Segunda Mensagem do Conselho Geral da Associação Internacional dos Trabalhadores Sobre a Guerra Franco-Prussiana[N134]

Karl Marx

06-09 de Setembro de 1870

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Primeira Edição: Escrito por K. Marx entre 06 e 09 de Setembro de 1870. Publicado sob a forma de folheto em inglês, entre 11 e 13 de Setembro de 1870, e também sob a forma de folheto em alemão e na imprensa em alemão e francês, em Setembro-Dezembro de 1870.
Fonte: Obras Escolhidas em três tomos, Editorial"Avante!" - Edição dirigida por um colectivo composto por: José BARATA-MOURA, Eduardo CHITAS, Francisco MELO e Álvaro PINA.
Tradução: Publicado segundo o texto do folheto inglês. Traduzido do inglês (excepto as citações de proveniência alemã que traduzimos segundo o texto publicado em Karl Marx/Friedrich Engels, Werke, Dietz Verlag, Berlim, 1973, Bd. 17. (Nota da edição portuguesa.) por Eduardo CHITAS.
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo, Outubro 2008.
Direitos de Reprodução: © Direitos de tradução em língua portuguesa reservados por Editorial "Avante!" - Edições Progresso Lisboa - Moscovo, 1982.


capa

Aos membros da Associação Internacional dos Trabalhadores na Europa e nos Estados Unidos

No nosso primeiro Manifesto, de 23 de Julho, dizíamos:

«O dobre de finados do segundo Império já soou em Paris. Ele acabará como começou, por uma paródia. Mas não esqueçamos que foram os governos e as classes dominantes da Europa que habilitaram Louis Bonaparte a representar, durante dezoito anos, a farsa feroz do Império restaurado.»(1*)

Assim, já antes de terem começado efectivamente as operações de guerra, tratávamos nós a bola de sabão bonapartista como uma coisa do passado.

Se não nos enganámos quanto à vitalidade do segundo Império, não estávamos errados no nosso receio de que a guerra alemã perdesse «o seu carácter estritamente defensivo» e degenerasse «numa guerra contra o povo francês».(2*) A guerra de defesa acabou de facto pela rendição de Louis Bonaparte, pela capitulação de Sedan[N109] e pela proclamação da República em Paris. Mas muito antes destes acontecimentos, no momento mesmo em que se tornava evidente a completa podridão das armas imperialistas(3*), a camarilha militar prussiana tinha decidido a conquista. Havia um feio obstáculo no seu caminho — as proclamações do próprio rei Guilherme no começo da guerra. No seu discurso do trono à Dieta da Alemanha do Norte, tinha declarado solenemente fazer a guerra contra o imperador dos franceses e não contra o povo francês. A 11 de Agosto tinha publicado um manifesto à nação francesa, onde dizia:

«O imperador Napoleão atacou, por água e por terra, a nação alemã, que desejou e continua a desejar viver em paz com o povo francês; tomei o comando do exército alemão para repelir a sua agressão e fui levado pelos acontecimentos militares a atravessar as fronteiras da França.»

Não contente em afirmar o carácter defensivo da guerra pela declaração de que só assumiu o comando dos exércitos alemães apara repelir a agressão» acrescentava que foi só «levado pelos acontecimentos militares» a atravessar as fronteiras da França. Uma guerra de defesa não exclui, naturalmente, operações ofensivas ditadas por «acontecimentos militares».

Assim, este piedoso rei tinha-se comprometido, perante a França e o mundo, a uma guerra estritamente defensiva. Como libertá-lo deste compromisso solene? Os contra-regras tiveram de o exibir a ceder, relutante, a uma imposição irresistível da nação alemã. Deram imediatamente a deixa à classe média alemã liberal com os seus professores, os seus capitalistas, os seus vereadores e os seus escribas. Essa classe média, que na sua luta pela liberdade civil, de 1846 a 1870, tinha vindo a exibir um espectáculo sem precedentes de irresolução, de incapacidade e de cobardia, sentiu-se deliciada em alto grau, obviamente, por entrar na cena europeia como o leão rugidor do patriotismo alemão. Reclamou a sua independência cívica fingindo que impunha ao governo prussiano os planos secretos deste mesmo governo. Penitencia-se pela sua prolongada e quase religiosa fé na infalibilidade de Louis Bonaparte, exigindo em voz alta o desmembramento da República Francesa. Ouçamos por um momento as alegações especiais destes patriotas de coração ousado!

