Relatório Sobre a Revolução de 1905

V. I. Lenine

22 de Janeiro de 1917


Escrito: Relatório lido por Lenine em 22 de Janeiro de 1917, na Casa do Povo de Zurique, perante uma reunião de jovens operários suíços.
Primeira Edição: Pravda, 22 de Janeiro de 1925.
Fonte da Presente Tradução: Lenine, Oeuvres, tomo 23, pp. 259-277. Éditions du Progrès, Moscovo, 1974.
Tradução para o português: José André Lôpez Gonçâlez.
HTML: Fernando A. S. Araújo, maio de 2007 .
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Jovens amigos e camaradas,

Comemoramos hoje o décimo segundo aniversário do “Domingo sangrento”, considerado com toda a justeza como o início da revolução russa.

Milhares de operários, não social-democratas, mas crentes, súbditos fiéis do czar, conduzidos pelo padre Gapone, encaminharam-se de todos os pontos da cidade para o centro da capital, em direcção à praça do Palácio de Inverno, para entregar uma petição ao czar. Os operários caminham com ícones, e Gapone, o seu chefe na ocasião, tinha escrito ao czar dando-se como garante da sua segurança pessoal e pedindo-lhe que se apresentasse perante o povo.

A tropa foi alertada. Ulanos e cossacos carregam sobre a multidão com armas brancas; disparam contra os operários desarmados que ajoelhados suplicam aos cossacos que lhes permitam aproximar-se do czar. Segundo os relatórios da polícia, houve nesse dia mais de um milhar de mortos e mais de dois mil feridos. A indignação dos operários foi indescritível.

É este, em grandes linhas, o quadro do dia 22 de Janeiro de 1905, o “Domingo sangrento”.

A fim de melhor realçar o alcance histórico deste acontecimento, citarei algumas passagens da petição dos operários. Começa com estas palavras:

“Nós, operários, habitantes de Petersburgo, dirigimo-nos a Ti. Somos escravos miseráveis, humilhados; somos subjugados pelo despotismo e o arbítrio. Com a paciência esgotada, cessámos o trabalho e pedimos aos nossos patrões que nos dessem pelo menos aquilo sem o qual a vida não passa de uma tortura. Mas isso foi-nos recusado; dizem os industriais que não está conforme com a lei. Somos milhares e, tal como todo o povo russo, estamos privados de todos os direitos humanos. Os Teus funcionários reduziram-nos à escravatura.”

A petição enumera as seguintes reivindicações: amnistia, liberdades cívicas, salário normal, entrega progressiva da terra ao povo, convocação de uma Assembleia Constituinte eleita por sufrágio universal e igual. Termina com estas palavras:

“Senhor! Não recuses ajudar o Teu povo! Derruba a muralha que Te separa do Teu povo! Ordena que seja dada satisfação aos nossos pedidos, ordena-o publicamente e tornarás a Rússia feliz; se não, estamos prontos a morrer aqui mesmo. Só temos dois caminhos: a liberdade e a felicidade ou o túmulo.”

Causa uma impressão estranha ler hoje esta petição de operários incultos e iletrados, conduzidos por um padre patriarcal. Não podemos deixar de traçar um paralelo entre esta petição ingénua e as actuais resoluções de paz dos social-pacifistas; isto é, de pessoas que querem ser socialistas, mas que não passam de tagarelas burgueses. Os operários pouco conscientes da Rússia de antes da revolução não sabiam que o czar era o chefe da classe dominante, mais precisamente a dos grandes proprietários fundiários, já associados à grande burguesia por milhares de laços e prontos a defenderem pela violência, por todos os meios, o seu monopólio, os seus privilégios e os seus lucros. Nos nossos dias, os social-pacifistas que pretendem passar por gente “altamente cultivada” – sem ironia! – ignoram que é tão tonto esperar uma paz “democrática” dos governos burgueses que levam a cabo uma guerra imperialista de rapina, como o seria acreditar que petições pacíficas pudessem incitar o czar sangrento a conceder reformas democráticas.

No entanto, existe entre eles uma grande diferença: é que os social-pacifistas de hoje são em larga medida hipócritas que procuram, por via de sugestões discretas, desviar o povo da luta revolucionária; enquanto os operários incultos da Rússia de antes da revolução provaram pelos seus actos a rectidão de gente despertada pela primeira vez para a consciência política.

E é precisamente neste despertar de imensas massas populares para a consciência política e para a luta revolucionária que reside o alcance histórico do 22 de Janeiro de 1905.

“Na Rússia ainda não existe povo revolucionário”, escrevia, dois dias antes do “Domingo sangrento”, Piotr Struvé que era então o líder dos liberais russos e que publicava um órgão ilegal, livre, editado no estrangeiro. Tão absurda parecia a este chefe dos reformistas burgueses “altamente cultivado”, presunçoso e arqui-estúpido, a ideia de um país de camponeses iletrados poder gerar um povo revolucionário! Tão profundamente convictos estavam os reformistas de então – tal como os dos nossos dias – da impossibilidade de uma verdadeira revolução!

