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16/Ago Francisco Martins Rodrigues: Perspectva Marxista da Revolução. "Em vez de conceber a ditadura do proletariado como o resultado do amadurecimento das condições económico-sociais para uma grande revolução dos oprimidos, os comunistas do século XX passaram a concebê-la como resultado de uma revolução política, aproveitando uma situação de crise e de vazio de poder. A grande tempestade social que varreu a Rússia no ano de 17 foi entendida de forma tacanha, reduzida às dimensões de uma “manobra genial do partido de Lenine”. O socialismo era uma questão social, que se entendia na perspectiva longa; passou a ser uma questão de mera política. Bastaria um partido ousado, voluntarista, ligado às massas, para explorar habilmente uma crise de poder e assumir o poder. E como a vida desmentiu vinte vezes essas esperanças, por ainda não estarem reunidas as condições económico-sociais para a revolução proletária, os partidos das metrópoles imperialistas, incapazes de encarar a situação, vieram caindo no reformismo. A “ousadia” inconsistente no plano teórico teve a sua contrapartida necessária na tacanhez política. Proclamava-se a intenção de alcançar para o poder, caiu-se na pequena manobra oportunista. Uma política comunista, autenticamente leninista, não pode transigir com fantasias pseudobolcheviques, tem que apreciar a situação da luta de classes, para, inserindo-se nela, conseguir acumular forças revolucionárias dia a dia. Mas ainda não é tudo. O “marxismo-leninismo” que se alimenta do culto do regime “soviético” é-nos estranho também pela sua concepção de táctica. A mesma incompreensão grosseira sobre os papéis relativos do partido e das massas na revolução manifesta-se quando estamos perante a fase actual de acumulação de forças. Eles encaram a política prática não em função da elevação revolucionária da classe e das massas exploradas, como o motor real do reforço do próprio partido, mas fazendo do reforço da influência do partido a chave do amadurecimento do movimento. Resulta daqui todo o arsenal de expedientes, busca desenfreada de popularidade a qualquer custo, manobras tácticas sem princípios, etc. Sem uma perspectiva realmente marxista da revolução, é impossível uma táctica revolucionária. Recapitulando: não temos nada a ver com o anti-stalinismo “democrático”, que é uma forma de os burgueses se fazerem passar por virtuosos democratas e condenarem a revolução como geradora de catástrofes. Mas também não temos nada a ver com os nostálgicos do “socialismo” da URSS. Situamos a experiência da URSS e a “questão Staline” historicamente." Fonte: Primeira Linha em Rede. Colaboração Fernando Araújo.
15/Ago

Abriu o arquivo: Eusínio Gaston Lavigne, com o texto: Os Espiritualistas Perante a Paz e o Marxismo ou A Perfectibilidade do Espírito, pelo Socialismo. "As preleções morais, por si sós, não modificam a mentalidade social. Se modificassem, já a Humanidade estaria regenerada com os ensinamentos da moral do Cristo, de há dois mil anos. A moral é uma questão de costumes, e “os costumes sociais são feitos pelos homens e não por Deus” (Liv. Esp. resp. 863); e, portanto, ela se relaciona com o regime da propriedade econômica. Logo, a moral, na burguesia, difere da moral no Socialismo, por motivos de ordem objetiva e social. A consequência daí a tirar-se também é que, de acordo com o espírito da doutrina espírita, o Espiritismo, se é a “verdade, o caminho, a vida”, medrará, com muito maior facilidade, nos regimes socialistas, onde a liberdade proporciona o estudo da Natureza." Colaboração: Fernando Araújo

14/Ago Terry Eagleton: Marx e a Liberdade. "Se Marx é um filósofo, sobre o que filosofou? Seguramente sobre nada tão grandioso como a “humana existência”, mas também não sobre algo tão estreito como a economia política. O seu pensamento não pretende constituir uma espécie de teorização cosmogónica que, tal como a religião, se destinaria a explicar todos os traços da vida humana. É certo que o seu colaborador Friedrich Engels elaborou uma teoria extremamente ambiciosa, baptizada como “materialismo dialéctico”, que procurava tecer laços entre todos os domínios do saber, desde a física e a biologia até à história e à sociologia, mas os escritos de Marx concorrem para uma empresa mais restrita e, no fim de contas, mais modesta que a de Engels: ele tentou unicamente identificar, e aplicou-se a desmantelar, todas essas contradições sociais maiores que nos impedem de levar uma vida verdadeiramente humana, fundada sobre a utilização plena e inteira das nossas faculdades físicas e espirituais. É forçoso constatar, por exemplo, que ele falou pouco sobre o que se irá passar depois dessas contradições terem sido resolvidas, já que este processo equivale, a seu ver, ao início da história humana propriamente dita, escapando essa história futura por definição à nossa linguagem actual — segundo ele, tudo aquilo que sucedeu até à data reduz-se a uma simples “pré-história” que não oferece à observação mais do que uma sucessão de diversos géneros de sociedades de classes; e, dado que a obra pessoal de Marx pertence a esta idade inevitavelmente dependente de certos modos de pensar e modelos de vida, ela não pode, em conformidade com as próprias regras da lógica historicista que convida a respeitar, saltar a pés juntos por cima do seu tempo para imaginar este ou aquele mundo utópico. Decididamente hostil aos utopis- mos, Marx nunca se atribuiu como tarefa a de antecipar futuros ideais: interessado apenas na análise e no levantamento das contradições reais do presente, ele não aspira de modo algum a favorecer o surgimento de um “Estado ideal”, expressão que para ele associava termos intrinsecamente contraditórios." Colaboração Ana Barradas e Ferenando Araújo.
12/Ago Hegel: A Ciência da Logica. Incluído o Prefácio para a segunda edição e a Introdução. Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva
Domenico Losurdo: Stalin e Hitler: Irmãos Gêmeos ou Inimigos Mortais?. "Na atualidade, com base na categoria de “totalitarismo” (a ditadura terrorista do partido único e o culto ao líder), Stálin e Hitler são considerados as máximas encarnações desse flagelo, dois monstros com características tão semelhantes a ponto de parecer gêmeos. Não por acaso – argumenta-se –, ambos se uniram por quase dois anos em um pacto perverso. Se é verdade que a esse pacto se seguiu uma guerra impiedosa entre eles, não importa – essa guerra foi conduzida por irmãos gêmeos, a despeito da violência do conflito. Seria essa uma conclusão necessária? " Colaboração: Fernando Araújo
11/Ago Francisco Martins Rodrigues: Staline em Questão. "Para a corrente marxista-leninista nascida nos anos 60, a defesa de Staline era a pedra de toque da fidelidade à revolução. Contra Staline tinham estado desde sempre as correntes burguesas de todos os matizes, desde a extrema-direita à social-democracia. Contra Staline se tinham levantado os modernos dirigentes soviéticos, no preciso momento em que descobriam a "via pacífica para o socialismo" e a cooperação com os imperialistas para a "defesa da paz". Os "crimes de Staline" eram (como hoje são) o argumento infalível para sucessivas gerações de arrependidos do comunismo fazerem agulha para os "valores democráticos ocidentais" e se porem ao serviço da burguesia. Podia haver melhor prova de que Staline pertencia ao campo da revolução? Seguir as pisadas de Staline era manter a linha da revolução de Outubro, a vigilância operária de classe. Os erros que Staline pudesse ter cometido eram secundários. Porém, à medida que tentávamos apropriar-nos da tradição do bolchevismo ia-se acumulando a evidência de que não se tratava de erros: o stalinismo era diferente do leninismo. E não bastava Staline ser atacado pela direita para ter razão." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
09/Ago Domenico Losurdo: O Aniversário do Nascimento de Lenine. "...como a ideologia dominante (mesmo à "esquerda") gosta de opor Gandhi, campeão da não-violência, a Lenine, dedicado ao culto da violência, chamo a atenção do leitor para duas pequenas páginas do meu livro que demonstram algo radicalmente diferente. Por ocasião do primeiro conflito mundial, Gandhi orgulha-se de ser o "recrutador chefe" ao serviço do exército britânico e celebra as virtudes da vida militar. Qual é, em contrapartida, a atitude assumida pelo grande revolucionário russo?" Colaboração: Fernando Araújo
08/Ago Georg Lukács: A Teoria do Romance - Um ensaio histórico-filosófico sobre as formas da grande literatura épica. Capítulo 2 da seção I. Os Problemas da Filosofia da História das Formas. Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva
Francisco Martins Rodrigues: Os Bolcheviques no Tribunal da Social-Democracia. "Porquê continuar a mastigar sobre a revolução russa? Porque o progresso futuro do marxismo está suspenso do balanço daquela que foi a primeira grande revolução operária da história. Se deixarmos sem resposta as «lições» reaccionárias sobre Outubro de 1917 agora propagadas a torto e a direito, ficaremos desarmados face à talvez ainda distante mas inevitável crise revolucionária que amadurece na Europa. Adeptos incondicionais do regime soviético em que víamos a fortaleza anticapitalista, muitos anos passaram antes que o conseguíssemos avaliar com alguma objectividade. Foi preciso rompermos com o marxismo-leninismo «ortodoxo» (entretanto falecido de causas naturais, paz à sua alma) para percebermos que a ordem stalinista não era a concretização da revolução operária de 1917, apenas desfeada por algumas manchas, mas um outro regime erguido sobre os escombros daquela; um capitalismo estatal, de transição, que, por isso mesmo, precisava de se amparar a slogans socialistas enquanto caminhava para o seu alvo ignorado: a economia de mercado livre." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
07/Ago Samora Machel: Educar o Homem para Vencer a Guerra, Criar uma Sociedade Nova e Desenvolver a Pátria. "... a educação para nós não significa ensinar a ler e escrever, fazer de um grupo uma elite de doutores, sem relação directa com os nossos objectivos. Por outras palavras, assim como se pode fazer luta armada sem se fazer revolução, também se pode ensinar sem se educar de uma maneira revolucionária. Não queremos que a ciência sirva para enriquecer a minoria, oprimir o homem e retirar a iniciativa criadora das massas, fonte inesgotável do progresso colectivo. Cada um de nós deve assumir com o ensino as suas responsabilidades revolucionárias. Conceber o livro, o estudo, como um instrumento ao serviço exclusivo das massas. Ver no estudo uma tarefa revolucionária, que deve ser combinada com as tarefas revolucionárias de produção e combate. Aquele que estudou deve ser o fósforo que vem acender a chama que é o Povo." Colaboração: Fernando Araújo
Marxismo e Religião: Socialismo e Espiritismo. "Espiritismo e Socialismo estão unidos por laços estreitos, visto que um oferece ao outro o que lhe falta a mais, isto é, o elemento de sabedoria, de justiça, de ponderação, as altas verdades e o nobre ideal sem o qual corre ele o risco de permanecer impotente ou de mergulhar na escuridão da anarquia. Todavia, antes de tudo, importa bem definir os termos que empregamos. Para nós, o Socialismo é estudo, a pesquisa e a aplicação de leis e meios susceptíveis de melhorar a situação material, intelectual e moral da Humanidade. Nessas condições são numerosas as nuances, as variedades de opiniões, de sistemas, desde o Socialismo Cristão até o Comunismo, e todo o homem cuidadoso com a sorte de seus semelhantes pode se dizer socialista, quaisquer que sejam, aliás, suas predileções." Colaboração: Fernando Araújo
06/Ago Domenico Losurdo: A Democracia para o Povo dos Senhores, no Passado e no Presente. "a ideologia dominante celebra Israel como a única democracia autêntica do Médio Oriente. Salvo que a rule of law, o governo da lei para os cidadãos israelenses de pleno direito caminha a par com a expropriação, a deportação, a prisão arbitrária e mesmo a execução extrajudicial perpetrados contra os palestinos: é a democracia para o povo dos senhores. E à escala internacional? Pisoteando de modo explícito o princípio da igualdade entre as nações, os Estados Unidos e o Ocidente continuam a arrogar-se o direito soberano de invadir, bombardear, submeter a embargo e à fome este o aquele país mesmo sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU. Às proclamações vibrantes prestando homenagem à liberdade e à democracia corresponde a tentativa de exercer uma ditadura no plano internacional. Infelizmente, a "democracia para o povo dos senhores" tem a vida dura!" Colaboração: Fernando Araújo
05/Ago Cinema e Revolução: Viver a Utopia. "Documentário de 1997, produzido pela TVE e dirigido por Juan Gamero, no qual se descreve a experiência anarcossindicalista e anarco-comunista vivida na Espanha, transformando radicalmente as estructuras da sociedade em amplas zonas da facção republicana durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39). Consta de 30 entrevistas com sobreviventes anarquistas da Revolucção Espanhola, cujo testemunho mostra o labor constructivo da Revolucção Social e os antecedentes históricos do movimento libertário espanhol." Colaboração: Fernando Araújo
Engels: A Dialética da Natureza. cap. 5 - A eletricidade. Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva e Fernando Araújo
Francisco Martins Rodrigues: Restauração Capitalista na China. "A mais importante lição histórica a retirar da actual transição da China (e da Rússia) para o capitalismo é que socialismo sem uma democracia plena é inviável. Uma democracia genuína é a mais efectiva salvaguarda do socialismo. Tendo emergido como uma brilhante alternativa ao capitalismo, o “socialismo realmente existente” produziu Estados muito poderosos, os quais, em nome do socialismo, concentraram e monopolizaram os recursos sociais e políticos, reproduzindo o estatuto dominado da população trabalhadora – quando, para Marx, a abolição da propriedade privada não era o fim em si, apenas o meio para a abolição final das relações de trabalho alienadas. Assim, o “socialismo realmente existente” preparou alguns dos ingredientes da sua própria mutação em capitalismo. A história, escreveu uma vez Lenine, conhece todas as espécies de metamorfoses. À luz das transformações em curso, há razão para perguntar se o “socialismo realmente existente” foi uma pausa na via luminosa para o socialismo, ou se não terá agido como uma parteira do capitalismo, se não terá sido apenas mais uma fase transitória na longa história das metamorfoses do capitalismo. Esta seria uma grande ironia da história e uma colossal tragédia, mas a história é astuciosa." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
04/Ago Cinema e Revolução: Documentário com Oswaldão. O Centro de Documentação e Memória da Fundação Maurício Grabois disponibiliza a íntegra do documentário tcheco em que Osvaldo Orlando da Costa, comandante na Guerrilha do Araguaia (1972-1974), é visto e ouvido, alguns anos antes de assumir a tarefa revolucionária no Sul do Pará. “Resolvemos buscar o documentário e fazer uma homenagem ao Osvaldo aqui no Brasil. É o único registro iconográfico do Osvaldo vivo, falando, rindo, andando”, diz Pomar. De militantes contra a ditadura, perseguidos como Osvaldão, restaram registros fotográficos escondidos pela família; por isso, a preciosidade destas imagens do herói da resistência contra a ditadura militar. Colaboração: Fernando Araújo
Domenico Losurdo: As Raízes Norte-Americanas do Nazismo. "Alguém se lembra do elogio do Ku Klux Klan ao "genuíno americanismo de Henry Ford"? Amplamente admirado, o magnata automobilístico condenava a Revolução Bolchevique acusando-a de ser, em primeiro lugar, o produto de uma conspiração judaica. Fundou até uma revista, o Oearborn Independent, cujos artigos publicados foram reunidos em 1920 num único volume intitulado O Judeu Internacional. O livro transformou-se imediatamente numa referência básica do anti-semitismo internacional, foi traduzido para alemão e adquiriu grande popularidade. Nazis destacados, como Von Schirach e mesmo Himmler vieram mais tarde a reconhecer terem sido inspirados ou motivados por Ford. Segundo Himmler, o livro de Ford desempenhou um papel "decisivo" (ausschlaggebend) não só na sua formação pessoal, como também na do Führer.  Também aqui se evidencia o carácter inconsistente de qualquer comparação esquemática entre a Europa e os Estados Unidos, como se a praga do anti-semitismo não afectasse ambos. Em 1933 Spengler considerava necessário esclarecer este ponto: a fobia anti-judaica que confessava abertamente, não devia confundir-se com o racismo "materialista" típico "dos anti-semitas na Europa e na América". O anti-semitismo biológico que se agitava impetuosamente no outro lado do Atlântico era considerado excessivo mesmo por um autor como Spengler, que se expressava sem qualquer pudor nos seus escritos, contra a cultura e a história judaicas. Por esta razão, entre outras, Spengler foi considerado tímido e inconsequente pelos nazis, cujas preferências se situavam noutro lado: O Judeu Internacional continuou a ser publicado com todas as vénias no Terceiro Reich, e com editoriais que enfatizavam o singular mérito histórico do seu autor (por haver trazido à luz a "questão judaica"), estabelecendo uma linha de continuidade entre Henry Ford e Adolfo Hitler." Colaboração: Fernando Araújo
03/Ago Marx: Comentários de Marx a “Estatismo e Anarquia” de Bakunin. "... enquanto as outras classes, especialmente a classe capitalista, ainda existirem, enquanto o proletariado lutar com ela (pois, quando este alcança o poder de governo, seus inimigos e a velha organização da sociedade ainda não desapareceram), ele deve empregar meios coercitivos, portanto, meios governamentais. Ele próprio ainda é uma classe, e as condições econômicas de que derivam a luta de classes e a existência das classes ainda não desapareceram e devem ser coercitivamente removidas do caminho ou transformadas, sendo esse processo de transformação forçadamente apressada." Colaboração Gabriel Landi Fazzio.