Não ousam pretender que o povo da Alsácia-Lorena anseia pelo abraço alemão; muito pelo contrário. Para punir o seu patriotismo francês, Estrasburgo, cidade dominada por uma cidadela autónoma, foi bombardeada durante seis dias de maneira cruel e bárbara, com projécteis e explosivos «alemães» que a incendiaram e mataram grande número dos seus habitantes indefesos! Contudo, o solo daquelas províncias tinha pertencido outrora ao antigo Império alemão[N140]. Parece, assim, que o solo e os seres humanos que nele cresceram têm de ser confiscados como propriedade alemã imprescritível. Se alguma vez a carta da Europa tiver de ser refeita segundo a veia de antiquário, não esqueçamos em caso algum que o príncipe eleitor de Brandeburgo foi, para as suas possessões prussianas, o vassalo da República polaca[N141].

Os patriotas mais sabidos reclamam, contudo, a Alsácia e a parte da Lorena de língua alemã como uma «garantia material» contra a agressão francesa. Como esta alegação desprezível tem confundido muita gente fraca de espírito, somos obrigados a entrar nisto mais a fundo.

É indubitável que a configuração geral da Alsácia, se comparada com a margem oposta do Reno, e a presença de uma grande cidade fortificada como Estrasburgo, a cerca de meio caminho entre Basileia e Germersheim, favorecem muito uma invasão francesa da Alemanha do Sul, enquanto opõem dificuldades particulares a uma invasão da França a partir da Alemanha do Sul. É indubitável, além disso, que a anexação [addition] da Alsácia e da Lorena de língua alemã daria à Alemanha do Sul uma fronteira muito mais forte, tanto mais que ela seria então senhora da crista dos Vosgos em toda a sua extensão e das fortalezas que cobrem os seus desfiladeiros do Norte. Se Metz também fosse anexada, a França seria certamente privada, de momento, das suas duas principais bases de operação contra a Alemanha, mas isso não a impediria de construir uma nova, em Nancy ou Verdun. Enquanto a Alemanha possui Koblenz, Mainz, Germersheim, Rastatt e Ulm, todas elas bases de operação contra a França e copiosamente utilizadas nesta guerra, com que aparência de honestidade pode ela disputar Estrasburgo e Metz à França, as únicas duas fortalezas de alguma importância que ela tem deste lado? Além disso, Estrasburgo só põe em perigo a Alemanha do Sul na medida em que a Alemanha do Sul é uma potência separada da Alemanha do Norte. Desde 1792-1795, a Alemanha do Sul nunca foi invadida a partir desta direcção, porque a Prússia era um parceiro na guerra contra a Revolução Francesa; mas logo que a Prússia concluiu uma paz separada[N142] em 1795 e abandonou o Sul à sua sorte, começaram as invasões da Alemanha do Sul tendo Estrasburgo como base, e continuaram até 1809. O facto é que uma Alemanha unida pode sempre tornar inofensivos Estrasburgo e qualquer exército francês na Alsácia, pela concentração de todas as suas tropas entre Sarrelouis e Landau, como aconteceu na presente guerra, e pelo avanço ou pela aceitação da batalha na linha de comunicação entre Mainz e Metz. Enquanto a massa das tropas alemãs ali estacionar, qualquer exército francês que avance para a Alemanha do Sul a partir de Estrasburgo será atacado de flanco e terá as suas comunicações ameaçadas. Se a presente campanha provou alguma coisa, foi a facilidade de invadir a França a partir da Alemanha.

Mas, em boa fé, não será por completo um absurdo e um anacronismo fazer de considerações militares o princípio pelo qual têm de ser fixadas as fronteiras de nações? Se esta regra tivesse de prevalecer, a Áustria ainda teria direito à Venécia e à linha do Míncio(4*), e a França à linha do Reno para proteger Paris, que está certamente muito mais exposto a um ataque a partir do nordeste do que Berlim a partir do sudoeste. Se houver que fixar limites segundo os interesses militares, as reclamações não terão fim, porque qualquer linha militar é necessariamente defeituosa e pode ser melhorada pela anexação de mais algum território exterior; e, além disso, nunca podem ser fixados definitiva e honestamente, porque têm sempre de ser impostos pelo vencedor ao vencido, trazendo consigo, consequentemente, o germe de novas guerras.

