Nascimento, Paixão e Ressurreição de Casa-grande & Senzala

Clóvis Moura

Julho de 2000


Fonte: Revista Princípios nº 57, mai-jul/2000, pag: 34-43.
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo.
Direitos de Reprodução: Licença Creative Commons licenciado sob uma Licença Creative Commons.

capa

Gilberto Freyre ressurge no bojo da contrarrevolução ideológica que dá o marxismo como morto.

Este ano de tantas comemorações simbólicas, imaginárias, ideológicas ou simplesmente biográficas esta sendo registrado o centenário do nascimento do sociólogo Gilberto Freyre, um dos mais importantes cientistas sociais do Brasil após 1930. Explica-se a sua importância fio contexto em que a sua mais conhecida obra apareceu. Casa-grande & senzala, livro que na contradição em que se encontrava o Brasil da época — pós-movimento revolucionário de 30 — seria saudado como a mais importante contribuição do Brasil às ciências sociais no contexto do panorama científico nacional e mesmo internacional.

Este momento crítico da sociedade brasileira se traduziria, no seu nível cultural, em obras como Evolução política do Brasil, de Caio Prado Jr; Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda; e a própria obra de Gilberto Freyre. Todos procuravam uma tipologia que expressasse mesmo simbolicamente o tipo nacional. Essas preocupações surgiram num momento em que a sociedade civil brasileira, e especialmente o seu segmento político, depois de derrotar a chamada “república velha” ficava sem um pensamento orientador na área cultural capaz de capear essas mudanças e dar-lhes uma imagem moderna como convinha àquele momemo. Esta procura de definir o tipo nacional já se manifestava como preocupação dos nossos pensadores sociais, todos, porém, procurando estabelecê-lo através da nossa etnicidade. O tipo nacional deveria surgir o mais próximo possível do branco europeu. Daí a preocupação em sermos branqueados. Em Nina Rodrigues esta tendência se acentua no final do século, dando-lhe uma conotação de preponderância, tendência que culminará com a obra de Oliveira Viana. Essa preocupação de estabelecer o tipo de brasileiro decalcado do modelo europeu levou esses pensadores a uma atividade teórica muito intensa neste sentido. E não apenas uma atividade teórica, mas a uma prática científica, desejando que o tipo brasileiro fosse uma reprodução dos resultados da evolução do tipo racial. Procurou-se, a partir daí, minimizar-se a participação das raças não-europeias na formação da nação brasileira, centrando-se essa preocupação em diminuir ou mesmo negar a participação do negro na construção da nação. Esta prática científica, altamente prestigiada nos meios acadêmicos recomendava medidas eugênicas para selecionar a população brasileira de acordo com os padrões europeus brancos de beleza e inteligência. Este pensamento concentrou-se na Liga de Higiene Mental que publicava os Arquivos Brasileiros de Higiene Mental e que circulou da década de 20 à de 30. Entre outras notícias de interesse eugênico, publicava, em 1933, a lei alemã de esterilização dos doentes mentais transmissores de taras com entusiástica introdução. A referida lei era assinada por Hitler, Frieck e Gunther, ministros respectivamente do Interior e da Justiça da Alemanha nazista, datada de 14 de julho de 1933.

É na convergência crítica da procura de um modelo que expressasse as condições simbólicas reais do homem brasileiro, que Gilberto Freyre começa a pensar os elementos teóricos e metodológicos que resultariam no livro.(1)

De um lado, os conceitos racistas já gastos, porém reavaliados teoricamente após a “revolução” de 30, e, de outro, uma intelectualidade completamente subordinada aos conceitos europeus, quer nas ciências sociais, recém-chegadas ao Brasil, quer nas ciências biomédicas, já com tradição, prestígio e conceito nos meios científicos da Europa passam a ser revistas por alguns pensadores. Este ideal de um tipo brasileiro que excluía o negro deste padrão foi o centro de preocupações de inúmeros pensadores sociais e sociólogos como Euclides da Cunha, Nina Rodrigues, Oliveira Viana. É neste período de elaboração do tipo brasileiro simbólico que Gilberto Freyre inicia a construção do seu livro mais conhecido. E justamente a diferença entre o tipo brasileiro idealizado pelas nossas elites intelectuais e a realidade étnica e física do homem brasileiro fator de sua reflexão e de preocupação. Diz ele:

“Era se tudo dependesse de mim e dos de minha geração; da nossa maneira de resolver questões seculares. E dos problemas brasileiros nenhum que me inquietasse tanto como o da miscigenação. Vi uma vez, depois de mais de três anos maciços de ausência do Brasil, um bando de marinheiros nacionais — mulatos e cafuzos — descendo não me lembro se do São Paulo ou do Minas Gerais pela neve mole do Brooklin. Deram-me a impressão de caricaturas de homens”.(2)

Como vemos, o tipo ideal construído pelas elites intelectuais brasileiras havia criado um padrão diferente da realidade social e cultural, que produzia e reproduzia uma população escura, sifilítica, mal alimentada, desdentada, doente, semianalfabeta, produto de relações sociais arcaicas e racistas que não tinham capacidade de produzir a não ser essas “caricaturas de homens”. Este outro, real, concreto, atuante, dinâmico, mas sem as características do tipo ideal construído pelas elites, esta diferença entre o real e o idealizado chocou dramaticamente a costura do seu pensamento. Diferenças que não o levaram a refletir durante a sua viagem à Africa, a Salvador e outras partes do mundo não-branco, espantaram-no quando viu aqueles mulatos e cafuzos se contraporem à alvura da neve do Brooklin. Esta preocupação, em essência é que determinará os momentos de reflexão mais amplos da sua primeira obra, selecionou os autores nos quais se apoiou e as conclusões finais do livro.