Antes do 22 de Janeiro (9 de Janeiro do antigo calendário) de 1905, o partido revolucionário da Rússia agrupava um punhado de gente; os reformistas de então (tal como os dos nossos dias) apelidavam-nos por desdém uma “seita”. Algumas centenas de organizadores revolucionários, alguns milhares de membros de organizações locais, uma meia dúzia de folhas revolucionárias distribuídas no máximo uma vez por mês, publicadas as mais das vezes no estrangeiros e introduzidas clandestinamente na Rússia ao preço de dificuldades incríveis e de grandes sacrifícios – eis o que eram, na véspera do 22 de Janeiro de 1905, os partidos revolucionários da Rússia, e acima de tudo a social-democracia revolucionária,. Aparentemente, isto dava aos reformistas tacanhos e pretensiosos o direito de afirmar que não existia ainda povo revolucionário na Rússia.

Mas, em poucos meses, as coisas mudaram completamente. As centenas de social-democratas revolucionários passaram “subitamente” a milhares, e estes milhares tornaram-se chefes de dois a três milhões de proletários. A luta proletária suscitou uma grande efervescência, até mesmo em parte um movimento revolucionário, no fundo da massa de cinquenta a cem milhões de camponeses; o movimento camponês teve repercussão no exército e deu origem a revoltas militares, a choques armados entre as tropas. Assim um imenso país com 130 milhões de habitantes entrou na revolução; assim a Rússia adormecida se tornou a Rússia do proletariado revolucionário e do povo revolucionário.

É necessário estudar esta transformação, compreender o que a tornou possível, analisar, digamos, as suas modalidades e as suas vias.

A greve de massa foi o seu agente mais poderoso. A originalidade da revolução russa está em que foi democrático-burguesa pelo seu conteúdo social, mas proletária pelos seus meios de luta. Foi uma revolução democrática burguesa porque o fim a que aspirava no imediato e que podia alcançar no imediato, pelas suas próprias forças, era a república democrática, a jornada de oito horas, a confiscação das imensas propriedades fundiárias da alta nobreza, tudo medidas realizadas quase inteiramente pela revolução burguesa em França em 1792 e 1793.

Mas a revolução russa foi em simultâneo uma revolução proletária, não só porque o proletariado era então a força dirigente, a vanguarda do movimento, mas também porque o instrumento de luta específico do proletariado, a greve, constituiu a alavanca principal para pôr em movimento as massas e o facto mais característico da vaga crescente dos acontecimentos decisivos.

Na história mundial, a revolução russa é a primeira – mas decerto não a última – grande revolução onde a greve política de massas desempenhou um papel extremamente importante. Podemos mesmo afirmar que as peripécias de revolução russa e a sucessão das suas formas políticas só se compreendem se se estudar a sua base, segundo a estatística das greves.

Conheço bem a que ponto a aridez das estatísticas se presta pouco a uma conferência, a que ponto pode desencorajar os assistentes. Mas não posso deixar de citar alguns números redondos, que vos permitam uma apreciação sobre a verdadeira base objectiva de todo o movimento. O número médio anual de grevistas na Rússia, durante os dez anos que precederam a revolução, foi de 43 000. Houve portanto no total 430 000 grevistas durante os dez anos que antecederam a revolução. Em Janeiro de 1905, primeiro mês da revolução, contaram-se 440 000 grevistas. Ou seja, em apenas um mês, mais do que durante os dez anos anteriores!

Nenhum país capitalista do mundo, mesmo entre os mais avançados, como a Inglaterra, os Estados Unidos da América ou a Alemanha, conheceu um movimento grevista tão amplo como o da Rússia em 1905. O número total de grevistas foi de 2 800 000, ou seja, o dobro do número total dos operários industriais! Isto não prova evidentemente que, nas cidades da Rússia, os operários industriais fossem mais cultos, mais fortes ou mais aptos para a luta que os seus irmãos da Europa Ocidental. O contrário é que é verdadeiro.

Mas isto mostra a grandeza que pode ter a energia adormecida no seio do proletariado. Indica que numa época revolucionária – e afirmo-o sem o mínimo exagero, de acordo com os dados mais precisos fornecidos pela história da Rússia – o proletariado pode desenvolver uma energia combativa cem vezes mais intensa que o normal, em períodos de acalmia. Daqui sobressai que, até 1905, a humanidade não sabia ainda a força enorme e grandiosa que o proletariado pode desenvolver, e desenvolverá, quando se trata de lutar por um objectivo verdadeiramente sublime, de uma forma verdadeiramente revolucionária!

