A análise concreta da situação internacional no histórico XVII Congresso do Partido Comunista da URSS foi cuidadosamente feita a demonstrar que não é só suficiente construir a sociedade socialista, senão que é indispensável defendê-la contra todos os inimigos.
Nesse sentido, tanto o discurso de Stalin, como o de Vorochilov e de Blyukher deram resposta bastante clara sobre a defesa do socialismo contra qualquer agressão imperialista, e o desfile do Exército Vermelho, ante os delegados ao XVII Congresso, em 9 de fevereiro, serviu para confirmar esta impressão de confiança nas forças do proletariado.
Que é o Exército Vermelho? Onde reside a sua força? Vejamos como passaram de grupos de guerrilheiros, que lutavam contra a intervenção armada nos primeiros anos da revolução, para esta força formidável, que permitiu a Stalin dizer: “A União Soviética não pensa em ameaçar nem em atacar ninguém. Batemo-nos pela paz e desenvolvimento dos nossos esforços pela causa da paz. Mas, não tememos nenhuma ameaça e estamos dispostos a devolver golpe por golpe. Quem quer que deseje a paz e as relações comerciais conosco, encontrará sempre o nosso apoio. Mas os que procurarem atacar o nosso país, receberão uma resposta tão destrutiva, que outra vez não ousarão meter o nariz em nosso jardim soviético”.
O Exército Vermelho é o exército do proletariado mundial, a arma potente com que conta o proletariado de todo o mundo na luta de morte que sustém pelo socialismo, contra o capitalismo em decomposição.
O Exército Vermelho, como arma do proletariado no poder, como força consciente e potente do primeiro Estado proletário, é uma garantia da política de paz da URSS, e um dos fatores que vêm auxiliando o proletariado de todo o mundo na luta que mantém contra a guerra imperialista e contra os ataques à pátria do proletariado.
Unidade revolucionária
A principal força do Exército Vermelho reside na sua unidade revolucionária – Exército dos trabalhadores e camponeses. Durante a guerra civil, Lenin dizia: “Pela primeira vez na História, foi fundado um exército que está estreitamente ligado com os trabalhadores: pode-se mesmo dizer que os Sovietes constituem um corpo único com o exército”. Esta é incontestavelmente a base sólida donde nasceu e cresceu o Exército Vermelho, que está inseparavelmente ligado às massas trabalhadoras e ao Partido Bolchevique. Em primeiro de janeiro de 1934, os efetivos do Exército Vermelho eram 45,5% de trabalhadores, 42,5% de camponeses e 11,7% de empregados. Quase 50% de todo o Exército Vermelho comandantes e soldados – são hoje membros do Partido Comunista e da Juventude Comunista.
Cada soldado vermelho é, deste modo, um filho querido do povo que liquidou o jugo dos capitalistas e dos grandes latifundiários, é parte integrante dos milhões de obreiros kolkhosistas, camponeses e trabalhadores individuais de todas as nacionalidades que vivem no imenso território dos Sovietes.
Esta unidade revolucionária de interesses do Exército Vermelho, é incontestavelmente sua força essencial, sua grande superioridade sobre os exércitos dos imperialistas. Nos quais a massa trabalhadora é alistada à força ou por engano de uma demagogia chauvinista, para que defendam os interesses dos seus terríveis verdugos. Dentro do Exército Vermelho predomina a mais férrea disciplina revolucionária, consciente, resultante da autoridade incontestada dos comandantes, obreiros, camponeses e comissários políticos. No Exército Vermelho não existe a diferença de casta, como nos exércitos dos países capitalistas, como nos exércitos dos países da América do Sul e do Norte, entre oficiais e soldados. Comandantes e soldados são no Exército Vermelho companheiros que trabalham e lutam cada um em seu posto, lado a lado em defesa das conquistas da Revolução. Nos exércitos capitalistas os soldados são tratados como animais pela casta privilegiada dos oficiais; para estes todas as vantagens, para aqueles todas as misérias. Eu me recordo do tratamento boliviano, os oficiais contra os índios que eram obrigados à força das patadas, com que vi no exército fazer o serviço militar; e, com diferença de detalhes, o mesmo se passa em outros países da América do Sul, como o Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, etc.
Onde está a força
Mas reside, exclusivamente nisto, a força do Exército Vermelho? Engels já dizia que nada é mais dependente das condições econômicas que um exército: “armamento, composição, organização, tática e estratégia dependem antes de tudo do estado de produção e do estado de comunicação a um certo momento”. O que produz em matéria de efeitos revolucionários não são as “livres criações do espírito de capitães generais”, senão a invenção de armas melhores. Quanto ao material soldado, como já temos dito, é indiscutível a superioridade do homem soviético que luta conscientemente pela defesa de suas conquistas sobre os soldados dos exércitos imperialistas obrigados a lutar por defesa de uma “pátria”, que nada lhes deu e nem dará. Já não falando dos exércitos dos países coloniais e semi-coloniais onde as grandes massas, que vivem debaixo de um jugo da mais terrível opressão, são arrebatadas, como animais, verdadeiras carnes de canhão, para as aventuras imperialistas das guerras internacionais e dos golpes de Estado imperialistas.
