Tíflis, 20 de Novembro de 1905

J. V. Stálin

20 de Novembro de 1905


Primeira Edição: "Kavkazki Kabótchi Listok" (Folha Operária do Cáucaso), n.° 1, 20 de novembro de 1905. Artigo não assinado.
Fonte: J.V. Stálin – Obras – 1º vol., pg. 182 a 184. Editorial Vitória, 1954 – traduzida da edição italiana da Obras Completas de Stálin publicada pela Edizioni Rinascita, Roma, 1949.
Tradução: Editorial Vitória
Transcrição: Partido Comunista Revolucionário
HTML:
Fernando A. S. Araújo.
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.

capa

A grande revolução russa já começou! Já vivemos o terrível primeiro ato dessa revolução, que terminou formalmente com o manifesto de 17 de outubro. O tzar autocrata "pela graça de Deus" inclinou sua "cabeça coroada" perante o povo revolucionário e lhe prometeu as "bases indestrutíveis da liberdade civil"...

Mas isto é apenas o primeiro ato. É somente o princípio do fim. Estamos às vésperas de grandes acontecimentos, dignos da grande revolução russa. Estes acontecimentos movem-se em nossa direção com a severidade inexorável da história, com férrea inelutabilidade. O tzar e o povo, a autocracia do tzar e a soberania do povo são dois princípios hostis, diametralmente opostos. A derrota de um e a vitória do outro só podem ser conseqüência de um conflito decisivo entre um e outro, de uma luta desesperada, de uma luta de morte. Ainda não houve essa luta. Ela ainda está para vir. E o poderoso titã da revolução russa, o proletariado de toda a Rússia, prepara-se para ela com todas as suas forças, com todos os seus meios.

A burguesia liberal procura evitar essa batalha fatal. Acha que já é tempo de acabar com a "anarquia" e começar o pacífico trabalho "construtivo", o trabalho da "edificação do Estado". Tem razão; basta-lhe aquilo que o proletariado já arrancou ao tzarismo com sua primeira ação revolucionária. Agora, ela pode ousadamente estreitar uma aliança, em condições vantajosas, com o governo tzarista e, conjugando forças, marchar contra o o inimigo comum, contra o seu próprio "coveiro", o proletariado revolucionário. A liberdade burguesa, a liberdade de exploração já está assegurada, e isto é quanto basta à burguesia. A burguesia russa, que nunca foi revolucionária, nem por um instante, já se coloca abertamente ao lado da reação. Boa viagem! Não nos afligiremos muito com essa circunstância. O destino da revolução nunca esteve nas mãos do liberalismo. A marcha e o êxito da revolução russa dependem inteiramente do comportamento do proletariado revolucionário e dos camponeses revolucionários.

O proletariado revolucionário urbano, dirigido pela social-democracia, e os camponeses revolucionários, nas suas pegadas, apesar de todas as manobras dos liberais, continuarão firmemente sua luta até a derrubada completa da autocracia e a edificação sobre suas ruínas da livre república democrática.

Esta é a tarefa política imediata do proletariado socialista, este o seu objetivo na revolução atual, e, apoiado pelos camponeses, alcançará este objetivo custe o que custar.

O caminho que deve conduzí-lo à república democrática foi também por ele traçado de modo claro e preciso.

  1. O conflito decisivo, desesperado, de que falamos acima;
  2. o exército revolucionário organizado no curso desse "conflito";
  3. a ditadura democrática do proletariado e dos camponeses, personalizada pelo governo revolucionário provisório, surgido em seguida ao "conflito" vitorioso;
  4. a Assembléia Constituinte por ele convocada à base do sufrágio universal, direto, igual e secreto;

São estas as etapas que deve percorrer a grande revolução russa antes de alcançar sua meta cobiçada.

Nenhuma ameaça do governo, nenhum manifesto tzarista com grandes promessas, nenhum governo provisório, tipo governo Witte, inventado pela autocracia para sua própria salvação, nenhuma Duma de Estado, mesmo eieita à base do sufrágio universal, etc, convocada pelo governo do tzar, podem desviar o proletariado de seu único caminho revolucionário, que deve conduzí-lo à republica democrática.

Bastam ao proletariado suas forças para prosseguir nesse caminho até o fim, bastam-lhe essas forças para sair com honra dessa luta gigantesca, sangrenta, que se lhe apresenta nesse caminho?

Sim, bastam!

O próprio proletariado pensa assim, e prepara-se com audácia e decisão para a batalha.

Compartilhe este texto:
Início da página
 
Visite o MIA no Facebook
 

pcr
Inclusão 25/12/2010