A história da revolução russa indica-nos que foi precisamente a vanguarda, a elite dos operários assalariados, que combateu com mais tenacidade e abnegação. Quanto maiores as fábricas, tanto mais obstinadas eram as greves, mais vezes se repetiam no decurso de um mesmo ano. Quanto mais importante a cidade, mais considerável era o papel do proletariado na luta. As três grandes cidades onde os operários eram mais conscientes e mais numerosos, Petersburgo, Riga e Varsóvia, fornecem, em relação à totalidade dos operários, um número incomparavelmente mais elevado de grevistas que todas as outras cidades, para não referir os campos.

Os operários metalúrgicos representam na Rússia – provavelmente como nos outros países capitalistas – a vanguarda do proletariado. E aí observamos o seguinte facto instrutivo: em 1905, para 100 operários industriais, houve no conjunto da Rússia 160 grevistas. Mas, nesse mesmo ano, cada centena de metalúrgicos forneceu 320 grevistas! Calcula-se que, em 1905, cada operário industrial russo perdeu devido às greves uma média de 10 rublos – cerca de 26 francos à cotação de antes da guerra – o que de alguma maneira representa o seu contributo para a luta. Se tomarmos só os metalúrgicos, a soma é três vezes superior! Os melhores elementos da classe operária marchavam à cabeça, arrastando os indecisos, despertando os adormecidos e galvanizando os fracos.

O entrelaçamento das greves económicas com as greves políticas desempenhou um papel extremamente original durante a revolução. Não há dúvidas de que apenas a mais estreita ligação entre estas duas formas de greve poderia garantir uma grande força ao movimento. A massa dos explorados nunca poderia ter sido arrastada para o movimento revolucionário se não tivesse sob os olhos exemplos diários a mostrar-lhe como os operários assalariados de diversos ramos da indústria obrigavam os capitalistas a melhorar, imediatamente, na hora, a sua situação. Graças a esta luta, um espírito novo soprou por toda a massa do povo russo. Foi só então que a Rússia da servidão, tolhida no seu torpor, a Rússia patriarcal, pia e submissa, despiu a pele do homem velho, foi só então que o povo russo recebeu uma educação verdadeiramente democrática, verdadeiramente revolucionária.

Quando esses senhores da burguesia e os seus lisonjeadores obtusos, os reformistas socialistas, falam com tanta suficiência da “educação” das massas, entendem vulgarmente com isso qualquer coisa de primário, de pedante, que desmoraliza as massas e lhes inculca preconceitos burgueses.

A verdadeira educação das massas não pode nunca ser separada de uma luta política independente, e sobretudo da luta revolucionária das próprias massas. Só a acção educa a classe explorada, só ela lhe dá a medida das suas forças, alarga o seu horizonte, aumenta as suas capacidades, esclarece a sua inteligência e tempera a sua vontade. É por isso que os próprios reaccionários tiveram de reconhecer que o ano de 1905, esse ano de combate, esse “ano louco”, enterrou definitivamente a Rússia patriarcal.

Examinemos mais de perto a relação entre os operários metalúrgicos e os operários têxteis na Rússia durante as greves de 1905. Os primeiros são os proletários mais bem remunerados, os mais conscientes e os mais cultos. Os segundos, cerca de três vezes mais numerosos na Rússia de 1905, constituem a massa mais atrasada, a mais mal paga, e que, com frequência, não cortou ainda definitivamente todos os seus laços com o campo. E aí constatamos este facto muito importante: Entre os metalúrgicos, as greves políticas suplantam as greves económicas durante todo o ano de 1905, ainda que no início este predomínio tenha sido muito menos marcado do que no fim do ano. Em contrapartida, entre os operários têxteis, observa-se no início de 1905 a preponderância considerável das greves económicas, e é apenas no fim do ano que as greves políticas acabam por prevalecer. Daqui decorre com toda a clareza que só a luta económica, só a luta pela melhoria imediata e directa da sua sorte pode sacudir as camadas mais atrasadas da massa explorada, educá-las verdadeiramente e, numa época revolucionária, torná-las em alguns meses num exército de combatentes políticos.

Decerto era indispensável para esse efeito que a vanguarda da classe operária não entendesse por luta de classes a luta pelos interesses de uma estreita camada superior, como os reformistas se esforçaram muitas vezes por inculcar nos operários, mas que o proletariado interviesse efectivamente enquanto vanguarda da maioria dos explorados e os trouxesse para o combate, como foi o caso na Rússia em 1905 e como será sem qualquer dúvida no decurso da próxima revolução proletária na Europa.

O início do ano de 1905 trouxe a primeira grande vaga de greves por todo o país. Desde a Primavera, assistimos na Rússia ao despertar do primeiro movimento camponês de vasta envergadura, movimento não apenas económico, mas também político. Para compreender toda a importância desta viragem marcante, é indispensável recordar que o campesinato russo só foi libertado da servidão, a mais dura que se imagina, em 1861, que os camponeses são na sua maioria iletrados e vivem numa miséria indescritível, oprimidos pelos grandes proprietários fundiários, embrutecidos pelos padres, isolados por distâncias consideráveis e pela quase completa falta de estradas.