Esta confissão mostra os dois elementos fundamentais para que Gilberto Freyre iniciasse a construção psicológica, teórica e política do livro:

  1. as responsabilidades que a sociedade brasileira estava transferindo à sua geração no sentido de ver resolvidos os problemas acumulados; e
  2. do ponto de vista pessoal a sua grande preocupação com o problema da miscigenação no Brasil.

O livro foi elaborado, portanto, visando enfrentar esses dois níveis de preocupações, o que, em última análise, viria a exigir do seu autor uma definição política tanto em relação aos problemas acumulados por outras gerações, quanto ao problema da miscigenação que estava também na ordem-do-dia. Este problema no Brasil adquiriu formas dramáticas na época. Não devemos nos esquecer que a primeira edição de Casa-grande & senzala coincide com a chegada de Hitler ao poder na Alemanha. Daí talvez as preocupações de Gilberto Freyre com o problema da miscigenação.

As preferências racistas da nossa intelectualidade se aguçaram com o fato, o problema racial foi discutido em várias áreas, as relações raciais no Brasil e nos Estados Unidos foram comparadas e os seus sistemas classificatórios avaliados. Neste clima após revolução de 30, com euforias e decepções de ambas as partes é que o livro entra para pontuar a paisagem cultural brasileira. Uma grata surpresa especialmente para os literatos, que viram na obra mais uma nova forma de expressão, sem formalismos, quase coloquial do que o seu valor como obra de sociologia. Gilberto Freyre, um jovem com pouco mais de 30 anos, pernambucano, sem pertencer a nenhuma universidade ocupa o espaço vago, desocupado após a revolução como possível gênio das nossas ciências sociais que na época modorravam como Jeca Tatu à porta da cabana.

E Casa-grande & senzala venceu e até hoje permanece. Não se pode negar que é um clássico e assim permanecerá. Concordar com o livro e o seu pensamento é outra coisa. É verdade que a procura do homem brasileiro como representativo da nacionalidade tinha um objetivo etnocêntrico e racista subjacente. Procurava-se encontrar no brasileiro aquelas qualidades que o tipo europeu representava simbolicamente, era uma tentativa de aproximação com o ideal tipo europeu. Com isto estabelecia-se uma hierarquia étnica que colocava cada vez mais distante desse tipo as populações não-brancas de um modo geral, o mulato e o negro especialmente. Para esses teóricos o negro fora apenas um episódio, um desvio que dentro de 200 anos no máximo seria suplantado, desapareceria do nosso mapa etnológico e demográfico, ficando o Brasil com uma unidade antropológica uniforme, dentro de padrões quase equiparados ao modelo branco.

Esta produção na história, na sociologia, na biologia e mesmo na biotipologia procurava estabelecer este tipo abstrato do brasileiro, sem concretude, sem uma análise das diferenças regionais e especialmente raciais, para englobá-lo em um tipo branco futuro que surgiria através do “caldeamento” das três raças com a preponderância do branco que lhe daria a solução final.

É nesta situação de indefinições que surge Casa-grande & senzala. E é neste momento no qual os destinos da nação brasileira, o seu futuro dependiam deste “caldeamento” e da imigração do branco na nossa sociedade para “civilizar" o Brasil que Gilberto Freyre se sente interessado, como cientista social, em contribuir para a sua solução. E é a sua preocupação com a imagem que tem dos nossos mulatos e cafuzos nos Estados Unidos que o leva a começar a colher material para a sua obra mais significativa.

O parêntesis Franz Boas

De todos os mestres europeus com os quais Gilberto Freyre teve contato, um é incontestavelmente aquele que, segundo ele, mais o influenciou e com o qual mais se identificou: o antropólogo de origem alemã, Franz Boas. Chega-se mesmo a apresentar Gilberto Freyre como o primeiro brasileiro que o citou, com isto demonstrando a sua atualização em face das conquistas da Antropologia Cultural dos Estados Unidos. Isto, porém, não é verdade. Quem primeiro citou Boas no Brasil foi Alberto Torres. Aliás, Alberto Torres, cujo pensamento tinha visíveis conotações autoritárias é uma exceção positiva em relação à posição do tipo brasileiro e à formação étnica do mesmo, incluindo na miscigenação o índio e o negro como fatores positivos. Diz ele no capítulo “Em prol das nossas raças", inserido no livro O problema nacional brasileiro:

“Recentes investigações, do mais ilustre, talvez, dos antropologistas americanos, o senhor Boas, demonstraram que os caracteres somáticos de uma raça alteram-se, notavelmente, de uma geração para outra, com a simples mudança para um novo meio".(3)

Mas, isto no fundamental é irrelevante: o problema das precedências. O que interessa aqui é saber até que ponto a obra de Boas influiu no pensamento de Gilberto Freyre e até que ponto ele foi a âncora do seu pensamento no particular da situação das relações raciais no Brasil. Pelas referências que Gilberto Freyre faz em relação a Boas (mais nos seus comentários do que no contexto do livro) ele teria, de qualquer forma, estabelecido uma abertura capaz de dar explicação para o problema racial no Brasil: a diferença entre raça e cultura. Boas (1858-1942) era da Westfalia e estudou física e geografia em Hildeberg e Bonn. Ali fez a sua dissertação de doutoramento. Seus primeiros artigos abordam problemas psicofísicos publicados em revistas de fisiologia.

Tinha uma formação acadêmica de naturalista. Com esta preparação teórica, ele inicia pesquisas de campo de vários tipos na área da etnologia, até ser admitido, reconhecido como etnólogo e antropólogo. Sua carreira é muito rápida e brilhante. Foi, segundo Lowie, o primeiro antropólogo que combinou uma ampla experiência e o trabalho de campo com uma oportunidade sem rival para treinar pesquisadores. Neste particular ele cita dezenas de pesquisadores que conseguiram os seus títulos através de Boas, entre os quais Kroeber, Sapir, Heskovits, Hersog e muitos outros. No entanto, na longa lista que Lowie faz não consta o nome de Gilberto Freyre. A lista é longa e diversificada. Mas não consta o seu nome. No entanto, ao que Freyre deixa transpirar nas suas declarações e depoimentos, as relações entre os dois eram senão íntimas, maiores do que a de simples discípulos e mestres.(4)

Mas, vejamos a participação do pensamento de Boas na elaboração teórica de Casa-grande & senzala. Boas era um antropólogo difusionista, apoiado de modo significativo nos difusionistas alemães. E o que significava, em essência, o difusionismo? A negação do evolucionismo. Os fatos culturais, os objetos, as religiões, os mitos e as instituições não surgiam das necessidades e experiências sociais internas de grupos, classes ou comunidades mais amplas, mas da transmissão desses conhecimentos através da difusão dos mesmos que se deslocavam e eram incorporados a outros grupos. Desta forma o processo civilizatório transformava-se em um processo de difusão cruzado e permanente no qual todos padrões se incorporavam através desta forma. Isto significava, em primeiro lugar um combate às teorias evolucionistas, especialmente à obra de Morgan e por abrangência à teoria marxista da evolução.

Isto significa, por outro lado, que os difusionistas e Boas por extensão relativizam o valor das culturas, colocando-as como unidades autônomas dentro das suas estruturas e padrões, em comparação com outras. Com isto reconhece que não há culturas inferiores e superiores, mas todas se equivalem e tem o mesmo valor no seu processo evolutivo e estrutura interna. Desta forma, o processo de evolução social seria uma visão etnocêntrica de cada cultura ao se autoanalisar em relação às outras.

O antimarxismo dessa teoria vem travestido de requintes de erudição, mas, no fundamental funciona como um anteparo que procura neutralizar os esquemas marxistas de evolução social por um relativismo cultural sem dinâmica própria e sem objetividade, uma visão anti-histórica. Com isto, Boas e os seus seguidores praticamente excluíram as teorias evolucionistas e neoevolucionistas das universidades dos Estados Unidos. Somente um grande nome da antropologia continuou defendendo as suas posições evolucionistas: Leslie A. White. Sua obra foi, por isto mesmo, ridicularizada ou desacreditada nas elites universitárias americanas. O antievolucionismo de Boas teve, na obra de Gilberto Freyre um duplo papel: um positivo e outro negativo. O positivo foi deslocar o conceito de raça para o de cultura, o que o leva à conclusão de que não há raças superiores e raças inferiores. Ao tempo em que fazia esse deslocamento, substituía as situações sociais concretas, as barragens estabelecidas pela classe senhorial às populações negras-escravas por antagonismos culturais, os conflitos ou acomodações de traços e/ou padrões culturais que substituíram a luta de classes. A luta de classes que era o grande vetor que impulsionava a evolução do modo de produção escravista se diluía. E a luta de classes era substituída pela aculturação quando se queria ressaltar a harmonia, ou movimentos anti-aculturativos quando havia o conflito.

