A terra para o povo!
Uma palavra de ordem esplêndida, um bom velho chiado.
O que é desejado é uma boa palavra de ordem; não importa se ela tiver sentido ou não, se ela significa algo ou nada, desde que tenha um tom sonoro e bom - e ela capturará o trabalhador.
Portanto, vivas à terra para o povo!
A Liga dos Irlandeses Unidos está agora levantando essa palavra de ordem novamente, e o parlamentar Sr. Davitt está rondando o campo com a velha, velha canção que serviu tão bem aos agitadores profissionais nos dias da Liga da Terra.
A velha canção, o velho jogo. Todas as vivas, a música, as demonstrações, as oratória dos líderes possíveis, mas nenhuma tolerância com algo da natureza de uma discussão inteligente do significado das palavras que estamos usando, ou da aplicação dos princípios que estamos invocando.
A terra para o povo!
Nos dias da Liga da Terra todo político na Irlanda professava desejar a terra para o povo, mas escarçamente dois deles queriam dizer isso, e qualquer homem que se aventurasse a se levantar em um encontro público para pedir a um orador para explicar o que ele queria dizer era certamente vaiado como se fosse um traidor.
E corria grande risco de ter seu pescoço quebrado como recompensa da sua temeridade.
Parlamentares autogovernistas reclamam da "mordaça" em Westminster, mas nenhum Ministro inglês já ousou sufocar uma discussão com a metade do rigor que nossa classe média irlandesa fez quando esteve no poder.
Mas aquele dia já passou. A nova democracia da classe trabalhadora da Irlanda está alerta demais, e confiante demais da sua própria força, para render sua consciência política aos cuidados dos líderes.
A terra para o povo! De toda forma, mas
O que quer dizer "a terra"?
E quem é "o povo"?
O Sr. Davitt disse em um encontro em Duhallow que havia hoje 40.000 fazendeiros na Irlanda que se tornaram proprietários das suas terras desde 1885, e ele chamou isso de um passo na direção da "terra para o povo".
Como o Socialista vê esse assunto? Que há agora mais 40.000 indivíduos interessados em manter a propriedade privada da terra do que havia em 1885.
Como isso pode fazer "o povo" proprietário da terra foge da minha compreensão.
O Sr. Davitt, e todos os outros pretensos patriotas que estão agora usando a Liga dos Irlandeses Unidos para se promover mais uma vez a notoriedade, falam como se os fazendeiros posseiros sozinhos constituíssem o povo, mas uma pessoa comum como você mesmo se aventuraria a incluir naquela categoria toda a população da Irlanda.
Fazendeiros, e aqueles que nunca deram uma enxadada em uma fazenda, o povo das nossas vilas e cidades assim como o povo das nossas colinas e vales, o funcionário assim como o vilão, o artesão igualmente ao agricultor.
Todos esses, considerados coletivamente, são o povo.
Os homens cujos pais foram expulsos das terras agrícolas pela tirania latifundiária no passado têm tanto direito à terra quanto os homens cujos pais não foram expulsos.
A terra para o povo devera então significar a terra para TODO o povo.
Não para ser dividida, ou compartilhada, mas para ser investida na nação como um todo como sua propriedade pública.
A propriedade nacional da terra - esta é a verdadeira "terra para o povo", mas o Sr. Davitt e os articuladores da United Irish League sabem bem que cada um dos 40.000 fazendeiros camponeses a que eles se referem como proprietários das suas terras são tão opostos a propriedade nacional quanto o próprio Lorde Clanricarde.
E quando eles falam da terra, por que eles se referem somente à terra agrícola?
Que lei moral, ou máxima da economia política, pode ser usada para justificar a propriedade fundiária privada nas cidades que não justifique o latifundismo em toda parte?
A terra, seja na cidade ou no campo, é a propriedade de todo o povo, e só é posssuída por uma classe hoje por conta das leis forçadas em nossos pais pela ponta da espada.
O aluguel é o substituto moderno do tributo coletado dos despossuídos "irlandeses" pelos invasores de armadura sob Strongbow e seus sucessores.
A terra foi uma vez a propriedade dos clãs irlandeses. Os clãs eram então a materialização da vida da nação irlandesa. Os clãs não existem mais e não poderiam ser revividos nem que desejássemos, o que é mais do que questionável, mas o direito da propriedade ainda vive e devera ser estabelecido na materialização moderna da nação irlandesa - nossos órgãos públicos, municipalidades, e Congresso Irlandês independente, quando formos homens o bastante para conquistar um.
Spailpín