Tal é a lição de toda a história. É assim com as nações como com os indivíduos. Para lhes retirar o poder de ataque há que retirar-lhes os meios de defesa. Não basta aplicar o garrote, há que matar. Se alguma vez um conquistador tomou «garantias materiais» para quebrar o nervo de uma nação, foi o primeiro Napoleão pelo Tratado de Tilsit[N143] e pelo modo como o executou contra a Prússia e o resto da Alemanha. Contudo, poucos anos depois, o seu poder gigantesco desfez-se como caniço podre de encontro ao povo alemão. Que são as «garantias materiais» que a Prússia, nos seus sonhos mais insensatos, poderia ou ousaria impor à França, se comparadas com as «garantias materiais» que o primeiro Napoleão arrancou dela? O resultado não será menos desastroso. A história medirá a sua paga, não pela extensão das milhas quadradas conquistadas à França mas pela intensidade do crime de fazer reviver, na segunda metade do século XIX, a política de conquista!

Mas, dizem os porta-vozes do patriotismo teutónico, não se deve confundir alemães com franceses. O que queremos não é glória mas segurança. Os alemães são um povo essencialmente pacífico. Sob a sua sóbria tutela, a própria conquista, de condição de guerra futura, muda para penhor de paz perpétua. É claro que não foram os alemães quem invadiu a França em 1792, com o sublime propósito de baionetar a revolução do século XVIII. Não foram os alemães quem manchou as mãos com a subjugação da Itália, a opressão da Hungria e o desmembramento da Polónia. O seu sistema militar actual, que divide toda a população masculina em duas partes — um exército permanente em serviço e um outro exército permanente de licença, ambos igualmente obrigados em obediência passiva a governantes de direito divino — um tal sistema militar, evidentemente, é uma «garantia material» para preservar a paz e o fim último das tendências civilizadoras! Na Alemanha, como em qualquer outra parte, os sicofantas dos poderes vigentes envenenam o espírito popular com o incenso do auto louvor mendaz.

Pretendendo que ficam indignados à vista das fortalezas francesas de Metz e Estrasburgo, aqueles patriotas alemães não vêem mal no vasto sistema de fortificações moscovitas de Varsóvia, Modlin e Ivangorod. Enquanto tremem perante os terrores da invasão imperialista(5*), fecham os olhos perante a infâmia da tutela aristocrática.

Assim como em 1865 foram trocadas promessas entre Louis Bonaparte e Bismarck, assim, em 1870, foram trocadas promessas entre Gorchakov e Bismarck. Assim como Louis Bonaparte se gabava de que a guerra de 1866, tendo por resultado a comum exaustão da Áustria e da Prússia, faria dele o árbitro supremo da Alemanha, assim se gabava Alexandre de que a guerra de 1870, tendo por resultado a comum exaustão da Alemanha e da França, faria dele o árbitro supremo da parte ocidental do continente. Assim como o segundo Império considerou incompatível com a sua existência a Confederação da Alemanha do Norte[N104], assim a Rússia autocrática tem de julgar-se posta em perigo por um Império alemão sob chefia prussiana. Tal é a lei do velho sistema político. Dentro do seu âmbito, o ganho de um Estado é perda de outro. A influência suprema do tsar sobre a Europa radica no seu tradicional domínio sobre a Alemanha. Num momento em que na própria Rússia agentes sociais vulcânicos ameaçam abalar a base mesma da autocracia, poderia o tsar permitir-se uma tal perda de prestígio externo? Já os jornais moscovitas repetem a linguagem dos jornais bonapartistas depois da guerra de 1866. Crêem realmente os patriotas teutões que a liberdade e a paz serão garantidas à Alemanha empurrando a França para os braços da Rússia? Se a fortuna das suas armas, a arrogância do êxito e a intriga dinástica levarem a Alemanha a um desmembramento da França, restar-lhe-ão então apenas abertos dois caminhos. Ela tem, com todos os riscos, de se tornar o instrumento declarado do engrandecimento russo, ou então, após uma curta pausa, aprontar-se de novo para outra guerra «defensiva»; não uma dessas guerras «localizadas» de agora mas uma guerra de raças — uma guerra contra as raças eslava e latina coligadas.

