"Entre Jena e Leipzig" e "O Fascismo, A Pequena-Burguesia e a Classe Operária, de August Thalheimer

Érico Sachs

Abril de 1976


Primeira Edição: Escrito para apresentação dos textos "Entre Jena e Leipzig" e "O Fascismo, a Pequena-Burguesia e a Classe Operária", na Revista Marxismo Militante Exterior N° 2, abril de 1976.

Fonte: Centro de Estudos Victor Myer.
Transcrição: Pery Falcón
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Fernando A. S. Araújo


Como anunciamos, prosseguimos neste número com a publicação de subsídios para uma discussão do problema do fascismo. Apresentamos hoje mais dois artigos de Thalheimer, o teórico marxista que mais aprofundou a questão. "Entre Jena e Leipzig" foi publicado na "Internationale", órgão teórico do KPD (Partido Comunista alemão), o outro, "O Fascismo, A Pequena-burguesia e a Classe Operária, no "Rote Fahne", o órgão diário do Partido. Os dois trabalhos são de 1923. Portanto, são anteriores ao "Sobre o Fascismo", que publicamos no Número 1 de Marxismo Militante, que data de 1928.

Dissemos na introdução ao "Sobre o Fascismo", que aquele trabalho não tratava tanto das origens e do caráter de classe do fascismo e sim das suas relações com a grande burguesia. Tratava exatamente da função do fascismo como forma de governo, como variante específica da ditadura indireta da burguesia. Assinalamos também que o trabalho se concentrava nesse aspecto da questão porque, naquela época, os comunistas concordavam em princípio sobre o problema das origens e do caráter de classe do fascismo. Hoje, essa concordância não parece tão tranqüila, já que a experiência prática com o movimento fascista de massa não é da nossa geração.

Para completar o quadro, selecionamos agora artigos que cuidam das origens e do caráter do movimento e que dizem respeito, fundamentalmente, às relações do fascismo com a pequena-burguesia. 1923 foi o ano em que o nazismo fez a sua primeira tentativa de disputar o poder. Não conseguiu em virtude da recusa da classe dominante alemã de abrir mão dos seus instrumentos de governo direto — e a burguesia pôde tomar essa atitude porque tinha ainda à sua frente anos de prosperidade econômica, o primeiro "Milagre Econômico". O problema fascista na Alemanha se tornou agudo de novo de 1929 em diante.

Os artigos, que agora reproduzimos, ao contrário do "Sobre o Fascismo", não foram redigidos como análises teóricas, propriamente ditas. São trabalhos escritos durante a luta e em função desta. A teoria entra na medida em que fundamenta a militância imediata. Foram redigidos como pontos de vista da direção do Partido — da qual seu autor fazia parte — para orientar a atuação das bases e como tal tem que ser vistos. Por esse motivo, também, tomamos a liberdade de encurtar o artigo "Entre Jena e Leipzig", deixando de fora algumas passagens que tratam de maneira particularmente detalhada a situação alemã de 1923.

Pretendemos ainda, no próximo número, publicar matéria sobre as posições do movimento operário revolucionário frente ao fascismo, da sua estratégia e tática, e particularmente da "teoria do social-fascismo", que em 1928 levou à cisão do KPD. É justamente este aspecto da questão que está tomando atualidade de novo, em virtude da tentativa, em escala mundial, de combater o neo-revisionismo com o armamento teórico do ultra-esquerdismo de ontem.

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Inclusão 24/05/2014