O Camarada Stálin e a Direção Stalinista

F. Molotov

1949


Primeira Edição: ......
Fonte: Problemas - Revista Mensal de Cultura Política nº 23 - Dez de 1949.
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo
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Agora, é bastante claro que foi uma grande felicidade para nossa Pátria e para toda a causa do comunismo que, depois de Lênin tenha ficado à frente do Partido Comunista (b) da URSS o camarada Stálin, sob cuja direção, há mais de um quarto de século, a União Soviética constrói vitoriosamente a sociedade comunista. Nesse período histórico, nosso pais se fortaleceu e aumentou seu prestígio como país do socialismo e, ao mesmo tempo, se converteu em fator decisivo do poderoso ascenso das forças progressistas em todo o mundo. Nisto reside o grandioso mérito do camarada Stálin, da direção stalinista que assegurou a coesão ideológica de nosso Partido na base dos princípios do marxismo-leninismo e o incessante avanço do povo soviético no caminho traçado pelo grande Lênin.

As Magníficas Vitórias do Partido e do Estado

Já em fins de 1936, em seu informe sobre o projeto de Constituição da URSS, o camarada Stálin dizia:

"Temos agora um Estado socialista multinacional perfeitamente constituído, que saiu triunfante de todas as provas e cuja solidez pode ser invejada por qualquer Estado nacional em qualquer parte do mundo".

Como se sabe, a Constituição stalinista exprimiu essa situação geral e se converteu na base para o surto ulterior e para um desenvolvimento ainda mais multilateral das forças de nosso Estado.

Em 1946, ao fazer o balanço da segunda guerra mundial e traçar as novas tarefas da construção socialista, o camarada Stálin ressaltei, a importância histórico-mundial da vitória do Exército Soviético nessa guerra. O camarada Stálin mostrou então que, nessa guerra, "venceu o nosso regime social soviético", demonstrando que é "melhor forma de organização da sociedade que qualquer regime social não soviético", que, ao mesmo tempo, nessa guerra, "triunfou nosso regime estatal soviético" demonstrando que o "regime estatal soviético provara ser o modelo de Estado multinacional, que o regime estatal soviético constitui um sistema de organização do Estado em que a questão nacional e o problema da colaboração entre as nações foram resolvidos melhor do que em qualquer outro Estado multinacional".

É inteiramente evidente que não poderíamos ter alcançado semelhante vitória se não a tivessem precedido os grandes êxitos do povo soviético, no auge econômico e político do Estado soviético, conquistados sob a direção de nosso Partido. Sem isto, não teríamos a potência econômica do país, a coesão da classe operária e de todos os trabalhadores em torno ao Partido, em torno ao camarada Stálin, e a ilimitada disposição do povo a defender o Estado soviético contra os inimigos externos, fatos que tiveram importância decisiva para o final vitorioso da guerra.

Essa grande vitória foi possível graças aos êxitos do socialismo, alcançados por nosso povo nos anos que precederam à Grande Guerra Pátria.

Foi necessário, antes de tudo, criar o alicerce econômico do socialismo, colocando desse modo em uma base firme o sistema estatal da ditadura do proletariado, sistema baseado na aliança da classe operária e das massas trabalhadoras do campo. A essa tarefa correspondia a política de industrialização socialista do país, expressa pelos famosos planos quinquenais stalinistas. Nesses anos, desenvolveu-se a construção de muitos milhares de fábricas e empresas, surgiram muitas novas regiões e cidades industriais. A aplicação dessa política consolidou e realçou o papel dirigente da classe operária na União Soviética. Na base da política stalinista da industrialização, que tornou possível a reconstrução técnica de toda a economia nacional do país, asseguramos o ininterrupto e crescente surto da indústria soviética e, sobretudo, da indústria pesada, a independência de nossa economia nacional em relação aos países capitalistas e a constante elevação do bem-estar e do nível cultural da classe operária e de todos os trabalhadores de nosso país.

