A presente crise da Guerra de Resistência e as tarefas para persistir a resistência no Norte da China

Zhou Enlai

16 de novembro de 1937


Primeira edição: discurso proferido em um comício de massas realizado em Linfen, província de Shanxi, e publicado no semanário 群众 (As Massas), editado em Hankou, vol. I, n.º 2.

Fonte para a tradução: Obras Escogidas de Zhou Enlai, t. I, Pequim: Ediciones en Lenguas Extranjeras, 1981, pp. 106-115.

Tradução e HTML: João Batalha.

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I. A situação da Guerra de Resistência e sua presente crise

Após a sucessiva queda das cidades de Xangai e Taiyuan, surgiu uma nova crise na Guerra de Resistência. Essa crise se manifesta em dois aspectos. Por um lado, encontramo-nos em um intervalo entre uma guerra de resistência conduzida pelas forças governamentais, cada vez mais difícil de levar adiante, e uma guerra de resistência de todo o povo, a qual ainda não se iniciou. Por outro, tanto no interior quanto no exterior do país, sente-se uma densa atmosfera favorável a uma solução por mediação. Passemos agora a uma análise concreta:

A. Quanto ao desenvolvimento da guerra. Os invasores japoneses tomaram Xangai e romperam nossas linhas de defesa em Songjiang, enquanto nosso exército recuou suas posições até a linha Jiashan–Suzhou–Kunshan–Liuhe. No Norte do país, desde a ocupação de Taiyuan, as forças inimigas avançaram sobre a frente de Fenyang, Jiexiu e Zihongzhen. Também há notícias de avanços ao longo das ferrovias Beiping–Hankou e Tianjin–Pukou. O que pretendem os invasores japoneses é, depois de certo reagrupamento, compelir nosso exército a retroceder para a margem sul do rio Huanghe, a fim de declarar a todo o mundo a conclusão de suas operações militares no Norte da China em conjunto com a recente tomada de Xangai. Prosseguirão em seu plano de transformar o Norte da China em uma região “autônoma”, neutralizar Xangai, incitar as nacionalidades mongol e hui ao separatismo e provocar distúrbios no Centro e no Sul da China. Pode suceder que esse plano seja executado sob o verniz de um acordo verbal de armistício, visando ludibriar as demais potências e seduzir os colaboracionistas. Tal procedimento é ainda mais pérfido que uma ação aberta, a ferro e fogo.

B. Quanto ao plano internacional. A conferência dos países signatários do Tratado das Nove Potências(1) pôs em evidência tanto a aproximação quanto a cooperação ativa entre a Inglaterra e os Estados Unidos, mas estes ainda têm a mediação como objetivo central. Não querem considerar medidas de sanção e, por conseguinte, quanto mais dura é a posição do Japão, tanto mais impotentes se demonstram. O propósito principal de sua mediação é alcançar certo apaziguamento, ainda que passageiro e precário — algo impossível sem lesar os interesses da nação chinesa. Por isso, o corpo consular em Xangai dedica-se abertamente a tramar uma campanha de paz. Alemanha e Itália estão em total acordo com o Japão, o qual, por sua vez, não apenas recusou participar da conferência do Tratado das Nove Potências, como também apresentou suas seis exigências(2). Ademais, a Inglaterra e os Estados Unidos manifestaram que prolongarão tal conferência na expectativa de novas oportunidades de mediação, caso o Japão mantenha sua posição inflexível e a China persista na resistência. Dada essa atitude da Inglaterra e dos Estados Unidos, a União Soviética, naturalmente, não pode agir sozinha, embora venha prestando à China um enérgico apoio, tanto moral quanto material.

C. Quanto ao campo militar. Uma parte considerável das tropas regulares da China já foi posta em ação, sem que tenha começado, contudo, em escala nacional, a mobilização geral do povo, nem a reforma das forças armadas, a modificação da estratégia e das táticas ou o aprimoramento do trabalho na retaguarda. Os reveses sofridos na guerra, as baixas registradas e a insuficiência de provisões geraram decepção e desmoralização em certo número de militares. Não chegaremos a lugar algum se nos apoiarmos apenas nas forças regulares existentes para sustentar uma resistência prolongada, já que é inegável o drástico declínio de sua confiança na vitória.

