Alocução ao País

Vasco Gonçalves

11 de Março de 1975


Fonte: Vasco Gonçalves - Discursos, Conferências de Imprensa, Entrevistas. Organização e Edição Augusto Paulo da Gama.
Transcrição: João Filipe Freitas
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Fernando A. S. Araújo.

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Uma minoria de criminosos lançou homens das forças armadas contra as Forças Armadas, que é o maior crime que hoje se pode perpetrar em Portugal.

Beneficiando da grande benevolência que os generosos obreiros do 25 de Abril têm tido para com os seus inimigos, tentaram dividir o País, ao serviço das forças reaccionárias, para o que tantas vezes tem sido chamada a atenção.

Eu espero que isto seja uma verdadeira lição para todos os portugueses, para os partidos políticos, para os sindicatos, para as Forças Armadas, para todos os patriotas.

Os nossos verdadeiros inimigos são, de resto, a reacção e os fascistas. A reacção traduz-se, na prática, por aqueles que se opõem ao desenvolvimento e ao progresso da nossa Pátria dentro do programa das Forças Armadas e no sentido que o Movimento das Forças Armadas lhe tem procurado imprimir.

São todos aqueles que quotidianamente travam este processo revolucionário quer ao nível de repartições públicas, quer ao nível das cúpulas. A todos os níveis, essa luta quotidiana que todos os democratas travam contra os seus inimigos é que significa a luta que o Povo português trava contra a reacção.

Eu daqui exorto as massas trabalhadoras para que se não deixem desunir nos seus sindicatos, para que se unam, para que vejam bem onde estão os seus inimigos e os seus amigos.

A unidade das massas trabalhadoras é indispensável à consolidação da revolução democrática portuguesa.

No momento em que estávamos a ser atacados, estava-se preparando uma greve nos TAP. É preciso que os trabalhadores dos TAP, por exemplo, entre outros, tomem bem consciência dos perigos que correm ao dividir-se, ao cindir-se do Movimento das Forças Armadas, e que estejam alerta para quem os divide.

Os trabalhadores devem tirar as conclusões desta tentativa reaccionária de lançar forças armadas contra forças armadas, lançar camaradas de armas contra camaradas de armas, servindo-se das maiores mentiras e calúnias, lançando homens honrados em aventuras condenadas antecipadamente ao fracasso, porque o Movimento das Forças Armadas tem consigo a esmagadora maioria das massas trabalhadoras e dos patriotas portugueses.

Também exorto os partidos políticos a que tirem as ilações da situação que acabámos de viver. Em lugar de se lançarem em lutas uns contra os outros, em lugar de se dividirem, que se unam; unam-se em volta da Bandeira da nossa Pátria, unam-se em volta do verdadeiro progresso da nossa Pátria, dos ideais revolucionários que traz o programa das Forças Armadas. Os partidos políticos têm obrigação de tirar bem a ilação destes acontecimentos.

Por outro lado, as forças progressistas desses mesmos partidos políticos apoiaram-nos neste momento.

Devemos também reconhecê-lo e mais uma vez afirmar que a revolução portuguesa só pode marchar em frente em estreita aliança do Movimento das Forças Armadas com os partidos políticos progressistas e patrióticos que verdadeiramente estão interessados na mudança de rumo da vida política, económica e social portuguesa.

A todos os portugueses, a todos os patriotas, quer os trabalhadores, quer a pequena burguesia, quer os pequenos comerciantes, os quadros, os médios comerciantes, que vejam bem as aventuras para que os nossos inimigos nos podem lançar e que tenham confiança no Movimento das Forças Armadas que está atento, que em ligação estreita com o Povo Português não permitirá que a reacção volte a dominar este pais.

Viva Portugal!

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Abriu o arquivo 05/05/2014