02/Ago Krupskaya: Como Lenin estudava Marx. "Lenin desempenhou um tremendo papel na iluminação do caminho da luta do proletariado russo com a luz do marxismo. Cinquenta anos se passaram desde a morte de Marx, mas para o nosso Partido o marxismo ainda é o guia para a ação. O leninismo é apenas mais um desenvolvimento do marxismo, um aprofundamento do mesmo. Portanto, é óbvio por que é tão grande o interesse em esclarecer a questão do estudo de Marx por Lenin." Fonte: LavraPalavra. Colaboração Gabriel Landi Fazzio.
Francisco Martins Rodrigues: Agonia do Abrilismo: Processo FUP/FP-25. "As “forças democráticas”, ao condenar a violência, venha ela donde vier”, fingem não notar esta diferença — que o regime reprime a violência de esquerda e protege a violência de direita Procedem assim, não por ingenuidade humanitária, mas guiando-se por um cálculo tortuoso a violência da direita deve ser moralmente condenada mas não castigada, “porque isso iria dar argumentos à direita”: mas a violência de esquerda deve ser reprimida sem contemplações, “para não dar argumentos à direita”… O que isto significa é a cumplicidade com uma efectiva ditadura da direita, a coberto da defesa da democracia. A necessidade de cumprir a lei contra os presos do caso FUP/FP-25 não passa dum pretexto descarado. A verdade nua e crua é que Otelo, Goulart, Gobern Lopes, etc. são condenados como activistas da esquerda, e os outros são poupados, como activistas da direita. O “Estado de Direito” é o Estado da direita. O resto são histórias para papalvos." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
01/Ago Hegel: A Ciência da Logica. Iniciamos a inclusão deste livro com o Prefácio para a primeira edição."Engels afirmava que desde Hegel não se fazia um esforço para desenvolver uma ciência em suas concatenações internas. (cf. Engels – Karl Marx, “Para a crítica da Economia Política”). Hegel teve uma intuição genial ligar a Lógica à vida. Coube a Marx e Engels, e seus discípulos criticar e desenvolver este começo." Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva
Marxismo e Religião, uma nova seção temática. "A miséria religiosa é, de um lado, a expressão da miséria real e, de outro, o protesto contra ela. A religião é o soluço da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, o espírito de uma situação carente de espirito. É o ópio do povo. A verdadeira felicidade do povo implica que a religião seja suprimida, enquanto felicidade ilusória do povo. A exigência de abandonar as ilusões sobre sua condição é a exigência de abandonar uma condição que necessita de ilusões. Por conseguinte, a crítica da religião é o germe da critica do vale de lágrimas que a religião envolve numa auréola de santidade. A crítica arrancou as flores imaginárias que enfeitavam as cadeias, não para que o homem use as cadeias sem qualquer fantasia ou consolação, mas para que se liberte das cadeias e apanhe a flor viva. A crítica da religião desengana o homem para que este pense, aja e organize sua realidade como um homem desenganado que recobrou a razão a fim de girar em torno de si mesmo e, portanto, de seu verdadeiro sol. A religião é apenas um sol fictício que se desloca em torno do homem enquanto este não se move em torno de si mesmo." Karl Marx in Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel.
31/Jul Lénine: As Preciosas Confissões de Pitirim Sorókine. "A fé na acção salvadora universal da «democracia» em geral, a incompreensão do facto de que ela é uma democracia burguesa, historicamente limitada na sua utilidade e na sua necessidade, tal fé e tal incompreensão mantiveram-se em todos os países durante séculos e decénios, de uma maneira especialmente firme entre a pequena burguesia. O grande burguês passou por tudo, sabe que a república democrática, como qualquer outra forma de Estado sob o capitalismo, não é senão uma máquina para reprimir o proletariado. O grande burguês sabe-o através do seu conhecimento mais íntimo dos verdadeiros dirigentes e das molas mais profundas (com frequência mais ocultas precisamente por isso) de qualquer máquina de Estado burguesa. O pequeno burguês, devido à sua situação económica e a todas as condições da sua vida, é o menos capaz de assimilar essa verdade e conserva até ilusões de que a república democrática significaria uma «democracia pura», um «Estado popular livre», um poder do povo fora das classes ou acima das classes, uma manifestação pura da vontade de todo o povo, etc., etc. A solidez destes preconceitos de democrata pequeno-burguês é provocada necessariamente pelo facto de ele estar mais afastado da luta de classes aguda, da bolsa, da «verdadeira» política, e seria perfeitamente não marxista esperar que se possam erradicar esses preconceitos apenas por meio da propaganda e num período breve." Colaboração Partido Comunista Português - Organização Regional de Lisboa e Manuel Gouveia.
30/Jul Domenico Losurdo: Por que é Urgente Lutar Contra a OTAN e Redescobrir o Sentido da Ação Política. "direi algo sobre o empobrecimento ético-político: mesmo os intelectuais que não se associam ao coro empenhado em denegrir a "forma-partido", frequentemente se revelam incapazes de agir coletivamente. Parece que se esqueceram do significado da ação política e sobretudo de uma ação política que pretenda transformar radicalmente a realidade existente e que, portanto, é obrigada a defrontar-se com um aparato de manipulação mais poderoso do que nunca. Sabemos desde os nossos clássicos que a pequena produção é o terreno sobre o qual se enraíza o anarquismo. O moderno desenvolvimento das comunicações digitais comporta de fato um forte relançamento da pequena produção intelectual. Eis que no clima que se criou depois da derrota de 1989-1991 e ao correlato empobrecimento ético-político, não poucos intelectuais, mesmo de orientação comunista, tendem a fechar-se cada qual em seu blog e sítio de internet. No blog e no sítio o intelectual isoladamente tem que se haver consigo mesmo, sem se confrontar com as contradições e conflitos que são próprios da ação política enquanto ação coletiva." Colaboração: Fernando Araújo
29/Jul Engels: A Dialética da Natureza. cap. 3 - Medida do Movimento: O Trabalho e cap. 4 - O Calor. "Quando, como na máquina a vapor (ou térmica), o calor é transformado em movimento mecânico, ou seja, quando um movimento molecular é transformado em movimento de massas; quando o calor decompõe uma combinação química ou quando se transforma em eletricidade, por meio da pilha termoelétrica; quando uma corrente elétrica separa os elementos da água, do ácido diluído, ou inversamente, quando o movimento posto em liberdade (aliás energia), numa pilha, toma a forma de eletricidade e esta, por sua vez, ao fechar seu circuito, se converte em calor — em todos esses processos — a forma de movimento que eles iniciam, ou que é por eles transformada em outra, realiza um trabalho; e num montante correspondente, à sua própria quantidade. O trabalho é, assim, uma simples mudança de forma do movimento, considerado sob seu aspecto quantitativo." Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva e Fernando Araújo
Imprensa Proletária: A Comuna de Paris. "Este volume apresenta-nos à Revolução que em 1871 permitiu conquistar o primeiro Estado proletário do mundo. - Da Colecção da Editorial "Avante!" - ABC do Marxismo-Leninismo - um conjunto de pequenos textos que procuram apresentar o socialismo científico." Colaboração: Fernando Araújo
28/Jul Cinema e Revolução: A Família de Elisabeth Texeira. "Após um primeiro encontro em 1964 interrompido pela ditadura militar e de uma nova visita no início da década de 1980 para finalizar Cabra Marcado Para Morrer, o diretor Eduardo Coutinho e Elizabeth Teixeira, sobrevivente das lutas camponesas e agora com 88 anos, se encontram mais uma vez." Direção: Eduardo Coutinho". Colaboração: Fernando Araújo
Frantz Fanon: Em Defesa da Revolução Africana. Concluída a inclusão desta obra com os capítulos: Esta África futura e A morte de Lumumba: podíamos ter agido de outro modo?. "O nosso erro, Africanos, foi ter esquecido que o inimigo nunca recua sinceramente. Nunca compreende. Capitula, mas não se converte. O nosso erro foi ter acreditado que o inimigo tinha perdido combatividade e nocividade. Se Lumumba incomoda, Lumumba desaparece. A hesitação no assassínio nunca caracterizou o imperialismo. Vejam Ben M’Hidi, vejam Moumié, vejam Lumumba. O nosso erro foi termos sido um pouco confusos nos nossos passos. É um fato existirem traidores, hoje, em África. Era necessário denunciá-los e combatê-los. Que isto seja duro depois do sonho magnífico de uma África debruçada sobre si própria e submetida às mesmas exigências de verdadeira independência, nada muda à realidade." Colaboração: José Guilherme Kock
Cinema e Revolução: Cabra Marcado para Morrer. "O filme é uma narrativa semidocumental da vida de João Pedro Teixeira, um líder camponês da Paraíba, assassinado em 1962. Em razão do golpe militar, as filmagens foram interrompidas em 1964. O engenho da Galileia foi cercado por forças policiais. Parte da equipe foi presa sob a alegação de "comunismo", e o restante dispersou-se. O trabalho foi retomado 17 anos depois, recolhendo-se depoimentos dos camponeses que trabalharam nas primeiras filmagens e também da viúva de João Pedro, Elizabeth Altino Teixeira, que desde dezembro de 1964 vivera na clandestinidade, separada dos filhos. Reconstruiu-se assim a história de João Pedro e das Ligas camponesas de Galiléia e de Sapé." Direção: Eduardo Coutinho". Colaboração: Fernando Araújo
27/Jul Georg Lukács: A Teoria do Romance - Um ensaio histórico-filosófico sobre as formas da grande literatura épica. Capítulo 1 da seção I. Civilizações Fechadas. Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva
26/Jul Domenico Losurdo: Reconstruir o Partido Comunista, Unir a Esquerda, Bater a Direita. "As classes laboriosas penam hoje para organizar uma resistência eficaz num momento onde a República fundada sobre o trabalho se transforma em república fundada sobre o despedimento arbitrário, sobre o privilégio da riqueza, sobre a corrupção, sobre a venalidade dos cargos públicos. E, infelizmente, até aqui foi quase inexistente a resistência oposta ao processo pelo qual a República que repudia a guerra(3) se transforma em república que participa nas mais infames guerras coloniais. É com este desastre atrás de nós que nós nos empenhamos hoje no relançamento do projecto comunista." Colaboração: Fernando Araújo
Cinema e Revolução: Dossie Jango. "O golpe de 1964 encerrou a limitada democracia da Constituição de 1946 e deu início à longa e brutal ditadura militar que infelicitou o Brasil durante as duas décadas seguintes, encerrada apenas em 1985. A ação nefasta dessa direita antipopular, antinacional e antidemocrática está mais uma vez em pauta e a história do golpe de Estado de 1964 precisa ser examinada para lembrar, às gerações mais jovens, a maneira como os fascistas agem no Brasil, disfarçando seu golpismo e seu antidemocratismo com juras de amor à pátria, ao povo e à democracia. Neste sentido, Dossiê Jango é um antidoto democrático de valor permanente." Colaboração: Fernando Araújo
Francisco Martins Rodrigues: A Lógica Burguesa. Crítica à obra Marx pour gens pressés, Robert Misik. "Jornalista vienense, de 40 anos, Robert Misik tem colaboração nos principais jornais austríacos, alemães e suíços. Co-fundador da Ofensiva Democrática contra o partido fascista de Georg Haider, é um progressista convicto. O que não o impede de ser também um revisionista de novíssima geração. É útil ler o seu ensaio para ver como trabalha a lógica burguesa mascarada de marxista." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
25/Jul Georg Lukács: A Teoria do Romance - Um ensaio histórico-filosófico sobre as formas da grande literatura épica. Inciamos a inclusão desta obra com o Prefácio. Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva
Imprensa Proletária: Colecção Palavras de Ordem - FRELIMO. Coleção de livros publicados pela Frente de Libertação de Moçambique, publicados pelo Departamento de Informação e Propaganda da FRELIMO. ". Colaboração: David Walters
Francisco Martins Rodrigues: Novas Lições da Revolução Russa (Elementos para uma plataforma comunista - III). "Andámos a defender Staline como o líder do proletariado mundial, não podemos agora escondê-lo debaixo do tapete. A desculpa de que Staline se limitou a ser o intérprete de determinadas condicões históricas é uma escapatória tão anti-marxista como a dos que atribuem o sentido da história ao livre arbítrio de indivíduos. É uma espécie de ‘culto da antipersonalidade’. Não vamos fugir à discussão de Staline a coberto da sociologia. As ideias, os escritos, a personalidade de Staline, têm que ser apreciados porque apresentam de forma concentrada uma dinâmica e uma lógica de classe, são a documentação viva da agonia da ditadura do proletariado e do ascenso do regime capitalista de Estado na URSS. É tempo de iniciar o estudo sistemático das obras de Staline. [...] as correcções a Staline dão sistematicamente passagem a raciocínios oportunistas e ao espírito de colaboração de classes (Mao é um caso clássico) e o anti-stalinismo continua a ser uma fonte do reaccionarismo mais boçal. Uma crítica pela esquerda a Staline não é para todos. E isto já nos diz alguma coisa sobre o lugar que ocupou na história do movimento operário, primeiro, e do movimento burguês anti-imperialista, depois. “Staline acreditava estar a fortalecer a ditadura do proletariado, Julgava sinceramente seguir o caminho de Lenine, adequando-o a condições novas; nunca pensou em renegar o leninismo”, etc. É um tipo de argumento que devemos pôr de lado porque só confunde. As convicções subjectivas dos dirigentes políticos não servem de critério para aferir o seu papel na luta de classes. O que é objectivo é que Staline, ao procurar ser fiel ao leninismo numa situação nova, activou a consolidação das novas relações sociais geradas pelo capitalismo de Estado. Como representante duma nova classe exploradora — duma classe cuja existência era oculta pela função de ‘vanguarda do proletariado revolucionário’ — não podia aperceber-se da natureza social do seu poder. Nós é que já não temos desculpa para continuar a envolvê-lo em véus justificadores." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
24/Jul Lénine: Do Comité Central do Partido Operário Social-Democrata da Rússia (bolchevique). Colaboração Partido Comunista Português - Organização Regional de Lisboa e Manuel Gouveia.