A Rússia conheceu pela primeira vez um movimento revolucionário contra o czarismo em 1825, e esse movimento foi obra quase exclusiva da nobreza. Desde então e até 1881, ano em que Alexandre II foi abatido por terroristas, os intelectuais da classe média estiveram à cabeça do movimento. Deram provas do maior espírito de sacrifício e o seu heróico modo de luta terrorista espantou o mundo inteiro. Decerto não caíram em vão e o seu sacrifício contribuiu, directamente ou não, para a educação revolucionária posterior do povo russo. Mas não atingiram de modo nenhum, nem podiam atingir, o seu objectivo imediato: o despertar de uma revolução popular.

Só a luta revolucionária do proletariado o conseguiu. Só as greves de massas desencadeadas por todo o país, conjugadas com as cruéis lições da guerra imperialista russo-japonesa, arrancaram as massas camponesas à sua letargia. A palavra “grevista” adquiriu para os camponeses um significado completamente novo: designava uma espécie de rebelde, de revolucionário, aquilo que outrora se exprimia pela palavra “estudante”. Mas, na medida em que o “estudante” pertencia à classe média, aos “letrados”, aos “senhores”, era estranho ao povo. Pelo contrário, o “grevista” provinha do povo, contava-se entre os explorados; expulso de Petersburgo, voltava frequentemente à aldeia onde falava aos seus companheiros do incêndio que estava a deflagrar na cidade e que devia destruir tanto os capitalistas como os nobres. Um novo tipo de homem surgiu nos campos russos: o jovem camponês consciente. Estava em contacto com os “grevistas”, lia jornais, contava aos camponeses o que se passava nas cidades, explicava aos companheiros da aldeia o alcance das reivindicações políticas, chamava-os para a luta contra a grande aristocracia fundiária, contra os padres e os funcionários.

Os camponeses juntavam-se em grupos para examinar a sua situação e envolviam-se pouco a pouco na luta: atacavam em multidão os grandes proprietários fundiários, incendiavam os seus palácios e domínios ou apoderavam-se das suas reservas, do trigo e outros víveres, matavam os polícias, exigiam que as terras imensas pertencentes aos nobres fossem entregues ao povo.

Na Primavera de 1905, o movimento camponês era apenas embrionário: estendia-se aproximadamente a um sétimo dos distritos, ou seja uma minoria. Mas a combinação da greve proletária de massas nas cidades com o movimento camponês foi suficiente para abalar o mais “firme” e o último apoio do czarismo. Refiro-me ao exército.

Estalam revoltas militares na marinha e no exército. Cada nova vaga de greves e de movimentos camponeses no curso da revolução é acompanhada de revoltas militares em toda a Rússia. A mais célebre destas revoltas é a do couraçado Príncipe Potemkine da frota do Mar Negro, que, caído nas mãos dos insurrectos, tomou parte na revolução em Odessa e, após a derrota da revolução e de tentativas infrutíferas de tomar outros portos (por exemplo Feodósia na Crimeia), se rendeu às autoridades romenas em Constanza.

Permitam-me que vos conte em pormenor um pequeno episódio desta rebelião da frota do Mar Negro para vos dar um quadro concreto dos acontecimentos no seu ponto culminante:

“Organizávamos reuniões de operários e de marinheiros revolucionários; tornaram-se cada vez mais frequentes. Como era proibido aos militares assistirem às reuniões dos operários, estes começaram a comparecer em massa nas dos militares. Juntavam-se aos milhares. A ideia de uma acção comum encontrou um enorme eco. As companhias mais conscientes elegeram delegados.

As autoridades militares decidiram então tomar medidas. Alguns oficiais tentaram pronunciar discursos “patrióticos” nas reuniões, mas os resultados foram desastrosos: experientes na discussão, os marinheiros obrigaram os seus superiores a uma fuga vergonhosa. Perante estes fracassos, decidiram uma interdição geral das reuniões. Na manhã de 24 de Novembro de 1905, uma companhia em estado de alerta foi colocada à porta da caserna. O contra-almirante Pissarevski ordenou publicamente: “Não deixar sair ninguém da caserna! Atirar em caso de desobediência!” O marinheiro Petrov saiu das fileiras da companhia que recebera esta ordem, carregou ostensivamente a sua espingarda, abateu com um tiro o segundo capitão Stein, do regimento de Bielostok, e com um segundo tiro feriu o contra-almirante Pissarevski. Um oficial ordenou: “Prendam-no!” Ninguém se mexeu. Petrov atirou a espingarda para o chão e gritou: “De que estão à espera? Prendam-me!” Foi preso. Vindos de todos os lados, os marinheiros exigiram imperativamente a sua liberdade e declararam constituir-se como caução do colega. A excitação estava no seu cúmulo.

– Petrov, perguntou um oficial, procurando uma saída para a situação, o teu tiro foi disparado por acaso, não foi?

