstractfor the U. Kined., n.os 8 and 13 Lond 1861 e 1866.)

No Lancashire as fábricas aumentaram, entre 1839 e 1850, apenas à volta de 4%; entre 1850 e 1856, à volta de 19%; entre 1856 e 1862, à volta de 33%; enquanto em ambos os períodos de onze anos o número de pessoas ocupadas aumentou absolutamente, mas baixou relativamente. Cf. Reports of Insp. of Fact. for 31 st Oct., 1862, p. 63. A fábrica de algodão predomina no Lancashire. Pode-se ter uma ideia do espaço proporcional que em geral ela ocupa na fabricação de fio e tecido se considerarmos que, só ela, detém 45,2% de todas as fábricas si-milares em Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda, 83,3% de todos os fusos, 81,4% de todos os teares a vapor, 72,6% da força de cavalos de vapor que os movimentam e 58,2% do número total de pessoas ocupadas. (L. c, pp. 62, 63.) (retornar ao texto)

(89*) Em inglês no texto: «fábricas». (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

Notas de fim de tomo:

[N133] Órgão especial junto do rei de Inglaterra, composto por ministros e outras personalidades oficiais, bem como pelos representantes superiores do clero. Formado pela primeira vez no século XIII. Durante muito tempo deteve o poder legislativo em nome do rei e à margem do Parlamento. Nos século XVIII e XIX o papel do Privy Council é fortemente reduzido. Na Inglaterra contemporânea o Privy Council praticamente não participa na direção do País. (retornar ao texto)

[N134] Schiller, Das Lied von der Glocke. (retornar ao texto)

[N135] A tradução de Stolberg teria sido comunicada a Marx por Freiligrath em carta de 22 de Abril de 1859, como resposta a um pedido para que lhe traduzisse os versos em questão. (retornar ao texto)

Inclusão 19/06/2012
Última alteração 21/03/2013