Frantz Fanon: Em Defesa da Revolução Africana. Incluímos os capítulos: Accra: a África afirma a sua unidade e define a sua estratégia; — As tentativas desesperadas de Debré; Furor racista em França; O sangue corre nas Antilhas sob dominação francesa e Unidade e solidariedade efetiva são as condições da libertação africana. "Nós, Africanos, dizemos que há mais de cem anos a vida de 200 milhões de Africanos é uma vida depreciada, uma vida contestada, uma vida perpetuamente assombrada pela morte. Dizemos que não devemos confiar na boa-fé dos colonialistas, mas que devemos armar-nos de firmeza e de combatividade. A África não será livre pelo desenvolvimento mecânico das forças materiais, mas é a mão do Africano e o seu cérebro que desencadeiam e levarão a bom termo a dialética da libertação do continente." Colaboração: José Guilherme Kock
Cinema e Revolução: Jango - Como, quando e porque se depõe um Presidente. "O filme refaz a trajetória política de João Goulart, o 24° presidente brasileiro, que foi deposto por um golpe militar nas primeiras horas de 1º de abril de 1964. Goulart era popularmente chamado de "Jango", daí o título do filme, lançado exatos vinte anos após o golpe. O sugestivo slogan do filme foi "Como, quando e por que se derruba um presidente". O documentário captura a efervescência da política brasileira durante a década de 1960 sob o contexto histórico da Guerra Fria. Jango narra exaustivamente os detalhes do golpe e se estende até os movimentos de resistências à ditadura, terminando com a morte do presidente no exílio e imagens de seu funeral, cuja divulgação foi censurada pelo regime militar." Colaboração: Fernando Araújo
23/Jul Lénine: Congresso Extraordinário dos Sovietes de Deputados Camponeses de Toda a Rússia. Texto que trata da questão agrária. Colaboração Partido Comunista Português - Organização Regional de Lisboa e Manuel Gouveia.
22/Jul Cinema e Revolução: Morte em Gaza. Documentário sobre a vida das crianças na faixa de Gaza, sob ocupação israelense. A resistência do povo Palestino à invasão e ocupação militar promovida por Israel.. Direção do inglês James Miller, que foi assassinado por um soldado israelense durante as filmagens. Colaboração: Fernando Araújo
Francisco Martins Rodrigues: Novas Lições da Revolução Russa (Elementos para uma plataforma comunista) (II). "Quando a corrente ML acabou por reconhecer que o poder soviético já no tempo de Staline estava corroído e desfigurado pela burocracia foi chocar, embora não o quisesse admitir, com as teses de Trotski sobre o ‘Estado operário burocraticamente degenerado’, sobre o ‘Termidor’ em que se afundara a revolução e sobre Staline como um Bonaparte reinando acima das classes. A tese trotskista do stalinismo como um tumor burocrático parasitário sobre o corpo do ‘Estado operário’ está hoje muito difundida, mesmo entre sectores da corrente ML. Generalizou-se a ideia de que um Trotski revolucionário teria sido batido por um Bukarine direitista e por um Staline centrista. Trotski, diz-se, poderia ter-se deixado arrastar pela sua veia polémica para teorias abstrusas (como a da burocracia omnipotente e contudo incapaz de alterar a natureza social do Estado operário) mas teria captado a essência do fenómeno. Será mais exacto dizer que Trotski, apesar da audácia teórica que o levou a analisar primeiro que ninguém o fenómeno social que ocorria na União Soviética dos anos 20/30, viu tudo de pernas para o ar. Na Rússia dos anos 20, a burocracia não era fruto duma má tendência de Staline. Era a única solução de governo para uma sociedade que chegara a um equilíbrio de forças temporariamente insolúvel. O proletariado não podia governar mas também não permitia o acesso ao poder da pequena burguesia. O regime não podia avançar para o socialismo mas o impulso dado pela revolução impedia-lhe o retorno ao capitahsmo. Chegara-se a uma espécie de terra de ninguém, um impasse. E como o poder dos sovietes já não fazia sentido mas não podia ser abolido, porque isso seria o reconhecimento da derrota da revolução, manteve-se a ficção dum poder soviético amparado numa máquina burocrática gigantesca. Não foram as “tendências autocráticas de Staline” que liquidaram o poder soviético. Pelo contrário, a concentração drástica de poderes foi a resposta ao definhamento dos sovietes. E a necessidade dessa concentração do poder era muito mais aguda que nos anos da guerra civil." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
21/Jul Clóvis Moura: O Racismo como Arma Ideológica de Dominação. "Sobre o racismo, um dos temas mais polêmicos, instigantes e inesgotáveis do mundo moderno, concentram-se opiniões contraditórias, que discutem, em vários níveis, as consequências de sua prática. A discussão sobre as diversas formas de sua atuação, significado e função vem sempre acompanhada de uma carga emocional, o que demonstra como a polêmica que se monta em torno de seu significado transcende em muito as questões acadêmicas, para atingir um significado mais abrangente, de ideologia de dominação. Somente admitindo-se o papel social, ideológico e político do racismo poderemos compreender sua força permanente e seu significado polimórfico e ambivalente.". Colaboração: Fernando Araújo
Imprensa Proletária: O Outubro Vermelho de 1917. "Uma breve análise da Grande Revolução Socialista de Outubro de 1917. - Da Colecção da Editorial "Avante!" - ABC do Marxismo-Leninismo - um conjunto de pequenos textos que procuram apresentar o socialismo científico." Colaboração: Fernando Araújo
20/Jul Lénine: Carta aos Operários Americanos. "O terror era justo e legítimo quando era empregado pela burguesia em seu proveito, contra os feudais. O terror tornou-se monstruoso e criminoso quando os operários e os camponeses pobres se atreveram a empregá-lo contra a burguesia! O terror foi justo e legítimo quando era empregado no interesse da substituição de uma minoria exploradora por outra minoria exploradora. O terror tornou-se monstruoso e criminoso quando passou a ser empregado no interesse do derrubamento de todas as minorias exploradoras, no interesse duma maioria verdadeiramente enorme, no interesse do proletariado e do semiproletariado, da classe operária e do campesinato pobre! A burguesia do imperialismo internacional exterminou 10 milhões de homens, mutilou 20 milhões na «sua» guerra, guerra essa conduzida para saber quem, os abutres ingleses ou os alemães, dominará todo o mundo. Se a nossa guerra, a guerra dos oprimidos e dos explorados contra os opressores e exploradores, custar meio milhão ou um milhão de vítimas em todos os países, a burguesia dirá que as primeiras vítimas são legítimas, as segundas criminosas. O proletariado dirá uma coisa totalmente diferente. O proletariado assimila agora, entre os horrores da guerra imperialista, de forma completa e evidente, a grande verdade que ensinam todas as revoluções, a verdade legada aos operários pelos seus melhores mestres, os fundadores do socialismo moderno. Esta verdade consiste em que não pode haver uma revolução com êxito sem esmagar a resistência dos exploradores. O nosso dever, quando nós, os operários e camponeses trabalhadores, tomámos o poder de Estado, era esmagar a resistência dos exploradores. Orgulhamo-nos porque o fizemos e continuamos a fazê-lo. Lamentamos não o termos feito com suficiente firmeza e decisão. Nós sabemos que em todos os países é inevitável uma resistência raivosa da burguesia contra a revolução socialista e que ela crescerá à medida que cresce esta revolução. O proletariado quebrará esta resistência, ele amadurecerá definitivamente para a vitória e para o poder no decurso da luta contra a burguesia que opõe resistência." Colaboração Partido Comunista Português - Organização Regional de Lisboa e Manuel Gouveia.
Imprensa Proletária: Liberdade, Igualdade, Fraternidade - A Grande Revolução Francesa de 1789 e suas Repercussões. Colaboração: Fernando Araújo
19/Jul Engels: A Dialética da Natureza. cap. 2 - Formas Fundamentais do Movimento. "Todo movimento está ligado a alguma mudança de lugar: mudança de lugar de corpos celestes, de massas terrestres, de moléculas, de átomos ou de partículas de éter. Quanto mais elevada a forma de movimento, tanto menor a mudança de lugar. Essa mudança de lugar não é, de forma alguma, a totalidade do respectivo movimento, mas é inseparável do mesmo. É isso, portanto, o que se deve, em primeiro lugar, investigar." Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva e Fernando Araújo
Imprensa Proletária: A História: Acaso ou Lei?. "Este volume, partindo da pergunta "A História: Acaso ou Lei?", leva-nos à busca das forças motrizes da História e apresenta-nos o materialismo histórico, desenvolvido por Marx e Engels." Colaboração: Fernando Araújo
18/Jul Francisco Martins Rodrigues: Da FAP à ORA, a Busca da Insurreição. "O terror é inseparável da luta de classes. A disputa do poder de Estado entre duas classes decide-se a favor daquela que aplica o terror de modo mais eficaz. A burguesia sustenta-se no poder graças ao terror ou à ameaça do terror. As toneladas de paleio sobre a necessidade de “preservar o consenso democrático” significam isso mesmo: “sujeitem-se à lei do mais forte”. E a grande campanha actual contra a violência revolucionária, como sinónimo de terror indiscriminado sobre vítimas inocentes, visa justamente levar os oprimidos a banir o terror do seu arsenal de luta, para o deixar em monopólio aos exploradores. Lenine disse que quem se declara revolucionário e renuncia antecipadamente ao direito de exercer o terror sobre os opressores só merece ser posto a ridículo. E isso era no tempo em que a repressão burguesa ainda estava na fase artesanal. O imperialismo ainda não tinha inventado as câmaras de gás, o holocausto nuclear, os Vietnames e as Palestinas. Hoje, quando o aparelho de Estado burguês evoluiu para os grandes complexos de manipulação ideológica, a vigilância em massa, a eliminação selectiva dos revolucionários e os banhos de sangue é puro charlatanismo debater se o terror é moralmente admissível, se não terá o perigo de “dar pretextos à reacção”, etc. Partimos pois do princípio de que o movimento operário internacional, e o nosso movimento operário em particular, não sofre por excessos de terrorismo mas por incapacidade de pôr a violência ao seu serviço." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
Imprensa Proletária: A Origem do Capitalismo A Revolução Industrial na Inglaterra. "A história não acaba com o capitalismo. Este tem os seus dias contados, do mesmo modo que o feudalismo, anteriormente, teve os seus dias contados. E a mais poderosa força motora do avanço da humanidade para o futuro sempre foi e continuará a ser, em última instância, o desenvolvimento das forças produtivas." Colaboração: Fernando Araújo
17/Jul Frantz Fanon: Em Defesa da Revolução Africana. Incluímos os capítulos: Consequências de um plebiscito em África; — A guerra da Argélia e a libertação dos homens; e A Argélia em Accra. "A análise e a apreciação de um dado acontecimento revelam-se frequentemente inadequadas, e as suas conclusões paradoxais porque, precisamente, não se tiveram devidamente em conta os laços orgânicos que existiam entre esse acontecimento particular e o desenvolvimento histórico do conjunto circundante. É por isso que, para dar um exemplo, o reforço dialético que existe entre o movimento de libertação dos povos colonizados e a luta emancipadora das classes operárias exploradas dos países imperialistas, é objeto, por vezes, de uma espécie de negligência e até mesmo de esquecimento. [...] O processo de libertação do homem, independentemente das situações concretas em que se encontra, engloba e diz respeito ao conjunto da humanidade. O combate pela dignidade nacional dá à luta pelo pão e pela dignidade social a sua verdadeira significação. Esta relação interna é uma das raizes da imensa solidariedade que une os povos oprimidos às massas exploradas dos países colonialistas." Colaboração: José Guilherme Kock
Domenico Losurdo: Como Nasceu e como Morreu o "Marxismo Ocidental". "Por muito tempo o "marxismo ocidental" celebrou a sua superioridade em relação ao marxismo dos países que se remetiam ao socialismo e que estavam todos situados no Oriente. Em decorrência dessa atitude arrogante, o marxismo ocidental nunca se empenhou seriamente em repensar a teoria de Marx à luz de um balanço histórico concreto: qual era o papel do Estado e da nação nesses países e no "campo socialista"? Como promover a democracia e os direitos humanos e como estimular o desenvolvimento das forças produtivas e o bem-estar das massas numa situação caracterizada pelo bloqueio capitalista? Ao invés de pôr-se essas questões difíceis, o marxismo ocidental preferiu abandonar-se à cômoda atitude autoconsolatória de quem cultiva em particular as suas utopias e rejeita, como uma contaminação, o contato com a realidade e a reflexão sobre a realidade. Disso derivou uma progressiva capitulação à ideologia dominante. Por fim, a autocelebração do marxismo ocidental desembocou na sua autodissolução." Colaboração: Fernando Araújo
16/Jul Francisco Martins Rodrigues: Trotsky Antes de 1917. "Desenterrar a questão Trotsky quando tanta coisa nova espera ser analisada no campo do marxismo pode parecer gosto por divagações arqueológicas. Achamos que não é o caso. A derrocada estrepitosa, sob os nossos olhos, do chamado sistema socialista põe no centro da actualidade o debate sobre a contribuição do trotskismo à análise da degenerescência da revolução russa; para nós, originários duma corrente que usava em muitos aspectos o ataque ao trotskismo como alibi para a falsificação do leninismo, mais obrigatório se toma reabrir a discussão do tema. Neste primeiro artigo de uma série, procuramos situar a trajectória de Trotsky antes de 1917 e a génese da sua teoria da ‘revolução permanente’." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
Lénine: Intervenção na Reunião do CC do POSDR (b). "Trata-se da participação dos bolcheviques numa reunião convocada pelo Vikjel (Comité Executivo da União dos Ferroviários de Toda a Rússia) para discutir a composição do governo. O Vikjel, chefiado pelos mencheviques e pelos socialistas-revolucionários depois da vitória da insurreição armada de Outubro em Petrogrado, transformou-se num dos esteios da actividade contra-revolucionária. No dia 29 de Outubro (11 de Novembro) de 1917, o Vikjel aprovou uma resolução na qual apelava para a criação daquilo a que chamava «governo socialista homogéneo» com participação de representantes de todos os partidos, «dos bolcheviques até aos socialistas populares»." Colaboração Partido Comunista Português - Organização Regional de Lisboa e Manuel Gouveia.
