Discurso Sobre a Acção Política da Classe Operária
[Pronunciado na Conferência de Londres][N210]

Friedrich Engels

21 de Setembro de 1871

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Primeira Edição: Publicado pela primeira integralmente na revista InternacionalComunista, n.° 29, 1934.
Fonte: Obras Escolhidas em três tomos, Editorial "Avante!"
Tradução: José BARATA-MOURA (Publicado segundo o manuscrito.Traduzido do francês.)
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo, Setembro 2008.
Direitos de Reprodução: © Direitos de tradução em língua portuguesa reservados por Editorial "Avante!" - Edições Progresso Lisboa - Moscovo, 1982.


capa

A abstenção absoluta em matéria política é impossível; por isso, todos os jornais abstencionistas fazem política. Trata-se apenas de como se a faz e de qual. Quanto ao resto, para nós, a abstenção é impossível. O partido operário existe já como partido político na maior parte dos países. Não nos compete arruiná-lo, pregando a abstenção. A experiência da vida actual, a opressão política que lhes é imposta pelos governos existentes para fins quer políticos quer sociais, forçam os operários a ocuparem-se de política, quer eles queiram quer não. Pregar-lhes a abstenção seria empurrá-los para os braços da política burguesa. A seguir à Comuna de Paris, sobre­tudo, que pôs a acção política do proletariado na ordem do dia, a abstenção é completamente impossível.

Nós queremos a abolição das classes. Qual é o meio de a ela chegar? A dominação política do proletariado, e quando todas as partes estão de acordo com isso, pedem-nos para não nos metermos em política! Todos os abstencionistas se dizem revolucionários e mesmo revolucionários por excelência. Mas a revolução é o acto supremo da política; quem a quer tem de querer o meio, a acção política, que a prepara, que dá aos operários a educação para a revolução, e sem a qual os operários, no dia a seguir à luta, serão sempre os enganados pelos Favre e pelos Pyat. Mas a política que é Preciso fazer é a política operária; é preciso que o partido operário seja constituído não como a cauda de qualquer partido burguês mas como partido independente que tem o seu objectivo, a sua política própria.

As liberdades políticas, o direito de reunião e de associação e a liberdade de imprensa, eis as nossas armas; e deveríamos cruzar os braços e abstermo-nos se no-las querem tirar? Diz-se que todo o acto político implica que se reconheça o estado existente das coisas. Mas quando esse estado das coisas nos dá meios para protestar contra ele, usar esses meios não é reconhecer o estado existente.

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Notas de fim de tomo:

[N210] A Conferência de Londres da I Internacional teve lugar entre 17 e 23 de Setembro de 1871. Foi convocada sob o clima de repressão brutal que se abateu sobre os membros da Internacional após a queda da Comuna de Paris, e o número de participantes foi bastante restrito: 22 delegados com voto deliberativo e 10 com voto consultivo. Os países que não puderam enviar delegados seus foram representados pelos secretários correspondentes do Conselho Geral. Marx representava a Alemanha, Engels a Itália.
A questão da acção política da classe operária foi o principal tema dos trabalhos da Conferência de Londres e foi analisada em todos os aspectos nos discursos de Marx e Engels. A Conferência aprovou a resolução «Sobre a Acção Política da Classe Operária», cuja parte principal foi, por decisão do Congresso da Haia, incluída nos Estatutos Gerais da Associação Internacional dos Trabalhadores. Várias resoluções da Conferência visavam os bakuninistas, que tentavam cindir a Internacional. (retornar ao texto)

Inclusão 03/10/2008
Alteração 14/03/2009