Debaixo do ponto de vista do armamento, cuja importância é tão grande como a do material soldado, como disse Engels, em que condições se encontra o Exército Vermelho?
O Exército Vermelho se desenvolve e cresce ao mesmo tempo que o Estado do proletariado. A URSS de hoje é um país industrial-agrário, país de grande indústria metalúrgica, de fabricação das mais complicadas máquinas, país donde nasceu com o primeiro plano quinquenal uma nova indústria química, onde se fabricam em série, automóveis, tratores e aviões inexistentes em outros países, como a indústria da goma sintética, por exemplo. Nestas condições, o Exército Vermelho de 1934 é diferente do de 1928 (antes do primeiro plano quinquenal). Naquela época do forte espírito político e moral e da alta consciência revolucionária do Exército Vermelho existia uma matéria sumamente débil, como disse Vorochilov. Sistema agrário-industrial atrasado, que mal mantinha a velha indústria que lhe legara o czarismo.
Vejamos rapidamente o material de que dispõe atualmente o Exército Vermelho. A arma automática, a metralhadora e o fuzil-metralhador nos dias de hoje são elementos fundamentais para qualquer exército moderno. As menores unidades militares são armadas com metralhadoras e para a defesa de um Estado não é bastante possuí-las em quantidade suficiente no começo das hostilidades, é indispensável fabricá-las em quantidade durante a guerra.
Antes do primeiro plano quinquenal, o Exército Vermelho possuía metralhadoras, é verdade, porém, em quantidade insuficiente, de tipos e modelos já envelhecidos e de fabricação estrangeira. Hoje, dispõe de seu próprio modelo, tanto de fuzil metralhador, como de metralhadoras, fabricadas em série, nas próprias fábricas soviéticas e por técnicos que também surgiram com o primeiro plano quinquenal.
E quanto à artilharia, a transformação por que passou o armamento do Exército Vermelho, foi ainda maior.
A experiência da guerra imperialista de 1914-1918 mostrou o grande papel da artilharia na guerra moderna, e a potência de fogo nas unidades militares passou a ser um fator decisivo para a vitória.
O esforço vermelho
A luta pelo aumento de alcance, assim como pela precisão do tiro, tornou-se intensa e foi simultaneamente, onde surgem novas indústrias, acompanhada pelo aumento das bocas de fogo de grande calibre das Divisões e Corpos do Exército e pela criação de novos tipos de canhões, de projéteis, para que sejam utilizados contra objetivos especiais. Só o esforço bolchevique dos dirigentes do Exército Vermelho tornou possível fazer com que a inexistente indústria ultra especializada e altamente qualificada desse ramo da metalurgia fosse criada em quatro anos na URSS, que, aproveitando os velhos quadros de simples operários de arsenais, intimamente ligados com os engenheiros do primeiro plano quinquenal, passasse à fabricação da artilharia de todos os calibres. O que os olhos dos delegados do XVII Congresso contemplaram no desfile de 9 de fevereiro, ao passar a artilharia, foi realmente admirável e talvez possa ser comparada somente ao que o Exército Vermelho conseguiu obter no sentido de sua motorização e evolução em tanques e aviões.
Em 1919, os poucos tanques velhos tomados durante a guerra civil a Wrangel e Denikin eram causa de sorrisos amarelos para os representantes que assistiam ao desfile do Exército Vermelho. Eram, então, os únicos existentes na URSS.
Mas o papel dos tanques na guerra moderna é sumamente importante. Como romper as linhas adversárias, fortemente defendidas por milhares de metralhadoras e artilharia? A luta pelo tanque, por sua fabricação, era, pois, indispensável no sentido de uma maior segurança e possibilidade de defesa da construção do socialismo. Neste setor, a vitória foi tão grande como nos outros. Milhares de tanques, desde os pequenos carros de assalto, armados de metralhadoras que desfilaram a grande velocidade pela Praça Vermelha, até os pesadíssimos tanques armados de metralhadoras e artilharia de grosso calibre faziam trepidar as seculares muralhas do Kremlin, deram aos delegados do XVII Congresso a mais viva impressão do que realmente representa, no dia de hoje, a força do proletariado no poder.
A propósito, mais algumas palavras, agora sobre a motorização do Exército Vermelho. A surpresa é, incontestavelmente, um dos elementos essenciais da estratégia.
E a surpresa é, atualmente, obtida pelo emprego de novos meios de combate e pela utilização da velocidade. O primeiro método está relacionado com o progresso científico de cada país e dele trataremos ainda aqui.