Foi necessário, a seguir, resolver a tarefa, colocada pela primeira vez na história, da passagem de milhões de economias camponesas, pequenas e atrasadas, para a grande economia coletiva, equipada com novos meios técnicos. A teoria da edificação kolkosiana, elaborada pelo camarada Stálin, e que serviu de base ao famoso Estatuto do artél agrícola com seus sábios princípios da combinação do interesse pessoal do kolkosiano com a importância decisiva da economia coletiva do kolkoz, e a direção stalinista direta do movimento kolkosiano desenvolvido em massa, garantiram a solução feliz dessa tarefa histórica, o que levou à liquidação dos kulaks e de todos os elementos capitalistas que ainda existiam e à criação das bases da organização socialista de toda a economia nacional na URSS. Somente depois de realizada a coletivização das fazendas camponesas, que tornou possível a aplicação, com uma amplitude nunca vista, da técnica de vanguarda e das conquistas científicas da agronomia nas grandes fazendas coletivas então criadas, é que a agricultura deixou de ser um freio para a elevação da economia nacional do pais, e se abriram diante do camponês kolkosiano perspectivas ilimitadas de progresso econômico e cultural. E considerando apenas isto, pode-se compreender que agora nos seja possível realizar novos planos como o grandioso plano aprovado no ano passado, contendo as medidas destinadas a assegurar colheitas elevadas e estáveis nas regiões das estepes e das estepes-florestais da parte européia do país, empreendimento que nenhum Estado capitalista pode enfrentar.

A política de industrialização do país e a política de coletivização das fazendas camponesas, assim como o trabalho das brigadas, a emulação socialista das massas, desenvolvida sob a direção stalinista do Partido transformaram nossa Pátria. Os elementos capitalistas foram liquidados por completo.

Nossa classe operária, de explorada e oprimida se converteu na força dirigente do Estado soviético, na força que vai à frente do povo soviético na construção do socialismo. O campesinato soviético, uma vez organizados os kolkozes, com todas as vantagens da moderna grande agricultura, libertou-se definitivamente dos kulaks, dos especuladores do usurários e demais exploradores, parasitas do campo, e começou a viver uma vida nova, culta e acomodada. A atual intelectualidade soviética não é a velha intelectualidade mas uma intelectualidade nova, popular, socialista, oriunda em sua maioria do seio dos próprios operários, camponeses e demais trabalhadores que servem voluntária e lealmente a seu povo. Em nosso país, foi criada e se desenvolveu já solidamente a sociedade socialista, sociedade sem capitalistas, sem exploração do homem pelo homem e, juntamente com isso, se extirparam para sempre as raízes da restauração do capitalismo.

A importância das radicais transformações sociais ocorridas na URSS é grande especialmente porque nosso Estado é multinacional e porque todos os povos da União Soviética, com todas as diferenças de seu passado histórico e mesmo de seus costumes atuais, marcham pelo mesmo caminho do desenvolvimento socialista comum. Neste aspecto, uma das realizações mais grandiosas da direção stalinista é a grande amizade dos povos, sua fraternal colaboração e ajuda mútua, alcançadas em nosso país sob a bandeira do internacionalismo socialista, e que se reforçam dia a dia.

Estes êxitos do socialismo na URSS e sua grande significação progressista, que se manifesta cada dia mais claramente, atraem cada vez mais a atenção dos demais povos, já que à vista de todos prossegue o aprofundamento da crise geral do sistema capitalista, quando deste sistema desgarram novos e novos Estados e quando o capitalismo não tem mais perspectivas de uma auge geral, e as potências capitalistas mais fortes ajustam seus negócios, de uma ou de outra maneira, às custas do saque desenfreado e do enfraquecimento de outros países capitalistas e dependentes e, principalmente, às custas da feroz exploração das massas trabalhadoras desses Estados. Agora já não se pode continuar ocultando que nos países capitalistas da América e da Europa amadurece uma nova crise econômica e que continuamente engrossam as fileiras dos milhões de desempregados e semi-desempregados, enquanto a União Soviética, onde não há crise e não existe o desemprego, avança com segurança pelo caminho da prosperidade e do florescimento econômico.

A despeito das profecias de nossos adversários do campo capitalista sobre a inevitabilidade de uma prolongada decadência econômica da URSS, após a terminação da segunda guerra mundial, o nosso país termina vitoriosamente a liquidação das duras consequências da guerra e da ocupação inimiga, incrementa a economia nacional em todos os aspectos, com a particularidade de que nossa indústria já trabalha num nível consideravelmente mais elevado do que nos anos anteriores à guerra.

Os operários, os camponeses e os intelectuais da União Soviética compreendem que hoje vivem melhor do que ontem e sabem perfeitamente que amanhã viverão melhor do que hoje. Têm confiança no amanhã, vendo com os próprios olhos como cresce e se fortalece a URSS, de ano para ano. Sabem que têm um dirigente seguro, o Partido Comunista, e um sábio chefe: o grande Stálin.

Um mérito grandioso do camarada Stálin consiste em que, em todos esses anos, quaisquer que tenham sido as dificuldades que encontramos em nosso caminho, o Partido Bolchevique sempre manteve bem alto a bandeira da luta pelo triunfo do socialismo na URSS.