Esta visão relativista e anti-histórica em face do valor das culturas e por outro lado, o estudo dessas culturas no sentido de nivelá-las, levou esses cientistas sociais a transformarem a dinâmica social em diferenças culturais. Como diz L. A. Costa Pinto, substituiu-se o proletário pelo primitivo. O problema da mentalidade primitiva entrou em primeiro plano, subjetivizou-se o processo cultural e social. Boas refere-se desta maneira à interpretação marxista da história, chamado por ele de determinismo econômico:

“A teoria do determinismo econômico da cultura não é a mais adequada do que o determinismo geográfico. E mais atraente porque a vida econômica é uma parte integral da cultura e intimamente relacionada com todas as suas fases, enquanto que as condições geográficas constituem sempre um elemento externo. No entanto, não há razão para chamar todas as outras fases da cultura uma superestrutura sobre uma base econômica, pois as condições econômicas atuam sempre sobre uma cultura preexistente e elas próprias de outros aspectos da cultura. (...) A teoria de que as forças econômicas precederam a qualquer outra manifestação da vida cultural e exerceram sua influência sobre um grupo sem nenhuma outra característica cultural é insustentável”.(5)

Como podemos ver as noções de Boas sobre o marxismo. que ele chama erradamente de determinismo econômico eram bem elementares. Atualmente a sua obra está passando por um exame crítico radical, questionando-se não apenas a sua parte teórica, mas as próprias técnicas de trabalho de campo por ele empregadas.

A construção do livro

Com as preocupações iniciais, isto é, aquelas expectativas que a sociedade tinha em relação à sua geração para resolver os problemas acumulados pelas outras e com as preocupações iniciais com a miscigenação e, por outro lado, com a formação cultural basicamente ou influenciada por Boas, como foi que Gilberto Freyre conseguiu responder a essas preocupações?

O livro foi arquitetado através de um plano preciso. O autor acrescentou ao título Casa-grande & senzala o subtítulo, “Formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal”. Fez questão de restringir o seu universo de análise e não criar um projeto explicativo para a evolução da sociedade brasileira no seu conjunto e na sua dinâmica. Isto posto, Gilberto Freyre dividiu esse projeto em uma parte que aborda o papel do português e do índio no mesmo nível. Fica implícito que a participação desses dois elementos referem-se ao seu papel na construção desse tipo de família. Na última parte do livro na qual aborda o problema do negro, a realidade a ser analisada e interpretada é outra: o seu título: "O escravo negro na vida sexual e de família do brasileiro”. Como se pode concluir sem muito esforço, o negro entra como um componente externo e através do texto da obra, desagregador na composição deste tipo de família patriarcal. O sexo passa a atuar como agente do processo não apenas da formação da família, mas, também, da ótica do analista. E a criança, a mulher, o senhor que são descritos na primeira fase como uma unidade hierarquicamente ordenada e os níveis de dominação e subordinação: homem/mulher, adulto/criança, senhora/escrava que era pacífico diferenciado é com a penetração do negro nesta unidade. A criança (o menino) se diferencia entre menino (branco) e moleque; o senhor passa a ser focalizado sem a dicotomia senhor/senhora para complicar-se entre senhor/senhora/mucama; as relações sexuais que eram regidas por normas quase geométricas se complicam e se diversificam. Em outras palavras: a formação da família brasileira fica mais complexa e complicada com a presença do negro no seu espaço. Os dois extensos capítulos que constituem o segundo volume do livro são para desenvolver este complicador étnico e racial que a família patriarcal sofreu. Gilberto Freyre preocupa-se com este elemento complicador através de vários argumentos, procurando retratá-lo através de elementos culturais e para isto procura demonstrar a transmissibilidade dos caracteres adquiridos (um argumento biológico) para mostrar a possibilidade dos negros adquirirem diferenças de seu caráter inicial ao serem transferidos de meio. Voltando à unidade social que Gilberto Freyre estuda — a família — tomemos este período de Casa-grande & senzala:

“A escravidão desenraizou o negro do seu meio social e de família, soltando-o entre gente estranha e muitas vezes hostil. Dentro de tal ambiente, ao contato de forças dissolventes, seria absurdo esperar do escravo outro comportamento senão o imoral, de que tanto o acusam”.(6)

Neste contexto familiar, o negro e por extensão o negro-escravo era negativo. Isto porque no nível da ordem privada ele entrava como um desarticulador da normalidade doméstica de acordo com a família patriarcal. Desarticulava valores entre os meninos, entre senhora e senhor, entre senhor e mucama (escrava) e entre senhora e mucama. A constelação de relações internas se alterou. E as contradições internas se aguçaram em todos esses níveis. Isto porque Gilberto Freyre centrou a sua análise no nível da ordem privada. Na família patriarcal, não na outra família que não estava na casa-grande mas habitava as senzalas, os espaços que ela conquistava e com ponto terminal nos quilombos.

Por que os papéis sociais se complicaram com a chegada do negro escravo para ocupar os mesmos espaços da família patriarcal: o menino se diferenciou entre o menino branco que bate e o moleque caixa-de-pancada do branco; a senhora, e, de outro lado a mucama, criando tensões sociais e sexuais em relação ao senhor e aos filhos. Essas relações primárias que compõem a ordem privada não explicavam o conteúdo da família escravista porque ele absolutizou um tipo de família, a do senhor sem a análise dos outros tipos de família da época: a família de forros, homens pobres livres, a família escrava e a família quilombola.