Imprensa Proletária: O Caso Gomes Lund e outros versus Estado Brasileiro ("A Guerrilha do Araguaia"). Sentença que condenou o Brasil a reconhecer que cometeu crimes contra a humanidade e a reparar os seus erros no caso que ficou conhecido como "Guerrilha do Araguaia". Colaboração: Fernando Araújo
Lukács: O Jovem Hegel e os Problemas da Sociedade Capitalista. Iniciamos a inclusão deste livro com o Prefácio. "Para entender plenamente o papel de Marx, na história do pensamento alemão – um papel que nem sempre é direto, porém também às vezes mediato – é imprescindível um conhecimento real de Hegel, da sua grandeza e de seus limites." Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva
15/Jul Frantz Fanon: Em Defesa da Revolução Africana. Incluímos os capítulos: Uma crise contínua; — Carta à juventude africana; Verdades primeiras a propósito do problema colonial; A lição de Cotonou;e Apelo aos Africanos. "As batalhas económicas entre a França, a Inglaterra e os Estados Unidos, no Médio Oriente, no Extremo Oriente e agora em África, dão a medida da voracidade e da bestialidade imperialistas. E não é exagerado dizer que estas batalhas são a causa direta das estratégias que, ainda hoje, abalam os Estados recém-independentes. Em circunstâncias excepcionais, as zonas de influência da libra esterlina, do dólar ou do franco convertem-se e tornam-se, por um golpe de prestidigitação, o mundo ocidental. Hoje, no Líbano e no Iraque, a crer em Malraux, é o homo occidentalis que se encontra em perigo. O petróleo iraquiano levantou todas as proibições e atualizou os verdadeiros problemas. Temos presentes as intervenções violentas das forças armadas americanas no arquipélago das Antilhas ou na América Latina, sempre que as ditaduras apoiadas pela política americana estiveram em perigo. Os marines que hoje desembarcam em Beirute são irmãos dos que, episodicamente, vão restabelecer “a ordem” no Haiti, na Costa Rica e no Panamá. É que os Estados Unidos acham que as duas Américas constituem um mundo regido pela doutrina de Monroe, cuja aplicação está confiada às forças americanas. O artigo único dessa doutrina estipula que a América pertence aos Americanos, quer dizer, ao Departamento de Estado." Colaboração: José Guilherme Kock
14/Jul Bertolt Brecht: A Vida de Galileu. Arquivo em pdf: "Brecht escreveu certa vez: “Não se pode escrever peças inteligentes sem ter lido Marx”. Esta seria apenas uma manifestação ritualística de louvação a Marx? Marx fez da ciência, a descoberta do método da inteligência da sociabilidade humana. Um filosofo existencialista como Jean-Paul Sartre em seu reparo crítico ao materialismo dialético considerava o marxismo “a filosofia insuperável de nosso tempo”, mas queria completá-lo com o existencialismo. O marxismo é uma concepção autônoma, não precisa de muletas de empréstimo. Marx desvendou a lei fundamental da sociedade Moderna: se salário fosse a remuneração justa do trabalho como pode nascer o lucro? Mas descobriu que a essência do mundo moderno é trabalho realizado e não remunerado gerando um sobre-valor (mais-valia) para o patrão. Marx intitulou sua obra científica maior de “O Capital, crítica da economia politica”. Um genial dialético da Antiga Grécia, como Platão, distinguia entre opinião (doxa) de ciência (episteme). Zenão de Eleia foi um dos primeiros a criar a expressão aparente ou aparência, para traduzir aquilo “que parece, mas não é”. Marx, ao contrário do idealismo, sabia que a aparência é essencial: “Se aparência e essência coincidissem toda ciência seria supérflua”. Lukács nos inspirou a seguinte fórmula: “a tarefa da arte é destacar os fenômenos essenciais do desenvolvimento proposto pela realidade”. Gestus é a nomenclatura que Brecht usa para isto, ações sociais e historicamente significativas. Portanto, não é casual que tenha escolhido em seu teatro épico-dialético, Galileu Galilei como herói. As transformações da ciência são apenas de natureza teóricas e lógico-formais, neutras, como crê o positivismo e o neopositivismo? Mesmo um brilhante narrador da periferia do imperialismo como Machado de Assis, em O Alienista, um conto sobre as ciências humanas, faz esta indagação: o que é o objeto da ciência e por que ele existe? Brecht segue esta tradição afortunada no seguinte diálogo de A vida de Galileu: Inquisidor – O senhor não acha que a verdade, sendo racional se imporá forçosamente? Galileu – Incorreto. Da verdade só passará aquilo que fizermos passar. A vitória da Razão depende da vitória das pessoas razoáveis." Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva
13/Jul Imprensa Proletária: O Problema Fundamental da Filosofia. "Este volume é aqui apresentado numa citação de Engels: «O grande problema fundamental de toda a filosofia, em especial da filosofia moderna, é o da relação entre o pensamento e a existência [...], a relação do espírito com a natureza [...], o problema: qual existe primeiro, o espírito ou a natureza? [...] Consoante era dada uma ou outra resposta a este problema, os filósofos dividiram-se em dois grandes campos. Os que afirmavam que o espírito era primordial face á natureza, e portanto aceitavam, em última instancia, esta ou aquela criação do mundo [...] constituíram o campo do idealismo. Os outros, que consideravam a natureza primordial, pertencem às várias escolas do materialismo." Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva
12/Jul Domenico Losurdo:
Quem recorre a Escudos Humanos: o Hamas ou Israel? ;
Dalai Lama & Obama:  O encontro entre dois Prémio Nobel da Mentira;
Os Discípulos de Goebbels contra a Síria;
Sete pontos acerca da Líbia;
Francisco Martins Rodrigues: Entrevista a Carlos Morais. "A situaçom tem estado a evoluir aceleradamente com as globalizaçons, com a pulverizaçom da própria classe operária, a fragmentaçom, os precários, todos os fenómenos novos que a gente está a ver, e a identidade do proletariado como classe parece umha cousa cada vez mais difícil de palpar. No meu tempo, quando eu era jovem, ainda era possível perfeitamente encontrar núcleos de operários que sabiam a classe a que pertenciam, embora lhes pudesse faltar umha perspectiva política revolucionária. Mas hoje as pessoas som eleitores, som membros da populaçom, som cidadaos, e essa consciência, essa identidade de classe está-se a esfumar cada vez mais. Eu sei que a insistência nesta ideia, que me parece a única de acordo com o marxismo, a ideia da necessidade de independência política do proletariado, nom parece realista à massa dos militantes. Mas é a única que faz sentido: se este sistema nom vai evoluir, nem vai desaparecer por si, nem vai entregar o poder, a única perspectiva que existe é do seu derrubamento pola força. E nom vale a pena dizermos que "a esmagadora maioria da populaçom é contra o capitalismo, logo a coisa pode-se fazer pacificamente"... Isto funciona por camadas. Tem que haver um núcleo, um sector de classe, cujos interesses próprios de classe lhe permitam ver que para além deste regime podemos organizar um regime socialista, podemos expropriar à burguesia para criar o nosso sistema. Depois há outros sectores que estám descontentes, que vam aderir, mas que nom podem assumir essa visom de classe. Se nom tenhem essa visom de classe, tem-se que fazer distinçons. Tem que haver forças revolucionárias e aliados de primeira ordem, e aliados de segunda ordem, e forças a neutralizar, e forças a hostilizar e por aí fora." Fonte: Primeira Linha em Rede. Colaboração Fernando Araújo.
Imprensa Proletária: Desenvolvimento do Homem e da Sociedade: da Comunidade Primitiva ao Fim do Feudalismo. Este livro "permite-nos acompanhar os alvores das sociedades humanas, e o processo pelo qual surge na história a propriedade privada e as sociedades assentes na exploração do Homem pelo Homem." Colaboração: Fernando Araújo
11/Jul Domenico Losurdo: Mundo Vive Luta Contra a Nova Contra-Revolução Colonial. "Primeiro, podemos citar Lênin, que com uma visão muito clara fez uma distinção entre o colonialismo clássico e o neocolonialismo. Ele disse, no começo do século 20, que o colonialismo, no sentido clássico do termo, é a anexação política, ou seja, que um país ou um povo não tem independência política, que é não considerado digno para ser independente. Esse é o colonialismo clássico, com a anexação política de um país ou de um povo por um poder imperialista, colonialista e capitalista. No entanto, Lênin disse também que há um outro tipo de anexação, que é a anexação econômica. E esse é o neocolonialismo. Hoje nós temos um exemplo do colonialismo clássico, que é a situação da Palestina. Lá vemos o colonialismo clássico. É claro, vemos Israel expandindo seus assentamentos, expandindo o território israelense, e vemos que o povo palestino como os índios no faroeste; eles são expropriados, deportados e, algumas vezes, mortos. Este é o colonialismo clássico. Mas existe outra forma de colonialismo; o neocolonialismo. E nestes dias eu gosto de fazer duas citações; Mao [Tsé Tung], após conquistar o poder, que disse: “Se nós, os chineses, continuarmos dependentes da farinha americana para o nosso pão, nós seremos uma semicolônia dos EUA”, ou seja, a independência política será somente formal, não substancial. E eu cito outro clássico da revolução anticolonial, Frantz Fanon, que foi um grande campeão da revolução anticolonial da Argélia, e que disse algo muito importante: “Quando um poder colonialista e imperialista é compelido a dar a independência para um povo, este poder imperialista diz: ‘você quer é a independência? Então tome e morra de fome.” Porque os imperialistas continuam a ter o poder econômico, podem condenar o povo à fome, por meio de bloqueios, embargos ou pelo subdesenvolvimento. Ou seja, Mao e Fanon são personalidades muito diferentes, mas os dois entenderam que a revolução anticolonial tem dois estágios; o primeiro, o estágio da rebelião militar, da revolução militar. O segundo; o desenvolvimento econômico. A chamada “esquerda” que não entendeu este segundo estágio não está em condição de entender a revolução anticolonial. O que vemos agora é o desenvolvimento do terceiro mundo, e esse desenvolvimento não é só um evento econômico, mas um grande evento político. A tentativa da China, hoje, de quebrar o monopólio ocidental da alta tecnologia é a continuação da revolução anticolonial." Colaboração: Fernando Araújo
10/Jul Engels: A Dialética da Natureza. Iniciamos a inclusão desta obra com: o Prefácio e cap. 1 - Natureza Geral da Dialética como Ciência. " Com o homem, entramos na história. Também os animais têm uma história: a de sua descendência e desenvolvimento gradual até seu estado atual. Mas essa história é feita para eles e, na medida em que eles mesmos dela participam, se realiza sem que o saibam ou queiram. Os homens, pelo contrário, quanto mais se afastam do animal, entendido limitadamente, tanto mais fazem eles próprios sua história, correspondendo, cada vez com maior exatidão, o resultado histórico aos objetivos previamente estabelecidos. Mas, se aplicarmos essa medida à história humana, mesmo que seja a dos povos mais avançados da época atual, verificaremos que inclusive entre eles persiste ainda uma colossal desproporção entre os objetivos fixados e os resultados obtidos; veremos que predominam os efeitos não previstos; que as forças não controladas são muito mais poderosas do que as postas em movimento de acordo com o plano estabelecido. E não pode ser de outra maneira, enquanto a principal atividade histórica do homem, aquela que o elevou da animalidade à humanidade, a que constitui o fundamento material de todas as suas outras atividades — a produção para as necessidades de sua vida, isto é, hoje em dia a produção social — enquanto essa atividade estiver submetida ao jogo flutuante de influências indesejáveis, de forças não controladas, só excepcionalmente se realizando o objetivo desejado, mas com maior frequência, exatamente o contrário. Nos países industriais mais avançados, o homem dominou as forças naturais, submetendo-as ao seu serviço. Dessa maneira, se conseguiu multiplicar infinitamente a produção, de modo que um menino, hoje em dia, produz mais que cem adultos antes. Qual a consequência daí decorrente? Crescente excesso de trabalho e crescente miséria das massas; e a cada dez anos, um grande krach (craque ou crise). Darwin não teve a menor idéia da amarga sátira que escrevia sobre os homens (e especialmente sobre seus compatriotas), quando afirmou que a livre competição, a luta pela existência, que os economistas celebram como sendo a maior conquista histórica do homem, constitui exatamente o estado natural do reino animal. Somente uma organização consciente da produção social, de acordo com a qual se produza e se distribua obedecendo a um plano, pode elevar os homens, também sob o ponto de vista social, sobre o resto do mundo animal, assim como a produção, em termos gerais, conseguiu realizá-lo para o homem considerado como espécie. A partir daí, iniciar-se-á uma nova época histórica, em que os homens como tais, (e com eles, todos os ramos de suas atividades, especialmente as ciências naturais) darão à sociedade um impulso que deixará na sombra tudo quanto foi realizado até agora." Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva e Fernando Araújo
Abriu o arquivo: J. B. S. Haldane, com o texto: Prólogo à A Dialética da Natureza de Friedrich Engels. "O marxismo tem, com a ciência, uma dupla conexão. Em primeiro lugar, os marxistas a estudam como parte de outras atividades humanas e procuram mostrar como as atividades científicas de qualquer sociedade dependem de suas variáveis necessidades e, assim sendo, em um sentido mais amplo, de seus métodos de produção; e, finalmente, como a ciência transforma esses métodos de produção e, dessa forma, tende a modificar a sociedade no seu conjunto. Essa análise é necessária, qualquer que seja o fato histórico a ser cientificamente examinado, havendo inclusive investigadores não marxistas que aceitam hoje esse processo, embora em parte. Em segundo lugar, porém, Marx e Engels não se contentaram com analisar as transformações sociais. Viam, na dialética, a ciência das leis gerais da transformação, não apenas na sociedade e no pensamento humano, mas também no mundo exterior que é refletido pela mente humana. Isso quer dizer que a mesma pode ser aplicada não somente aos problemas da ciência pura, como também às relações sociais da ciência." Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva e Fernando Araújo
09/Jul

Frantz Fanon: Em Defesa da Revolução Africana. Incluímos os capítulos: O sangue do Maghreb não correrá em vão; — A farsa que muda de campo; e Descolonização e independência. "A libertação do indivíduo não se segue à libertação nacional. Uma autêntica libertação nacional não existe senão na medida expressa em que o indivíduo encetou irreversivelmente a sua libertação. Não é possível ganhar distância relativamente ao colonialismo sem ao mesmo tempo a ganhar também relativamente à ideia que o colonizado faz de si próprio através do filtro da cultura colonialista." Colaboração: José Guilherme Kock

Evguiéni Pachukanis: Lenin e os Problemas do Direito. "Neste ensaio, publicado em 1925, Pachukanis relaciona sua crítica da forma jurídica à volumosa, ainda que fragmentária, produção teórica de Lenin sobre o direito. Opondo Lenin a uma parcela do pensamento jurídico soviético, destaca a relação dialética entre as formas de propriedade, formas jurídicas e formas estatais. Pachukanis argumenta que um Partido revolucionário deve seguir um curso que evite os perigos tanto da completa rejeição da luta legal quanto do fetichismo ligado à legalidade formal. Mobilizando desde as polêmicas de Lenin com os mencheviques sobre o estatuto do Partido até a questão do direito dos povos à sua autodeterminação, Pachukanis aproxima suas concepções sobre o Estado e o direito daquela de Vladimir Ilitch." Colaboração: Gabriel Landi Fazzio e Thais Hoshika
08/Jul Cinema e Revolução: As Memórias Não se Apagam. "Recupera a experiência revolucionária de uma das mais singulares personagens da resistência à ditadura nos anos 60, Alípio de Freitas. Este ex-padre nascido em Trás-os-Montes e emigrado para o Brasil conta na primeira pessoa alguns dos momentos mais marcantes que presenciou numa frase crucial da história do Brasil – a ditadura militar. Do treino em Cuba à prisão e às torturas numa fortaleza militar brasileira (onde estaria quando em Portugal ocorre a Revolução dos Cravos), Alípio narra alguns momentos de uma trajetória que vai culminar com a história sobre a canção de Zeca Afonso a ele dedicada, 'Alípio de Freitas'." Colaboração: Fernando Araújo
06/Jul Bertolt Brecht: O Interrogatório do Homem de Bem. Poema. Colaboração: Fernando Araújo
05/Jul Cinema e Revolução: Os Fuzis. Num período de seca, um destacamento militar e um motorista de caminhão tentam evitar que os retirantes saqueiem os depósitos de alimentos. Neste filme aparece sistematizada a proposta de Brecht (e ademais da arte brasileira dos anos 50 e 60) da participação do publico no espetáculo. O protagonista fracassa (tal como foi formulado por Augusto Boal no seu Teatro Fórum) exigindo do público novas maneiras de pensar e agir naquela dada situação. Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva
Frantz Fanon: Em Defesa da Revolução Africana. Incluímos os capítulos: A Argélia perante os torcionários franceses; — A propósito de uma defesa; — Os intelectuais e os democratas franceses perante a Revolução Argelina; e Nas Antilhas, nascimento de uma nação?. Colaboração: José Guilherme Kock
04/Jul Abriu o arquivo: Bertolt Brecht, com o texto: Um pequeno Organon para o Teatro. "Embora o teatro tenha sido de início um negócio para divertir o povo, como também as outras artes. Isto deu aos negócios um certo ar de dignidade, não é preciso outros passaportes do que a diversão, mas isto é preciso. Isto não significa dar um alto gabarito à moral de negociantes, ao contrário, devemos correr o risco de sermos rebaixados, num sentido de tornar a moralidade agradável, admitamos, a principio um meio que a moralidade possa ganhar. Nem mesmo a instrução deve ser exigida nem mesmo uma lição utilitarista, que nos transporte, até mesmo prazeirosamente, as esferas físicas ou espirituais. O teatro deve permanecer inteiramente uma coisa desinteressada para nós que vivemos. Nada precisa menos explicação do que o prazer." Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva
Imprensa Proletária: A Concepção Marxista do Conhecimento. "Partindo da questão "podemos conhecer o mundo que nos rodeia?", este livro desenvolve a Teoria do Conhecimento do materialismo dialéctico." Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva
03/Jul Cinema e Revolução: Mi Amigo Hugo. "Quem foi Hugo Chávez? Por que foi tão odiado pela grande mídia? Era mesmo um "ditador" autoritário e repressor? Como era e o que pensava sua equipe? O documentário de Oliver Stone, "Mi Amigo Hugo" (lançado em março de 2014), oferece algumas pistas para refletirmos sobre essas e outras perguntas. O diretor lança uma bomba no silêncio da mídia sobre a verdadeira personalidade de um homem tão amado e odiado quanto proibido.". Colaboração: Fernando Araújo
02/Jul Imprensa Proletária: Introdução à Dialética Marxista III. "Este último volume dos três dedicados à dialéctica marxista procura-se dar uma imagem mais precisa da riqueza da dialéctica marxista, abordando a relação dialéctica de um conjunto de categorias correlativas, como essência e fenómeno, conteúdo e forma, causa e efeito, etc." Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva
01/Jul Lénine: Resolução do CC do POSDR (b) - Sobre a Questão da Oposição dentro do CC. Colaboração Partido Comunista Português - Organização Regional de Lisboa e Manuel Gouveia.