No Partido existiam não poucos trotsquistas, direitistas e toda a espécie de traidores e elementos estranhos que semeavam a desconfiança na possibilidade do triunfo do socialismo na URSS, que se achava submetida ao cerco capitalista. Especialmente depois da morte de Lênin, os agentes de toda espécie do inimigo de classe desfecharam seus ataques contra o Partido e sua política de construção do socialismo. O camarada Stálin salvaguardou e desenvolveu a teoria leninista sobre a possibilidade do triunfo do socialismo num país separadamente, da possibilidade do triunfo do socialismo na URSS.

Em nossos dias, não há necessidade de discutir a justeza científica dessa teoria e demonstrar que, nas condições do desenvolvimento desigual dos países capitalistas, na época do imperialismo, o socialismo não pode triunfar simultaneamente em todos os países, podendo, ao contrário, vencer somente em alguns países, porque a possibilidade do triunfo do socialismo nos primeiros tempos, num país separadamente, já se converteu na vitória real do regime socialista na URSS, onde se criam agora felizmente as premissas para a passagem ao comunismo em sua fase superior. Dessa maneira, não só teoricamente, mas também pelo próprio fato do triunfo do socialismo em nosso país, foram desfeitas todas as divagações sobre a possibilidade de construir o socialismo num país atrasado do ponto de vista técnico e econômico, como a Rússia, divagações oriundas, das fontes reacionárias da ideologia burguesa e social-democrata.

Mas não se deve esquecer que o Partido não teria podido conquistar essa vitória que exigia uma luta abnegada, se não estivesse armado com a profunda convicção da possibilidade dessa, vitória, se o Partido não tivesse derrotado os incrédulos e vacilantes em suas fileiras, se o Partido, sob a direção de Stálin, não tivesse inspirado e conduzido a classe operária de nosso país, para vencer audaz e resolutamente todas e cada uma das vacilações anti-leninistas, para a luta inflexível contraio inimigo de classe e seus agentes entre os trabalhadores e dentro do próprio Partido.

Este mérito histórico da direção stalinista é tanto mais relevante porquanto possui uma grandiosa importância internacional, quando desfere um golpe demolidor contra a desconfiança social-democrata na vitória do socialismo, desconfiança que todos os Partidos Comunistas têm a enfrentar em suas próprias fileiras. A vitória do socialismo em nosso país demonstrou palpavelmente que as chamadas "premissas objetivas" para o triunfo do socialismo há muito tempo que amadureceram nos países da Europa e não apenas da Europa, e que por isso, vencer com decisão a influência reacionária da burocracia social-democrata aburguesada e da cisão que ela introduz no movimento operário, é hoje a tarefa primordial de todos os honestos partidários do socialismo.

Todos vêem agora que nosso país se transformou num Estado socialista, que o triunfo do socialismo na URSS assegura todas as condições para um surto-econômico ainda mais poderoso do país e para a elevação constante do bem-estar do povo soviético e que a situação internacional mudou grandemente a favor do socialismo e da democracia popular. O povo soviético, integrado por milhões e milhões de homens, efetuou, nos anos do poder soviético, um avanço gigantesco em seu desenvolvimento cultural e participa unânime e ativamente na construção socialista na cidade e no campo, imbuído da elevada consciência da justeza da sua causa e da profunda segurança na sábia direção stalinista. Avançamos com êxito no fortalecimento do regime socialista e na reeducação socialista do povo soviético, que se manifesta no maior desenvolvimento da unidade moral e política da sociedade soviética e no maior desenvolvimento do patriotismo soviético, de tal modo que hoje não existe no mundo uma força capaz de fazer retroceder nosso povo para o capitalismo.

Nisto reside o principal saldo da etapa de desenvolvimento socialista percorrida por nosso país sob a direção stalinista do Partido Bolchevique.

A Sábia e Firme Política Externa de Stálin

No que diz respeito às relações da URSS com os outros países e à situação internacional em seu conjunto, aqui também se produziram importantes modificações nos últimos anos.

