Ao Proletariado Russo[1]

Vladimir I. Lênin

03 de Fevereiro de 1904


Primeira Edição:fevereiro de 1904
Fonte: Textos escolhidos de Lênin, Progress Publishers, 1977, Moscou, Volume 41 , páginas 111.2-113.1; traduzido do russo para o inglês por Yuri Sdobnikov. Obtido em V. I. Lenin Internet Archive (www.marxists.org)
Tradução e Transcrição: Vinícius Valentin Raduan Miguel
HTML: Fernando A. S. Araújo, janeiro 2006.
Direitos de Reprodução: © Direitos de tradução em língua portuguesa reservados por Editorial «Avante!» - Editorial Progresso, Lisboa-Moscovo, 1984.


A guerra está em andamento. Os japoneses já infligiram uma série de derrotas às tropas russas e o governo czarista está contraindo cada nervo para vingar-se por estas derrotas. Os distritos militares estão sendo mobilizados, um após o outro, e dezenas de milhares de soldados estão sendo apressadamente enviados ao distante Leste; esforços desesperados estão sendo empregados para a obtenção de outro empréstimo no exterior e foram prometidos aos empreiteiros acréscimos de milhares de rublos [1*] por dia para que os trabalhos requisitados pelo Ministério da Guerra sejam acelerados. Cada fibra do povo é colocada na grande contração por causa de uma guerra iniciada por motivos insignificantes. É uma luta contra 50 milhões de um povo forte, fortemente armado e preparado para a guerra e está lutando por condições que acreditam ser urgentemente necessária para o livre desenvolvimento da nação. Esta vai ser uma guerra de governo déspota contra um povo que é politicamente livre e vem progredindo rapidamente em sua cultura. A guerra contra a débil Turquia em 1877 e 1878, que custou um preço elevado para o povo da Rússia, é pequena e medíocre se comparado com esta guerra que já começou.

O que está em debate agora é qual o objetivo desta luta de vida ou morte, sendo paga pelos trabalhadores russos e camponeses contra os japoneses. O tema é a "Rússia Amarela", o objetivo é a Manchúria e a Coréia, um novo território desejado pelo Governo Russo. Ele havia prometido empregar todos os poderes para preservar a inviolabilidade da China e prometido devolver a Manchúria á China não mais que no 8 de outubro de 1903 e falhou em honrar suas promessas. O governo czarista tem dado seguimento sozinho em sua política de aventuras militares e o saque de seus vizinhos e agora não encontra forças para retornar. Na "Rússia Amarela", construiu fortificações e portos e levantou uma ferrovia e concentrou dezenas de milhares de soldados.

Mas com o que o povo russo se beneficia com essas novas terras cuja aquisição teve o custo de tanto sangue e sacrifício e estão destinadas a custar ainda mais? Para os trabalhadores russos e camponeses a guerra mantém uma perspectiva de recentes calamidades, a perda de vidas humanas, a ruína de uma multidão de famílias, e mais encargos e impostos. O comando do exército russo e o governo czarista acreditam que as batalhas guardam uma promessa de glória militar. Os mercadores russos e os milionários industrialistas pensam ser a guerra necessária para assegurar novos mercados consumidores para seus produtos e novos portos em um irrestrito mar para o desenvolvimento do comércio da Rússia. Você não pode vender muito em casa para os muzhik famintos e os trabalhadores desempregados, você deve olhar para os mercados em terras estrangeiras! Os ricos da burguesia russa foram criados pelo empobrecimento e ruína dos trabalhadores russos - e agora, no intento de multiplicar estes ricos, os trabalhadores devem verter seu sangue para dar à burguesia russa uma mão livre na conquista e escravização dos homens trabalhadores, chineses e coreanos.

Esta guerra criminosa, que vem sendo um imenso flagelo para o povo trabalhador, foi engendrada pelos interesses da gananciosa burguesia, os interesses do capital, que é preparado para vender e arruinar o próprio país em sua marcha pelo lucro. Esta perigosa aposta envolvendo o sangue e a propriedade de cidadãos russos é um resultado da política de um governo déspota que pisoteia todos os direitos humanos e mantém sua população na servidão. Em resposta aos selvagens gritos de guerra, em resposta ao "patriótico" tremular da bandeira agitada por capachos dos sacos de dinheiro e lacaios do açoite policial, a consciência da classe do proletariado Social-Democrata deveria ir adiante e demandar com uma força multiplicada por dez: "Abaixo a autocracia!", "Deixe a assembléia popular constituinte ser convocada!"

O governo czarista foi levado à bancarrota tão profundamente por sua aposta militar temerária e inconseqüente que o prêmio é um grande plano de administração econômica. Ainda no sucesso do evento, a guerra contra o Japão ameaça à total exaustão as forças populares - com os resultados da vitória sendo absolutamente insignificantes, pois outros poderes irão impedir a Rússia de degustar os frutos da glória assim como frustraram o Japão de fazê-lo em 1895. No incidente da derrota, a guerra irá conduzir ao total colapso do todo do sistema governamental baseado na ignorância popular e na privação, da opressão e da violência.

Aqueles que semeiam vento colherão um furacão.

Vida longa à fraternal união do proletariado de todos os países lutando pela libertação completa do jugo do capital internacional! Vida longa à social-democracia japonesa protestando contra a guerra! Abaixo a humilhante e predatória autocracia czarista!

Comitê Central do Partido Trabalhista Social-Democrata Russo

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Notas:

[1] Publicado em fevereiro de 1904 em um panfleto direcionado aos comitês do partido (com instruções para que fosse reimpresso e distribuído), durante a guerra entre o Japão e a Rússia.

[1*] Rublos: moeda russa.

Inclusão 21/01/2006