Imprensa Proletária: Introdução à Dialética Marxista II. "O presente volume, segundo dos três dedicados à dialéctica marxista, aborda no essencial as chamadas segunda e terceira lei da dialéctica: a negação da negação e a unidade e luta dos contrários." Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva
30/Jun Lénine: Resposta às Perguntas dos Camponeses. "Em resposta às numerosas perguntas dos camponeses, esclarece-se que todo o poder no Estado passou a partir de agora inteiramente para as mãos dos Sovietes de deputados operários, soldados e camponeses. A revolução operária venceu em Petrogrado e em Moscovo e vence em todos os restantes lugares da Rússia. O governo operário e camponês assegura a aliança das massas de camponeses, de camponeses pobres, da maioria dos camponeses com os operários contra os latifundiários, contra os capitalistas." Colaboração Partido Comunista Português - Organização Regional de Lisboa e Manuel Gouveia.
Cinema e Revolução: Puente Llaguno - Claves de una masacre. "Trata-se de uma análise cuidadosa dos eventos midiáticos que levaram à deposição temporária do presidente venezuelano em 11 de abril de 2002. A manipulação de uma imagem foi crucial para causar condenação mundial contra o governo chavista nas horas que antecederam o golpe. De cima da Ponte Lllaguno, em Caracas, chavistas foram flagrados atirando. A eles foi atribuído um “massacre” que causou comoção e indignação dentro e fora da Venezuela. Mais tarde ficou provado que a imagem tinha sido manipulada para não mostrar que, na verdade, eles reagiam contra fogo de franco-atiradores postados em edifícios e de agentes da Polícia Metropolitana a serviço da oposição, que foram os verdadeiros responsáveis pela morte de 19 pessoas.". Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva
29/Jun Imprensa Proletária: Introdução à Dialética Marxista I. "Da Colecção da Editorial "Avante!" - ABC do Marxismo-Leninismo - um conjunto de pequenos textos que procuram apresentar o socialismo científico. Este é o primeiro volume de três dedicados à dialéctica marxista. Neste volume é essencialmente abordada a chamada primeira lei da dialéctica: a transformação da quantidade em qualidade, e vice-versa." Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva
28/Jun Abriu o arquivo: Domenico Losurdo, com o texto: Marx, Cristóvão Colombo e a Revolução de Outubro - Materialismo Histórico e Análise das Revoluções. "Não há dúvida: para compreender a atual realidade do capitalismo, não é a Lênin ou a Mao que devemos recorrer, mas a Marx. É preciso dirigir-se a ele para compreender a realidade dos crescentes custos sociais produzidos pela apropriação privada do desenvolvimento das forças produtivas. As brilhantes análises de O Capital sobre a intensificação do trabalho e da exploração produzidas pelo desenvolvimento tecnológico capitalista falam sobre o hoje, falam de um Ocidente capitalista que conseguiu triunfar na Europa oriental e que faz também sentir fortemente seu peso sobre os países que se chamam ao socialismo. Durante um inteiro período histórico, a análise marxista será o espelho crítico não apenas do capitalismo propriamente dito, mas também do quanto de capitalista existir, inevitavelmente, em todo processo de transição para uma sociedade diferente. Assumir este ponto para liquidar como insignificante o evento histórico real iniciado pelo Outubro significa cometer um duplo erro: em primeiro lugar, a totalidade das contradições do sistema capitalista mundial se reduz à contradição entre capital e trabalho, embelezando, portanto, aquele sistema, como se não lhe pertencessem mais a prevaricação sobre os países mais débeis (sobretudo se ricos em matérias-primas), a tendência a sufocar a qualquer custo todo projeto de sociedade pós-capitalista que se delinear e, ainda, a rivalidade pela hegemonia entre as grandes potências; em segundo lugar, ao apagar a história real, confundem-se os tempos da pesquisa científica e os tempos da ação política, a longa duração de um modo de produção e as etapas concretas, postas em um concreto contexto histórico, de uma política de emancipação. Pensar realmente o socialismo ou o comunismo significa pensar a revolução de Outubro e a história real do Século XX e pensar novamente também Marx e Engels. E sem esse repensar criticamente não há possibilidade de restituir atualidade à força emancipadora de sua teoria." Colaboração: Fernando Araújo
Lénine: Sobre uma Caricatura do Marxismo e sobre o «Economismo Imperialista». "O socialismo é impossível sem a democracia em dois sentidos: 1) o proletariado não pode realizar a revolução socialista se não se preparar para ela por meio da luta pela democracia; 2) o socialismo vitorioso não pode manter a sua vitória e conduzir a humanidade à extinção do Estado sem realizar completamente a democracia." Colaboração Partido Comunista Português - Organização Regional de Lisboa e Manuel Gouveia.
Frantz Fanon: Em Defesa da Revolução Africana. Incluímos os capítulos: Carta a um francês; — Carta ao Ministro Residente” e — Decepções e ilusões do colonialismo francês. Colaboração: José Guilherme Kock
26/Jun Abriu os arquivos: Iosif Abramovich Lapidus e Konstantín Vasilievich Ostrovitianov, com a obra: Conceitos Fundamentais de O Capital — Manual de Economia Política. "Este texto – obra dos economistas soviéticos Lapidus e Ostrovitianov em 1930 – foi reeditado em Paris pelos estudantes comunistas da Escola de Direito. Este Manual de Economia Política desenvolve os conceitos principais de O Capital: valor de troca, valor de uso, trabalho abstracto, trabalho concreto, força de trabalho, valor da força de trabalho, mais-valia, lucro, taxa de lucro, preço de produção, etc. Apesar de este Manual não constituir um trabalho de aprofundamento de O Capital, dá-nos, no entanto, de forma pedagógica, os principais elementos para uma formação teórica de base. " Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva
25/Jun Gramsci: Os Dois Fascismos. Colaboração: Nicole Di Domenico
24/Jun Cinema e Revolução: Deus e o Diabo na Terra do Sol. O filme recapitula o movimento histórico do campesinato brasileiro que oscilou entre a alienação religiosa e a revolta do cangaço. No sertão brasileiro, o vaqueiro Manuel (Geraldo del Rey) se revolta contra a exploração imposta pelo Coronel Moraes (Milton Roda) e o mata. Ele foge, e junto com sua mulher Rosa (Yoná Magalhães) reúnem-se a um bando de fanáticos religiosos chefiados pelo Beato Sebastião. Após este, sacrificar uma criança num ritual, Rosa o mata, e o casal junta-se ao bando de cangaceiros, liderados por Corisco (Othon Bastos). Antonio das Mortes (Mauricio do Valle) é o matador de cangaceiros, contratado pelos latifundiários e pela Igreja, que persegue o bando. Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva
23/Jun Imprensa Proletária: Como o Homem se Tornou Homem. "Da Colecção da Editorial "Avante!" - ABC do Marxismo-Leninismo - um conjunto de pequenos textos que procuram apresentar o socialismo científico. Este volume, com o título "Como o Homem se tornou Homem", apresenta-nos a evolução do Homem, dos seus predecessores antropóides, e o factor essencial dessa evolução: o trabalho." Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva
22/Jun Francisco Martins Rodrigues: Europa — O Eclipse da Revolução. "Que a luta do proletariado europeu pelo derrube do capitalismo seria inevitavelmente de longa duração, já o movimento marxista o compreendera desde finais do século XIX. As manifestações de pujança dos meios burgueses, a proliferação da pequena burguesia, a lenta elevação do nível de vida das massas não deixavam lugar a expectativas numa crise revolucionária a curto termo. O movimento comunista não fez mais, por isso, do que regressar a uma constatação adquirida, após a ilusão do assalto próximo criada pela revolução russa. O pior é que retomou o problema no ponto em que fora deixado por Bernstein e Kautsky: revolução distante = transição gradual = acumulação estática de forças = acção parlamentar… acabando no reformismo crónico e no chauvinismo. Depois da falência vergonhosa da II Internacional, depois das lições de Outubro (tão reverenciadas como falseadas), esta recaída no oportunismo só comprova a força do reformismo que emanava das próprias relações sociais na Europa. As elaborações de Gramsci, que gradualmente viriam a impor-se como cartilha do novo revisionismo europeu, têm a vantagem de sintetizar a opção que defronta o movimento. Gramsci completou a noção de ditadura com a do “consenso”, para chamar a atenção para a necessidade de uma longa “guerra de posições”, que permitiria, por um paciente trabalho de “infiltração” substituir pouco a pouco a hegemonia político-cultural burguesa por um sistema de “contrapoderes” e pela “contra-hegemonia” das massas populares. (Naturalmente, não faltam no plano de guerra gramsciano as garantias de que o objectivo é a destruição revolucionária do aparelho burguês; nem por isso ele deixa de revalorizar as instituições burguesas e o sufrágio universal como “armas” de consciencialização das massas e abrir a porta ao reformismo). O PCI e, depois dele, todos os partidos europeus, fizeram uma leitura reformista de Gramsci porque era isso que lá havia para ler. A questão que cabe ainda hoje aos comunistas europeus esclarecer é justamente a do carácter da guerra que têm que mover nesta metrópole do imperialismo mundial: “guerra da posições” ou “guerra de movimento”? Queremos com esta imagem dizer: em condições de supremacia prolongada e envolvente da burguesia, o comunismo só pode crescer se abandonar as noções de acumulação estática e gradual de forças, os sonhos de “conquista da maioria da classe operária”, e souber adoptar uma grande mobilidade táctica, não se deixando aprisionar na ratoeira das instituições nem no envolvimento da pequena burguesia. Só isso permitirá evitar que o partido comunista se torne, ao fim de duas ou três décadas de existência (às vezes nem tanto) um meio propenso ao reformismo. Só isso lhe permitirá neutralizar as desvantagens esmagadoras da correlação de forças nos longos períodos de “paz social” e explorar a fundo as vantagens nos breves momentos de crise aguda e de revolucionarização do estado de espírito das massas." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
21/Jun Frantz Fanon: Em Defesa da Revolução Africana. Iniciamos a inclusão dessa obra com a Nota do Editor e a 1ª parte: 1. O colonizado: 1.1 O “síndroma norte-africano” e 1.2 Antilhanos e Africanos. Colaboração: José Guilherme Kock
20/Jun Cinema e Revolução: A Classe Operária vai ao Paraíso. "Para onde estará indo a classe trabalhadora? O filme “A classe operária vai ao paraíso” de 1971 com direção de Élio Petri busca responder a essa pergunta: vai depender da própria classe trabalhadora, do despertar ou não de sua consciência de classe. Por esse motivo, esse é talvez o mais representativo dos filmes políticos italianos dos anos 70". Colaboração: Fernando Araújo
José Chasin: Ao Paraíso pelo Inferno do Trabalho. "A Classe Operária Vai ao Paraíso é ostensivamente a tentativa estética (entendida esta como forma categorial específica de apreensão da realidade) de demonstração de um "teorema" dialético: se a alienação é resultante necessária do processo histórico que tem na divisão social do trabalho aspecto fundamental, segue-se que a conquista da integralidade humana, a desalienação, só pode decorrer de uma prática que tem no próprio trabalho sua base real, sua protoforma."
19/Jun Cinema e Revolução: O Futebol nos Tempos do Condor - Chile. "Produzido pelo jornalista e historiador Lúcio de Castro, investiga as relações entre o futebol e os braços armados das ditaduras militares em quatro países da América Latina: Brasil, Argentina, Chile e Uruguai. Com um episódio destinado à história de cada país, Castro remonta o período de instalação das ditaduras militares e as contextualizam, principalmente, com as seleções nacionais de futebol, que foram utilizadas pelos militares como instrumentos de propaganda do regime totalitário.". Colaboração: Fernando Araújo
18/Jun Cinema e Revolução: O Futebol nos Tempos do Condor - Argentina .
16/Jun Cinema e Revolução: O Futebol nos Tempos do Condor - Uruguai.
