Reunião do Comité Central do POSDR (b) 10 (23) de Outubro de 1917[N216]

V. I. L énine

10 (23) de Outubro de 1917

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Primeira Edição: Publicado pela primeira vez em 1922 no n.° 10 da revista Proletárskaia Revoliútsia.

Fonte: Obras Escolhidas em Três Tomos, 1978, t2, pp 375-376, Edições Avante! - Lisboa, Edições Progresso - Moscovo.
Tradução: Edições "Avante!" com base nas Obras Completas de V. I. Lénine, 5.ª ed. em russo, t, 34, pp. 391-393.
HTML: Fernando A. S. Araújo
Direitos de Reprodução: © Direitos de tradução em língua portuguesa reservados por Edições "Avante!" - Edições Progresso Lisboa - Moscovo, 1977.


1 - Relatório

Acta
capa

O camarada Lenine constata que desde começos de Setembro se nota certa indiferença pela questão da insurreição. Entretanto, isto é inadmissível se estamos a lançar seriamente a palavra de ordem da tomada do poder pelos Sovietes. Por isso se devia há muito ter prestado atenção ao aspecto técnico da questão. Aparentemente, agora já se perdeu bastante tempo.

Não obstante, a questão está colocada com muita agudeza e o momento decisivo está próximo.

A situação internacional é tal que devemos tomar a iniciativa.

Aquilo que se trama com a rendição até Narva e com a rendição de Petrogrado mais ainda nos obriga a acções decididas.

A situação política também influi energicamente neste sentido. Em 3-5 de Julho as acções decididas pelo nosso lado teriam sido derrotadas devido ao facto de que não tínhamos a maioria por nós. Desde então o nosso ascenso avança a passos de gigante.

O absentismo e a indiferença das massas podem explicar-se por as massas estarem cansadas de palavras e resoluções.

Agora temos a maioria por nós. Do ponto de vista político, as coisas amadureceram plenamente para a passagem do poder.

O movimento agrário também vai nesta direcção, pois é claro que são necessárias forças heróicas para sufocar este movimento. A palavra de ordem de passagem de toda a terra tornou-se palavra de ordem geral dos camponeses. Deste modo, a situação política está preparada. Temos de falar do aspecto técnico. Aí reside toda a questão. Entretanto, sentimo-nos inclinados, tal como os defensistas, a considerar como uma espécie de pecado político a preparação sistemática da insurreição.

Esperar até a Assembleia Constituinte, que evidentemente não estará connosco, é insensato, pois significa complicar a nossa tarefa.

O congresso regional e a proposta de Minsk[N217] devem ser aproveitados para começar as acções decisivas.

2 - Resolução

O CC considera que tanto a situação internacional da revolução russa (a insurreição na esquadra na Alemanha, como manifestação extrema do desenvolvimento em toda a Europa da revolução socialista mundial, depois a ameaça da paz entre os imperialistas com o objectivo de estrangular a revolução na Rússia) como a situação militar (decisão indubitável da burguesia russa e de Kérenski e C.a de entregar Petrogrado aos alemães) e a obtenção pelo partido proletário da maioria nos Sovietes — tudo isto em ligação com a insurreição camponesa e com a viragem da confiança do povo para o nosso partido (eleições em Moscovo) e, finalmente, a evidente preparação de uma segunda kornilovada (retirada de tropas de Petrogrado, transporte de cossacos para Petrogrado, cerco de Minsk pelos cossacos, etc.) — tudo isto coloca na ordem do dia a insurreição armada.

Considerando deste modo que a insurreição armada é inevitável e amadureceu completamente, o CC propõe a todas as organizações do partido que se guiem por isto e discutam e resolvam segundo este ponto de vista todas as què'stões práticas (congresso dos Sovietes da Região Norte, retirada de tropas de Petrogrado, acções em Moscovo e Minsk, etc).

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Notas de fim de tomo:

[N216] A reunião do Comité Central do Partido Bolchevique de 10 (23) de Outubro de 1917 foi a primeira reunião do CC em que Lenine participou após a sua chegada de Víborg a Petrogrado. Nesta reunião do CC, presidida por Sverdlov, Lenine apresentou um relatório sobre o momento actual. O CC aprovou uma resolução proposta por Lenine que punha na ordem do dia a tarefa da preparação imediata da insurreição armada. Apenas Zinóviev e Kámenev intervieram e votaram contra a insurreição. Na reunião do CC, Tróstki não votou contra a insurreição, mas considerava que a insurreição devia ser adiada até ao II Congresso dos Sovietes, o que significava de facto fazê-la fracassar, pois isto oferecia ao Governo Provisório a possibilidade de concentrar para o dia de convocação do congresso forças para esmagar a insurreição. O CC deu uma réplica decidida aos capitulacionistas. A reunião do CC de 10 (23) de Outubro tem um enorme significado histórico. A resolução do CC sobre a insurreição armada, aprovada por 10 votos contra 2, tornou-se uma directriz para todo o Partido Bolchevique — preparar imediatamente a insurreição armada. Nesta reunião do CC foi criado, para a direcção política da insurreição, um Bureau Político dirigido por Lenine. (retornar ao texto)

[N217] Lenine refere-se ao relatório de Sverdlov na reunião do CC de 10 (23)de Outubro de 1917 acerca do terceiro ponto da ordem do dia, «Minsk e a frente Norte». Sverdlov informou das possibilidades técnicas da insurreição armada em Minsk e da proposta de Minsk de enviar um corpo de exército revolucionário para ajudar Petrogrado. (retornar ao texto)

Inclusão 28/01/2011