No que se refere à velocidade, é esta obtida pela motorização de forças militares que se aplicam atualmente fora da aviação, pela mecanização, que é a motorização integral dos exércitos. Graças ao motor, se tornam possíveis as manobras envolventes sobre a retaguarda do adversário. A surpresa estratégica pode ser, então, por meio do automóvel ou por via aérea. Na guerra do futuro, pelo menos na Europa, o comandante de um exército não poderá dispensar, para a obtenção da vitória, grandes reservas estratégicas, que possam ser transportadas em qualquer eventualidade, rapidamente, por agrupamentos de automóveis.
A execução do Primeiro Plano Quinquenal permitiu ao Exército Vermelho colocar-se, neste ponto, por cima de qualquer outro exército europeu.
Além dos tanques, o Exército Vermelho dispõe de uma artilharia motorizada com grande quantidade de peças, canhões transportáveis em caminhões, canhões com tração automóvel, canhões de grosso calibre, para serem arrastados por tratores possantes, etc., grande número de regimentos de infantaria dispondo de integral transporte em autocaminhões apropriados. Possui ainda o serviço automobilístico de transporte de todos os trabalhos bélicos auxiliares, como refletores, T.S.M., etc. Em tais condições, em 1933, segundo Vorochilov, corresponde a cada combatente do Exército Vermelho mais de 75 cavalos-vapor, isto é, muito mais que os exércitos francês e americano, e mais ainda que o exército inglês, sendo que é o mais mecanizado de todos os exércitos dos países imperialistas.
Avião
Na aviação, igualmente, os êxitos são de grande alcance para o Exército Vermelho. A primitiva indústria de aviões (antes do Primeiro Plano Quinquenal) provia os aviões que podia fabricar e não os tipos de que realmente necessitava o Exército, sendo de se notar que só se podiam construir, então, aviões de reconhecimento e não os de bombardeio e de caça.
Tratou-se, pois, de conseguir com que a indústria passasse a abastecer ao Exército não de acordo com as suas curtas posses, mas com o que ele necessitava – em primeiro lugar, os aviões de caça e os de assalto. Esta tarefa foi vitoriosamente cumprida pelo Primeiro Plano Quinquenal.
Tal é, em resumo, a técnica moderna de que dispõe o Exército Vermelho em 1934, exigindo de seus quadros uma preparação superior, a fim de utilizá-la eficientemente.
Também neste setor, foram alcançados brilhantes triunfos esses últimos anos. Mais de 50% de todo o Exército Vermelho – comandantes e soldados – são técnicos especializados e, se incluirmos os grandes especialistas no manejo completo das metralhadoras, a percentagem chega a ser de quase 70%.
O Exército Vermelho é, assim, um exército mecanizado, servindo simultaneamente de escola não só quanto à preparação de quadros para a indústria soviética, como também, e especialmente, no que se refere à economia dos kolkhozes, onde os soldados vermelhos, de origem camponesa, são hoje os técnicos especializados no manejo de tratores e de grande número de máquinas agrícolas, são os instrumentos naturais das grandes massas de camponeses kolkhosistas.
Nível cultural
Mas é ainda sumariamente importante o que informou Vorochilov sobre o nível cultural do Exército Vermelho, tanto no que diz respeito à preparação científica de seus quadros, como no número de instituições culturais e educativas de que dispõe.
O enorme esforço cultural-científico dentro do Exército Vermelho é parte integrante do formidável progresso científico existente em todo o país, resultante, por sua vez, do auxílio ilimitado que o governo soviético oferece à investigação da ciência, pondo nas mãos de seus homens de gênio todos os recursos necessários às mais ousadas e caras pesquisas.
É isto, pois, o que representa o glorioso Exército Vermelho, um dos poderosos fatores, como disse Stalin, que serve para preservar o mundo da carnificina de uma nova Guerra mundial imperialista; mas precisamos não esquecer que, ao lado de outros fatores, tem uma importância toda especial e decisiva, na defesa da Pátria do proletariado, o apoio moral de milhões de trabalhadores dos países capitalistas e das massas oprimidas das colônias e semi-colônias, que lutam sob a direção do proletariado e da Internacional Comunista contra a guerra e em defesa da União Soviética.
O Exército Vermelho é a brigada de choque da revolução mundial e, com o apoio de todos os trabalhadores do mundo, está à altura das tarefas que, no futuro, lhe cabem.
“Terminando”, disse Vorochilov, “devo dizer que só se pode explicar como uma torpeza sem limites, uma ignorância profunda e uma predestinação à desaparição do capitalismo, – o sonho de nossos inimigos em querer a destruição do comunismo”. Só um espírito pequenino e a estupidez, que são, aparentemente, a consequência inevitável da previsão do esfacelamento do regime capitalista, podem sugerir tais ideias a nossos inimigos de classe”.