15/Jun Jacob Gorender: Coerção e Consenso na Política. "Marx dá novo sentido à palavra ditadura, ao falar em ditadura de classe. Originalmente, o termo ditadura vem da antiga Roma, designando um governo necessariamente provisório, admitido em situações conflitivas, convulsivas, que deveria pôr ordem na vida pública, mas por um prazo determinado, retirando-se em seguida. O termo foi adotado na literatura política, com esta acepção de transitoriedade, até Marx. Para Marx, ditadura de classe será sinônimo de dominação de classe, designando uma situação duradoura. Por que a classe dominante exerce dominação de maneira discricionária, como uma ditadura? Porque ela faz o que lhe interessa e para isso não há limite real na lei. As leis obedecem aos interesses da classe dominante e se violam também no interesse da classe dominante. Mas a ditadura, por sua vez, pode ser exercida sob diferentes formas políticas. No caso da burguesia, tanto se exerce sob a forma de um regime plenamente discricionário, como através da república democrática, através de governos representativos e que, na linguagem usual, seriam aparentemente o oposto da ditadura. Em virtude de semelhante ambigüidade, o termo ditadura dá origem a numerosas confusões. O fato de, na linguagem mais usual, nós só o empregarmos como expressivo de governos discricionários, não nos permite compreender que, na terminologia de Marx, ele tem sentido de discricionário para a dominação burguesa geral, não se restringindo à forma que esta assume nos governos autoritários. A ditadura de classe pode se apresentar também sob a forma de governos parlamentares representativos e constitucionais, obedientes à legalidade." Colaboração: Alexandre Linares
14/Jun Cinema e Revolução: O Futebol nos Tempos do Condor - Brasil. "Produzido pelo jornalista e historiador Lúcio de Castro, investiga as relações entre o futebol e os braços armados das ditaduras militares em quatro países da América Latina: Brasil, Argentina, Chile e Uruguai. Com um episódio destinado à história de cada país, Castro remonta o período de instalação das ditaduras militares e as contextualizam, principalmente, com as seleções nacionais de futebol, que foram utilizadas pelos militares como instrumentos de propaganda do regime totalitário.". Colaboração: Fernando Araújo
12/Jun Cinema e Revolução: 1964 Um Golpe Contra o Brasil. "Não há clareza (para a atual geração) do que foi o golpe e porque houve resistência a ele”. Para o diretor e militante Alipio Freire, a frase sintetiza o documentário “1964 – Um golpe contra o Brasil, que mescla fotos, vídeos e entrevistas com 22 protagonistas da história sobre o que ocorreu entre a campanha de Jânio Quadros para presidente, em 1960, e a posse do marechal Castelo Branco, em 15 de abril de 1964.". Colaboração: Fernando Araújo .
11/Jun Francisco Martins Rodrigues:
Perdoar;

Luta de Tendências no PCP em 1921
O 18 de Janeiro de 1934 foi Anarquista?
Intervenção a 8 de Dezembro de 1984
Marxismo Crítico e Revolucionário
Teoria e Prática
História
Nos Subterrâneos da “Revolução Permanente”
A Fracção Permanente
Radiografia
Ânsia de Liberdade
Os Novos Nazis
O Triunfo dos Padres
Ainda Não Estou Bem Desestalinizado
Carta Aberta aos Ex-presos Políticos
Novas Lições da Revolução Russa (Elementos para uma plataforma comunista)
Eu Gosto do Marxismo-Leninismo
O Congresso Está Ganho. O Pior Agora é Explicar a “Perestroika”
Lenine Nunca Existiu
Trotskismo Fez a Sua Época
Assalto ao Poder ou Revolução?
Cambalhota à Retaguarda
“Revolução Política” Atropela Trotskismo
Generais Brasileiros Encontram Defensor
Foram os Erros que Perderam a Revolução Russa?
Os «Erros Fabulosos» do Marxismo segundo Borges de Macedo
Como é Bom Cuspir na Revolução!
Fascismo Antigo e Moderno
Quando o Papa Abençoava Hitler
PSR Abandona Coligação “Por Lisboa”96
Amor a Timor… nos Anos 40 - Elementos de história do PCP e da resistência antifascista
A Revolução Russa Respeitou os Direitos Humanos?
A Revisão da História
António Guerra - Elementos de história do PCP e da resistência antifascista
O “Livro Negro do Comunismo”
A “Transição Longa” ou a Reabilitação do Reformismo
“Bloco de Esquerda”. Renascimento ou Nova Etapa na Crise da Esquerda?
Histórias do Fascismo e do Antifascismo
Os Crimes do Comunismo
Dislates sobre a Revolução Russa
Os 70 anos do “Avante”
Zapatistas Aplaudidos ou o Amor da Burguesia pelos Derrotados
Anti-Imperialismo de Via Reduzida Não Vai Longe
Democratismo Moderado
O Terror na URSS: um Caso de Puritanismo Antiburocrático?
25 de Abril: O Proletariado Incapaz de Aproveitar a Crise de Poder
Urgente Campanha pelo “Não” ao Referendo
Divagações de Stirner
Acalmia Enganosa
25 Novembro o Golpe Fácil
O “Novo Socialismo” da UDP
Renascimento Comunista – Basta de Mal-entendidos!
O Relatório Kruchov
Fidel em Entrevista
O Elogio da Cegueira
1917: O “Golpe dos Bolcheviques”
Irão: a Guerra que se Prepara
Homenagem à Catalunha
Como Melhorar a P.O.?
O “Fenómeno Esquerdista”
Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
10/Jun Cinema e Revolução: Ilha das Flores. "Ilha das Flores é um local na cidade de Porto Alegre destinado ao depósito de lixo. O curta apresenta a trajetória de um tomate, desde a colheita ao descarte por uma dona de casa, até a chegada ao lixão da ilha, onde crianças disputam alimentos que sequer servia de alimento para os porcos. O curta faz uma crítica às desigualdades sociais geradas pelo sistema capitalista e a ausência de políticas públicas para solucionar a miséria de parte da população brasileira. Demonstra seres humanos numa condição abaixo de porcos.". Colaboração: Fernando Araújo .
09/Jun Abriu o arquivo: Serguei Eisenstein, com o texto: Métodos de Montagem. "O cinema intelectual será aquele que resolver o conflito-justaposição das harmonias fisiológicas e intelectuais — a realização da revolução na história geral da cultura; construindo uma síntese de ciência, arte e militância de classe." Colaboração: Reinaldo Pedreira Cerqueira da Silva.
08/Jun Ruy Mauro Marini: O Estado de Contrainsurgência. "Começarei a partir da observação de que estamos passando por um período contrarrevolucionário na América Latina, de modo que, uma vez que esse período se caracterize, podemos investigar em que medida afeta o Estado. De fato, sendo o Estado como é, a força concentrada da sociedade, a síntese das estruturas e relações de dominação que ali existem, a vigência de um processo contrarrevolucionário afeta-o necessariamente, afetando-o na estrutura e no funcionamento. É a consciência dessa situação que levou os intelectuais e as forças políticas do continente a considerar a análise da contrarrevolução, gerando discussões sobre o caráter fascista ou não fascista desse processo." Colaboração Alex Agra Ramos e Ciro Domingos de Oliveira.
07/Jun Francisco Martins Rodrigues: Correntes Marxistas no Século XX. "Neste breve panorama das correntes marxistas no século XX distingo cinco grandes correntes: social-democracia, bolchevismo, stalinismo, revisionismo e maoísmo. De passagem, farei referência a duas outras correntes que considero derivadas: o conselhismo e o trotskismo.[...] Pode parecer-vos este panorama uma sucessão de desastres e fracassos. Não se vê nele nenhuma marcha triunfal para o comunismo. Contudo, se seguirmos a marcha do marxismo no século XX, vemos como ele esteve presente em tudo o que houve de revolucionário e avançado. O progresso social destes cem anos é inseparável da acção e do pensamento dos marxistas, dos comunistas." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
06/Jun Abriu os arquivos: Theodor Adorno e Max Horkheimer. Com o texto: A Indústria Cultural: O Esclarecimento Como Mistificação das Massas. Colaboração: Reinaldo Pedreira
05/Jun Documento histórico: Sobre o Trabalho do Partido Entre as Mulheres - Conferência Regional do Vale do Rio Doce - Partido Comunista do Brasil, 4 de Março de 1956. "Nós, camaradas, que lutamos para fazer um Brasil socialista e comunista, precisamos compreender que um dos objetivos do socialismo é a emancipação da mulher. Portanto, não pode ter guarida em nossas cabeças qualquer concepção de inferioridade da mulher em relação ao homem. Vamos expulsar da nossa consciência essa concepção burguesa, colocando em seu lugar a concepção proletária socialista, sobre a igualdade do homem e da mulher. Será na medida que isto fizermos, que também iremos na prática deixando de subestimar e desprezar o movimento feminino, por compreender o grande papel que está reservado às mulheres na luta revolucionária do nosso povo, como 50% da população e como nos prova a história da luta revolucionária dos outros povos e a própria experiência das lutas passadas e atuais da nossa Pátria." Colaboração: José Guilherme Kock
04/Jun Cinema e Revolução: A Batalha do Chile III - O Poder Popular. "Na terceira parte da trilogia, Patricio Guzmán volta aos anos anteriores, quando a Unidade Popular governava e os trabalhadores chilenos se organizavam para o que seria uma nova forma de viver. Por todo o país foram criados milhares de grupos de poder popular para distribuir comida, ocupar e vigiar fábricas e conectar comunidades, provendo-as de serviços e de defesa frente aos ataques da direita.". Colaboração: Fernando Araújo .
03/Jun Cinema e Revolução: A Batalha do Chile II - O Golpe de Estado. "No segundo volume da trilogia, Patricio Guzmán conta a história de como o primeiro golpe falhou e de como a CIA e a direita chilena não permitiram que um governo socialista se levantasse na América Latina. O Exército trai seu povo, estabelecendo um regime que levará à morte mais de 30 mil chilenos, o exílio para muitos, e a destruição da esperança de um futuro mais solidário." Colaboração: Fernando Araújo .
02/Jun Cinema e Revolução: A Batalha do Chile I - A Insurreição da Burguesia. "O primeiro volume da trilogia investiga de forma franca e incisiva o que foi o ambiente antes do golpe contra o presidente Salvador Allende. Veem-se as mentes da burguesia passarem de democratas e pacifistas antes das eleições a defensoras de um golpe de Estado. Uma história da erosão da democracia quando os privilegiados vêm seu modelo ameaçado." Colaboração: Fernando Araújo .
01/Jun Francisco Martins Rodrigues:
O Ano de 1961
.
Zita.
Regresso ao Lar.
ETA, um Caso de Loucura Homicida?.
Vias de Aproximação ao Poder: Breve Resposta a Ronaldo Fonseca.
Movimento Operário Portugués: a Longa Recomposiçom. [Texto em Português da Galiza]
25 de Abril em Três Tempos.
Monsanto.
A Peste.
Nos Subterrâneos do Desanuviamento.
A Outra Oposição.
PCP – Almada: a Verdadeira Doença.
A Segunda Morte de Chico Miguel.
Viva o SIS!.
Lutas Internas no PCP História do PCP e do Movimento Operário (15).
Onde está o Inimigo?. [Texto em Português da Galiza]
20 Anos.
Depois do 25 de Abril Venezuelano caminhamos para o seu 25 de Novembro?.
Para quê Votar num Parlamento Virtual?.
18 de Janeiro de 1934, uma Bandeira dos Marxistas-Leninistas.
Os Bolcheviques no Tribunal do Anarquismo.
Ainda Sobre Estaline.
Cuba Entregue às Feras.
Stalinismo ou Comunismo?.
Staline de Novo.
Bukarine, o Percursor.
A Privação do Sono.
As “Classes Médias” no “Verão Quente”.
Entrevista a Miguel Cardina.
Diplomacia em Quito.
BE Apresenta as suas Alternativas.
Avozinho Salazar.
A Corrente M-L em Portugal.
O Pacto Hitler-Staline foi a Causa da Guerra?.
Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
31/Mai Cinema e Revolução: À Procura do Socialismo. "Documentário de Alípio de Freitas e Mário Lindolfo sobre o socialismo em Portugal, cuja produção começou em 1975, pela RTP, mas foi interrompida. Em 1994 a pedido da UDP, a produção foi terminada. De Antero de Quental, passando pelo PREC, até ao que se lhe seguiu, este é um documento fundamental para compreender a história política do país." Colaboração: Fernando Araújo .
30/Mai

Francisco Martins Rodrigues:
A Teoria Geral do Direito e o Marxismo
.
Mitos do 18 de Janeiro.
Um Guerrilheiro em Apuros.
Triunfo e Derrota de Guevara.
Mao.
Álvaro Cunhal: O Prisioneiro  (1949-1960).
Os Chulos.
Reformados da Esquerda.
O 1º Congresso do Partido.
Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.

29/Mai Cinema e Revolução: Deus, Pátria, Autoridade. "Uma desconstrução da ideologia fascista, através de três dogmas fundamentais assinalados no discurso de Salazar, em 1936: "Não discutimos Deus e a Virtude; Não discutimos a Pátria e a Nação; Não discutimos a Autoridade e o seu prestígio". Actualidades históricas. Filme didáctico, procede ainda a uma análise dos principais acontecimentos, desde a queda da monarquia em 1910, até ao 25 de Abril de 1974, à luz da teoria marxista de luta de classes." Colaboração: Fernando Araújo .
28/Mai Francisco Martins Rodrigues: Elementos para a História do Movimento Operário Português. "Com o desenvolvimento do modo de produção capitalista em Portugal, surgiu e desenvolveu-se o proletariado, classe produtora que está reduzida a vender a sua força de trabalho como uma mercadoria. O proletariado é arrastado pela sua natureza de classe a tornar-se a força motriz da revolução socialista, derrubando a burguesia e exercendo a ditadura sobre ela, por meio de seu instrumento político, o Partido Comunista. Os comunistas não podem pretender conduzir o proletariado à revolução e à conquista do poder se não conhecerem a sua história e a experiência por ele acumulada." Fonte: Página Vermelha. Colaboração Fernando Araújo.
27/Mai Cinema e Revolução: ABC da Greve. "O filme cobre os acontecimentos na região do ABC paulista, acompanhando a trajetória do movimento de 150 mil metalúrgicos em luta por melhores salários e condições de vida. Sem obter êxito em suas reivindicações, decidem-se pela greve, afrontando o governo militar. Este responde com uma intervenção no sindicato da categoria. Mobilizando numeroso contingente policial, o governo inicia uma grande operação de repressão. Sem espaço para realizar suas assembleias, os trabalhadores são acolhidos pela igreja. Passados 45 dias, patrões e empregados chegam a um acordo. Mas o movimento sindical nunca mais foi o mesmo." Colaboração: Fernando Araújo .
26/Mai Cinema e Revolução: As Armas e o Povo. "Documentário português de longa-metragem, um filme colectivo realizado e produzido pelo Colectivo de Trabalhadores da Actividade Cinematográfica, que levaria à renovação do respectivo sindicato. São ilustrados os primeiros seis dias da Revolução dos Cravos. Mostra o movimento militar e a agitação popular nas ruas, tendentes ao desmantelamento do «aparelho social e político do fascismo»." Colaboração: Fernando Araújo .
25/Mai Francisco Martins Rodrigues:
Contra o Fascismo, Antifascismo;
Fascismo, Comunismo, Anarquismo;
Brumas do Fascismo;
Anti­Fascismo Intuitivo;
Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
24/Mai Luiz Carlos Prestes: Como Cheguei ao Comunismo. "...artigo "Como cheguei ao comunismo", (publicado na Revista Internacional Praga, N. 1, janeiro de 1973, Tchecoslováquia) e que, atualmente, é praticamente desconhecido do público brasileiro. O artigo foi feito a pedido da referida revista por ocasião do 75º aniversário natalício do então secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro e relata o caminho, extremamente original, percorrido por Prestes, do movimento tenentista do qual se tornaria a liderança máxima no final dos anos vinte - para o comunismo cientifico.". Colaboração: José Guilherme Kock.