Isto proporcionaria uma visão de totalidade que não se encontra em Casa-grande & senzala, mas o destaque do detalhe e a projeção desse detalhe como determinador do conjunto. Esta falta de visão da totalidade é que confere a Casa-grande & senzala um valor relativo, mutilado, incompleto da família, mesmo a patriarcal, por fazer uma análise baseada em detalhes e dar a esses detalhes funções sociais maiores. O uso do detalhe para explicar um fato geral é comum em Casa-grande & senzala. Mas porque Gilberto Freyre age desta forma? É que ele queria diluir as contradições fundamentais do modo de produção escravista e circunscrevê-los às contradições menores no seio da família.

A macrointerpretação sociológica levaria Gilberto Freyre à analise dos conflitos de várias maneiras significativos entre os senhores e escravos, entre quilombolas e capitães do mato, foragidos da justiça e milícias, finalmente o quadro altamente conflitante no processo de luta de classes do qual Gilberto Freyre fugia deliberadamente.

Por estas razões escreve Carlos Guilherme Mota:

"Na verdade, ficaram eliminadas, em seu discurso (de Gilberto Freyre), as contradições reais do processo histórico-social, as classes e os estamentos em seus dinamismos específicos e seus conflitos e desajustamentos no sistema social global. Do ponto de vista interpretativo-metodológico o encaminhamento é hábil, de vez que opera sistematicamente como pares antagônicos para (...) esvaziar a contradição. Apesar de trabalhar em duas categorias sociais bem definidas — os senhores e os escravos — não são as classes ou as raças que comandam o processo: a tarefa, com frequência, não se desenvolve no sentido de precisar, de definir contornos sociais, mas de imprecisá-los, de matizar a regra geral em tantos exemplos quantos sejam necessários, justamente para indefinir os contornos dos grupos sociais”.(7)

E esta falta de conexão da obra de Gilberto Freyre com o sentido da totalidade exigido para se conhecer o que foi o sistema escravista (modo de produção) no Brasil especialmente que o deixou, durante muito tempo, sendo mais considerado um literato do que um sociólogo, especialmente depois que foram formadas a Escola de Sociologia e Política em São Paulo e posteriormente a Faculdade de Filosofia da USP. A escola de sociologia foi formada explicitamente porque São Paulo precisava criar elites culturais que o desforrassem da derrota militar de 1932.

A obra de Gilberto Freyre passou a ser uma obra de “nortista” e o Nordeste contribuíra para a derrota de São Paulo. Acrescente-se a isto a origem do pensamento francês desses núcleos de cultura, ao contrário de Gilberto Freyre que era nitidamente americano para se poder explicar pelo menos um dos parâmetros que colocaram a obra freiriana no nível dos ensaios impressionistas sobre a história social do Brasil.

Por outro lado, a indiferença desses pesquisadores paulistas pelo escravismo brasileiro, preocupados que estavam com o processo de industrialização da região e os seus problemas emergentes desqualificaram quase inteiramente Casa-grande & senzala e o seu nível foi reduzido pela então escola paulista. Somente na década de 40 ela começa a abordar o negro neste contexto de industrialização e com novas técnicas de pesquisas e interpretação. E a obra de Gilberto Freyre é praticamente desqualificada por esses novos cientistas sociais. A chamada escola paulista cujo representante mais qualificado e fecundo foi Florestan Fernandes não está mais preocupada em rumores passados, mas nos desajustes que o processo de industrialização produziu nas estruturas sociais da população negra. E a obra de Gilberto Freyre fica numa penumbra nostálgica e literária.

As preocupações de Florestan Fernandes, Octávio lanni, Oracy Nogueira e outros centravam-se nos desajustes sociais e raciais que o processo de industrialização criou para o negro. Por outro lado, a adesão de Gilberto Freyre ao golpe militar de 1964 contribuiu ainda mais para se descobrir o perfil conservador de Casa-grande & senzala.

O reconhecimento explícito deste fato é feito por Danie Moreira Leite quando afirma que

“hoje, com a independência dos povos africanos e com a luta dos negros norte-americanos pelos seus direitos civis, a posição de Gilberto Freyre parece inevitavelmente datada e anacrônica. Finalmente, as posições políticas de Gilberto Freyre — tanto no Brasil quanto em relação ao colonialismo português na Africa — contribuíram para identificá-lo com os grupos mais conservadores dos países de língua portuguesa e para afastá-lo dos intelectuais mais criadores. Disso que Gilberto Freyre é hoje, pelo menos no Brasil, um intelectual de direita, aceito pelos grupos no poder, mas não pelos jovens intelectuais”.(8)

A análise crítica e radical não era apenas o resultado de uma tese. Ela, ao contrário, representava o ponto-limite de todo um processo que se desenvolvia neste sentido. Em outros locais a análise de crítica radical da obra Casa-grande & senzala continuava, especialmente pelos pensadores sociais e cientistas sociais da USP ou por ela influenciados. A sociologia freiriana passou a ser uma meia sociologia permeada de uma construção literária afirmativa e uma imaginação sutil e bem dosada no processo de elaboração da obra.

De ciência mesmo, nada ou quase nada. A penumbra do esquecimento ou do semi-esquecimento cobriu o corpo morno e apagado de Casa-grande & senzala.

