O Congresso dos Povos do Daguestão[116]

J. V. Stálin

13 de Novembro de 1920


Primeira Edição: "Soviétski Daguestan» («O Daguestão Soviético"), n.° 76. 17 de novembro de 1920.
Fonte: J.V. Stálin – Obras – 4º vol., Editorial Vitória, 1954 – traduzida da edição italiana da Obras Completas de Stálin publicada pela Edizioni Rinascita, Roma, 1949.
Tradução: Editorial Vitória
Transcrição: Partido Comunista Revolucionário
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Fernando A. S. Araújo, setembro 2006.
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1. Declaração sobre a autonomia soviética do Daguestão

Camaradas! O governo soviético da República Federativa Socialista da Rússia, empenhado nos últimos tempos na guerra contra os inimigos externos no sul e no oeste, contra a Polônia e Wrángel, não teve nem possibilidade nem tempo de dedicar-se à solução do problema que agita o povo do Daguestão.

Agora que o exército de Wrángel foi derrotado, que os seus míseros restos fogem para a Criméia, que foi concluída a paz com a Polônia, o governo soviético tem a possibilidade de ocupar-se do problema da autonomia do povo do Daguestão.

No passado, o Poder na Rússia estava nas mãos do tzar, dos latifundiários, dos fabricantes e dos industriais. No passado, a Rússia era a Rússia dos tzares e dos carrascos. Vivia mantendo oprimidos os povos que formavam o império russo. Seu governo vivia sugando o sangue dos povos por ela oprimidos, inclusive o povo russo.

Era o tempo em que todos os povos maldiziam a Rússia. Mas essa época já pertence ao passado. Foi sepultada e não poderá nunca mais ressurgir.

Das ruínas dessa Rússia tzarista opressora nasceu uma nova Rússia, a Rússia dos operários e dos camponeses.

Para os povos que fazem parte da Rússia começou uma nova vida. Começou o período da emancipação desses povos que sofreram sob o jugo dos tzares e dos senhores, dos latifundiários e dos industriais.

O novo período, iniciado após a Revolução de Outubro, quando o Poder passou para as mãos dos operários e dos camponeses e tornou-se comunista, já é famoso não só por haver libertado os povos da Rússia. Ele também se propôs a tarefa da libertação de todos os povos que sofrem sob o jugo dos imperialistas ocidentais, inclusive os povos do Oriente.

A Rússia tornou-se a alavanca do movimento de libertação, que impele para a frente não só os povos do nosso país, como também os do mundo inteiro.

A Rússia Soviética tornou-se o archote que ilumina o caminho da libertação para todos os povos oprimidos.

No momento presente, o governo da Rússia, que, graças à vitória alcançada sobre os inimigos, teve a possibilidade de ocupar-se dos problemas inerentes ao seu desenvolvimento interno, julgou necessário declarar-vos que o Daguestão deve ser autônomo, e que, embora mantendo laços fraternais com os povos da Rússia, poderá ter, no interior, um autogoverno.

O Daguestão deverá administrar-se de conformidade com as suas particularidades, seus costumes, seus usos.

Foi-nos dito que entre os povos do Daguestão o chariat tem uma grande importância. Também tivemos conhecimento de que os inimigos do Poder Soviético espalham boatos segundo os quais o Poder Soviético proíbe o chariat,

Estou, autorizado a declarar aqui, em nome do governo da República Socialista Federativa Soviética da Rússia, que esses boatos são falsos. O governo da Rússia oferece a cada povo o pleno direito de governar-se baseado nas suas leis e nos seus costumes.

Ele considera o chariat um direito incontestável, normal, que têm também outros povos que habitam a Rússia.

Se o povo daguestano deseja conservar suas leis e seus costumes, tanto aquelas quanto estes devem ser conservados.

