A Todos os Operários

Stálin

19 de outubro de 1905


Primeira Edição: proclamação impressa a 19 de outubro de 1905, em Avlabar, na tipografia ilegal da União ásica do P.O.S.D.R.
Fonte: J.V. Stálin - Obras - 1º vol. - traduzida da edição italiana da Obras Completas de Stálin publicada pela Edizioni Rinascita, Roma, 1949.
Tradução de:........
Transcrição e HTML de: Fernando A. S. Araújo, novembro 2005.
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capa

Marcha a revolução! O povo revolucionário da Rússia sublevou-se e ronda o governo tzarista para assaltá-lo! Desfraldam-se ao vento as bandeiras vermelhas, erguem-se as barricadas, o povo empunha armas e investe contra as instituições estatais. Ressoou novamente o apelo dos destemidos, novamente despertou a vida que se havia aquietado. A nau da revolução içou as velas e singra para a liberdade. Essa nau é conduzida pelo proletariado da Rússia.

Que pretendem os proletários da Rússia, para onde vão eles?

Derrubaremos a Duma tzarista, elegeremos a Assembléia Constituinte de todo o povo: eis o que dizem hoje os proletários da Rússia. O proletariado não pedirá ao governo pequenas concessões, não lhe pedirá o fim do "estado de sítio" e das "execuções" em algumas cidades e aldeias; o proletariado não se rebaixará a tais mesquinharias. Quem pede concessões ao governo não crê na morte do governo, e o proletariado vive dessa fé. Quem espera "favores" do governo 'não crê na força da revolução, e o proletariado vive dessa fé. Não! O proletariado não gastará suas energias em reivindicações insensatas. Ele só tem uma reivindicação a respeito da autocracia tzarista: abaixo a autocracia, morte à autocracia! E nos espaços ilimitados da Rússia, ressoa cada vez mais audaz o grito revolucionário dos operários: Abaixo a Duma de Estado! Viva a Assembléia Constituinte de todo o povo! Eis o que pretende hoje o proletariado da Rússia.

O tzar não dará a Assembléia Constituinte de todo o povo, o tzar não destruirá sua própria autocracia, isto ele não fará! A "constituição" capenga que ele "dá" é uma concessão provisória, uma promessa farisaica do tzar, e nada mais! Compreende-se que utilizaremos essa concessão, que não impediremos que a noz caia para o corvo, a fim de em seguida quebrar-lhe a cabeça com essa mesma noz. Mas permanece o fato de que o povo não pode contar com a promessa do tzar; deve contar apenas consigo mesmo, e deve confiar apenas em suas próprias forças; a libertação do povo deve ser realizada pelas mãos do próprio povo. Somente sobre os cadáveres dos opressores é que se poderá erigir a liberdade do povo, somente com o sangue dos opressores é que se poderá adubar o terreno para a soberania do povo! Só quando o povo armado atacar, tendo à frente o proletariado, levantando a bandeira da insurreição geral, só então poderá ser derrubado o governo tzarista, que se apóia nas baionetas. Nada de frases vazias, nada de um imenso "auto-armamento", mas o armamento efetivo e a insurreição armada; eis para onde se dirigem hoje os proletários de toda a Rússia.

A insurreição vitoriosa levará à derrota do governo. Mas não é raro que os governos vencidos se tenham novamente posto de pé. Entre nós também o governo pode tornar a se pôr de pé. As forças obscurantistas que durante a insurreição se escondem pelos cantos, no dia seguinte à insurreição sairão de seus covis e procurarão pôr novamente o governo de pé. Assim, os governos derrotados ressurgem da morte. O povo deve reprimir sem trégua essas forças obscuras, deve aniquilá-las! Mas, para fazer isso, é necessário que no dia seguinte à insurreição, todo o povo vitorioso se arme, que imediatamente se transforme em exército revolucionário e esteja sempre preparado para defender com as armas nas mãos os direitos conquistados.

Só quando o povo vitorioso se tiver transformado em exército revolucionário, só então estará capacitado a destruir definitivamente as forças que se tenham escondido. Só o exército revolucionário pode dar forças à ação do governo provisório, só o governo provisório poderá convocar a Assembléia Constituinte de todo o povo, que deve instaurar a república democrática, o exército revolucionário, e o governo revolucionário provisório, eis quais são hoje os objetivos dos proletários da Rússia.

Este é o caminho em que se colocou a revolução russa. Este caminho conduz à soberania do povo e o proletariado convida todos os amigos do povo a marchar por esse caminho.

A autocracia tzarista barra o caminho à revolução popular; com seu manifesto de ontem ela pretende frear este grande movimento. É claro que as torrentes revolucionárias tragarão e varrerão a autocracia tzarista...

Ódio e desprezo a todos os que não trilham o caminho do proletariado; eles estão traindo vilmente a revolução! Infâmia àqueles que trilharam de fato esse caminho, mas em palavras se exprimem de modo diferente: esses pusilânimes temem a verdade!

Nós não tememos a verdade, nós não tememos a revolução! Ribombe com mais força o trovão, desencadeie-se mais violenta a tempestade! A hora da vitória se aproxima!

Lancemos, pois, com entusiasmo as palavras de ordem do proletariado da Rússia:

O Comitê de Tíflis

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Inclusão 06/12/2005