Até há pouco, a União Soviética continuava a ser o único Estado socialista, Estado que se encontrava sujeito ao hostil cerco capitalista. Todos conhecem quantas tentativas já fizeram as potências imperialistas para pôr fim à existência do primeiro Estado socialista, valendo-se da intervenção militar direta, do bloqueio econômico e de toda sorte de meios infames, inclusive as conspirações e o assassinato de dirigentes soviéticos, a sabotagem e o diversionismo. Assegurar as condições externas para o desenvolvimento pacífico da URSS era a tarefa fundamental colocada perante a política externa do poder soviético. Isto exigia também zelar constante e acuradamente pelo reforçamento da potência do Exército Soviético e sua preparação para defender o país diante da agressão. O fato de que, no decorrer dos anos de 1921 a 1941, o nosso país, aplicando uma política externa soviética independente, tenha podido assegurar condições pacíficas para seu desenvolvimento, é uma imensa conquista da política exterior soviética stalinista, política de paz A política exterior stalinista, apoiada nos êxitos da construção do socialismo e no fortalecimento da potência do país, permite-nos converter o período pacífico de pré-guerra, em dois decênios de paz, nos quais se resolveu a tarefa da transformação da URSS numa pujante potência socialista que saiu vitoriosa de todas as provas da guerra passada.

A segunda guerra mundial terminou com a vitória total da URSS e dos Estados aliados sobre os agressores fascistas. Essa guerra provocou grande tensão de todas as forças do povo soviético e, ao mesmo tempo, mostrou ao mundo inteiro a potência econômica de nosso país e a indestrutível unidade dos povos da URSS, potência e unidade que foram criadas sob a direção stalinista do Partido nos anos que precederam à guerra. Com sua abnegada luta,

"o povo soviético salvou dos vândalos fascistas a civilização da Europa" (J. Stálin).

O Exército Soviético cobriu de glória a nossa Pátria com seus excepcionais feitos nesta guerra. O papel grandioso do camarada Stálin na organização da grande vitória é conhecido de todos.

Para organizar a empresa da vitória, o camarada Stálin tomou imediatamente em suas mãos, tanto a direção política e econômica do país, como a própria direção militar, pondo-se à frente das forças armadas do país, o que inspirou ao exército e a todo o povo para uma luta abnegada e heróica. Isto assegurou a rápida reorganização da economia do país de acordo com as necessidades militares. O gigantesco Exército Soviético criado durante a guerra, sob a direção imediata do camarada Stálin, foi estruturado na base dos princípios da ciência militar stalinista e se converteu no melhor exército contemporâneo. Tudo isso possibilitou uma viragem radical no curso da guerra e assegurou a vitoriosa realização dos planos estratégicos stalinistas de derrota do inimigo. Ao mesmo tempo, a demora na abertura da segunda frente na Europa evidenciou aos olhos de todo o mundo que a honra da vitória sobre o fascismo na Europa e, mais tarde, no Extremo Oriente, pertence, acima de tudo, ao Exército Soviético e à sua incomparável direção stalinista. Esta vitória histórico-mundial cobriu de glória o nosso país, o Exército Soviético e seu grande estrategista, Josef Vissarionovitch Stálin.

Todos sabem, também, o importante papel que, na derrota das forças armadas dos Estados do "Eixo", desempenhou a formação da coalizão antifascista da União Soviética, Estados Unidos da América, Grã-Bretanha e outros Estados seus aliados. Graças à política exterior stalinista, que soube conjurar a criação de uma frente única de Estados capitalistas contra a URSS no período que precedeu à segunda guerra mundial, os Estados fascistas agressivos se encontraram numa situação de isolamento, enquanto a União Soviética ocupava o posto que lhe cabia na poderosa coalizão anti-fascista. Aqui também, o papel pessoal do camarada Stálin teve excepcional importância em toda a marcha dos acontecimentos. Os profundos conhecimentos no terreno da história dos povos, a múltipla experiência do chefe do movimento comunista internacional, o talento em descobrir e decifrar, em tempo, os planos estratégicos e os lances táticos dos diferentes Estados, a audácia e a flexibilidade em decidir os complexos assuntos internacionais, qualidades tão características do camarada Stálin, determinaram os êxitos decisivos da política exterior da União Soviética.

Para que se criasse, durante a guerra, a coalizão anti-hitlerista das três potências, foi preciso que se desbaratasse, com antecedência, os planos anti-soviéticos dos governos da Inglaterra, França e dos círculos imperialistas que se ocultavam por trás deles e que tinham o objetivo de jogar a Alemanha na guerra contra a União Soviética, para depois tirar vantagens à custa de ambas, especialmente à custa da URSS. A União Soviética se viu forçada inclusive a firmar um pacto de não agressão com a Alemanha, quando se tornou claro, definitivamente, que todos os esforços do Governo Soviético para criar uma frente única com outros Estados da Europa, a fim de contrapô-la à agressão fascista dos países do "Eixo", haviam sido frustrados pelos governos da Inglaterra e da França, levados por seu ódio cego ao Estado Soviético operário e camponês. O camarada Stálin percebeu, em tempo, o sentido pérfido das intrigas anglo-francesas, de então, contra a União Soviética, o que permitiu, não só subtrair a nossa Pátria aos golpes do inimigo e retardar a agressão da Alemanha hitlerista à URSS, como também levar o desenvolvimento dos acontecimentos a uma tal situação que os governos da Inglaterra e dos Estados Unidos fossem colocados diante da necessidade da formação da coalizão anti-fascista anglo-soviético-americana, que atendia aos interesses de todos os povos amantes da liberdade.