Enquanto isto a vida científica nos quadros das ciências humanas na USP, se movimentava numa substituição de poderes e de imposições teórico-ideológicas muito ativas. Isto do ponto de vista externo caracterizava-se por uma série de tendências dominantes que se sucedem em movimentos ondulatórios sucessivos à medida que as teorias culturais europeias vão se substituindo. No pós-guerra o movimento predominante foi o de Marx/Sartre. um movimento marxiano/existencialista, a onda preponderante durante algum tempo foi a de Levi Strauss (não sei se nesta ordem), depois tivemos a onda de Marcuse, veio depois a onda da Escola de Frankfurt (Adorno, Benjamin) e, finalmente, se não esqueci algumas, a onda de Gramsci — todas porém permeadas de um neopositivismo subjacente e um weberianismo disfarçado ou confesso. Quanto a Gramsci, o seu pensamento vai se esvaziando especialmente após a débâcle da União Soviética e do campo chamado socialista.

Agora e possivelmente por isto mesmo uma nova onda surge ganhando corpo hegemônico na USP: o estudo das mentalidades.

Baseada nos Analles da França essa nova tendência privilegia a ordem privada, o detalhe e o corriqueiro, especialmente na família, dando-lhe uma conotação de escala para o conhecimento da ordem pública e com esta continuidade fragmentada por exclusão da ordem pública, ou seja a sociedade civil do processo de dinâmica social temos a configuração de uma ordem pública subordinada ao detalhe da ordem privada.

No caso da obra de Gilberto Freyre Casa-grande & senzala o público se limita ao privado: a família patriarcal. Com isto, as contradições emergentes fora da Casa-grande & senzala pouco afetam a ordem da família patriarcal, pois a ordenação do grupo familiar nada tinha a ver com a sociedade maior. Os valores e as normas eram estabelecidas pelo senhor de engenho.

A volta de Casa-grande & senzala: final feliz?

É nesta conjuntura de crise mundial do pensamento social — cujo acontecimento emblemático foi a queda do muro de Berlim — que surge a necessidade de um encontro das teorias até então academicamente válidas com as posturas neoliberais dominantes. Com a vitória rápida e aparentemente inamovível do capitalismo tecnocrático internacional, a USP e outras universidades especialmente do chamado Terceiro Mundo tentam encontrar um pensamento hegemônico capaz de lhe dar o ethos teórico dominante de acordo com os novos valores e conceitos emergentes. O neoliberalismo quer a redução das funções do Estado e as instituições públicas como os sindicatos que passam a ser vistos como simples órgãos de negociação, caso a caso, como se solucionassem questões de família. Os partidos políticos passam a ter funções técnicas e não mais ideológicas. Os problemas passam a ser resolvidos pelas associações de bairros, de famílias, grupos de saúde, segurança, lazer sem que o poder público necessite intervir. Fragmenta-se o máximo possível o papel do poder público e insinua-se a formação de pequenos grupos solidários, para fazer a coleta de lixo, suprir a falta de água, etc nos quais as relações primárias, coloquiais de quase compadrio vão assumindo o papel do Estado.

Esta nova realidade obriga os cientistas sociais acadêmicos a uma revisão nas suas posições teóricas. As contradições culturais e sociais que antes preocupavam esses cientistas teriam sido resolvidas pelo atual modelo hegemônico no mundo capitalista. A tranquilidade remete-os, agora, para a análise dos problemas insignificantes, ou parciais, especialmente no seio da família, dos pequenos significados desses atos além das suas fronteiras reais, da fala, do olhar, da comida, da correspondência, do modo de andar e de vestir, finalmente dos pequenos universos. A ordem privada passa a reger universalmente a ordem pública; essa ordem é excluída e substituída pelo fantasma do mercado que regula e tudo ordena. Com isto, volta-se a rever os elementos teóricos a partir do micro, da família, dos pequenos grupos transformando-se o micro em macro, transfigurando o real valor desses grupos e projetando-os como, se não os únicos, mas os mais significativos no processo de dinâmica social.

É nesta conjuntura de perplexidade teórica que se reinicia a valorização das teorias do passado, ou, senão do passado, pelo menos não hegemônicas que a obra de Gilberto Freyre Casa-grande & senzala começa a ser revista, através da perspectiva de uma solução teórica para essa reformulação dos significados sociais dos fatos. A solução do impasse ou dilema foi prontamente resolvido: o pensamento de Gilberto Freyre vinha a calhar, valorizando o detalhe, a forma imprecisa, a ambiguidade na caracterização dos ambientes e nas análises dos mesmos. Por outro lado, havia necessidade de se dar a essa capitulação teórico-ideológica um requinte mais cosmopolita como o momento requeria, para não parecer nacionalismo. Novos leques teóricos com trânsito internacional deveriam ser analisados e pesados como elemento eleito para dar à crise teórico-ideológica uma aparência científica.

Casa-grande & senzala surge assim - além dos seus inegáveis acertos intuitivos — como aquele livro que supriria a intelectualidade acadêmica para prosseguir no seu itinerário na microinterpretação da sociedade brasileira. A posição do historiador Carlos Guilherme Mota é paulatinamente revista e os meios acadêmicos passam a revalorizar Casa-grande & senzala como obra genial.