D. Quanto à mobilização das massas populares. No decorrer dos últimos três ou quatro meses, o Kuomintang não apenas não suprimiu o monopólio do poder político, como tampouco suspendeu a interdição dos movimentos de massas. Até o momento, as direções kuomintanistas nas diversas localidades ainda seguem obstinadas em sua política de controle sobre o trabalho de mobilização popular. Por isso, a dominação sem mobilização tornou-se um fenômeno universal. Como consequência, os movimentos de massas, em muitas das grandes cidades, já não são tão ativos quanto no período anterior de resistência parcial, a frente de batalha não encontra eco entre as massas, a retaguarda não goza de apoio popular e o povo segue impedido de organizar suas próprias forças armadas. Isso equivale a oferecer súditos obedientes ao Japão e a criar adversários para nós mesmos. Na guerra, o mais temível não é sofrer reveses, mas perder a simpatia do povo! A impopularidade seria uma perda eterna e irreparável.

Em virtude desses graves fenômenos, vem se adensando, dentro e fora do país, a atmosfera favorável a uma solução conciliatória por mediação, dando lugar aos seguintes fatores de crise:

A. Ascensão dos regimes colaboracionistas. Por exemplo, o “Governo Autônomo do Norte da China”(3), as “associações de manutenção da ordem”(4) em Xangai e no Norte, o “movimento de independência” da Mongólia Interior(5), a intensificação das atividades dos colaboracionistas, etc.

B. Crescimento do capitulacionismo. Os elementos pró-japoneses, bastante ativos, propõem negociações diretas com o Japão. Os setores pró-britânicos e pró-estadunidenses, frágeis e pusilânimes, preferem negociar por intermédio da Inglaterra e dos Estados Unidos, sem qualquer confiança em nossas próprias forças. Aqueles desencantados em relação à União Soviética advogam o fim da guerra. Todas essas são variantes do capitulacionismo. Porém, Wang Jingwei(6) declarou que são traidores da pátria os que defendem a paz mediante conciliação, e Chiang Kai-shek afirmou, por sua vez, que levará a Guerra de Resistência até as últimas consequências e que quem fala em compromisso agora é um traidor. Nas instruções transmitidas pelo governo à delegação chinesa, também declara-se que, enquanto as tropas japonesas não se retirarem da China, não haverá lugar para a mediação. Esse é um golpe frontal ao capitulacionismo!

C. Difusão de ideias favoráveis à criação de “administrações especiais”(7). A implementação de uma “Administração Especial de Hebei-Chahar” continua influenciando a mente de muitos indivíduos, induzindo-os a sonhar com uma vida de conforto temporário sob tal regime. Será essa vida possível? De modo algum. Trata-se, antes, de arranjos políticos transitórios que fomentam a aparição de colaboracionistas, a desmoralização do povo e a traição da justiça. Assim, é absolutamente necessário romper as relações diplomáticas com o Japão. Se as derrotas militares não são capazes de subjugar a nação chinesa, as “administrações especiais” podem, sim, afundá-la sem remissão.

D. Surgimento de sentimentos derrotistas. Considerando tudo irremediável devido às derrotas militares, há aqueles que defendem, ora confiar a sorte em ações desesperadas, ora recuar a fim de se autopreservar. Quando julgam impossível triunfar nas ações desesperadas, inclinam-se ainda mais a retroceder ao sul do rio Huanghe para salvar a própria pele. Será verdade que não há possibilidade de dar continuidade à guerra no Norte da China? Se assim fosse, tampouco seria possível proteger a si mesmo fugindo para além do rio Huanghe. Portanto, retirar-se ao outro lado do rio Huanghe sem ordens superiores é equivalente a facilitar aos agressores japoneses o controle do Norte da China.

Devemos trabalhar arduamente e lutar até o fim para conter todos esses fenômenos e superar todos esses fatores de crise. Para tal, é imperativo persistirmos na Guerra de Resistência. Apenas quando as massas populares se levantarem por inteiro contra a agressão será possível prolongar a guerra, e somente perseverando nela poderemos conquistar o apreço e a ajuda dos países amigos, recusar qualquer mediação que nos seja desfavorável e, finalmente, derrotar o inimigo.