– Como, por acaso! Saí da fileira, carreguei a arma e apontei, foi por acaso?

– Eles reclamam a tua liberdade...

E Petrov foi posto em liberdade. Mas os marinheiros não se ficaram por aí. Todos os oficiais de serviço foram presos, desarmados e conduzidos para os gabinetes... Os delegados dos marinheiros, cerca de quarenta, deliberaram toda a noite. Decidiram libertar os oficiais, mas proibiram-lhes a partir de então o acesso à caserna. . . “

Esta pequena cena ilustra da melhor maneira os acontecimentos tal qual se desenrolaram na maior parte das revoltas militares. A efervescência revolucionária do povo não podia deixar de ganhar também o exército. Facto característico: os elementos da marinha de guerra e do exército, recrutados sobretudo entre os operários da indústria e a quem era exigida uma sólida formação técnica, como os sapadores por exemplo, forneceram chefes ao movimento. Mas as grandes massas eram ainda demasiado ingénuas, demasiado pacíficas, demasiado plácidas, demasiado cristãs. Inflamavam-se facilmente; uma qualquer injustiça, a grosseria demasiado flagrante dos oficiais, uma má refeição, etc., podiam provocar uma revolta. Mas faltavam-lhes a perseverança e a clara consciência das tarefas: ainda não compreendiam que só a mais enérgica luta armada, só a vitória sobre todas as autoridades militares e civis, só o derrube do governo e a tomada do poder em todo o país, poderiam garantir o sucesso da revolução.

A grande massa dos marinheiros e dos soldados revoltava-se facilmente. Mas cometia também facilmente a cândida tolice de devolver à liberdade os oficiais presos; deixava-se acalmar por promessas e exortações das autoridades, que assim ganhavam um tempo precioso, recebiam reforços e esmagavam os motins, após o que o movimento era ferozmente reprimido e os seus chefes executados.

É particularmente interessante comparar os levantamentos militares da Rússia de 1905 e a insurreição militar dos dezembristas em 1825. Em 1825 o movimento político era quase exclusivamente dirigido por oficiais, mais precisamente por oficiais nobres, ganhos pelas ideias democráticas da Europa durante as guerras napoleónicas. A massa dos soldados, então ainda formada por servos, era passiva.

A história de 1905 oferece-nos um quadro inteiramente diferente. Os oficiais, com poucas excepções, professavam ideias liberais burguesas, reformistas, ou então abertamente contra-revolucionárias. Os operários e os camponeses fardados foram a alma das insurreições; o movimento tornou-se popular. Pela primeira vez na história da Rússia, abraçava a maioria dos explorados. O que lhe faltou foi, por um lado, a firmeza, a resolução das massas, demasiado sujeitas ao mal da confiança, e, por outro, uma organização dos operários social-democratas revolucionários fardados: estes não estavam em condições de assumir a direcção do movimento, de se pôr à cabeça do exército revolucionário e desencadear a ofensiva contra as autoridades governamentais.

Refira-se, de passagem, que estas duas falhas serão eliminadas – talvez mais lentamente do que aquilo que desejamos, mas com certeza – não só pela evolução geral do capitalismo, mas também pela guerra em curso. . .

De qualquer forma, a história da revolução russa, tal como a da Comuna de Paris de 1871, traz-nos um ensinamento indiscutível: o militarismo nunca e em caso algum pode ser vencido e abolido senão pela luta vitoriosa de uma parte do exército nacional contra a outra. Não basta condenar, maldizer, “repudiar” o militarismo, criticá-lo e mostrar a sua nocividade; é estúpido recusar pacificamente o serviço militar; o que é necessário fazer é manter alerta a consciência revolucionária do proletariado e não apenas de uma forma geral, mas preparando concretamente os melhores elementos do proletariado para tomarem a cabeça do exército revolucionário no momento em que a efervescência no seio do povo tenha atingido o ponto culminante.

A experiência quotidiana de qualquer Estado capitalista traz-nos o mesmo ensinamento. Qualquer uma das “pequenas” crises que atravesse um desses Estados mostra-nos em miniatura os elementos e os embriões dos combates que inelutavelmente terão lugar em vasta escala numa grande crise: O que é, por exemplo, uma greve, senão uma pequena crise da sociedade capitalista? O ministro do Interior da Prússia, von Puttkamer, não tinha razão quando pronunciava a sua frase memorável: “Qualquer greve oculta a hidra da revolução”? O recurso à tropa quando das greves, em todos os países capitalistas, e até mesmo, se é possível usar este termo, nos mais pacíficos e nos mais “democráticos”, não nos ensina como se passarão as coisas em períodos de crise verdadeiramente graves?

Mas volto à história da revolução russa.

Tentei mostrar-vos de que maneira as greves agitaram todo o país e as camadas mais vastas, as mais atrasadas dos explorados, como se desencadeou o movimento camponês, como foi acompanhado de levantamentos militares.