A classe operária alemã apoiou resolutamente a guerra, que não estava na sua mão impedir, como uma guerra pela independência da Alemanha e pela libertação da França e da Europa desse incubo pestilento, o segundo Império. Foram os operários alemães quem, juntamente com os trabalhadores rurais, forneceu os tendões e os músculos de hostes heróicas, deixando atrás de si as suas famílias meio mortas de fome. Dizimados pelas batalhas no estrangeiro, serão uma vez mais dizimados pela miséria na sua terra. Por sua vez, eles surgem agora a pedir «garantias» — garantias de que os seus imensos sacrifícios não foram vãos, de que conquistaram a liberdade, de que a vitória sobre os exércitos imperialistas(6*), como em 1815, não seja transformada na derrota do povo alemão[N144]; e como a primeira destas garantias, eles reclamam uma paz honrosa para a França, e o reconhecimento da República Francesa.

O Comité Central do Partido Operário Social-Democrata Alemão emitiu, no dia 5 de Setembro, um manifesto insistindo energicamente nestas garantias.

«Protestamos contra a anexação da Alsácia-Lorena. E estamos conscientes de que falamos em nome da classe operária alemã. No interesse comum da França e da Alemanha, no interesse da paz e da liberdade, no interesse da civilização ocidental contra a barbárie oriental, os operários alemães não suportarão pacientemente a anexação da Alsácia-Lorena... Estaremos lealmente com os nossos camaradas operários de todos os países, pela causa internacional comum do proletariado!»

Infelizmente, não podemos ter grandes esperanças no seu êxito imediato. Se os operários franceses, em plena paz, não conseguiram parar o agressor, poderão mais facilmente os operários alemães parar o vencedor em pleno clamor das armas? O manifesto dos operários alemães exige a extradição de Louis Bonaparte, como delinquente comum, para a República Francesa. Os seus governantes estão já, pelo contrário, a fazer esforços para o reinstalar nas Tulherias[N145] como o melhor homem para arruinar a França. Seja como for, a história provará que a classe operária alemã não é feita do mesmo material maleável da classe média alemã. Ela cumprirá o seu dever.

Como ela, saudamos o advento da República em França, mas, ao mesmo tempo, experimentamos apreensões que esperamos se mostrarão sem fundamento. Esta República não subverteu o trono, apenas tomou o seu lugar deixado vago. Foi proclamada não como uma conquista social mas como uma medida nacional de defesa. Ela está nas mãos de um governo provisório, composto, em parte, por orleanistas notórios[N128], em parte por republicanos da classe média, nalguns dos quais a insurreição de Junho de 1848[N21] deixou o seu estigma indelével. A divisão do trabalho entre os membros desse governo parece desastrosa. Os orleanistas apanharam as fortalezas do exército e da polícia, enquanto aos pretensos republicanos couberam os departamentos onde se fala. Bastam alguns dos seus primeiros actos para mostrar que herdaram do Império não apenas ruínas mas também o seu pavor da classe operária. Se à República são exigidas manifestas impossibilidades numa fraseologia desenfreada, não será com vista a preparar a reclamação de um governo «possível»? Não estará a República destinada, por alguns dos seus dirigentes de classe média, a servir como mero tapa-buracos e ponte para uma restauração orleanista?

A classe operária francesa move-se, pois, em circunstâncias de extrema dificuldade. Qualquer tentativa de derrubamento do novo governo na presente crise, quando o inimigo quase bate às portas de Paris, seria uma loucura desesperada. Os operários franceses têm de cumprir os seus deveres como cidadãos; mas, ao mesmo tempo, não devem deixar-se iludir pelos souvenirs(7*) nacionais de 1792, como os camponeses franceses se deixaram iludir pelos souvenirs nacionais do primeiro Império. Não têm de recapitular o passado, mas construir o futuro. Que aproveitem, calma e resolutamente, as oportunidades da liberdade republicana, para o trabalho da sua própria organização de classe. Isso dotá-los-á de forças hercúleas novas para a regeneração da França e a nossa tarefa comum — a emancipação do trabalho. Das suas energias e sageza depende a sorte da República.