II. As possibilidades de persistir na Guerra de Resistência no Norte da China e suas perspectivas

Diante da crise que atravessa nossa Guerra de Resistência, os invasores japoneses redobram esforços para agravá-la. O cerne de seu plano consiste em compelir nossas tropas a recuar, o quanto antes, para além do rio Huanghe, o que lhes permitiria ocupar o Norte da China e lhes facilitaria manobras ulteriores. A batalha de Xangai fora concebida originalmente como uma ação de distração em uma frente secundária. No entanto, para sua surpresa, nela o inimigo sofreu perdas superiores ao previsto e, como consequência, empreendeu uma marcha precipitada sobre Suzhou, avançando agora em direção a Nanquim. Não obstante, o primeiro passo do foco estratégico prioritário dos agressores japoneses continua a ser a conquista do Norte da China. Por isso, se a resistência no Norte da China for efetivamente extinta, irromperá uma crise gravíssima na Guerra de Resistência e os invasores japoneses, por sua vez, poderão tomar fôlego para prosseguir sua ação.

Portanto, se quisermos levar adiante a resistência, é preciso tomar como tarefa principal a persistência na guerra do Norte. Caso a resistência nessa região consiga perdurar, os agressores japoneses não serão capazes de concretizar todas as suas maquinações. Atualmente, diante da queda de Taiyuan, pode-se dar continuidade à guerra no Norte e sustentá-la por um período prolongado? Nossa resposta é que sim, certamente é possível.

Primeiro. Se as autoridades centrais enviarem aqui reforços eficientes, empreenderem ofensivas bem coordenadas em diversas frentes, destacarem novas forças para operar na retaguarda inimiga, abandonarem a estratégia e as táticas puramente defensivas de outrora e mobilizarem amplamente as massas populares para a resistência, então será possível pôr fim à presente crise da guerra no Norte do país e passar a uma contraofensiva vitoriosa!

Segundo. Caso não se consiga, por ora, adotar as medidas acima mencionadas, ou mesmo que o inimigo continue a avançar e ocupe o porto fluvial de Fenglingdu, em uma tentativa de tomar nossos pontos estratégicos ao longo do rio Huanghe, ainda assim não nos faltarão meios para levar a cabo uma resistência prolongada no Norte, inclusive na província de Shanxi. Tal resistência conta com as seguintes condições favoráveis:

A. O inimigo não dispõe de efetivos militares suficientes para dominar todo o Norte da China, nem poderá ocupar um elevado número de cidades, para não mencionar as zonas rurais. Mesmo no tocante às principais ferrovias e estradas, é-lhe igualmente impossível apoderar-se delas por completo. Por essa razão, o inimigo não pode senão recorrer a tropas fantoches para manter o controle de muitos povoados e cidades, enquanto concentra grandes contingentes de suas próprias forças, bem como a maior parte de seu poder de fogo, na consolidação de sua ocupação das principais vias de comunicação, e emprega suas principais tropas nos combates contra nosso exército. Porém, isso é precisamente o que nos convém. Podemos utilizar nossas forças guerrilheiras para liquidar os colaboracionistas, armar as massas populares, lançar unidades de armamento leve em ataques surpresa, a fim de interceptar as principais vias de comunicação do inimigo e capturar seu material bélico, e empregar nossas forças regulares nas áreas montanhosas para buscar oportunidades de aniquilar parte de suas forças. Tudo isso é perfeitamente possível. Para se convencer disso, basta ver como o Exército da Oitava Rota recuperou catorze sedes de condado na retaguarda inimiga, incendiou vinte e dois aviões e, há pouco, reconquistou Nanhuaihua(8) e derrotou numerosas forças inimigas em avanço.

B. A julgar pelas condições topográficas, também é factível uma guerra prolongada. O inimigo, devido ao preparo recebido, está acostumado somente a operações ao longo das ferrovias e estradas principais, mas é bastante inadaptado às regiões montanhosas, além de desconhecer as vias interioranas da China. Ora, todo o território da província de Shanxi, a parte oeste das províncias de Hebei e Chahar, assim como as zonas fronteiriças das províncias de Rehe e Hebei, são terrenos montanhosos, o que facilitará ao máximo a sobrevivência, o funcionamento e a expansão de nosso exército.

C. No que concerne ao clima, é evidente que os estrangeiros se adaptam menos que os chineses, sendo o inverno e a primavera particularmente desfavoráveis às tropas japonesas.