As mudanças na situação internacional, ocorridas como resultado da segunda guerra mundial e do papel crescente da URSS, falam por si próprias.

Isto se torna evidente, em primeiro lugar, por fatos tais como a formação de vários países da democracia popular, na Europa e na Ásia, que empreendem agora, com passo firme, o caminho da construção do socialismo. Unicamente os reacionários incuráveis podem se entregar, em nossos dias, às estúpidas utopias de pretender fazer retroceder os povos da Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Romênia, Bulgária, Albânia ou Coréia, sem falar já da República Popular da Mongólia, às velhas condições, à situação de escravos submissos dos latifundiários e da burguesia. Não se pode deixar de reconhecer a importância mundial da formação da República Popular da China, que minou os alicerces do imperialismo na Ásia. Para o grande povo chinês se abriram novos caminhos de liberdade e de felicidade e este povo possui agora — o que é de particular importância — um dirigente firme no Partido Comunista da China. O camarada Stálin definiu a grande importância da organização da República Democrática Alemã, com as seguintes palavras que tiveram repercussão mundial:

"A formação da República Democrática Alemã amante da paz constitui uma viragem profunda na história da Europa. Não resta dúvida de que a existência da Alemanha democrática e amante da paz, ao lado da existência da União Soviética, amante da paz, exclui a possibilidade de novas guerras na Europa, põe fim aos derramamentos de sangue na Europa e torna impossível a sujeição dos países europeus pelos imperialistas mundiais".

Nas condições atuais, no mesmo campo que a União Soviética, encontram-se todos os Estados da democracia popular, defendendo a causa da paz e da democracia. A União Soviética e os Estados da democracia popular são alheios às aspirações imperialistas e à política anexionista. Estão interessados de maneira vital em garantir a seus povos, que conquistaram a liberdade, sólidas condições da vida pacífica e o estabelecimento de relações amistosas e de igualdade de direitos com os outros povos.

Não devemos esquecer, contudo, que existe também outro campo.

Apesar de haver terminado há pouco tempo a segunda guerra mundial, os países imperialistas e, sobretudo, os círculos governantes dos Estados Unidos da América e da Grã-Bretanha, se lançam outra vez à febril preparação de uma nova guerra. Cheios de desconfiança em suas forças internas, forjam novos e novos planos agressivos, aumentam de maneira exorbitante seus orçamentos de guerra, criam bases militares e alianças e blocos militares ofensivos, revelando assim até que ponto é perigosa para a vida pacífica dos povos a atual política das potências imperialistas, política que se vale de todos os meios de agressão, inclusive as bombas atômicas, para preparar toda a sorte de planos aventureiros de dominação mundial.

Mas os tempos mudaram.

Tem enorme importância o fato de que, entre os povos de todo o globo terrestre é cada vez mais forte a atividade na luta pela manutenção da paz, e que amadurece, além disso, a consciência de que não é possível assegurar uma paz sólida com vazios desejos pacifistas. O movimento dos partidários da paz, que se estendeu por todos os países, é uma das expressões mais brilhantes desse elã que os povos do mundo inteiro sentem pela paz. Este movimento, que abrangeu centenas de milhões de trabalhadores manuais e intelectuais, engloba todos os sindicatos democráticos, assim como as organizações democráticas femininas, juvenis e culturais, criadas depois da guerra, contando com muitos milhões de membros. Como se sabe, todo esse amplo movimento em defesa da paz, da democracia e do progresso, tem na URSS o principal apoio e nela deposita sua maior esperança, sendo o nome de Stálin sua grande bandeira.

