Carta a Friedrich Engels
(em Manchester)

Karl Marx

16 de Abril de 1856

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Primeira Edição: Publicado segundo o manuscrito. Primeira publicação integral na edição em língua russa das Obras de Marx e Engels, t. 22, Moscovo. 1929.
Fonte: Obras Escolhidas em três tomos, Editorial"Avante!" - Edição dirigida por um colectivo composto por: José BARATA-MOURA, Eduardo CHITAS, Francisco MELO e Álvaro PINA.
Tradução: Traduzido do alemão por Eduardo CHITAS.
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo, abril 2007.
Direitos de Reprodução: © Direitos de tradução em língua portuguesa reservados por Editorial "Avante!" - Edições Progresso Lisboa - Moscovo, 1982.


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Londres, 16 de Abril [de 1856]

[...] Anteontem houve um pequeno banquete para a festa de aniversário do People's Paper[N210]. Desta vez, já que o momento me pareceu exigi-lo, aceitei o convite, tanto mais que, de toda a emigração, eu (as announced in the Paper)(1*) fui convidado e também me coube o primeiro brinde, ou seja, coube-me brindar à souveraineté du proléíariat dans tous lesaispays.(2*) Pronunciei pois um pequeno speech(3*) em inglês, que, no entanto, não mandarei imprimir(4*). O fim que eu pretendia foi alcançado. O sr. Talandier — que teve de comprar o seu ticket(5*) a 2 1/2 sh. — e o restante bando da emigração francesa e outra convenceram-se que somos nós os únicos aliados"íntimos" dos cartistas e que, se nos abstemos de manifestações públicas e deixamos aos French-men(6*) coquetear publicamente o cartismo, a qualquer momento está no nosso poder voltar a ocupar a posição que já nos cabe historicamente. Isso tornou-se tanto mais necessário quanto, no citado meeting(7*) de 25 de Fevereiro, sob a presidência de Pyat, o bronco alemão Scherzer (old boy)(8*) entrou em cena e em estilo à Straubinger(9*), verdadeiramente horroroso, denunciou os"sábios" alemães, os"trabalhadores do espírito" que os abandonaram (os broncos) e os forçaram assim a fazer má figura perante as outras nações. Tu já conheces o Scherzer de Paris. Voltei a ter alguns encontros" com o amigo Schapper e achei nele um pecador muito arrependido. O recolhimento em que vive de há dois anos para cá parece ter aguçado rather(10*) as suas forças intelectuais. Compreendes que pode ser sempre bom, para todas as eventualidades, o homem estar na nossa mão and, stillmore(11*), não estar na mão do Willich. Schapper está agora com uma grande fúria contra os broncos de W[indmill][N283].

Vou-me ocupar da tua carta para Steffen. Devias ter guardado a carta de L[evy]. Faz isso em geral com todas as cartas de que eu não te peça devolução. Quanto menos passarem pelo correio, the better(12*). Sou inteiramente da tua opinião a respeito da província renana. O que é fatal para nós é que, looming in the future(13*), vejo alguma coisa que vai cheirar a"traição à pátria". Dependerá muito da tournure(14*) das coisas em Berlim sermos ou não forçados a uma posição próxima da dos clubistas de Mainz[N284] na velha revolução. Ça sera dur(15*). Nós, que estamos so enlightened(16*), sobre os nossos bravos freres(17*) de além Reno! The whole thing in Germany(18*) dependerá da possibilidade to back the Proletarian revolution by some second edition of the peasants'war(19*). Então a coisa será óptima. [...]

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Notas de Rodapé:

(1*) Em inglês no texto: como anunciado no Paper. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(2*) Em francês no texto: soberania do proletariado em todos os países. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(3*) Em inglês no texto: discurso. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(4*) Ver o presente tomo, pp. 526-528. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(5*) Em inglês no texto: bilhete. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(6*) Em inglês no texto: Franceses. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(7*) Em inglês no texto: comício. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(8*) Expressão idiomática inglesa com diferentes conotações; entender aqui:"que conhecemos de ginjeira". (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(9*) Figura tradicional, na Alemanha, de mestre artesão ambulante. Marx e Engels servem-se deste termo para caracterizar os artesãos alemães que se deixavam convencer pelo preconceito corporativista, já então desmentido pelos factos, segundo o qual a moderna indústria capitalista poderia voltar a transformar-se em pequena manufactura. Ver K. Marx/F. Engels, Werke, Bd. 29, Berlin 1967, p. 667, n. 60. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(10*) Em inglês no texto: bastante. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(11*) Em inglês no texto: e, mais ainda. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(12*) Em inglês no texto: melhor. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(13*)  Em inglês no texto: pairando sobre o futuro. (Nota da edição portuguesa) (retornar ao texto)

(14*)  Em francês no texto: aspecto, curso das coisas. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(15*)  Em francês no texto: vai ser duro. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(16*)  Em inglês  no texto:  tão  esclarecidos.  (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(17*)  Em francês no texto: irmãos. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(18*)  Em inglês no texto: tudo na Alemanha. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(19*) Em inglês no texto: de apoiar a revolução proletária por uma espécie de segunda edição da guerra dos camponeses. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

Notas de Fim de Tomo:

[N210] J. C. L. Simonde de Sismondi, Études sur l'économie politique (Estudos sobre a Economia Política), t. I, Paris, 1837, p. 35. (retornar ao texto)

[N283] Trata-se da Sociedade Londrina de Instrução dos Operários Alemães, que nos anos 50 do século XIX estava instalada na Great Windmill Street. Esta sociedade foi fundada em Fevereiro de 1840 por K. Schapper, J. Moll e outros membros da Liga dos Justos. Marx e Engels participaram activamente nos seus trabalhos em 1849-1850. Em 17 de Setembro de 1850 Marx, Engels e vários dos seus partidários abandonaram a sociedade em virtude de a maior parte dos seus membros se terem colocado ao lado da fracção sectária e aventureira de Willich e Schapper. Com a fundação da Internacional em 1864 a sociedade tornou-se a secção alemã da Associação Internacional dos Trabalhadores, em Londres. A Sociedade Londrina de Instrução existiu até 1918, ano em que foi encerrada pelo governo inglês. (retornar ao texto)

[N284] Depois da tomada de Mainz pelo exército revolucionário francês, os democratas republicanos alemães fundaram em Outubro de 1792 nesta cidade o chamado Clube dos Amigos da Igualdade e da Fraternidade. Os membros deste clube de Mainz faziam propaganda pela supressão da velha ordem feudal, pela instauração de um regime republicano e pela integração da margem esquerda do Reno na França revolucionária. As suas ideias não encontraram simpatia nem apoio, tanto entre a população urbana como entre os camponeses. Em Julho de 1793, com a tomada de Mainz pelos prussianos, a actividade dos membros do Clube de Mainz terminou. (retornar ao texto)

Inclusão 12/05/2007