O movimento atingiu o seu apogeu no curso do Outono de 1905. A 19 (6) de Agosto apareceu um manifesto do czar que anunciava a criação de uma assembleia representativa. A Duma, dita de Buliguine, devia ser fundada nos termos de uma lei eleitoral que só admitia um número irrisório de eleitores e atribuía a este “parlamento” original direitos unicamente deliberativos, consultivos, mas nenhum direito legislativo.

Os burgueses, os liberais, os oportunistas estavam prontos para agarrar com as duas mãos este “presente” do czar aterrado. Como todos os reformistas, os nossos reformistas de 1905 não podiam entender que existem situações históricas nas quais as reformas, e sobretudo as promessas de reformas, têm por único objectivo acalmar a efervescência do povo e obrigar a classe revolucionária a cessar ou pelo menos a enfraquecer a sua acção.

A social-democracia revolucionária da Rússia compreendeu muito bem o verdadeiro carácter desta outorga de uma Constituição fantasma em Agosto de 1905. E foi por isso que lançou, sem qualquer hesitação, as palavras de ordem: Abaixo a Duma consultiva! Boicote da Duma! Abaixo o governo czarista! Continuação da luta revolucionária para derrubar este governo! Não é o czar, mas um governo revolucionário provisório que deve convocar a primeira verdadeira assembleia representativa do povo na Rússia!

A história deu razão aos social-democratas revolucionários, porque a Duma de Buliguine não chegou a ser convocada. A tormenta revolucionária varreu-a antes mesmo da sua convocação e obrigou o czar a promulgar uma nova lei eleitoral aumentando sensivelmente o número de eleitores, e a reconhecer o carácter legislativo da Duma.

Em Outubro e Dezembro de 1905, a curva ascendente da revolução russa atingiu o seu ponto mais alto. Todas as fontes de energia revolucionária do povo jorraram mais impetuosamente que nunca. O número de grevistas, que se elevava em Janeiro de 1905, como referi, a 440 000, ultrapassou em Outubro de 1905 o meio milhão (num único mês, reparem!). Mas a este número, que só conta os operários industriais, deve juntar-se várias centenas de milhares de ferroviários, de empregados dos correios, etc.

A greve geral dos ferroviários parou o tráfego ferroviário em toda a Rússia e paralisou seriamente as forças do governo. As portas das universidades abriram-se e das salas de conferências, exclusivamente destinadas, em tempo de paz, à intoxicação dos jovens espíritos com a sabedoria professoral para fazer deles lacaios dóceis da burguesia e do czarismo, passaram a servir então de salas de reuniões para milhares e milhares de operários, de artesãos e empregados, que aí discutiam aberta e livremente questões políticas.

A liberdade de imprensa foi conquistada com grande luta. A censura foi pura e simplesmente abolida. Já nenhum editor ousava submeter às autoridades o exemplar obrigatório previsto pela lei, e estas não ousavam reagir. Pela primeira vez na história da Rússia, jornais revolucionários foram publicados sem entraves em Petersburgo e noutras cidades. Só em Petersburgo eram editados três diários social-democratas com uma tiragem de 50 000 a 100 000 exemplares.

O proletariado estava à cabeça do movimento. Propunha-se arrancar a jornada de oito horas pela via revolucionária. Em Petersburgo, a palavra-de-ordem era então: “A jornada de oito horas e armas!” Tornou-se claro para um número sempre crescente de operários que a sorte da revolução não podia ser e não seria decidida senão através da luta armada.

Uma organização de massa com um carácter original foi formada no calor do combate: os célebres Sovietes de deputados operários, assembleias de delegados de todas as fábricas. Em várias cidades da Rússia, estes Sovietes de deputados operários assumiram cada vez mais o papel de um governo revolucionário provisório, o papel de órgãos e de guias dos levantamentos. Tentou-se criar Sovietes de deputados de soldados e de marinheiros, e associá-los aos Sovietes de deputados operários.

Algumas cidades da Rússia tornaram-se então minúsculas “repúblicas” locais onde a autoridade do governo foi varrida e onde os Sovietes de deputados operários funcionavam realmente como um novo poder de Estado. Infelizmente, estes períodos foram demasiado breves, as “vitórias” demasiado fracas e demasiado isoladas.

Durante o Outono de 1905 o movimento camponês tomou proporções ainda maiores. Mais de um terço dos distritos do país foram então teatro “de perturbações agrárias” e de verdadeiros levantamentos de camponeses que incendiaram cerca de 2000 propriedades e partilharam os bens arrancados ao povo pelos escroques da nobreza.

Infelizmente, esta acção foi muito superficial! Infelizmente, os camponeses só destruíram um quinze avos das propriedades, uma pequena fracção do que deveriam ter destruído para libertar definitivamente a terra russa dessa ignomínia que é a grande propriedade fundiária feudal. Infelizmente, os camponeses agiram numa ordem demasiado dispersa, não estavam suficientemente organizados nem eram suficientemente combativos, e foi esta uma das razões essenciais da derrota da revolução.