Compreende-se à luz desses fatos o papel destacado que desempenham, em muitos países, os Partidos Comunistas e Operários, os quais, apesar de todas as perseguições e maquinações eleitorais por parte dos governos reacionários, crescem e se reforçam ideologicamente como Partidos do marxismo-leninismo. Durante a guerra, elevou-se extraordinariamente a autoridade dos comunistas entre as massas populares, porquanto entre os comunistas se destacaram os mais abnegados lutadores contra o fascismo, os lutadores pelos direitos e a liberdade dos povos. Agora, nenhum governo que se preocupa em ter uma verdadeira autoridade em seu povo, pode deixar de levar em conta o imenso crescimento da influência das idéias comunistas entre as massas populares. Para se apoderar do poder na Iugoslávia, a camarilha de Tito, como se sabe, teve também de fingir-se amiga da URSS e pôr a máscara de "comunista". No entanto, não está longe o momento em que a camarilha traidora de Tito, que se converteu num bando de assassinos mercenários e espiões a serviço dos governos imperialistas estrangeiros, camarilha que foi desmascarada em seus planos hostis à União Soviética e a seu próprio povo, sofra a mesma sorte infamante dos desonestos mercenários da reação imperialista.

Tudo isso significa que, depois da segunda guerra mundial, se verificaram sérias mudanças na correlação das forças internacionais.

Em lugar da situação anterior, quando existia um único Estado socialista a URSS — que se achava sob o cerco capitalista, criou-se uma nova situação, na qual a União Soviética saiu do isolamento internacional o que não pode deixar de se reconhecer como uma grandiosa realização da direção stalinista. Na atualidade a URSS não esta sozinha na defesa da paz no mundo inteiro. Juntamente com a União Soviética defendem esta causa os países da democracia popular e todo o campo internacional dos partidários da paz, agora criado. Dois campos se formaram: o campo democrático, encabeçado pela URSS, campo que luta contra os incendiários de uma nova guerra e defende a causa da solida paz geral, e em oposição a ele, o campo imperialista encabeçado pelo círculos dirigentes dos Estados Unidos da América e da Inglaterra, campo este que aplica uma política de preparação de uma nova guerra, mas que não é capaz de deter a ascensão cada vez maior do movimento internacional dos partidários da paz. Criou-se uma situação em que os imperialistas que desencadearem uma nova guerra mundial, provocarão, indubitavelmente, uma resposta tão enérgica dos povos amantes da paz e de todo o campo democrático, que isto levará não somente à derrota de umas ou outras potências agressivas, como aconteceu até agora, mas ã liquidação de todo o sistema do imperialismo mundial.

Nisto consiste o balanço principal das mudanças verificadas na situação internacional, cujo significado está em que, agora, a sorte dos povos amantes da paz e os interesses de toda a humanidade progressista, estão indissoluvelmente ligados aos ulteriores êxitos da União Soviética e do campo democrático mundial, dirigido pelo chefe que todos reconhecem, o grande Stálin.

Imensa Contribuição Teórica e Prática ao Socialismo

Estão aparecendo agora as Obras Completas de Josef Stálin, que incluem seus trabalhos escritos desde 1901. É impossível superestimar a importância teórica e política dessa edição. Diante de nossos olhos se desenrola, etapa por etapa, o quadro da genial criação do grande Stálin, em toda a sua diversidade e riqueza espiritual. Nelas são esclarecidas, à luz das idéias do marxismo-leninismo, as mais variadas questões práticas do trabalho do Partido Bolchevique e do movimento comunista internacional e, ao lado disso, os complexos problemas científicos da História e da Filosofia; explicam-se as mais agudas questões da política interna e externa e, ao mesmo tempo, os problemas básicos da economia da URSS, assim como os diferentes períodos de desenvolvimento dos países do mundo capitalista; descobre-se a essência dos grandes problemas da cultura socialista com sua diversidade de formas nacionais e salienta-se, também, a importância dos problemas militares com os quais mais de uma vez deparou o poder soviético, tornando-se compreensível o extraordinário papel pessoal do camarada Stálin na defesa de nossa Pátria frente aos inimigos externos, desde os primeiros anos do poder soviético, assim como na consequente aplicação da política soviética de paz que sempre foi e continua a ser a tarefa principal da política exterior da URSS, e muitas outras coisas que testemunham a grandeza das históricas obras de nosso Partido e de sua direção stalinista.

