Mais Vigor e Audácia nas Lutas de Massas Pelo 1.° de Maio, Pela Interdição da Bomba Atômica, Pela Paz e a Independência Nacional

Luiz Carlos Prestes, João Amazonas, Maurício Grabois, Carlos Marighella, Francisco Gomes, Agostinho Dias de Oliveira e José Maria Crispim

Maio de 1950


Primeira Edição: Problemas - Revista Mensal de Cultura Política nº 26 - Maio de 1950
Fonte: Problemas - Revista Mensal de Cultura Política nº 26 - Maio de 1950.
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo, Dezembro 2008.
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DIRIGIMO-NOS a todo o povo brasileiro, particularmente à classe operária, para alertá-lo sobre a gravidade da situação nacional e internacional da hora que passa e para convocá-lo a redobrar seus esforços no combate pela Paz e pela independência nacional, pela interdição da bomba atômica e por um 1º de Maio de lutas de massas pelas reivindicações econômicas e políticas dos trabalhadores.

1 — Protestamos, cheios da mais viva indignação, contra a brutal provocação de guerra do governo norte-americano, ao violar a soberania da gloriosa União Soviética, cujo território foi sobrevoado por um avião militar dos Estados Unidos. Com isto os círculos dirigentes norte-americanos põem em vigor uma política exterior totalitária apoiada na aspiração de domínio mundial e em aventuras sem escolha de meios e de métodos.

Não há dúvida de que esta política de aventuras totalitárias está condenada ao fracasso, mas para isso torna-se necessário redobrar nossos esforços na luta pela paz e para, conjuntamente com os demais povos, derrotar os provocadores de guerra. Nesta oportunidade, concitamos todos os patriotas a popularizar ao máximo as declarações que demos a público em 5 de março de 1949 e que expressam a única posição compatível com os mais profundos interesses de nossa pátria : o povo brasileiro quer a paz, não participará de aventuras guerreiras, não fará jamais a guerra á gloriosa União Soviética. O nosso amor à pátria, a nossa luta e o nosso ardente desejo de libertação das garras do imperialismo ianque, fundem-se cada vez mais com os sentimentos de afeto e solidariedade para com os nossos irmãos soviéticos, quando a União Soviética, sempre mais forte, aponta a todos os povos o caminho da democracia e do socialismo, o caminho da felicidade e da Paz.

2 — Concitamos todos os patriotas e democratas, homens e mulheres, jovens e velhos, não importa a que classe, a que partido ou a qual corrente filosófica pertençam, a se incorporarem na grande campanha
patriótica que se inicia em todo o país e no mundo inteiro, pela interdição da bomba atômica. Para que a vontade de paz de nosso povo e o seu repúdio à execrável arma atômica se, tornem uma imposição verdadeiramente nacional como parte da campanha que hoje empolga a humanidade inteira, cada patriota, sem perder um instante, tem o dever de conseguir o maior número de assinaturas junto aos seus amigos, as suas famílias, nas fábricas, nas fazendas, nos bairros, nas repartições públicas, nas escolas, de casa em casa, para este apelo veemente lançado pelo Comitê Mundial dos Partidários da Paz, na reunião de Estocolmo:

"Exigimos a proibição absoluta da arma atômica, arma de terror e de extermínio em massa de populações. Exigimos o estabelecimento de um rigoroso controle internacional para assegurar a aplicação desta medida de proibição. Consideramos que o governo que primeiro utilizar, contra qualquer outro país
a arma atômica, cometerá um crime contra a humanidade e será tratado como criminoso de guerra".

Temos a convicção de que este apelo calará profundamente no coração de cada patriota e democrata brasileiro, de que ele será popularizado por todos os recantos do país, de que ele receberá o maior apoio, as mais variadas manifestações e milhares e milhares de assinaturas. Que todos os homens de boa vontade empreguem seu maior esforço a fim de levar rapidamente à vitória esta campanha patriótica e mundial de que depende a própria sobrevivência de nosso povo e de toda a humanidade.

3 — Conclamamos o proletariado a comemorar o 1.º de Maio deste ano com vigorosas manifestações de massas contra a exploração, a miséria e a fome. Nesta data consagrada aos trabalhadores do mundo inteiro, o proletariado de nosso país tem o dever de levantar bem alto a bandeira de suas reivindicações econômicas e políticas, desde o pagamento do repouso semanal e o reconhecimento na prática do direito a salário igual para trabalho igual até o respeito ao direito de greve e a autonomia sindical, desde o aumento de salários e contra a assiduidade 100 por cento até o direito de reunião e de livre associação, desde as reivindicações mais específicas e imediatas até as reivindicações mais gerais, como a luta pela paz e a independência nacional. E com este objetivo não podemos medir sacrifícios a fim de unir e organizar as grandes massas em cada empresa para as comemorações do 1.º de Maio. Mas as manifestações realizadas em cada local de trabalho, os memoriais, os boletins, as palestras, os jornais de empresa, as pequenas paralisações de trabalho, as greves, devem servir fundamentalmente para preparar grandes demonstrações de massa, comícios ou passeatas, que exprimam a unidade e a disposição de luta de todos os trabalhadores de uma cidade, de um município e consigam por isso mesmo a maior repercussão nacional. O essencial é que não haja uma só empresa, desde as grandes fábricas de São Paulo, do Distrito Federal e do Estado do Rio, até as pequenas indústrias do interior do país, onde o 1º de Maio não seja comemorado, onde não surjam lutas na data gloriosa dos trabalhadores. O indispensável é que milhares e milhares de trabalhadores participem das manifestações de 1° de Maio, dando uma vigorosa demonstração da disposição de luta, da combatividade, da força invencível, da unidade e da organização do proletariado brasileiro.

Nesta oportunidade, quando marchamos para um 1.º de Maio de lutas de massas devemos redobrar os nossos esforços para a aplicação mais audaz de nossa orientação política de luta pela paz, por pão, por terra, pela liberdade e independência nacional, pela imediata interdição da bomba atômica, contra a ditadura sanguinária de Dutra e por um governo democrático popular.

RIO, 20 de abril de 1950

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"O internacionalista ê aquele que está disposto a defender a URSS sem reservas, sem hesitações, incondicionalmente, porque a URSS é a base do movimento operário mundial e não se pode defender, fazer avançar esse movimento revolucionário sem defender a URSS. Assim, aquele que pensa defender o movimento revolucionário mundial independentemente da URSS e contra ela, vai contra a revolução, desliza obrigatoriamente para o campo dos inimigos da revolução".
J. Stálin

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Inclusão 19/12/2008