A Irlanda ocupa uma posição única entre as nações do mundo em variados aspectos, mas em nenhum outro esta singularidade é mais marcada do que na posse do que é conhecido como um "partido da força física" - um partido, por se dizer, cujos membros não estão unidos sobre um único ponto, e não concordam em um único princípio, exceto no uso da força física como o único meio de resolver a disputa entre o povo deste país e o poder governante da Grã-Bretanha.
Outros países e povos têm, de tempos em tempos, apelado ao que os primeiros Revolucionários franceses pitorescamente descreveram como o "direito sagrado de insurreição," mas assim apelando eles agiam sob a inspiração de, ou combatiam por, algum grande princípio governante da vida política ou social com o qual eles, individualmente, estavam em acordo absoluto. Os últimos homens pomposos "das colinas", pelo outro lado, exaltam como princípio o que os revolucionários de outros países viram como uma arma, e nos seus encontros evitam toda discussão daqueles princípios que formaram a principal força dos seus protótipos de outras partes e que fizeram o uso bem-sucedido dessa arma possível. Nosso povo tendo passado em diferentes períodos do último século da agitação de força moral, assim chamada, para a rebelião de força física, de constitucionalismo para insurrecionalismo, encontrando em ambos a mesma falha e o mesmo desastre e ainda tão longe como sempre de aprender a grande verdade que nenhum método é provável de ser bem-sucedido até que eles primeiro insistam que um consenso perfeito sobre o fim a ser alcançado seja construído como um ponto de partida de todos nossos esforços.
Para o leitor não-familiarizado com a história política irlandesa tal consideração parece até mesmo estúpida, sendo sua verdade tão aparente; mas para o leitor acostumado com o funcionamento interno dos movimentos políticos deste país a consideração está prenhe de um significado profundo. Todo esforço revolucionário na Irlanda tirou o grosso dos seus aderentes das fileiras dos seguidores desapontados dos movimentos constitucionalistas derrotados. Após terem exaurido seus esforços constitucionais buscando garantir um módico poder político que lhes justificasse para suas próprias consciências tomar o lugar de súditos leais do Império Britânico, eles, em desespero, se viraram para a força física como um meio para conquistar seus fins. Sua concepção do que constitui liberdade não foi de forma alguma mudado ou revolucionado; eles ainda acreditavam na forma política da liberdade que foi seu ideal nos seus dias constitucionalistas; mas não mais esperavam ela pelas ações do Parlamento Britânico, eles se juntaram às fileiras dos homens da "força física" como o único meio de conquistá-la.
O assim chamado movimento de força física de hoje de maneira parecida coloca suas esperanças no desgosto do povo sobre a falha do movimento Autogovernista; ele busca alistar o povo sob suas bandeiras, não tanto por denunciar os ideais basilares dos constitucionalistas ou a inadequação total das suas pequenas medidas para remediar os males sob os quais o povo sofre, mas por enfatizar a maior eficácia da força física como uma arma nacional. Então, o único critério de um Nacionalista avançado é, em sua opinião, acreditar na força física. Pode ser que as pessoas professando acreditar sejam Republicanas; pode ser que acreditem na monarquia; pode ser que o Autogoverno lhes satisfaça; pode ser que desprezem o Autogoverno. Não importa qual seja a sua fé política, se eles estiverem preparados para expressar sua crença na graça salvadora da força física, eles são aclamados como Nacionalistas avançados - dignos descendentes "dos homens de 98". A Executiva de 98, organizada no início por crentes professos da doutrina da força física, começou proclamando sua adesão ao princípio de independência nacional "como entendido por Wolfe Tone e os Irlandeses Unidos," e em menos de 12 meses, deliberadamente rejeitaram uma resolução similar e elegeram ao seu órgão dirigente homens notórios por vícios Realistas. Enquanto a Executiva de 98 represente os Nacionalistas avançados da Irlanda, este repúdio da fé Republicana dos Irlandeses Unidos é uma interessante corroboração da verdade de nosso argumento que os Nacionalistas avançados de hoje desconsideram totalmente o princípio e só se atém aos métodos - colocando o carro antes dos bois, absolutamente único na sua imbecilidade e sem igual na história do mundo.