Um movimento de emancipação nacional sublevou os povos oprimidos da Rússia. Mais de metade, quase três quintos (exactamente 57 por cento) dos povos do país sofrem a opressão nacional, nem sequer têm o direito de falar livremente a sua língua materna, são russificados à força. Os muçulmanos, por exemplo, que são na Rússia dezenas de milhões, fundaram então com uma prontidão admirável uma liga muçulmana; em geral, foi uma época em que as mais diversas organizações se multiplicaram prodigiosamente.

Para dar particularmente aos jovens uma ideia da amplitude que tomou o movimento de emancipação nacional na Rússia de então, em ligação com o movimento operário, citarei este simples facto.

Em Dezembro de 1905, em centenas de escolas, os estudantes polacos queimaram todos os livros e quadros russos, tal como os retratos do czar; agrediram e expulsaram das escolas os professores russos e mesmo os seus colegas russos aos gritos de: “Vão-se embora, voltem para a Rússia!” Os alunos das escolas secundárias da Polónia enunciaram, entre outras, as seguintes reivindicações: “1) todas as escolas secundárias devem estar subordinadas ao Soviete dos deputados operários; 2) serão convocadas reuniões de estudantes e operários nas escolas; 3) os estudantes dos liceus estarão autorizados a vestir camisas vermelhas, para marcar a sua adesão à futura república proletária”, etc.

Quanto mais amplas se tornavam as ondas do movimento, mais energicamente a reacção se armou para combater a revolução. A revolução russa de 1905 confirmou o que Karl Kautsky escreveu em 1902 no seu livro A Revolução social (Kautsky, diga-se de passagem, era ainda então um marxista revolucionário e não, como hoje, um defensor dos sociais-patriotas e dos oportunistas). Dizia: “A próxima revolução… assemelhar-se-á menos a um levantamento espontâneo contra o governo e mais a uma guerra civil de longa duração.”

E foi mesmo o que aconteceu! E assim será certamente na próxima revolução na Europa!

O ódio do czarismo voltou-se sobretudo contra os judeus. Por um lado, estes forneceram uma percentagem particularmente elevada (em relação ao número total da população judaica) de dirigentes do movimento revolucionário. Repare-se, a propósito, que também hoje o número de internacionalistas entre os judeus é relativamente mais elevado do que entre os outros povos. Por outro lado, o czarismo sabia muito bem explorar os preconceitos mais infames das camadas mais incultas da população contra os judeus para organizar, se não mesmo para dirigir ele próprio, pogromes (contaram-se então em 100 cidades mais de 4000 mortos e mais de 10 000 mutilados), esses monstruosos massacres de judeus pacíficos, das suas mulheres e crianças, essas abominações que tornaram o czarismo tão odioso aos olhos do mundo civilizado. Estou a referir-me naturalmente aos membros verdadeiramente democráticos do mundo civilizado, que são exclusivamente os operários socialistas, os proletários.

Mesmo nos países mais livres, mesmo nas repúblicas da Europa Ocidental, a burguesia sabe muito bem associar as suas frases hipócritas contra as “atrocidades russas” às negociatas financeiras mais desavergonhadas, designadamente o apoio financeiro que concede ao czarismo e à exploração imperialista da Rússia pela exportação de capitais, etc.

A revolução de 1905 atingiu o seu ponto culminante aquando da insurreição de Dezembro em Moscovo. Um pequeno número de insurrectos, operários organizados e armados – não eram mais de oito mil – resistiu durante nove dias ao governo do czar. Este não se podia fiar na guarnição de Moscovo; pelo contrário, teve de mantê-la fechada, e foi só com a chegada do regimento Semionovski, chamado de Petersburgo, que pôde reprimir o levantamento.

A burguesia compraz-se em troçar da insurreição de Moscovo e em qualificá-la de artificial. Por exemplo, entre as publicações alemãs ditas “científicas”, existe uma obra volumosa sobre o desenvolvimento político da Rússia, escrita pelo professor Max Weber que qualificou a insurreição de Moscovo de “golpe”. “O grupo de Lenine – escreveu aquele “doutíssimo” professor – e uma parte dos socialistas-revolucionários tinham preparado desde há muito esse levantamento insensato.”

Para apreciar com o devido valor esta sabedoria professoral da burguesia cobarde, basta recordar sem comentários os números da estatística das greves. Em Janeiro de 1905, havia apenas 123 000 grevistas na Rússia lutando por reivindicações puramente políticas; em Outubro, contavam-se 330 000, e o máximo foi atingido em Dezembro, quando, no espaço de um mês, existiram 370 000 grevistas por motivos estritamente políticos!

Recordemos os progressos da revolução, os levantamentos dos camponeses e as revoltas militares e convencer-nos-emos de imediato de que o juízo sustentado pela “ciência” burguesa sobre a insurreição de Dezembro é não apenas inepto, mas é também um subterfugio por parte dos representantes da burguesia cobarde que encontra no proletariado o seu inimigo de classe mais perigoso.

