Combater a tendência de pleitear a paz mediante a conciliação e perseverar na Guerra de Resistência no Norte da China

Zhou Enlai

13 de novembro de 1937


Origem: telegrama enviado de Linfen, província de Shanxi, aos camaradas Mao Zedong, Zhang Wentian, Zhu De, Peng Dehuai e Ren Bishi.

Fonte para a tradução: Obras Escogidas de Zhou Enlai, t. I, Pequim: Ediciones en Lenguas Extranjeras, 1981, pp. 103-105.

Tradução e HTML: João Batalha.

Creative Commons


A. Agora que Taiyuan foi perdida, o inimigo avança impetuosamente em direção ao sul, enquanto os combates em Xangai se deslocaram para Songjiang, tendo o distrito de Pudong caído em mãos inimigas. A Inglaterra e os Estados Unidos se apresentaram como mediadores. Os japoneses fixaram as seguintes condições: 1) designação dos bairros ocupados em Xangai como concessões(1); 2) autonomia do Norte da China; 3) independência da Mongólia Interior; e 4) abolição do direito da China à pesca. Por conseguinte, torna-se cada vez mais densa a atmosfera de derrotismo e súplica covarde pela paz em Xangai e Nanquim. A situação em Shanxi também se demonstra crítica. Yan Xishan(2), que permanece no povoado de Shikou e no condado de Xixian, tem concentrado seu Corpo de Instrução de Oficiais, o Corpo de Desafio à Morte e o Destacamento de Vanguarda Juvenil(3) para defender-se firmemente na cordilheira Lüliang, recusando-se a vir para Linfen, a fim de, em caso de êxito, desenvolver a guerra de guerrilhas, ou, em caso de derrota, recuar para o oeste do rio Huanghe. Yan deixou inteiramente nas mãos de Huang Shaohong e Wei Lihuang(4) a condução de toda a operação. Huang já perdeu a confiança. Wei Lihuang, embora compartilhe verbalmente nossa posição de guerra prolongada e guerra de guerrilhas, já não se interessa por Shanxi, e todas as tropas sob seu comando planejam recuar para o outro lado do rio. Chiang Kai-shek, ao que parece, não está tão determinado quanto antes em ordenar uma defesa a todo custo. Em relação a Liu Xiang(5), Yan Xishan expressou seu desejo de que este não venha assumir o controle em Shanxi. Portanto, é pouco provável que se consiga deter o inimigo além do monte Hanxinling, no condado de Lingshi. É apenas questão de tempo até que este chegue a Fenglingdu em sua ofensiva ao sul.

B. À vista disso, considero que, atualmente, deve-se:

1. Combater a tendência de pleitear a paz mediante a conciliação e perseverar na Guerra de Resistência no Norte da China, tomando isso como tema central de todo o nosso trabalho de mobilização. É preciso destacar que toda tentativa de retirada ao outro lado do rio Huanghe será uma ajuda aos invasores japoneses em seu plano de dominar o Norte da China.

2. Dar ênfase às ações guerrilheiras na Guerra de Resistência e despender esforços para influenciar e conquistar as tropas amigas, de modo que atuem em uníssono conosco. Entre as tropas amigas, há: a) simpatizantes, tais como o Corpo de Desafio à Morte e o Corpo de Instrução de Oficiais; b) outras que mantêm relações conosco, tais como a brigada de Xu Quanzhong, a divisão de Zhao Shoushan e o corpo de exército de Sun Weiru(6); c) aquelas que possuem algum contato conosco.

3. Promover amplamente a guerra de guerrilhas e preparar quadros com o intuito de perseverar na Guerra de Resistência. a) As forças guerrilheiras organizadas e dirigidas pelo Exército Vermelho já totalizam 10 mil pessoas; b) Quatorze condados de Shanxi, segundo nossas informações, dispõem de unidades guerrilheiras com mais de 4 mil integrantes; c) A Comissão de Mobilização Geral(7) organizou mil pessoas sob sua direção. Quanto à formação de quadros para a guerra de guerrilhas, nossas zonas militares devem organizar, por iniciativa própria, destacamentos de treinamento, admitindo neles jovens estudantes, operários e camponeses de diferentes regiões.

4. Expandir o Exército Vermelho, de modo a fortalecer o papel decisivo de nossas forças regulares (nesta tarefa, até agora, obtemos pouquíssimo êxito). Hu Fu(8) propôs aumentá-lo para 100 mil homens dentro de três meses. Estou de acordo e sugiro que o aumento seja de 30 mil homens no Norte do país, 5 mil no norte da província de Shaanxi e 15 mil nas antigas zonas soviéticas(9). No que diz respeito ao recrutamento dos 30 mil no Norte, peço que Zhu De, Peng Dehuai e Ren Bishi ordenem as medidas cabíveis e que as organizações locais do Partido e do governo prestem sua colaboração.

5. Admitir, sem hesitar, os soldados inimigos dispersos e recolher as armas e demais recursos materiais abandonados. Esse trabalho acaba de ser iniciado, tendo alcançado algum êxito na frente leste e relativa dificuldade na frente oeste por carecermos de efetivos.

6. Reforçar nosso trabalho nas diversas zonas militares. Para tanto, proponho que, no sudeste de Shanxi, o comando seja confiado a Song Renqiong(10) e Peng Zhen(11), tomando como força base os 8 mil homens do Corpo de Desafio à Morte. No sul de Shanxi, que Peng Xuefeng(12) assuma o papel dirigente, ficando a cargo, ao mesmo tempo, dos comitês partidários no exército e no governo, visando centralizar e coordenar as atividades do Partido, governo e exército.

7. Tornar realidade a democratização política dos governos locais e estendê-la ao nível provincial.

8. Implementar as políticas do Partido concernentes às zonas de guerra kuomintanistas, organizando e mobilizando as massas populares na luta.

9. Intensificar a luta contra os colaboracionistas.

C. Quanto às disposições relativas ao trabalho partidário, Hu Fu as informará em outro telegrama.