Grande representante do marxismo criador, o camarada Stálin desenvolveu em muitos aspectos os princípios leninistas da estratégia e da tática de nosso Partido, o que tem excepcional importância para o movimento comunista em todos os países. Deve-se aqui mencionar, acima de tudo, o problema da vitória do socialismo em um país separadamente, problema formulado pela primeira vez por Lênin e que, nos trabalhos do camarada Stálin, encontrou profunda fundamentação científica. O camarada Stálin esclareceu também com as idéias do marxismo-leninismo, e os desenvolveu teoricamente, outros importantíssimos problemas colocados diante do Partido e do Estado Soviético. Tais são, por exemplo, os seguintes problemas: o Partido Comunista como partido revolucionário de novo tipo e, especialmente, o problema de seu papel dirigente no sistema da ditadura do proletariado; a industrialização socialista na URSS e sua importância decisiva para o fortalecimento do Estado soviético; a coletivização de milhões de fazendas camponesas e a liquidação da última classe exploradora, os kulaks, como arremate da transformação socialista das bases de toda a economia nacional em nosso país: o problema do reforçamento, por todos os meios, do Estado socialista nas condições do cerco capitalista e o problema das condições da extinção do Estado; a questão nacional no período da revolução democrático-burguesa e o problema nacional-colonial nas condições da revolução socialista e, especialmente, o problema das nações socialistas, assim como muitas outras questões importantíssimas da atualidade. O estudo feito nas obras científicas stalinistas de todos esses problemas tem, nas atuais condições, uma imensa importância, vital não só para a URSS como também para outros países, sobretudo os países que empreenderam o caminho do socialismo ou que lutam pela libertação nacional. Em tudo isso, não se deve esquecer que nem as obras mais completas podem refletir suficientemente o imenso trabalho, tão inspirador para nosso Partido e para o povo soviético, que o camarada Stálin realiza diariamente, no levantamento de novos problemas e na elaboração de novos e novos planos, cada vez grandiosos, de nossa construção socialista, na formulação de importantíssimas indicações do Partido e do governo, inclusive os documentos diplomáticos fundamentais, em toda a espécie de assuntos, para organizar a realização prática das resoluções adotadas, etc, sem o que, portanto, não se pode imaginar a verdadeira envergadura e a importância ideológica da direção stalinista.

Grande continuador da causa do imortal Lênin, o camarada Stálin chefia toda a nossa construção socialista, incentivando a coesão da família dos povos soviéticos, orientando os trabalhadores da cidade e do campo para um grande objetivo comum, mobilizando os comunistas e os sem-partido para cumprir as tarefas da construção do comunismo em nosso país, estimulando para a luta a classe operária e os povos oprimidos do mundo inteiro. A direção stalinista está impregnada da profunda consciência da responsabilidade da missão histórica do Partido Bolchevique, do Estado soviético, de toda a nossa causa. A comprovação crítica do fato, independentemente das pessoas e dos méritos passados, o persistente desenvolvimento da auto-crítica bolchevique, a constante vigilância diante do inimigo de classe e de qualquer ataque de seus agentes ainda vivos, a promoção de novos quadros firmes do ponto de vista ideológico e comprovados no trabalho e a cooperação para o desenvolvimento dos talentos jovens, o desenvolvimento, através de todos os meios, da emulação socialista e de todas as demais formas de participação ativa das amplas massas na construção do comunismo, juntamente com novas e novas medidas para elevar o nível cultural e a educação comunista do povo soviético — nisto consistem os aspectos mais vigorosos da direção stalinista de nosso Partido. Fatos de importância histórica mostram que o Partido, sob a direção do camarada Stálin, conquistou e conquista galhardamente, com invariável êxito a solução dessas tarefas.

Em seu magnífico artigo Sobre a estratégia e a tática dos comunistas russos, escrito em 1923, o camarada Stálin definiu com toda clareza as três viragens históricas no processo de nossa Revolução e os três planos estratégicos correspondentes de nosso Partido. Referindo-se a terceira e última viragem, o camarada Stálin escreveu:

"A terceira viragem começou com a Revolução de Outubro, quando o choque mortal entre os dois grupos imperialistas do ocidente alcançou seu ponto culminante; quando a crise revolucionária no ocidente aumentava a olhos vistos; quando o poder burguês na Rússia, fracassado e envolto em contradições, caiu sob o golpe da revolução proletária; quando a revolução proletária vitoriosa, ao romper com o imperialismo e sair da guerra, ganhou inimigos de morte, personificados nas coalizões imperialistas do ocidente; quando os decretos do novo Governo soviético sobre a paz, a confiscação das terras dos latifundiários, a expropriação dos capitalistas e a libertação das nacionalidades oprimidas granjearam para si a confiança dos trabalhadores do mundo inteiro. Esta foi uma viragem mo plano internacional, pois foi rompida, pela primeira vez, a frente internacional do capital. Pela primeira vez, foi colocado no terreno prático o problema da derrubada do capitalismo. Com isso, a Revolução de Outubro se converteu, de força nacional russa, em força internacional, e os operários russos, de destacamento atrasado do proletariado internacional, se converteram em sua vanguarda e, com sua abnegada luta, despertavam os operários do ocidente e os países oprimidos do oriente. Esta viragem não alcançou ainda seu desenvolvimento final, pois ainda não se desenrolou em escala internacional, mas seu conteúdo e sua orientação geral se definiram já com suficiente clareza" (1).