Esta nova onda foi transformada em um projeto para ser executado por historiadores da USP com o título geral de “História da Vida Privada no Brasil” que, segundo o jornalista Fernando de Barros e Silva depois de citar Frei Vicente do Salvador afirma que

“o trecho, que resume as dificuldades de se entender o que acontece com um conceito oriundo da Europa burguesa quando atravessa o Atlântico, consta como epígrafe da introdução do primeiro volume da 'História da Vida Privada no Brasil’, assinada pelo coordenador do projeto o historiador Fernando Novais, professor aposentado do departamento de história da USP, amigo pessoal do Presidente Fernando Henrique Cardoso há 40 anos”.

Com todas as referências positivas de Fernando Novais, inclusive com obras relevantes para o entendimento do Brasil, é apresentada a última qualidade como a mais insinuante pelo jornalista: um áulico da corte.

É nesta atmosfera de perplexidade na área do saber universitário, especialmente do chamado Terceiro Mundo que se procura impor uma teoria capaz de substituir o marxismo o qual, para eles, estava soterrado nos escombros do Muro de Berlim. E foram buscar os métodos da chamada Nova História a qual substituíra com modificação os Annales de Marc Bloc e Bludel. Ela se apresentava como a teoria anódina. neutra, que negava as leis objetivas do desenvolvimento social. Na fase atual da Nova Escola, sob influência de Le Goff, Le Roy e outros a seleção de objetivos e a imposição de métodos absolutizou o cotidiano, a vida privada, estabelecendo uma fratura entre o privado e o público, como se os dois aspectos não constituíssem uma unidade dialética, não se entendendo um sem se compreender o outro. Escreve neste sentido Raul Carrion sobre o assunto:

“Em situação da classe trabalhadora na Inglaterra — editada em 1845 — Engels não só analisa o desenvolvimento do capitalismo e as consequências da industrialização, como faz um estudo detalhado e contextualizado sobre a vida e a luta cotidiana dos operários ingleses. (...) Sem dúvida, o estudo do cotidiano pode prestar importantes serviços ao historiador. Mas, para isso, é necessário o emprego de uma teoria que parta da compreensão de que a vida cotidiana está condicionada pela formação social em que se dá e pela estrutura e pela dominação de classes existentes (...) Que perceba que em uma formação social coexistem várias cotidianidades, conforme as classes e os grupos sociais ou étnicos presentes”.(9)

Nesta reavaliação pela USP da obra de Gilberto Freyre cabe analisar com destaque pela importância de quem expõe o pensamento - ProP. Laura de Melo e Souza - quando diz:

“Quando fui aluna do Fernando (Novais) lia-se Gilberto Freyre em seminários. Mas havia brigas, alguns eram contra. A minha geração é muitíssimo influenciada por Freyre. Mas houve um momento em que as posições políticas dele comprometeram a avaliação da sua obra. Os estudantes mais engajados politicamente o consideravam um reacionário abjeto. Era difícil vê-lo como um gênio, coisa que ele é”.(10)

Fernando Novais vai nesta direção e afirma que

“O escravismo lá (nos Estados Unidos), portanto, é fator de desagregação enquanto aqui é de união. Aliás, isto aqui só virou um país por causa da escravidão. É claro que lá há um choque da parte escravista com a não escravista, enquanto aqui o único choque que poderia haver era dos escravos contra os não-escravos. Aí sim, o país afundava. Para que não houvesse um choque vertical desses, a própria camada dominante toma a iniciativa de suprimir a escravidão. Não há problema nenhum. O ponto de partida é este”.

Com este esquema interpretativo da escravidão e da abolição, o professor Fernando Novais conclui, respondendo a questão inicial do entrevistador:

“Agora, o que isto tem a ver com a empregada doméstica? Tem tudo a ver. Nos Estados Unidos há uma espécie de exorcismo da escravidão, eles destroem a escravidão fisicamente. Destroem os Estados que querem se separar, arrasam com a economia desses Estados. O que eles queriam fazer? Mandar os negros de volta para África. É uma maneira de exorcizar a escravidão. Só não mandaram porque os negros se recusaram a ir”.

"Aqui no Brasil, como o país não poderia fazer uma guerra consigo mesmo, houve um processo de assimilação, de introjeção. Está aí a herança colonial na instituição das empregadas domésticas. São essas questões que estabelecem as relações entre os movimentos de estruturas e as formas de sensibilidade, a mentalidade, as práticas sociais”.(11)

Estas afirmações não fazem justiça ao professor Fernando Novais, autor de obras significativas para o conhecimento da história social do Brasil. Mas, a obra de Freyre foi desenterrada para servir de pensamento germinal de uma postura nova, capaz de se adequar à nova ordem mundial, do neoimperialismo tecnocrático no qual a luta de classes não têm mais sentido e com isto os novos teóricos devem enquadrar a dinâmica social nos quadros da ordem privada, da família, dos pequenos grupos, mas nunca procurar fazer uma análise da totalidade, de como a dinâmica social se processa através de contradições, quais são elas e o comportamento da sociedade brasileira nesta conjuntura. No caso particular do Brasil o fato foi facilitado por quase trinta anos de ditadura militar cujos efeitos ideológicos no seio do mundo uspiano ainda não foi exaustivamente analisado.(12)