Ao mesmo tempo, julgo necessário declarar que a autonomia do Daguestão não significa e não pode significar a sua separação da Rússia Soviética. A autonomia não é a independência. A Rússia e o Daguestão devem conservar-se ligados, porque só nesse caso o Daguestão, poderá conservar sua liberdade. Concedendo a autonomia ao Daguestão, o governo soviético tem o objetivo preciso de confiar todos os órgãos de direção do Daguestão, quer econômicos quer administrativos, a homens honestos e devotados, que amem seu povo, a homens que provenham das fileiras dos trabalhadores locais. Só assim, só dessa maneira, se pode aproximar, no Daguestão, o Poder Soviético do povo. O Poder Soviético não tem nenhum outro objetivo a não ser o de elevar o Daguestão a um nível cultural mais alto, fazendo participarem do trabalho de direção homens do lugar.

O Poder Soviético sabe que a ignorância é o primeiro inimigo do povo. Por isso é necessário criar mais escolas e órgãos administrativos que se sirvam das línguas locais.

Dessa maneira o Poder Soviético espera tirar os povos do Daguestão do pântano, das trevas e da ignorância em que a velha Rússia os havia atirado.

O governo soviético acredita que seja necessário instituir no Daguestão uma autonomia semelhante à de que gozam o Turquestão e as repúblicas quirguiz e tártara.

O Poder Soviético propõe a vós, representantes dos povos do Daguestão, confiar ao vosso Comitê Revolucionário o encargo de eleger os representantes a serem enviados a Moscou para elaborarem lá, juntamente com os representantes do Poder Soviético Supremo, o projeto de autonomia para o Daguestão.

Os últimos acontecimentos sucedidos no Daguestão Meridional, onde o traidor Gotsinski — executor da vontade do general Wrángel, do mesmo Wrángel, que no tempo de Denikin combateu contra os insurretos e destruiu os aúis dos montanheses do Cáucaso Setentrional — atenta contra a liberdade do Daguestão. Esses acontecimentos dizem muitas coisas.

Devo salientar que na luta contra Gotsinski para defender o seu Poder Soviético, o povo do Daguestão mostrou sua fidelidade à bandeira vermelha.

Se expulsardes Gotsinski, inimigo dos trabalhadores do Daguestão, dareis uma prova de que é justificada a confiança que o Poder Soviético Supremo vos demonstra dando ao Daguestão a autonomia.

O governo soviético é o primeiro governo que voluntariamente dá ao Daguestão a autonomia.

Estamos certos de que os povos do Daguestão mostrar-se-ão dignos da confiança que o governo soviético deposita neles.

Viva a união dos povos do Daguestão com os povos da Rússia!

Viva a autonomia soviética do Daguestão!

2. Discurso de encerramento

Camaradas! Agora que o último inimigo do Poder Soviético foi derrotado, o significado político da autonomia que o governo soviético deu, voluntariamente ao Daguestão, torna-se evidente.

É preciso voltar a atenção para uma circunstância. Ao passo que o governo tzarista e em geral os governos burgueses do mundo habitualmente fazem concessões ao povo e concedem estas ou aquelas reformas só no caso de que circunstâncias difíceis os obriguem a fazê-lo, o governo soviético, pelo contrário, quando se encontra no apogeu dos seus êxitos concede a autonomia ao Daguestão de maneira totalmente espontânea.

Isso significa que a autonomia do Daguestão entrará na vida da vossa República como base duradoura e intangível. De fato é duradouro só aquilo que se dá espontaneamente.

Concluindo, desejava frisar o fato de que essa grande confiança, que o Poder Soviético mostrou ter em vos, será justificada pelos povos do Daguestão na luta que eles travarão de futuro contra os nossos inimigos comuns.

Viva o Daguestão autônomo soviético!


Notas de fim de tomo:

[N116] O Congresso dos Povos do Daguestão realizou-se em Temir-Khan-Chura a 13 de novembro de 1920 com a participação de cerca de 300 delegados. Depois que Stálin proclamou a autonomia do Daguestão, Ordjonikidze pronunciou um discurso de saudação. O Congresso aprovou a resolução que proclamava a indissolúvel união dos povos do Daguestão com os povos trabalhadores da Rússia Soviética.

 

pcr