Compreendemos o profundo sentido e o caráter profético dessas palavras stalinistas. Ao mesmo tempo todos vêem agora como o nosso país avançou e como mudou seriamente desde aquela época a situação internacional, precisamente no sentido em que escreveu Stálin. Isto é particularmente claro em nossos dias, quando a URSS, como país do socialismo triunfante e do grande auge político, econômico e cultural, com os países amigos da democracia popular, avança com segurança, enquanto os países capitalistas — grandes e pequenos — perdem cada vez mais a segurança no amanhã, não encontram saída para as crescentes contradições econômicas e políticas, experimentam novas e novas catástrofes econômicas.

Ao contrário dos países capitalistas, onde dominam e preponderam as leis cegas do desenvolvimento econômico espontâneo, com as crises periódicas inevitáveis e o aguçamento cada vez maior dos antagonismos sociais, o Estado soviético está construído em bases completamente diferentes. Em nosso país, graças à Revolução Socialista e à consequente liquidação das classes exploradoras, foi organizado o desenvolvimento planificado de toda a economia nacional, coisa com que não pode sonhar nenhum Estado capitalista. Na União Soviética não somente se realiza o desenvolvimento da vida econômica do país, organizado segundo um plano com a perspectiva única de desenvolvimento da vida econômica do país, como também se introduz a planificação em todos os demais ramos da vida social, que se orienta para acelerar a ascensão geral e múltipla da cultura dos povos da URSS, o auge e o florescimento da ciência e da arte. Somente com esta visão se podem compreender os crescentes êxitos da ciência e da técnica soviéticas, incluindo as conhecidas conquistas no terreno do domínio da energia atômica, que tanto assombraram e estão preocupando toda espécie de inimigos da URSS. Ressalta cada dia mais a profunda importância dos princípios e da prática da luta desenvolvida contra a pseudo-ciência, luta que, munidos com o método do materialismo dialético, empreendem os homens de ciência da União Soviética. Nossa literatura e nossa arte se convertem mais e mais em baluartes de nossa época stalinista, cooperando poderosamente para os êxitos do povo soviético, inspirando-o no trabalho e na luta, estendendo a influência soviética além das fronteiras de nossa pátria.

Tarefas tão grandiosas não se tinham colocado diante de nenhum outro Estado. O limitado horizonte burguês é alheio, de modo geral, à compreensão de problemas de tamanha envergadura. Só a sociedade socialista fortalecida poderia enfrentar empreendimentos dessa ordem, a introdução de princípios científicos centrais em todos os ramos da vida econômica e cultural do país e na própria obra da educação ideológica do povo no espírito do comunismo, o que multiplica de modo tão oportuno as nossas forças e coloca a URSS muito adiante de qualquer país pertencente ao campo do capitalismo. Isto explica também o crescimento notável da autoridade moral e política da URSS entre todos os povos do globo terrestre.

Não é por acaso que essas grandiosas tarefas foram resolvidas pelo Partido que deu a nosso povo e a toda a humanidade chefes tão grandes como Lênin e Stálin, gigantes do pensamento teórico e de ação revolucionária. Se depois de Lênin o povo soviético resolveu vitoriosamente suas tarefas estratégicas e táticas, internas e externas, e tornou tão poderoso o seu Estado e, ao mesmo tempo, tão ligado espiritualmente aos trabalhadores do mundo inteiro, este grandioso mérito histórico cabe, principalmente ao grande chefe de nosso Partido, ao camarada Stálin, à direção stalinista.

Por isso, é tão ilimitada a confiança dos trabalhadores de nosso país na sábia direção stalinista, tão profunda a sua fé no gênio de Stálin, tão grande o amor do povo soviético e dos trabalhadores do mundo inteiro ao camarada Stálin.

Hoje, quando transcorre o 70.° aniversário de seu nascimento, desejamos mais uma vez ao grande e extremado Stálin, nosso chefe, mestre e amigo, boa saúde e muitos anos de vida, para o bem e a glória de nosso povo, para felicidade de toda a humanidade progressista.

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Notas de rodapé:

(1) J. Stálin — Obras, tomo 5, págs. 178 e 179 — Edição em russo — Moscou. (retornar ao texto)

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Inclusão 01/07/2011