A Independência da Finlândia
Informe apresentado na reunião do Comitê Executivo Central de Toda a Rússia
(Resenha jornalística)

J. V. Stálin

22 de Dezembro de 1917


Primeira Edição: "Pravda" ("A Verdade"), n.º 222, 23 de dezembro de 1917.
Fonte: J.V. Stálin – Obras – 4º vol., Editorial Vitória, 1954 – traduzida da edição italiana da Obras Completas de Stálin publicada pela Edizioni Rinascita, Roma, 1949.
Tradução: Editorial Vitória
Transcrição: Partido Comunista Revolucionário
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Fernando A. S. Araújo, setembro 2006.
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.

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Há alguns dias, os representantes da Finlândia dirigiram-se a nós, pedindo o imediato reconhecimento da completa independência da Finlândia e a ratificação de sua separação da Rússia. Em resposta, o Conselho dos Comissários do Povo decidiu acolher esse pedido e baixar um decreto sobre a completa independência da Finlândia, decreto esse que já foi publicado nos jornais.

Eis o texto da resolução do Conselho dos Comissários do Povo:

"Em resposta ao pedido de reconhecimento da independência da República Finlandesa apresentado pelo governo finlandês, o Conselho dos Comissários do Povo, de plena conformidade com os princípios do direito das nações à autodeterminação, decide apresentar ao Comitê Executivo Central as seguintes propostas: a) — reconhecer a independência estatal da República Finlandesa, e b) — constituir, de acordo com o governo finlandês, uma comissão especial (composta de representantes das duas partes) para elaborar as providências práticas que a separação da Finlândia da Rússia requer".

Evidentemente, o Conselho dos Comissários do Povo não podia agir de outra maneira, porque se um povo, por meio dos seus representantes, pede o reconhecimento de sua independência, um governo proletário, que se baseie no princípio da concessão aos povos do direito à autodeterminação, deve consentir.

A imprensa burguesa assevera que levamos o país à completa ruína, que perdemos uma série de países, entre os quais a Finlândia. Pois bem, camaradas, nós não podíamos perdê-la, porque de fato ela nunca foi nossa. Se tivéssemos retido a Finlândia pela violência, isto em absoluto não significaria que ela seria nossa.

Sabemos muito bem como Guilherme, por meio da violência e do arbítrio, "adquire" Estados inteiros e sobre que terreno se baseiam, devido a isso, as relações recíprocas entre o povo e os seus opressores.

Os princípios da social-democracía, as suas palavras de ordem e as suas aspirações consistem na criação de uma atmosfera de mútua confiança entre os povos, há tanto tempo desejada e só nessa base levaremos à pratica a palavra de ordem: "Proletários de todos os países, uni-vos!" Tudo isto de longa data é conhecido por todos.

Se examinarmos mais atentamente o modo como a Finlândia obteve sua independência, veremos que de fato o Conselho dos Comissários do Povo, a contragosto, deu a liberdade não ao povo, não aos representantes do proletariado finlandês, mas à burguesia finlandesa, a qual, por um estranho concurso de circunstâncias, se .apoderou do Poder e recebeu a independência das mãos dos socialistas da Rússia. Os operários e os social-democratas finlandeses se encontraram na situação de dever receber a liberdade não diretamente das mãos dos socialistas russos, mas por meio da burguesia finlandesa. Embora reconhecendo nesse fato uma tragédia para o proletariado finlandês, não podemos deixar de salientar que os social-democratas finlandeses, somente por causa de sua irresolução e de sua incompreensível covardia, não deram com decisão os passos necessários para tomarem eles próprios o Poder e arrancarem das mãos da burguesia a sua independência.

Pode-se reprovar o Conselho dos Comissários do Povo, pode-se criticá-lo, mas ninguém poderia afirmar que o Conselho dos Comissários do Povo não mantém as promessas feitas, visto como não existe no mundo uma força tal que possa obrigar o Conselho dos Comissários do Povo a não manter seus compromissos. Já o demonstramos quando, com perfeita imparcialidade, levamos em consideração os pedidos apresentados pela burguesia finlandesa acerca da concessão da independência à Finlândia e imediatamente procedemos à promulgação do decreto que sanciona essa independência.

Possa a independência da Finlândia facilitar a causa da libertação dos operários e dos camponeses daquele país e criar uma sólida base para a amizade entre os nossos povos!

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pcr
Inclusão 27/11/2007