Os operários ingleses já tomaram medidas para vencer, por uma pressão salutar do exterior, a resistência do seu governo em reconhecer a República Francesa[N146]. A presente dilação do governo britânico é destinada, provavelmente, a remir-se da guerra antijacobina e da sua indecente pressa de outrora em sancionar o coup d'état(8*) [N147]. Os operários ingleses reclamam também do seu governo que se oponha com todo o seu poder ao desmembramento da França, que é o que uma parte da imprensa inglesa tem despudor bastante para exigir aos gritos. É a mesma imprensa que, durante vinte anos, deificou Louis Bonaparte como a providência da Europa, que aclamou freneticamente a rebelião dos proprietários de escravos[N148]. Agora, como então, ela trabalha afanosamente para o proprietário de escravos.

Que as secções da Associação Internacional dos Trabalhadores em todos os países chamem as classes operárias à acção. Se elas esquecerem o seu dever, se permanecerem passivas, a terrível guerra actual apenas será a precursora de conflitos internacionais ainda mais mortíferos, e levará em cada nação a um triunfo renovado, sobre o operário, dos senhores da espada, da terra e do capital.

Vive la Republique!(9*)

256, High Holborn, London, Western Central,
9 de Setembro de 1870.

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Notas de rodapé:

(1*) Ver a "Primeira Mensagem do Conselho Geral da Associação Internacional dos Trabalhadores Sobre a Guerra Franco-Prussiana" (retornar ao texto)

(2*) Ver a "Primeira Mensagem do Conselho Geral da Associação Internacional dos Trabalhadores Sobre a Guerra Franco-Prussiana" (retornar ao texto)

(3*) Aqui no sentido de: imperiais. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(4*) Ribeira da Itália do Norte, afluente da margem esquerda do rio Pó. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(5*) Aqui no sentido de: imperial. (Nota da edição portuguesa) (retornar ao texto)

(6*) Aqui no sentido de: imperiais. (Nota da edição portuguesa) (retornar ao texto)

(7*) Em francês no texto: recordações. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(8*) Em francês no texto: golpe de Estado. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(9*) Em francês no texto: Viva a República! (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

Notas de fim de tomo:

[N21] Insurreição de Junho: insurreição heróica dos operários de Paris em 23-26 de Junho de 1848, reprimida com excepcional crueldade pela burguesia francesa. A insurreição foi a primeira grande guerra civil da história entre o proletariado e a burguesia. (retornar ao texto)

[N104] Trata-se da Confederação da Alemanha do Norte, formada em 1867 sob a égide da Prússia e que incluía 19 Estados e 3 cidades livres da Alemanha do Norte e Central. A formação da Confederação foi uma das etapas decisivas da reunificação da Alemanha sob a hegemonia da Prússia. Em Janeiro de 1871 a Confederação deixou de existir, devido à formação do Império Alemão. (retornar ao texto)

[N109] A 2 de Setembro o exército francês foi derrotado em Sedan e feito prisioneiro, juntamente com o imperador. Entre 5 de Setembro de 1870 e 19 de Março de 1871 Napoleão III e os comandantes do exército estiveram presos em Wilhelmshöle (perto de Kassel), num castelo do rei da Prússia. A catastrofe de Sedan acelerou a derrocada do Segundo Império e levou à proclamação da república em França a 4 de Setembro de 1870. Foi formado um novo governo, o chamado "governo de defes nacional". (retornar ao texto)

[N128] Trata-se dos legitimistas, dos orleanistas e dos bonapartistas.
Legitimistas: partidários da dinastia «legítima» dos Bourbons, derrubada em França em 1792, que representava os interesses dos detentores da grandes aristocracia rural e do alto clero; formou-se como partido em 1830, depois do segundo derrubamento desta dinastia. Em 1871 os legitimistas participaram da campanha geral das forças contra-revolucionárias contra a Comuna de Paris.
Orleanistas: partidários dos duques de Orleães, ramo da dinastia dos Bourbons que subiu ao poder durante a Revolução de Julho de 1830 e que foi derrubado com a revolução de 1848; representavam os interesses da aristocracia financeira e da grande burguesia. (retornar ao texto)