23/Mai Francisco Martins Rodrigues: Nós e os Movimentos Independentistas Ibéricos. "... os comunistas sempre reconheceram o direito de autodeterminação das nações, não por menosprezarem ou adiarem a luta pelo socialismo mas por saberem que uma comunidade nacional que está privada de independência só através da luta por esse direito que lhe é negado ascende a uma consciência avançada. E não é o facto de a opressão nacional ser mais brutal ou mais mitigada que altera o problema. Se se tornou banal nos tempos modernos a instrumentalização de movimentos nacionalistas pelo imperialismo (de que o caso do Kosovo será o mais flagrante), isso não pode fazer esquecer os movimentos nacionais ferozmente reprimidos porque não convêm às grandes potências, como o da Palestina. Justamente, os movimentos nacionais em Espanha são dos que não convêm ao grande capital, por ameaçarem a estabilidade de um dos principais Estados da UE. Sem dúvida, a reivindicação nacionalista, mesmo se animada por sectores populares radicalizados, contém elementos atrasados do ponto de vista da luta pelo socialismo, na medida em que associa classes diferentes e de interesses antagónicos numa aspiração comum. Mas esse é um degrau que não pode ser iludido. Só percorrendo esse caminho o proletariado fará a sua educação revolucionária." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
22/Mai Lenine: Cartas sobre a Táctica. "O marxismo exige de nós que tenhamos em conta do modo mais preciso e objectivamente verificável a correlação das classes e as particularidades concretas de cada momento histórico. Nós, bolcheviques, sempre nos esforçámos por ser fiéis a esta exigência, absolutamente obrigatória do ponto de vista de qualquer fundamentação científica de uma política. «A nossa doutrina não é um dogma, mas um guia para a acção», disseram sempre Marx e Engels, zombando com razão com a aprendizagem de cor e a simples repetição de «fórmulas», capazes, no melhor dos casos, de apontar apenas tarefas gerais, necessariamente modificáveis pela situação económica e política concreta de cada fase particular do processo histórico." Colaboração Partido Comunista Português - Organização Regional de Lisboa e Manuel Gouveia.
21/Mai Francisco Martins Rodrigues: Ibéria. "Bascos, cataláns, galegos: Nesse caso, pode perguntar-se o que venhem fazer aqui as reivindicaçons de autodeterminaçom plena das nacionalidades cujos direitos de separaçom o Estado espanhol se recusa a reconhecer. Nom está todo isso remetido ao passado pola marcha da unificaçom capitalista europeia? Creio que é o contrário. Primeiro, porque o caminho para umha futura uniom continental do proletariado nom exclui mas exige o reconhecimento do direito pleno de autodeterminaçom. O proletariado das diversas naçons nom pode unir-se na luita para derrocar o capitalismo, pola instauraçom do socialismo, se houver nele fracçons dominadas e oprimidas e fracçons dominantes, como acontece em Espanha. Por outro lado, o processo a que se lançárom os governos de Madrid, de tentativa de desactivaçom das reivindicaçons nacionais por intermédio das Comunidades Autónomas e do suborno das respectivas burguesias, abre aos revolucionários daquelas naçons possibilidades de o virar do avesso, ou seja, condiçons mais favoráveis para a activaçom das reivindicaçons autenticamente populares, do direito à identidade nacional, do direito a exprimir-se livremente sobre o seu destino. Estamos a entrar numha etapa nova, em que o proletariado e os povos da Península serám chamados a luitar contra a fabricaçom de um Estado ibérico opressor. Nesta situaçom nova, a solidariedade dos trabalhadores portugueses às diferentes secçons do proletariado de Espanha e às reivindicaçons das nacionalidades dominadas em Espanha pode ser determinante para a derrota desse projecto." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
Lenine: Estatística e Sociologia. "Os ensaios propostos à atenção do leitor em parte não tinham ainda sido publicados, em parte são a reimpressão de artigos publicados antes da guerra em diferentes publicações periódicas. A questão a que são consagrados os ensaios — a questão da importância e do papel dos movimentos nacionais, da correlação do nacional e do internacional — suscita agora, naturalmente, um particular interesse. O mais frequente e maior defeito das considerações sobre esta questão é a ausência de um ponto de vista histórico e de concreção. E muito habitual introduzir-se toda a espécie de contrabando sob a bandeira das frases gerais. Pensamos por isso que um pouco de estatística não será de modo nenhum supérfluo. A confrontação daquilo que dissemos antes da guerra com as lições dela não nos parece inútil. Os ensaios estão ligados por uma unidade de teoria e de ponto de vista." Colaboração Partido Comunista Português - Organização Regional de Lisboa e Manuel Gouveia.
20/Mai Francisco Martins Rodrigues: Agir Antes que Seja Tarde de Mais!. "Como não há-de estar em crise uma esquerda que continua a assistir de braços cruzados ao calvário do povo palestiniano, como se não lhe dissesse respeito? Quando da guerra do Vietname ou da luta de libertação das antigas colónias portuguesas, embora vivêssemos sob a ditadura fascista, a esquerda conduziu uma luta corajosa em solidariedade com esses povos. Porque fica agora apática perante o espezinhamento de todo um povo? Não basta dizer que a intervenção se torna difícil devido à propaganda em torno do “terrorismo” dos palestinianos e à imagem de invencibilidade dos israelitas. Noutro tempo também os guerrilheiros eram chamados “terroristas” e os colonialistas pareciam invencíveis, e isso não impedia a intervenção. A verdade é que, nesta época de contra-revolução global, a esquerda se deixa facilmente penetrar e paralisar pelos argumentos da direita.[...] Entendamo-nos: não é por falta de clareza que as forças de esquerda no nosso país se mantêm na expectativa face à guerra criminosa contra o povo da Palestina. Pelo contrário. É por se aperceberem perfeitamente do que está em jogo que procuram furtar-se ao dever de solidariedade e à tarefa de consciencialização do povo. Receiam ser apontados como “radicais” e “apoiantes do terrorismo”. Receiam tornar-se alvo da campanha dos sionistas, que acusam como “anti-semitas” todos os que denunciam os seus crimes. Receiam envolver-se numa acção de resistência prolongada que exige muito trabalho e não promete frutos eleitorais." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
19/Mai Lenine: As Três Fontes e as Três partes Constitutivas do Marxismo. "A doutrina de Marx suscita em todo o mundo civilizado a maior hostilidade e o maior ódio de toda a ciência burguesa (tanto a oficial como a liberal), que vê no marxismo uma espécie de "seita perniciosa". E não se pode esperar outra atitude, pois, numa sociedade baseada na luta de classes não pode haver ciência social "imparcial". De uma forma ou de outra, toda a ciência oficial e liberal defende a escravidão assalariada, enquanto o marxismo declarou uma guerra implacável a essa escravidão. Esperar que a ciência fosse imparcial numa sociedade de escravidão assalariada seria uma ingenuidade tão pueril como esperar que os fabricantes sejam imparciais quanto à questão da conveniência de aumentar os salários dos operários diminuindo os lucros do capital." Colaboração Partido Comunista Português - Organização Regional de Lisboa e Manuel Gouveia.
18/Mai Cinema e Revolução: Terra em Transe. "O filme pode ser lido como uma grande parábola da história do Brasil no período 1960-66, na medida em que metaforiza em seus personagens diferentes tendências políticas presentes no Brasil no contexto. Realiza uma exaustiva crítica de todos aqueles que participaram desse processo, incluindo as diferentes correntes da chamada esquerda brasileira." Colaboração: Reinaldo Pedreira.
17/Mai Francisco Martins Rodrigues: Desconfiem dos Milagres. "Caso único, a morte do velho marechal Tito conseguiu unir no mesmo pesar os patrões da política mundial. Todos se inclinam perante "o ultimo dos grandes estadistas", “o campeão do socialismo descentralizado, do não-alinhamento e da paz". O homem da rua, pasmado, cogita que “muito bom devia ser esse tal Tito para não haver quem lhe atire uma pedra". Mas a verdade é bem outra. A cena de lagrimas em Belgrado, como todas as cenas edificantes deste mundo podre, esconde interesses sujos. Que a obra de Tito na Jugoslávia não tem nada a ver com socialismo, é facto que não precisa de grandes demonstrações. A não ser que se chame socialista a um regime onde prosperam os empresários, onde os patrões do campo têm milhões de hectares, onde há 735 mil desempregados inscritos, 800 mil emigrantes e uma inflação de 20% ao ano. Socialismo jugoslavo? Não brinquemos." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
15/Mai Cinema e Revolução: Da Servidão Moderna. "A servidão moderna é uma escravidão voluntária, consentida pela multidão de escravos que se arrastam pela face da terra. Eles mesmos compram as mercadorias que os escravizam cada vez mais. Eles mesmos procuram um trabalho cada vez mais alienante que lhes é dado, se demonstram estar suficientemente domados. Eles mesmos escolhem os mestres a quem deverão servir. Para que esta tragédia absurda possa ter lugar, foi necessário tirar desta classe a consciência de sua exploração e de sua alienação." Colaboração: Fernando Araújo.
14/Mai Francisco Martins Rodrigues: Marx em Liberdade Vigiada. "Por nós, não nos pesa o nome de marxistas, isto é, de comunistas. Não sofremos do complexo dos que ficaram soterrados sob os escombros do “socialismo real” e agora tentam fazer perdoar as heresias passadas. Não somos réus perante o tribunal burguês. [...] Sabemos que tudo está por fazer na busca das vias da revolução proletária, muito mais distante do que supunham Marx ou Lenine. O caminho para a frente, que a eles parecia curto e linear, vai-se desdobrando, a cada curva, em interrogações inesperadas. [...] A nossa incapacidade actual para responder a estas questões não nos assusta. Mesmo não sabendo quando e por onde abrirá caminho uma nova vaga de revoluções, algumas constatações damos como definitivamente adquiridas: as novas tecnologias, ampliando desmesuradamente o poder das multinacionais, levam as contradições sociais à exasperação; os duelos planetários pela conquista dos mercados e pelo lucro máximo desencadeiam a pilhagem e a bestialidade sem freio da burguesia, tornando o capitalismo insuportável para a esmagadora maioria da humanidade; a criação dos grandes espaços imperialistas, necessária para a rentabilização dos capitais, abre ao movimento operário uma nova era de internacionalismo muito mais vasta do que a do passado; os conflitos antagónicos gerados pelo capitalismo não tendem a esbater-se ou a dispersar-se; pelo contrário, concentram-se e polarizam-se na grande contradição mundial proletariado-burguesia. É tempo perdido, pois, chorar ou aclamar a morte do comunismo. Enquanto no horizonte se perfilar a necessidade do derrubamento violento do sistema, o comunismo continua vivo, por mais certidões de óbito que lhe passem." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
13/Mai Lenine: O Imperialismo e a Cisão do Socialismo. "É preciso começar por uma definição o mais precisa e completa possível do imperialismo. O imperialismo é um estádio histórico particular do capitalismo. Esta particularidade é tripla: o imperialismo é (1) — capitalismo monopolista; (2) — capitalismo parasitário ou em decomposição; (3) — capitalismo moribundo. A substituição da livre concorrência pelo monopólio é o traço económico fundamental, a essência do imperialismo. " Colaboração Partido Comunista Português - Organização Regional de Lisboa e Manuel Gouveia.
José Chasin: A Sucessão na Crise a a Crise na Esquerda. Arquivo em pdf "A conduta vigorosa e a exigência correta de Marx, nos eventos de meados do século passado - que ensaiavam uma nova era, não alcançaram sucesso. Restou, em compensação, a grande lição prática, emanada de suas recente instauração teórica. Naquele momento a tarefa de Marx, no interior da miséria alemã foi criticar o único partido democrático existente. Hoje, no interior da miséria brasileira, o trabalho a executar é múltiplo e mais penoso: exige a crítica de vários organismos, alguns nominalmente de esquerda, para com isso tentar abrir caminho à emergência de uma posição de esquerda real, ao menos para a disputa de novembro pela chefia da república, cujo resultado ressoará com força por todo o fim do século." Colaboração: Victor Quintas.
12/Mai Cinema e Revolução: A Revolução não será Televisionada. "O documentário “A revolução não será televisionada” retrata como o imperialismo utiliza o monopólio dos meios de comunicação para promover golpes de estado principalmente na América Latina. Esse vídeo mostra a tentativa fracassada na Venezuela. O documentário nasceu por obra de uma equipe de TV irlandesa (Rádio Telefís Éirieann) que estava em Caracas, no Palácio de Miraflores, para filmar um documentário sobre Chávez. Ao perceber a agitação política no país, os documentaristas direcionaram seu foco para os acontecimentos que levaram à deposição e ao retorno de Chávez." Colaboração: Fernando Araújo.

Francisco Martins Rodrigues: Notas sobre Staline. "Ao adoptar o caminho da “socialização a marchas forçadas”, Staline ganhou a adesão da maioria da ala esquerda do partido, que via finalmente entrar em aplicação o seu programa e afastado o perigo agitado por Trotsky de uma capitulação “termidoriana”. Bukarine e os adeptos da NEP, privados do apoio correctivo de Staline, deslocaram-se francamente para a direita. E Trotsky, obrigado a celebrar no exílio as realizações do regime que o expulsara, encontrou-se sem base política. A realidade, que tentam piedosamente velar os anti-stalinistas, é que, depois de 1930, o reagrupamento das oposições só se podia fazer sobre uma plataforma de direita porque ninguém tinha uma alternativa revolucionária para opor aos planos quinquenais, à colectivização e à nova linha da Internacional. Fragmentos de uma crítica de esquerda à via stalinista tinham sido formulados por Trotsky e por outros (ao crescimento da burocracia, à supressão do debate no partido, à falsificação da sua história). Houve mesmo oposicionistas, como Rakovski, que tiveram a percepção de que o regime chefiado par Staline iria desembocar num capitalismo estatal de tipo novo. Mas não estava claro para ninguém como é que a ditadura proletária dos primeiros anos se desvanecera e o que deveria ser feito para lhe voltar a dar vida. Não havia um programa proletário revolucionário para contrapor ao ambíguo radicalismo de Staline e ao direitismo evidente de Bukarine — e isto diz tudo sobre o impasse a que chegara a revolução. Precisamente porque só surgiam como possíveis estes dois caminhos, a “velha guarda bolchevique” perdeu a base social de apoio e entrou em decomposição política. Trotsky, Zinoviev, Kamenev, Radek, Bukarine — antigos direitistas e esquerdistas convergiram, na luta contra Staline, para uma oposição comum de direita. Não é o facto de terem sido vítimas de uma repressão injusta e cruel que pode ocultá-lo." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.

Amadeu Bordiga: Partido e Classe. "A revolução requer uma organização de forças ativas e positivas unidas por uma doutrina e objetivo final. Uma importante camada e indivíduos inumeráveis se mantiveram fora desta organização, mesmo quando pertencem materialmente à classe que verá seus interesses triunfantes na revolução. Mas a classe vive, luta e progride graças às forças que nasceram de seu seio nas dificuldades da história. A classe surge de uma homogeneidade imediata de condições econômicas que aparece para nós como o motor principal que motiva a tendência a destruir e superar o modo atual de produção. Para assumir tal tarefa, no entanto, a classe precisa ter o seu próprio pensamento, o seu próprio método crítico, sua própria vontade moldada nos objetivos claros definidos por crítica e pesquisa e sua principal organização de luta canalizando e utilizando com máxima eficácia os seus sacrifícios e esforços coletivos. Tudo isto constitui o partido." Colaboração Rafael Afonso Barros e Thiago Papagerogiou.