Em última análise e concluindo este artigo sobre a obra de Gilberto Freyre, especialmente Casa-grande & senzala, a sua ressurreição surge no momento da contrarrevolução ideológica, quando o marxismo foi considerado morto e enterrado e há a necessidade de substituí-lo por outra teoria mais “atual". De um modo geral, a evolução das ideologias universitárias seguem o mesmo ritmo das ondulações políticas que afetam o Brasil. Do oportunismo mais visível às posições de sacrifício são fronteiras que os profissionais das universidades nas áreas de ciências humanas têm de enfrentar. É neste particular que a obra de Gilberto Freyre entra como uma cunha providencial para transformar o oportunismo em redescoberta de um gênio.

O estudo da família, da ordem privada, das mentalidades deverá ter longa vida nas universidades brasileiras. O neoliberalismo precisa dos seus porta-vozes na área das universidades. Mas não venham querer nos convencer que esses projetos polpudamente financiados podem substituir o marxismo na interpretação da totalidade e da dinâmica da sociedade brasileira.


Notas de rodapé:

(1) Esta procura simbólica do tipo brasileiro produziu vasta literatura na época. Ainda no ciclo do modernismo temos Prado. Paulo: Retrato do Brasil, - ensaio sobre a tristeza brasileira, D.bP & C. São Paulo, 2a ed. 1928 - Pereira, Batista: O Brasil e a Raça. São Paulo, s/e, 1928 - Brown, Isaac: O Normotipo Brasileiro, Ed. Guanabara. R. Janeiro. 1934 - Diniz. Almáchio: História Racial do Brasil. Ed. Cultura Moderna, São Paulo, 1934 - Vianna, Oliveira, Evolução do Povo Brasileiro, Ed. José Olimpio, Rio de Janeiro, 1956 (4a edição, o texto é de 1922) - Roquette Pinto. E.: Ensaios de Antropologia Brasiliana. Ed. Cia Editora nacional. São Paulo. 1933 - Mello Franco A. Conceito de Civilização Brasileira. Cia Editora Nacional, São Paulo. 1936 e Bonfim, M.: O Brasil Nação - Realidade da Soberania Nacional. Ed. Livraria Francisco Alves, Rio de Janeiro. 1931 (2 vols). São alguns títulos que demonstram como o problema racial e a miscigenação por extensão preocupavam o pensamento brasileiro. Gilberto Freyre não esconde o fato e confessa a sua preocupação com o problema. (retornar ao texto)

(2) Freyre. Gilberto: Casa-grande & senzala, 4ª edição definitiva, Ed. Liv. José Olimpio Editora. Rio de Janeiro. 1943, 2 vols. 1º págs. 17/18. (retornar ao texto)

(3) Torres, Alberto: O Problema Nacional Brasileiro, Cia Editora Nacional. São Paulo, 1938, pág. 130. (retornar ao texto)

(4) Lowie. Robert H.: Historia de la etnologia, ed. Fondo de Cultura Econômica. México, 1946, págs. 159/191. Há todo um capítulo analisando a influencia de Boas no desenvolvimento da antropologia cultural e na formação de especialistas. O nome de Gilberto Freyre não é mencionado uma vez sequer. (retornar ao texto)

(5) Boas, F.: The mind of primitive man. Tiramos a citação da tradução Argentina págs. 186-187. O tradutor da obra, Susana W. de Ferdkin deu-lhe o titulo não muito fiel ao original de "Questiones fundamentales de Antropologia Cultural". Ed. Lautaro, 1947. (retornar ao texto)

(6) Freyre, Gilberto, Op. 07., 2o vol. Pág. 501. (retornar ao texto)

(7) Mota, Carlos Guilherme: Ideologia da cultura brasileira. 1933-1974 - Editora Ática. São Paulo. 1977, pág. 67. (retornar ao texto)

(8) Moreira Leite, Dante: O Caráter Nacional Brasileiro. 2ª edição, São Paulo. Ed. Pioneira 1969, pág. 271. (retornar ao texto)

(9) Carrion. Raul: .A Escola dos Annales e a Nova Historia - in Princípios, São Paulo. n° 42. págs. 68. (retornar ao texto)

(10) Mello e Souza. Latira: in A Historia de Uma Miragem, entrevista concedida ao jornal a Folha de São Paulo, 25 de maio de 1997. (retornar ao texto)

(11) Novais, Fernando: Declarações na Mesma Entrevista de 25 de Maio de 1997. (retornar ao texto)

(12) Ver neste sentido ADUSP "O Livro Negro da USP", passim. Nesta publicação são registradas as formas de delação e de oportunismos durante a ditadura militar, momento em que o sistema acadêmico que se dizia cientifico apresentou-se como o ator de uma comédia de interesses, na qual aquele que sabia desempenhar melhor o seu papel de acordo com as ordens de plantão conseguia o primeiro lugar. (retornar ao texto)

Inclusão 24/09/2016