[N134] A Primeira Mensagem sobre a atitude da Internacional em relação à guerra franco-prussiana, escrita por Marx por encargo do Conselho Geral imediatamente após o início da guerra, e também a Segunda Mensagem, escrita por ele em Setembro de 1870, exprimem a posição da classe operária em relação ao militarismo e à guerra, a luta de Marx e Engels contra as guerras de conquista, pela aplicação dos princípios do internacionalismo proletário. Fundamentando de modo convincente as principais teses da doutrina marxista sobre as causas sociais das guerras de rapina, desencadeadas no interesse das classes dominantes, Marx mostra que as guerras de conquista têm também como fim esmagar o movimento revolucionário do proletariado. Marx sublinha em particular a unidade de interesses entre os operários franceses e alemães e apela para que desenvolvam uma luta conjunta contra a política de conquista das classes dirigentes de ambos os países. (retornar ao texto)

[N140] Até Agosto de 1806 a Alemanha fez parte do Sacro Império Romano da Nação Alemã, fundado no século X e que constituía uma união de principados feudais e de cidades livres que reconheciam a autoridade suprema do imperador. (retornar ao texto)

[N141] Em 1618 o Eleitorado de Brandemburgo uniu-se com o Ducado da Prússia (Prússia Oriental), formado no início do século XVI com base nas possessões da Ordem Teutónica e vassalo feudal da Rzeczpospolita (República Polaca). Na sua qualidade de duque da Prússia, o eleitor de Brandemburgo foi vassalo da Polónia até 1657, altura em que, aproveitando-se das dificuldades desta na guerra com a Suécia, obteve o reconhecimento dos direitos de soberania para as possessões prussianas. (retornar ao texto)

[N142] Trata-se do Tratado de Paz de Basileia, concluído separadamente pela Prússia, participante na primeira coligação antifrancesa de Estados europeus, com a República Francesa, em 5 de Abril de 1795. (retornar ao texto)

[N143] O Tratado de Tilsit foi concluído em 7-9 de Julho de 1807 entre a França napoleónica e os Estados participantes na quarta coligação antifrancesa, a Rússia e a Prússia, derrotadas na guerra. As condições do tratado eram extremamente duras para a Prússia, que perdeu uma parte significativa do seu território. A Rússia não sofreu quaisquer perdas territoriais, mas foi obrigada a reconhecer o reforço da posição da França na Europa e a aderir ao bloqueio contra a Inglaterra (o chamado bloqueio continental). O Tratado de Tilsit, tratado de rapina ditado por Napoleão I, provocou um forte descontentamento entre a população da Alemanha, preparando assim o terreno para o movimento de libertação contra o domínio napoleónico, que se desenvolveu em 1813. (retornar ao texto)

[N144] Marx refere-se ao triunfo da reacção feudal na Alemanha depois da queda do domínio napoleónico; na Alemanha manteve-se a fragmentação feudal, o regime feudal-absolutista reforçou-se nos Estados alemães, conservaram-se todos os privilégios da aristocracia, intensificou-se a exploração semifeudal dos camponeses. (retornar ao texto)

[N145] Trata-se do Palácio das Tulherias em Paris, residência de Napoleão III. (retornar ao texto)

[N146] Marx refere-se ao movimento dos operários ingleses pelo reconhecimento da República Francesa, instaurada a 4 de Setembro de 1870. A partir de 5 de Setembro, em Londres e noutras grandes cidades realizaram-se comícios e manifestações, cujos participantes exigiam ao governo inglês, em resoluções e petições, o reconhecimento imediato da República Francesa. O Conselho Geral da Internacional participou directamente na organização do movimento pelo reconhecimento da República Francesa. (retornar ao texto)

[N147] Marx alude à participação activa da Inglaterra na criação da coligação de Estados feudais-absolutistas que em 1792 iniciou a guerra contra a França revolucionária, e também ao facto de a oligarquia dirigente inglesa ter sido a primeira na Europa a reconhecer o regime bonapartista em França, instaurado em resultado do golpe de Estado de Louis Bonaparte de 2 de Dezembro de 1851. (retornar ao texto)

[N148] Durante a Guerra Civil na América (1861-1865) entre o Norte industrial e o Sul escravista, a imprensa burguesa inglesa tomou a defesa do Sul, isto é, do regime escravista. (retornar ao texto)

Inclusão 16/11/2008