D. A condição fundamental, contudo, reside no apoio das massas. Em sua agressão contra a China, por mais que recorram ao engodo e às ilusões, os invasores japoneses só conseguem comprar um número exíguo de traidores da pátria, enquanto a esmagadora maioria do povo chinês é vítima de sua pilhagem. Portanto, a resistência popular é a condição primária para uma guerra prolongada. Quanto mais estragos o inimigo provocar, tanto mais as massas se despertarão à luta pela sobrevivência nacional.

E. As forças armadas populares já deram os primeiros passos em sua expansão. Em especial, com o crescimento extensivo da região fronteiriça de Shanxi-Hebei-Chahar, esta se erigirá como base de apoio exemplar para nossa guerra prolongada no Norte da China.

F. A firme determinação assumida pelos líderes do governo e pelas forças armadas constitui uma das condições principais para sustentar uma resistência prolongada no Norte. Atualmente, Chiang Kai-shek, Yan Xishan(9) e não poucas unidades militares vêm reforçando seu empenho na guerra. Esperamos que deem um passo adiante, planejando as operações com uma visão de conjunto.

G. Por fim, a permanência do Exército da Oitava Rota no Norte para combater o inimigo é outro fator importante para impulsionar e dirigir a resistência prolongada nessa parte do país. Oriundo da reorganização do Exército Vermelho, o Exército da Oitava Rota é uma força forjada em longos anos de guerras móveis e de guerrilhas. Saberá pôr em prática as suas aptidões específicas nesse campo, exercer influência sobre os exércitos aliados e organizar e dirigir as amplas massas populares em um esforço comum para levar adiante a Guerra de Resistência.

Todas essas condições favoráveis asseguram amplas possibilidades para sustentar uma guerra prolongada de resistência no Norte da China. Nos momentos mais difíceis, para nela persistir, recorrer-se-á à guerra de guerrilhas como forma prevalecente. Essa situação, embora perdure por certo tempo, diferirá daquela que vigora há seis anos nas quatro províncias do Nordeste. Tal guerra prolongada no Norte projetará e impulsionará o desenvolvimento da Guerra de Resistência em toda a nação e servirá de escudo para a organização de novas forças armadas em todo o país. Por sua vez, o desenvolvimento da resistência armada nacional oferecerá respaldo à guerra nessa região, impedindo que o Japão conclua sua ofensiva e exercendo influência sobre o movimento mundial de solidariedade à China. Por isso, essa guerra de guerrilhas dá-nos perspectivas de vitória. Mantendo-se por longo tempo, permitirá robustecer nossas próprias forças, armar o povo, recuperar muitas cidades e povoados, sabotar as linhas de comunicação do inimigo, eliminar parte de suas forças e, enfim, com a participação de reforços vindos de todo o país, passar a uma contraofensiva vitoriosa, recuperar os territórios perdidos e expulsar da China os invasores imperialistas japoneses.

III. Nossas tarefas para perseverar na resistência no Norte da China

Como perseverar na Guerra de Resistência no Norte da China? Eis a questão que devemos discutir agora. Em outras palavras, quais tarefas devemos cumprir para levar a cabo uma guerra prolongada de resistência no Norte da China? Coloco quatro tarefas primordiais:

1. Reforma nas forças armadas. À medida que os combates prosseguem, as tropas regulares vêm se reduzindo cada vez mais. Contudo, as operações militares devem ser conduzidas por tropas bem organizadas. Assim, a reforma do velho exército e a construção de um novo constituem uma tarefa imperiosa no presente momento. O objetivo da reforma não é apenas substituir certo número de homens, mas reestruturar todo o seu sistema organizativo. Daqui em diante, as unidades que combatam no Norte da China devem adaptar-se às guerras móveis e de guerrilhas em regiões montanhosas, adotando em sua estrutura o “sistema de tripartição”(10), complementado por destacamentos guerrilheiros, bagagem leve na retaguarda e adequada quantidade de meios de comunicação. Em segundo lugar, é imprescindível instituir um sistema de trabalho político que funcione como artéria vital do exército, a fim de fortalecer suas unidades. É necessário cultivar uma observância consciente da disciplina e assegurar estreitas relações entre as forças armadas e o povo. Em terceiro lugar, é indispensável melhorar as condições de vida das tropas, praticar a igualdade de direitos na vida política, manter as finanças das companhias abertas a todos, elevar o nível de vida dos combatentes e consolidar a unidade entre oficiais e soldados. Em quarto lugar, é preciso delegar atribuições discricionárias aos comandantes das unidades, de modo que possam conduzir suas operações de forma independente e desenvolver atividades, cada qual em sua respectiva zona, sem receio de operar por detrás das linhas inimigas ou de ficarem isolados. Em quinto lugar, é mister mudar nossa estratégia e nossas táticas de combate, pois devemos ter plena consciência de que o tipo de conflito que travamos hoje são operações de campo, guerras móveis e de guerrilhas, nas quais importa mais o apoio popular do que a ocupação de territórios. Em sexto lugar, torna-se imprescindível estabelecer bases de retaguarda para cada unidade, garantir um abastecimento ininterrupto e manter a autossuficiência, mesmo nos momentos mais difíceis. Uma vez reformado, tal exército se tornará dinâmico, popular e revolucionário. Dessa maneira, seus comandantes e combatentes serão capazes de levar adiante a Guerra de Resistência no Norte até a vitória final!