Na realidade, todo o desenvolvimento da revolução russa conduzia inelutavelmente a uma luta armada, decisiva, entre o governo do czar e a vanguarda do proletariado consciente enquanto classe.

Já apontei, nas considerações anteriores, em que consistiu a fraqueza da revolução russa, a fraqueza que ocasionou a sua derrota temporária.

Depois de sufocada a insurreição de Dezembro, a revolução seguiu uma curva descendente. Mas este período compreende, também, fases com o maior interesse; basta evocarmos as duas tentativas feitas pelos elementos mais combativos da classe operária para pôr fim ao recuo da revolução e preparar uma nova ofensiva.

Mas o tempo que me foi atribuído está quase esgotado e não quero abusar da paciência dos meus ouvintes. Penso que já apontei – na medida em que um tema tão vasto possa ser exposto com brevidade – o essencial para a compreensão da revolução russa: o seu carácter de classe e as suas forças motoras, os seus meios de combate.

Limito-me a acrescentar algumas observações sumárias sobre o alcance mundial da revolução russa.

Do ponto de vista geográfico, económico e histórico, a Rússia pertence não só à Europa, mas também à Ásia. Por isso vemos que a revolução russa conseguiu não apenas retirar definitivamente do seu torpor o maior e mais atrasado país da Europa e criar um povo revolucionário conduzido por um proletariado revolucionário. Isto não foi tudo. A revolução russa também agitou toda a Ásia. As revoluções da Turquia, da Pérsia e da China mostram que a insurreição grandiosa de 1905 deixou marcas profundas e que é inapagável a sua influência, manifestada no movimento ascendente de centenas e centenas de milhões de pessoas.

Indirectamente, a revolução russa também exerceu a sua influência nos países do Ocidente. Não podemos esquecer que a 30 de Outubro de 1905, desde a chegada a Viena do telegrama anunciando o manifesto constitucional do czar, a notícia teve um papel decisivo na vitória do sufrágio universal na Áustria.

No congresso da social-democracia austríaca, quando o camarada Ellenbogen – à data não era ainda um social-patriota, ainda era um camarada – apresentava o seu relatório sobre a greve política, colocaram aquele telegrama à sua frente. Os debates foram imediatamente interrompidos. “O nosso lugar é na rua !” exclamaram os delegados. E nos dias seguintes viram-se gigantescas manifestações de rua em Viena, barricadas em Praga. A vitória do sufrágio universal na Áustria estava definitivamente conquistada.

Encontramos frequentemente ocidentais que falam da revolução russa como se os acontecimentos, as relações e os meios de luta daquele país atrasado fossem muito pouco comparáveis com os da Europa Ocidental e não pudessem, portanto, ter qualquer alcance prático.

Nada de mais errado do que esta opinião.

Decerto, as formas e os objectivos das próximas lutas da revolução europeia do futuro serão diferentes sob vários aspectos das formas da revolução russa. Mas a revolução russa não deixa de ser – devido precisamente ao seu carácter proletário, com o sentido particular que já indiquei – o prelúdio da revolução europeia iminente. Não restam dúvidas que esta terá que ser uma revolução proletária, e num sentido ainda mais profundo da palavra: uma revolução proletária e também socialista no seu conteúdo. Esta revolução que se aproxima mostrará com ainda maior amplidão, por um lado, que só os combates aguerridos, nomeadamente, as guerras civis, podem libertar a humanidade do jugo do capital e, por outro, que só os proletários com uma consciência de classe desenvolvida podem intervir e intervirão na qualidade de chefes da imensa maioria de explorados.

O silêncio de morte que reina actualmente na Europa não pode iludir-nos. A Europa está prenhe de uma revolução. As atrocidades monstruosas da guerra imperialista, os tormentos da carestia da vida geram por todo o lado um estado de espírito revolucionário, e as classes dominantes, a burguesia assim como os seus lacaios, os governos, estão cada vez mais empurrados para um impasse, do qual não podem escapar sem muito graves perturbações.

Tal como em 1905 o povo da Rússia, conduzido pelo proletariado, se sublevou contra o governo do czar para conquistar uma república democrática, veremos nos próximos anos, na sequência desta guerra de pilhagem, os povos da Europa sublevarem-se, sob condução do proletariado, contra o poder do capital financeiro, contra os grandes bancos, contra os capitalistas; e esta desordem só poderá terminar com a expropriação da burguesia e a vitória do socialismo.

Nós, os mais velhos, não veremos talvez as lutas decisivas da revolução iminente. Mas creio poder transmitir com grande segurança a esperança de que os jovens, que militam tão admiravelmente no movimento socialista da Suíça e do mundo inteiro, terão a felicidade não só de combater na revolução proletária de amanhã, mas também de a levar ao triunfo.

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Inclusão 02/06/2007
Última atualização 13/04/2014