Pode ser interessante, então, apresentar para nossos leitores a concepção Socialista Republicana das funções e usos da força física no movimento popular. Nós nem exaltamos ela como princípio nem repudiamos ela como algo a ser desconsiderado. Nossa posição sobre ela é que o uso ou não-uso da força para a realização das ideias de progresso sempre foi e sempre será determinado pela atitude, não do partido do progresso, mas da classe governante oposta ao partido. Se o tempo chegar que o partido do progresso encontre seu caminho para a liberdade bloqueado pela ganância teimosa da classe possuidora entricheirada atrás das barreiras da lei e da ordem; se o partido do progresso inculcou bastante seu povo com a concepção revolucionária da sociedade e é portanto representante da vontade de uma maioria da nação, se exauriu todos os meios pacíficos a sua disposição a propósito de demonstrar o povo e seus inimigos que as novas ideias revolucionárias possuem o sufrágio da maioria; então, mas não até então, o partido que representa a ideia revolucionária está justificado para tomar medidas para assumir os poderes do governo, e a usar as armas da força para retirar a classe ou governo usurpador em posse, e tratar seus membros e apoiadores como usurpadores e rebeldes contra as autoridades constituídas sempre que forem criadas. Em outras palavras, os Socialistas acreditam que a questão da força é de uma importância muito pequena; a questão realmente importante é dos princípios sobre os quais é baseado o movimento que pode ou não precisar do uso da força para realizar seu objetivo.
Aqui está, então, a imensa diferença entre os Socialistas Republicanos e nossos amigos os homens da força física. Os últimos, ao calar todas as discussões de princípios, ganham os elogios passivos e passageiros da multidão irrefletida; os primeiros, ao insisitr no conhecimento profundo dos seus princípios básicos, não atraem rapidamente a multidão, mas atraem e seguram os mais atentos entre eles. É a diferença entre uma turba em revolta e um exército em preparação. A turba que aclama um palestrante se referindo as esperanças de um movimento de força física, na hora do aparente sucesso, estaria totalmente desorganizada e dividida pela aprovação do Legislativo Britânico de qualquer enganosa Lei de Autogoverno. O exército de trabalhadores com consciência de classe se organizando sob a bandeira do Partido Socialista Republicano, forte no seu conhecimento da verdade econômica e firme nos seus princípios revolucionários, ficaria inteiramente incólume por tal manobra e, sabendo que ela não mudaria sua situção de classe subjugada, ainda seguiria adiante, resoluta e unida, com suas faces direcionadas para sua única esperança de emancipação - o controle completo de todos os poderes do Governo Nacional pela democracia da classe trabalhadora.
Então a política dos Socialistas Republicanos é vista como a única sábia. "Eduque que você será livre"; princípios antes, métodos depois. Se a defesa da força física falhou em obter sucesso ou mesmo a causar um levante quando a maioria não tinha direito a voto e o voto secreto era desconhecido, como ela pode ser esperada agora que a maioria está em poder do voto e o voto secreto protege o eleitor?
A urna nos foi dada pelos nossos mestres para seu propósito; que nós a usemos para nosso próprio. Que demonstremos nas urnas a força e a inteligência da ideia revolucionária; que façamos dos comícios uma tribuna para promover nossos princípios; que tomemos os poderes públicos no interesse da classe despossuída; que emulemos nossos pais e, como os "verdadeiros homens de 98," nos coloquemos a par do pensamento mais avançado da nossa era e tomando inspiração e esperança do espetáculo apresentado pela revolta mundial dos trabalhadores, preparemos para a chegada do dia que a classe trabalhadora Socialista da Irlanda, através dos seus representantes eleitos, apresentará sua demanda por liberdade do julgo de uma classe mestre ou nação governante - o dia em que a questão da força moral ou física será finalmente resolvida.