11/Mai Lenine: A Catástrofe que nos Ameaça e como Combatê-la. "É precisamente a verdade de que a essência económica da exploração capitalista não é de modo nenhum afectada pela substituição de formas monárquicas de governo por formas democráticas republicanas e que, portanto, inversamente: é necessário modificar apenas a forma da luta pela inviolabilidade e a santidade do lucro capitalista para o salvaguardar na república democrática com o mesmo êxito com que foi salvaguardado na monarquia autocrática." Colaboração Partido Comunista Português - Organização Regional de Lisboa e Manuel Gouveia.
10/Mai Francisco Martins Rodrigues: América Latina "Nova Era Revolucionária"?. "... a mola impulsionadora da actual “onda democratizadora” latino-americana está na concorrência exacerbada das grandes potências em torno das matérias-primas. A alta dos preços do petróleo, do gás, do cobre, abre aos sectores “progressistas” das burguesias latino-americanas um espaço novo de iniciativa política. E só o podem explorar, como uma dura experiência lhes ensinou, se contarem com o apoio das massas deserdadas para fazer frente às provocações, manobras desestabilizadoras e golpes do imperialismo. É pois um movimento com limites bem definidos. Primeiro, porque é de natureza conjuntural — dura enquanto durar a tendência de alta dos preços das matérias-primas. Segundo, porque, para afrouxar a dependência asfixiante face aos EUA, cria outras dependências — da Europa, da China, igualmente predadoras. Terceiro, porque, a “lua-de-mel popular” só durará enquanto as massas não ultrapassarem os limites que lhes são fixados pelos regimes nacionalistas. [...] Isto responde à pergunta: como podem os trabalhadores aproveitar a actual onda “progressista” na América Latina? Obviamente, inserindo-se nela, para se colocar em posições mais vantajosas de luta e de autonomia política, mas sem perder de vista nem por um instante que é um movimento nacional-burguês, limitado e instável. Confundi-lo com uma “viragem à esquerda” ou com uma “revolução” só lhes poderia trazer pesadas derrotas." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
09/Mai Cinema e Revolução: Memória Subversiva - Anarquismo e Sindicalismo em Portugal (1910-1975) - "Realizado por José Tavares e Stefanie Zoche, é o único documentário sobre este movimento, reunindo os testemunhos de vinte e um activistas anarquisas e sindicalistas. Nas primeiras décadas do século XX a ideia anarquista e particularmente o sindicalismo anarquista foram uma força pujante em Portugal. A CGT (Confederação Geral do Trabalho – anarco-sindicalista) era a única Central Sindical que existia no País. A sua publicação, A Batalha, chegou a ser o terceiro diário de maior circulação no País.". Colaboração: Fernando Araújo.
Fúlvio Abramo: 1917-1987 Socialismo em Debate. "Esse caminho para o socialismo felizmente desemboca na criação do PT, que é realmente a síntese de evolução de todo o movimento anterior. Ele representa a continuidade real daquilo que começou praticamente no fim do século passado, na luta das organizações anarquistas e socialistas que vieram organizando os trabalhadores e que tiveram enorme impulso até 1917, quando foram capazes de organizar uma grande greve como jamais outra vez se repetiu no Brasil, pelo efeitos econômicos e sociais que teve. Esse movimento poderoso, depois do aparecimento do Partido Comunista só tendeu a diminuir e só voltou o movimento operário a se fortalecer quando abandonado, como disse hoje aqui com toda a força da sua oratória o nosso amigo, nosso companheiro e nosso dirigente Lula, quando os operários mandaram o Partido Comunista às favas e resolveram fazer o PT. Aí recomeçou o surto do movimento." Colaboração: Alexandre Linares.
08/Mai Francisco Martins Rodrigues: “Perestroika” de M. Gorbatchov. "Gorbatchov é o chefe de uma das maiores potências do mundo, não é um lunático evangélico. Com este catálogo de sentenciosas baboseiras pacifistas, que fins políticos espera ele atingir? Decerto, não lhe passa pela cabeça converter os chefes do imperialismo. Ninguém em seu juízo perfeito acreditaria que Reagan, Thatcher ou Mitterrand possam ser sensíveis a exortações destas. Toda a gente sabe, até mesmo Gorbatchov deve saber, que o comportamento político dos imperialistas – cínico, agressivo, espoliador – não pode ser corrigido porque corresponde às próprias leis internas do capitalismo. A necessidade de acumular e concentrar o capital reina acima de tudo e a bomba atómica é mais um dos seus instrumentos. Se alguma coisa o perigo de destruição nuclear trouxe de novo ao imperialismo foi um ainda maior gangsterismo e espírito de aventura. Para quê então estas pregações, que só podem adormecer a vigilância dos trabalhadores e que os imperialistas não deixarão de interpretar como sinal de medo e fraqueza? Não aumentam elas ainda mais o perigo de confrontação nuclear? Gorbatchov não é tão tolo como parece. Obviamente, quando apela aos bons sentimentos dos chefes imperialistas, ele está a dirigir-se às massas pequeno-burguesas de todo o mundo, às burguesias dependentes, a todas as forças intermédias excluídas da chefia do campo capitalista ocidental. Na lógica dos actuais dirigentes soviéticos, o poderio temível do campo imperialista não deixa outra alternativa senão a luta por reformas – e nisso, todos sabem que a pequena burguesia é especialista. É a ela que Gorbatchov pretende seduzir com os seus sermões de concórdia universal, para com ela formar uma frente comum pacifista-humanista-reformista, capaz de limitar o campo de acção do imperialismo. A formação de uma frente comum do reformismo internacional – tal é a essência política e de classe do “novo pensamento” gorbatchoviano." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
José Chasin: A "Politicização" da Totalidade: Oposição e Discurso Econômico. "... para além da questão sobre as viabilidades, no dia em que a oposição colher votos sobre um programa econômico, alternativo para o que aí está plantado, a história efetivamente política terá recomeçado, dado que da perspectiva do trabalho, como recordou, não há muito, um autor português, o empenho pela democracia jamais pode ser postulado à parte das questões fundamentais que dizem respeito aos modos pelos quais o produtor direto está concretamente envolvido, em cada momento dos processos, na produção e reprodução da existência material da sociedade." Colaboração: Victor Quintas.
07/Mai Francisco Martins Rodrigues: O Nosso Fascismo Caseiro. "... a tecla do racismo não é uma mera mania de fanáticos, mas uma opção deliberada para ir ganhando espaço junto dos sectores mais atrasados da sociedade e crescer eleitoralmente. A preparação dos espíritos para aceitar como normal uma “democracia musculada” é tarefa indispensável da burguesia quando se perfila um dia-a-dia de desemprego, trabalho precário, ataque aos direitos mínimos dos assalariados, exclusão dos guetos e aventuras guerreiras. Esta campanha pela fascização do regime, é urgente que a enfrentemos. Talvez esteja na hora de as forças de esquerda se entenderem quanto a uma plataforma de acção contra a guerra, o racismo e o fascismo." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
06/Maii Francisco Martins Rodrigues: História Triste - História do PCP e do Movimento Operário (14). "“O PCP E O 7º CONGRESSO DA INTERNACIONAL COMUNISTA” (Documentos). Ed. Avante. 1985, 66 págs. EM COMEMORAÇÃO mais do que discreta do cinquentenário do 7.° congresso da Internacional Comunista (IC), o PCP acaba de editar um folheto com trabalhos de Bento Gonçalves, Álvaro Cunhal e Sérgio Vilarigues, que merece algumas observações." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
José Chasin: Método Dialético. "hoje estamos muito abaixo do que estávamos enquanto humanidade no começo do século. Como visão, como padrão, como consciência média mundial estamos hoje, com uma diferença de cem anos, num padrão inferior. O que não quer dizer que hoje não poderíamos estar num padrão muito superior. Mas, não estamos. É um zigue-zague. Que haja obras que estejam muito acima do padrão médio, é outra conversa. Mas, elas estão nas prateleiras. Eu dou um exemplo disso. Quanto se estuda de marxismo na academia, seja a nível de Brasil, seja a nível internacional? E irrecusavelmente o marxismo é, esteja ele certo, esteja ele atravessado por equívocos, a expressão mais alta de todo o pensamento ocidental. De Aristóteles aos nossos dias, a fórmula mais avançada de cognição é de Marx. Pode estar incompleta, pode estar cheia de equívocos, contudo não há nenhuma postura mais avançada, mais perfeitamente constituída para a captura da verdade. No entanto, ela não é uma ideologia dominante. No sentido de sistema de ideias. O que é dominante hoje é o neopositivismo e o existencialismo. Ambos, sistemas de ideias constituídos depois de Marx, como reação inclusive a Marx e que constituem parcelas de vedação do real. Portanto, involução, flexão para trás. Por mais sofisticado que apareça o texto e o texto aparece sob alta sofisticação técnica." Colaboração: Victor Quintas.
05/Mai Francisco Martins Rodrigues: Vem aí o Fascismo?. "Há quem alegue que esta nova extrema direita inserida nas instituições nada tem de comum com o fascismo clássico, [...]. Mas também é ingenuidade demasiada esperar que eles digam agora tudo o que pretendem. Para já, precisam de conquistar força eleitoral afastando receios. O seu verdadeiro rosto e os seus verdadeiros líderes só noutras condições surgirão. Asseguram outros que não há razões para alarme porque o voto nessas forças seria apenas um voto de protesto, sinal de saudável inconformismo de certas franjas da população. Mas isto é esquecer que o descontentamento desses eleitores tem um sinal muito especial: eles querem um Estado forte e uma polícia “musculada” que meta na ordem a juventude dissidente e feche os imigrantes em guetos ou os expulse.[...] Naturalmente, esses votantes na extrema direita são pessoas comuns. São pequenos comerciantes e artesãos enraivecidos contra os regulamentos de Bruxelas e contra os “vadios” que vivem à custa do rendimento mínimo; camponeses em desespero devido à concorrência demolidora das multinacionais; reformados, sensíveis à intoxicação sobre a insegurança; jovens totalmente despolitizados, que julgam assim exprimir a sua rebeldia contra o trabalho precário; assalariados, saturados das trampolinices dos partidos do sistema, operários de regiões industriais sinistradas, triturados pela engrenagem das “reestruturações” e pelos despedimentos em massa, que chegaram ao ponto de ver uma última esperança em demagogos reles.[...] Os apelos à frente comum com os grandes partidos do sistema para “barrar o caminho ao fascismo” levam-nos directamente para a boca do lobo. Entre os grandes partidos “democráticos” e os neofascistas há uma corrente contínua. A luta directa contra os neofascistas tem que ser inscrita como parte da luta geral contra a “democracia” fascizante do grande capital, pela expropriação da burguesia, pela democracia dos trabalhadores." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
04/Mai José Chasin: Conquistar a Democracia pela Base. "nem os “milagres” são novidades na história brasileira; ao contrário, fazem parte, lamentavelmente, do que há de mais característico, profundo e dominante da nossa formação histórica. Ditaduras e “milagres” traduzem o caráter essencial de nossa formação e estrutura coloniais. Estrutura que se vem conservando sob formas diferentes — mais ou menos complexas, ou mais ou menos sofisticadas, como eixo básico de nossa existência social." Colaboração: Victor Quintas.
Lênin: Um Passo em Frente Dois Passos Atrás (A Crise no Nosso Partido). Arquivo em pdf: "Nesta obra V. I. Lénine desferiu um golpe demolidor no oportunismo dos mencheviques quanto às questões de organização. O enorme significado histórico do livro consiste, sobretudo, no facto de Lénine, desenvolvendo a doutrina marxista sobre o partido, ter elaborado os princípios de organização do partido revolucionário proletário, e de, pela primeira vez na história do marxismo, ter feito uma crítica completa do oportunismo em matéria de organização, tendo mostrado o perigo particular que comporta a subestimação do significado da organização no movimento operário". Colaboração Partido Comunista Português - Organização Regional de Lisboa e Manuel Gouveia.
02/Mai Francisco Martins Rodrigues: Aprender a Lidar com os Reformistas. "[Um] erro muito comum no que resta da nossa esquerda revolucionária. Esses camaradas discutem com toda a seriedade a linha táctica correcta que os comunistas deveriam aplicar, como se estes já existissem como força política real. Esquecem – o que é verdadeiramente extraordinário – que não existe, nem sequer em esboço, um campo proletário revolucionário no nosso país. Esquecem que os comunistas dos diversos países, entre os quais nos contamos, ainda estão a procurar reformular um programa e uma linha política no meio dos escombros deixados pela agonia do movimento do século XX. Em vez de olhar de frente o grande recomeço que nos é imposto pelas transformações da luta de classes mundial, esses camaradas caem numa busca ansiosa de fórmulas tácticas que, como por milagre, nos devolvessem a influência passada. Isso não existe. Nada pode substituir a reconstituição do comunismo revolucionário e este só renascerá de uma real vanguarda proletária desejosa de ajustar contas com a burguesia, animada por um projecto de tomada do poder. Nada pode substituir o trabalho directo dos comunistas entre as massas exploradas, pelas suas reivindicações diariamente desprezadas." Fonte: Francisco Martins Rodrigues - Escritos de uma vida. Colaboração Ana Barradas.
01/Mai Abriu o arquivo: José Chasin, com o texto: As Máquinas Param, Germina a Democracia. "a forma atual da produção da riqueza é que causa diretamente a super-exploração do trabalho, isto é, a miséria das massas trabalhadoras. Sendo a estrutura econômica vigente a responsável direta pelo arrocho, é impossível melhorar a distribuição sem reorganizar a produção. Não se trata, portanto, de “acrescentar” à organização atual da produção uma política de distribuição melhor e mais justa, esta só se torna possível com a modificação efetiva da própria estrutura produtiva." Colaboração: Victor Quintas.
30/Abr Lênin: O Que Fazer? - Problemas Candentes do Nosso Movimento. Arquivo em pdf: "Há desacordos e desacordos - escrevia Píssarev sobre o desacordo entre os sonhos e a realidade. - "Os meus sonhos podem ultrapassar o curso natural dos acontecimentos ou podem desviar-se para um lado onde o curso natural dos acontecimentos não pode nunca chegar. No primeiro caso, os sonhos não produzem nenhum dano, e podem até apoiar e reforçar as energias do trabalhador... Em sonhos desta índole, nada existe que possa deformar ou paralisar a força do trabalho. Bem pelo contrário. Se o homem estivesse completamente privado da capacidade de sonhar assim, se não pudesse de vez em quando adiantar-se e contemplar em imaginação o quadro inteiramente acabado da obra que se esboça entre as suas mãos, eu não poderia, de maneira alguma, compreender que móbil levaria o homem a iniciar e levar a seu termo vastos e penosos empreendimentos nas artes, nas ciências e na vida prática... O desacordo entre os sonhos e a realidade nada tem de nocivo, sempre que a pessoa que sonhe acredite seriamente no seu sonho, observe atentamente a vida, compare as suas observações com os seus castelos no ar e, de uma maneira geral, trabalhe escrupulosamente para a realização das suas fantasias. Quando existe um contacto entre o sonho e a vida, tudo vai bem."". Colaboração Partido Comunista Português - Organização Regional de Lisboa e Manuel Gouveia.
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