2. Supressão do monopólio do poder. Atualmente, o território do Norte do país já não está sujeito em seu conjunto à autoridade política unificada da República da China, mas sim ao poder dos agressores japoneses e de seus colaboradores. A autonomia imposta pelos invasores é uma autonomia espúria, frente à qual devemos pôr em prática uma autonomia autêntica, que nos permita mobilizar as massas populares e suprimir o monopólio do poder. Por isso, no momento, o poder a ser estabelecido no Norte deve ser uma autoridade política local subordinada ao Governo Nacional. Primeiro, quanto ao aspecto institucional, deve seguir uma estrutura democrática, unindo todos os habitantes antijaponeses dessa região e admitindo, independentemente do partido, grupo ou exército a que pertençam, representantes que assumam em conjunto a gestão dos assuntos de Estado e a grande tarefa da salvação nacional. Segundo, no que se refere ao aspecto organizativo, visando preservar a autoridade legítima da República da China, deve-se começar pela prática da autonomia e da autossuficiência locais no nível de condado, para depois estendê-la a nível provincial. Terceiro, no tocante à política de governo, é preciso aplicar um programa de resistência contra a agressão japonesa. Propomos implementar a política de salvação nacional nas zonas de guerra à luz do Programa em Dez Pontos(11) formulado pelo Partido Comunista.

3. Retirada da interdição aos movimentos de massas. Se ainda se recusar suspender tal interdição, o exército não poderá recrutar novos efetivos, o esforço bélico ficará órfão de apoio e será impossível criar forças armadas de resistência popular. Entre os habitantes, os corajosos serão massacrados pelas mãos dos algozes japoneses, os pusilânimes serão reduzidos à condição de servos submissos ao Japão, os astutos tornar-se-ão colaboracionistas, sendo os comerciantes inescrupulosos e os perversos senhores de terras os primeiros a hastear a bandeira japonesa e a formar “associações pela preservação da ordem”. Se não quisermos que isso ocorra, teremos de proceder, sem a menor vacilação ou demora, à propaganda entre as massas populares, mobilizando-as, organizando-as e armando-as, de modo que todos se unam em torno da guerra de guerrilhas prolongada no Norte da China. Em primeiro lugar, é indispensável realizar entre as massas uma extensa e profunda propaganda sobre a resistência ao Japão. Em segundo lugar, organizar as amplas massas em sindicatos operários, câmaras de comércio, associações camponesas e federações estudantis, atraindo-as para as organizações políticas. Em terceiro lugar, mobilizar as massas em lutas pela defesa de seus próprios interesses e vinculá-los aos da nação como um todo. Em quarto lugar, organizar o treinamento militar das massas, orientando-as para que ingressem nos corpos de autodefesa popular, nas unidades guerrilheiras e nas forças voluntárias, bem como conduzi-las a alistar-se no exército regular.

4. Eliminação dos colaboracionistas. Devemos opor-nos resolutamente ao capitulacionismo, ao derrotismo e à tendência favorável à criação de “administrações especiais”. Esse é um pré-requisito para uma guerra prolongada. Somente combatendo tais traidores da pátria será possível manter a unidade de todo o povo e de todas as forças armadas do Norte do país, exercer influência em âmbito nacional e até mundial, perseverar na guerra prolongada nessa região e conquistar a vitória definitiva.