Sobre a Necessidade de Fundar o Sindicato de Operários Agrícolas da Rússia
(Segundo Artigo)

V. I. Lênin

8 de Julho (25 de Junho) de 1917


Primeira Edição: Pravda, nº. 91; 8 de julho (25 de junho) de 1917. Encontra-se in Obras, t. XXV, págs. 103/107.
Fonte: Editorial Vitória Ltda., Rio, novembro de 1961. Traduzido por Armênio Guedes, Zuleika Alambert e Luís Fernando Cardoso, da versão em espanhol de Acerca de los Sindicatos, das Ediciones em Lenguas Extranjeras, Moscou, 1958. Os trabalhos coligidos na edição soviética foram traduzidos da 4.ª edição em russo das Obras de V. I. Lênin, publicadas em Moscou pelo Instituto de Marxismo-Leninismo, anexo ao CC do PCUS. As notas ao pé da página sem indicação são de Lênin e as assinaladas com Nota da Redação foram redigidas pelos organizadores da edição do Instituto de Marxismo-Leninismo. Capa e planejamento gráfico de Mauro Vinhas de Queiroz. Pág: 260-264.
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo.
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No artigo anterior examinamos a importância de princípio do sindicato de operários agrícolas da Rússia. Abordaremos agora alguns aspectos práticos desta questão.

Deveriam pertencer ao sindicato de operários agrícolas da Rússia todos aqueles que se dedicam primordialmente ou principalmente, ou pelo menos em parte, ao trabalho assalariado nas empresas agrícolas.

A experiência demonstrará se é necessário subdividir essas organizações em sindicatos de operários agrícolas puros e em sindicatos de operários que só em parte são assalariados. Em todo caso, isso não é essencial. O essencial consiste em que os interesses fundamentais de classe de todos os que vendem sua força de trabalho são idênticos e em que é absolutamente necessária a união de todos os que obtêm do trabalho assalariado “para pessoas estranhas” mesmo que seja apenas uma parte dos meios de existência.

Os operários assalariados das cidades, das fábricas e das empresas estão unidos aos operários assalariados do campo por milhares e milhões de vínculos. O apelo dos primeiros aos segundos não pode passar despercebido. Mas a questão não deve ser restringida a um apelo. Os operários das cidades têm muito mais experiência, conhecimentos, meios e forças. É necessário consagrar diretamente uma parte dessas forças para ajudar os operários agrícolas a se porem de pé.

É preciso indicar uma data na qual todos os operários organizados entreguem um dia de salário para impulsionar e fortalecer toda a obra de unificação dos operários assalariados da cidade e do campo. De uma determinada parte dessa quantia deve ser inteiramente aplicada como ajuda dos operários urbanos à união de classe dos operários agrícolas. Desse fundo deve sair a quantia destinada à cobertura das despesas que se originem da publicação de uma série de volantes escritos na linguagem mais popular e de um jornal — pelo menos semanal, inicialmente, — para os operários agrícolas, bem como o envio de agitadores e organizadores para o campo, nem que seja em pequeno número, a fim de fundar imediatamente, em diversas localidades, os sindicatos de operários agrícolas assalariados.

Só a própria experiência de semelhantes sindicatos ajudará a encontrar o caminho certo para se continuar desenvolvendo o trabalho. A primeira tarefa de cada um desses sindicatos deve consistir em melhorar a situação daqueles que vendem sua força de trabalho às empresas agrícolas, conquistar salários mais elevados, melhorar os locais de trabalho, a alimentação, etc.

É preciso declarar a mais implacável guerra ao preconceito de que a futura abolição da propriedade agrária privada pode “dar terra” a todos os trabalhadores braçais e jornaleiros e solapar pela raiz o trabalho assalariado na agricultura. Isso é um preconceito, um preconceito nocivo, extremamente nocivo. A abolição da propriedade privada da terra é uma transformação enorme, inegavelmente progressista, que corresponde indiscutivelmente aos interesses do desenvolvimento econômico e aos interesses do proletariado; é uma transformação que cada operário assalariado apoiará com toda a alma e com todas as forças, mas que não eliminará em nada o trabalho assalariado.

Não se pode comer a terra. A terra não pode ser explorada sem animais, instrumentos e sementes, sem reservas de víveres, sem dinheiro. Confiar nas “promessas” de quem quer que seja, de que nos povoados “ajudarão” os operários assalariados a adquirirem animais, instrumentos etc, seria o pior dos equívocos, uma imperdoável ingenuidade.

O princípio fundamental, o primeiro preceito de todo movimento sindical, consiste no seguinte: não confiar no “Estado”, confiar unicamente na força de sua classe. O Estado é a organização da classe dominante.

Não confieis nas promessas, confiai unicamente na força da união e da consciência de vossa classe!

Por isso, o sindicato de operários agrícolas deve colocar como tarefa, desde o primeiro momento, não apenas a luta por melhorar a situação dos operários em geral, e sim, em particular, a defesa de seus interesses como classe na grande transformação agrária que nos espera.

“A mão-de-obra deve ser posta à disposição dos comitês das comarcas”, dizem frequentemente os camponeses e os esserristas. O ponto de vista de classe dos operários agrícolas assalariados é precisamente o inverso: os comitês comerciais devem ficar à disposição dessa “mão”! Semelhante contradição explica claramente a atitude do proprietário e a do operário assalariado.

“A terra para todo o povo”. Isto é justo. Mas o povo está dividido em classes. Todo operário conhece, vê, sente e experimenta sobre si mesmo esta verdade, que a burguesia, premeditadamente, trata de apagar e que a pequena 'burguesia esquece a todo momento.

Ninguém ajudará os pobres se eles permanecerem isolados. Nenhum “Estado” ajudará o operário assalariado do campo, trabalhador braçal, o jornaleiro, o camponês pobre, o semiproletário, se ele próprio não se ajudar. O primeiro passo para isso é a organização de classe independente do proletariado agrícola.

Desejamos à Conferência de Sindicatos de Toda a Rússia que empreenda esse trabalho com a maior energia, que lance seu apelo a toda a Rússia, que estenda sua mão de ajuda, a vigorosa mão da vanguarda organizada do proletariado aos proletários do campo.

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Inclusão 08/07/2014